quinta-feira, 23 de setembro de 2010

"Pump Up The Volume"

Para inaugurar as críticas no blog deixo aqui a minha ao "Pump Up the Volume". Não tem ficha técnica, nem propriamente uma sinopse, mas ainda assim gostaria de saber a vossa opinião sobre ela:


         Por onde começar?? “Pump Up the Volume” é um poderoso filme sobre rebelião, revolta, problemas da adolescência e o vicioso e rotineiro “sistema”. Entediado com a vida quotidiana, extremamente encarceradora que o aprisiona dentro da sua mente, Mark, estudante de um excelente liceu dos Estados Unidos da América, decide iniciar uma rádio anónima nocturna, inicialmente por brincadeira, mas que vai ganhando seriedade ao longo do filme e que vai gradualmente aumentando o número de ouvintes. Este tímido aluno com inseguranças típicas da adolescência, por exemplo não conseguir relacionar-se com pessoas, veste a sua capa esvoaçante e o seu “maillot” de Lycra vermelho e combate o vilão: os problemas dos adolescentes. Em vez de super-força, este herói do século XX utiliza armas intelectuais, como a crítica à sociedade e o aconselhamento aos seus aduladores. Faça chuva ou faça sol, às 22h em ponto, batalha dia após dia com os seus super-poderes que o fazem ultrapassar os seus medos e limites, tornando-se numa espécie de guia espiritual dos jovens que o ouvem e seguem o seu lema, “So be it”, e conselhos. Resumindo, um Super-Homem-Dalai-Lama da juventude oprimida, que à noite tira os óculos e a camisa e deixa de ser Clark Kent para dirigir o seu “rebanho” obediente que nele procura segurança, apoio e um líder que os guie numa revolução que não é assim tão pacífica. A sua Kryptonite? Relações interpessoais. Nos últimos momentos do filme Mark deixa cair a máscara, revelando que era o locutor da rádio pirata. Ele jamais será Clark Kent, já não tem medo de se relacionar com seres humanos cara-a-cara, já perdeu as inseguranças. Prevalecerá, apenas, para o resto da sua vida, o Super-Homem-Dalai-Lama revolucionário.


Miguel Sousa


1 comentário:

  1. Acho particularmente interessante a relação que estabeleces entre entre o protagonista do filme e o Clark Kent, sobretudo pela duplicidade das personagens e a dicotomia entre os seus comportamentos de dia e de noite.

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