Gostaria de vos dar algumas pistas de reflexão sobre os dois filmes que vimos nas duas primeiras aulas:
a) A inquietação é um traço comum. Em ambos os casos sente-se um mal estar nos protagonistas, numa vida que por razões diferentes é absolutamente disfuncional. Ou seja, existem expectativas de vida, que por diferentes razões são goradas.
b) O filme Volume no Máximo, pode-se entender quase como um filme político pós-ideológico. A personagem principal não sabe bem o que quer, mas sabe bem o que não quer. Uma sociedade excessivamente competitiva, onde os pais aliviam as suas frustrações nas expectativas dos filhos. Um conflito de gerações latente, entre os pais que acham que tudo o que dão aos filhos é o que eles precisam e estes, que não querem nada do que lhes propõem.
c) Trata-se de um mecanismo de reprodução social. É suposto que os filhos paguem com estudos e sucesso na vida o investimento dos pais. É necessário que sejam competitivos e que saibam «furar» para alcançar os patamares do sucesso, ou seja, uma profissão socialmente reconhecida, que lhes dê conforto e bons salários.
d) Isto é mais notório no pai de Mark , que representa uma forte libelo acusatório contra a geração de 60. Aqueles que um dia quiseram mudar o mundo, que fumaram charros e recusaram a guerra do Vietname, que apregoaram a revolução e o amor livre, acomodaram-se, integraram-se no sistema e são os seus maiores reprodutores. Procuram o sucesso a qualquer preço e substituíram os sonhos colectivistas pelas mesquinhas ambições individualistas. quero ter sucesso e os outros que se lixem.
e) Este manto hipócrita onde aparentemente tudo corre bem, mas onde realmente tudo corre mal, reflecte-se de forma brutal na escola. Professores amorfos que colonizam mentalmente os alunos (com excepção de uma professora) e uma directora que nega o mais elementar direito dos alunos estudarem expulsando-os quando têm mais notas, servindo-se de um «gorila» para domesticar os alunos e reprimir qualquer dissonância.
f) A revolta de Mark é a revolta possível. Individualista, descoordenada, titubeante, é, no entanto genuína e intensa e daí o seu sucesso junto dos colegas. Aparentemente, está condenada ao fracasso. Mas, na medida em que é capaz de alertar as consciências e impor a modificação dos comportamentos, ela já é, em si mesma um sucesso.
A questão que eu queria colocar para discussão é que todos possam fazer um exercício de apropriação pessoal do filme. Mais do que saber se a revolta de Mark é legítima,impõe-se a questão de saber até que ponto o mal estar pode ser transportado para os dias de hoje e para o nosso espaço.O que é que corre mal para os jovens de hoje? É possível mudar o que está mal? E como?
Jorge
sem duvida!hoje em dia devem ser mínimos os números de adolescentes que não se iriam identificar e aproximar com o filme e com os aspectos que comentaste...a pressão persegue e toca a cada um de nos mas infelizmente eu penso que o que esta mal e o que provoca revolta nos adolescentes de hoje em dia (respondendo a pergunta essencial colocada no fim do post) não pode ser 100%resolvido e que sendo os adolescentes (a maioria) cada vez menos preocupados e mais comodista não nos vamos aproximar sequer de 5% se o objectivo é a resolução dos problemas e menos sufocamento social e escolar...e também penso que não será aconselhável a revolução radical para a total resuçao dos problemas e a liberdade total porque apesar do sentimento de revoltar ser igual todos os adolescentes tem perspectivas diferentes e algumas não muito aconselháveis se pretendemos uma sociedade utópica portanto na verdade penso que é exactamente para isso que este sistema para o qual somos empurrados hoje em dia existe...o máximo que pudemos fazer será talvez aproximarmos-nos de um equilibro com o qual nos sentiremos talvez mais a vontade mas isso e bastante subjectivo e depende de cada um.
ResponderEliminarinfelizmente penso que e como no filme é referido "Ser adolescente é uma merda., mas esse e que e o objectivo de o ser.O objectivo é a penas sobreviver"
E parabéns gostei bastante do post