quinta-feira, 30 de setembro de 2010

"Stand by Me" II

Olá! Bem, peço desculpa pela demora mas só percebi agora como fazer um post!
Aproveitando então o comentário e a reflexão do Renato acerca do filme, sim, porque o que acabei de ler foi, acima de tudo, uma introspectiva, devo dizer-te que concordo com imensas coisas, mas não com todas.
Primeiro, quero que saibas que os termos em que puseste a amizade, tal como já tínhamos discutido na aula, não podiam ser mais verdadeiros e fiéis ao que assistimos no filme. A verdade é mesmo essa, aqueles quatro companheiros não precisaram de ter a família perfeita para viver uma infância feliz, na minha opinião, já que, quem tem amigos verdadeiros, sabe que, em certas alturas, a sua companhia, a sua palavra, o seu sorriso, são reconfortantes o suficiente para nos esquecermos do resto, dos problemas familiares, dos problemas na escola, de tudo o que nos possa preocupar, há sempre maneira de darmos a volta por cima. Eles foram, realmente, bons amigos. Viveram aquela jornada juntos e, apesar de ser "apenas" um filme, não deixa, como disseste, de nos "tocar", porque ficamos contentes pelo sucesso deles, parece que o filme vira realidade e queremos tanto como eles que sejam felizes e que atinjam os seus objectivos. Falo por mim, pelo menos. Acho que isso por si só já é uma vitória para o filme porque, a meu ver, significa que foi bem feito e passou a mensagem de forma muito positiva.
Na aula não tive oportunidade de dizer, mas queria ainda dizer que não concordo, de todo, que as amizades se desenrolem como o Alexandre estava a dizer, porque tal como o personagem principal, acho que é possível dois bons amigos de infância/início de adolescência poderem passar 10 anos separados e continuarem a viver a sua amizade à maneira deles. Não, obviamente, no dia-a-dia, mas, para mim, há simplesmente memórias que não se apagam e nem o passar do tempo é capaz de ir "destruindo" tudo o que se constrói quando somos mais pequenos, sei que parece aquelas frases feitas e banais mas acredito mesmo quando dizem que "numa amizade verdadeira, podem passar anos e anos que, na altura do reencontro, parece que nem um dia passou", soa a artificial, mas não é bom pensar que existem amizades assim? O filme mostra que sim... Acho, sinceramente, que é mesmo verdade que as melhores amizades se fazem até esta altura, não só por tudo o que disseram (depois não somos tão inocentes, ingénuos, etc.) mas também porque é na altura em que estes quatro amigos estiveram juntos que, normalmente, nos descobrimos a nós próprios e afirmamos a nossa identidade, talvez o mais correcto seja mesmo dizer que nos moldamos. E não nos moldamos sozinhos, são estes amigos que nos ajudam, que nos influenciam. A partir da idade que temos agora, acho que já sabemos quem somos e o que queremos, e já nenhum amigo, por muito bom que seja, nos pode ajudar a descobrir como alguns ajudaram até agora, falo por mim.
Relativamente ainda ao comentário do Renato, penso que essa ideia de não termos amigos dispostos a "levar um tiro por nós" talvez seja um pouco forte demais, porque talvez ouse dizer-te que, se pensas assim, não conheceste ainda os teus "melhores amigos" de verdade. Apesar de, até certo ponto, concordar, e até que estamos a entrar numa fase em que escolhemos melhor os amigos, em que a quantidade começa a dar lugar à qualidade, não acho que seja hipocrisia dizer que, felizmente, acredito vivamente que há amigos assim, que estariam dispostos a fazer muito por ti. Isso que disseste seria, obviamente, pedir muito, e também percebo que seja uma maneira de dizeres, mas é uma visão pessimista pensares que todas as amizades de agora, por serem de agora, já não são tão sinceras, ou até bonitas como as já que vivemos e tivémos... talvez esteja enganada, mas quero pensar de forma mais positiva.
Para acabar, quero aproveitar a deixa e agradecer também à Zillah por ter sugerido este filme do qual gostei bastante, por nos ter feito viajar a uma altura que, infelizmente, não volta, e dizer também que gostei muiiiiito da banda sonora, principalmente penso que a primeira música que apareceu, adorei e não podia estar melhor enquadrada. Normalmente não reparamos tanto na banda sonora mas ela tem também um papel muito opinião, pelo menos para mim.
Até um dia destes!!!

2 comentários:

  1. Se gostas-te da banda sonora tens de ver o filme outra vez e ver a parte do filme é o jonh lennon a cantar o "stand by me" que inspirou o titulo do filme está excelente

    Quanto ao comment percebo o teu ponto de vista mas acho que é subjectivo e depende da personalidade de cada um... seria para mim também muito mais fácil pensar como tu... num mundo em que cada amigo que fazes a qualquer altura e contexto da tua vida pode ultrapassar quaisquer barreiras e julgamentos e estará ao teu lado ...eu prefiro ser um pouco mais pessimista não digo que os amigos que vais fazer daqui para a frente sejam piores que os que fizeste daqui para trás só por esse mesmo caso e pelo despoletar dos sentimentos negativos do ser adulto, mas por experiência pessoal e muito mais fácil saíres desiludida ou desapontada porque esperavas mais atenção ou porque pensavas que a pessoa estaria ao teu lado no momento "x" do que numa amizade de infância...resumindo acho que a frase que o professor disse do "tudo bem somos amigos mas tu tens a tua vida e eu tenho a minha" é bastante significativa porque sinceramente ouve algo que me fez alguma impressão no debate e devia ter intervido quando o Faustino disse que o amigo dele ia a casa chamar pais a pessoas que "não eram nada para ele", porque a discussão estava a girar demasiado em volta deste contexto da família e que a relação familiar é bastante influenciável e importante e (a meu ver é claro que aceito e agradeço outras opiniões) a minha definição de família é basicamente um grupo de pessoas que te apoiam que significam algo para ti e que estão la quando precisas deles, resumindo, alguém com quem possas passar tempo de qualidade sem julgamentos nem desilusões,tendo ligações de parentesco OU NÃO... e eu associei bastaste os 4 amigos como se fossem a família mais unida que pode haver, em que cada momento é partilhado, seja de tristeza ou felicidade e que muito importante se ouvem e apoiam uns aos outros crescendo com isso e juntos, que é algo que 95% dos pais de hoje em dia não conseguem fazer primeiro porque não nos compreendem e segundo porque não mostram grande interesse em tentar compreender nem em tentar ouvir... e principalmente acho que hoje em dia se usa a expressão "é uma pessoa de família então é especial" em exagero porque para mim um grupo de amigos pode ser como uma família, uma turma pode ser como uma família, uma equipa desportiva pode ser como uma família, etc...resumindo não temos que pensar com tanto desespero que uma pessoa que tem uma família (pessoas ligadas por sangue e nome) que não lhe liga se deve sentir deprimida porque a família constituiu-se pelos que achamos que a devem constitui não pelo que está escrito num papel do registo civil

    "A verdade é mesmo essa, aqueles quatro companheiros não precisaram de ter a família perfeita para viver uma infância feliz"

    Pois claro que não porque família não passa de uma palavra a meu ver as suas famílias eram eles mesmos.E tens de ser razoável a probabilidade de voltares a encontrar um amigo a que possas chamar família e que ele te possa chamar família a ti também é muito mais reduzida

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  2. concordo quando dizes que as amizades na "infância" são mais puras e simples, sim é verdade, quer queiramos quer não a partir de uma certa idade começamos a ter inveja.somos seres comdefeitos e a inveja está patente em cada um de nós. Passamos a ser ambiciosos e a escolher o melhor, ou não, para nós.
    Não acho a ideia do renato muito pessimista, no mundo em que nós vivemos, já ninguem se sacrifica por ninguém. aplica-se a célebre frase: salve-se quem puder, e não sejamos púdicos porque é mesmo isso que acontece...
    De resto gostei muito da tua apreciação, concordo com tudo o resto

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