Em relação à questão posta sobre se os pais serem considerados cidadãos nacionais seria uma condição necessária, ou não, para os seus filhos o serem, eu penso que não deveria ser. Não sei se haverão contrapartidas que agora não me ocorrem, mas parece-me que, numa primeira perspectiva, se uma pessoa nasceu num determinado país, e lá viveu toda a vida, não deve ser considerada menos portuguesa (partindo do princípio que estamos a falar de Portugal) do que qualquer outra. Se realmente abraçar a cultura, e mais do que tudo se sentir portuguesa, porque não? Faz-me pensar, por exemplo, num plano menor, quando uma criança adoptada considera os seus verdadeiros pais os adoptivos, apesar de saber que estes não o são. Claro que aqui se misturam muitas burocracias, não é uma questão assim tão linear, mas se se sente como um português ou, como no meu exemplo, que os que realmente tiveram o papel de pais foram os adoptivos, porque não dizer que é portuguesa, ou filha deles? A condição necessária aqui seria nascer no país, não vejo razão para mais complicações.
Em relação aos direitos dos imigrantes, se fossem diferentes dos nossos, como seria possível sentirem-se integrados no país? Acho que seria o início ideal para que a tentativa de coexistência entre culturas corresse mal. De facto, se uns estivessem a um nível abaixo dos outros, logo de início, era um passo gigante para complicações futuras. Como vimos em alguns dos filmes, e pensando em particular no Combo, algumas pessoas já têm a capacidade natural de se inferiorizarem (e estou a pensar mo momento em que ele, na minha perspectiva, encara um simples convite para um jantar de família como um tratamento de coitadinho, porque no fundo se deve sentir como um), se o mundo exterior também o faz, torna o início de manifestações violentas e afins altamente provável!
Isa Marques
A comparação que fizeste é interessante, Isa. O cenário de adopção tem outras semelhanças com o da imigração.
ResponderEliminarTal como alguns cidadãos naturais rejeitam os imigrantes e os vêem como adversários, intrusos; algumas pessoas podem ver os seus recém-chegados irmãos como inimigos, pessoas diferentes e desconhecidas a entrar no seu ambiente familiar, que lhes é privado.
Novamente, parece que a questão se resume a insegurança e falta de auto-estima.
A questão da naturalização dos imigrantes parece-me bastante delicada. O facto de eles nascerem no país em questão deveria ser suficiente, suponho, mas isso pode trazer problemas: pessoas que vivem marginalizadas e não se identificam com a cultura que os rodeia, pois foram criados por pessoas que não a integram, mas são cidadãos do país em questão à mesma.
Isto resolveria-se facilmente com a tua proposta de dar a nacionalidade apenas àqueles que se sentem (neste caso) portugueses, mas quantos de nós são de famílias portuguesas que aqui habitam à séculos e não se sentem portugueses?
Alguém também sugeriu que apenas se aceitassem aqueles que "contribuem" para o país, o que faz todo o sentido e talvez seja uma medida a adoptar, mas eventualmente iria ser posta a questão de muitas pessoas que nasceram - e cujos pais e avós também nasceram - nesse país não contribuirem minimamente para esse país ser melhor.
Enfim...
Sim, tens toda a razão. Até imagino essa questão de contribuírem para o país ou não ser considerada por alguns relativa, haver quem não concorde que outra pessoa (ou outras...) realmente contribui. Esse é um problema em tudo, como é óbvio, as opiniões nunca são homogéneas e muito raramente as coisas funcionam a 100%(para não dizer nunca). É algo que, de facto, faz todo o sentido, mas mais uma vez, se formos pensar assim, acredito que nos depararíamos com imigrantes a fazer mais pelo país que outras pessoas que lá nasceram, assim como o resto da família, como tu disseste e muito bem. Já se sabe que, muitas vezes, quem não sabe fazer limita-se a criticar, e esses de certeza que não iam ser expulsos só por isso, já tinham a "posição garantida" há muito tempo, por assim dizer. Têm direito à sua opinião, isso é claro, e o "se não gostas, muda-te" não é assim tão fácil de aplicar neste caso, ou correcto.
ResponderEliminarÉ difícil surgir com uma "solução" nesta área, e ao mesmo tempo não levantar uma série de contrapartidas, como já se viu.
Isa
A comparação entre a imigração e adopção foi bastante boa.
ResponderEliminarEm relação à questão dos imigrantes se tornarem cidadãos nacionais, legalmente, e salvo erro, são necessários pelo menos 6 anos vividos num determinado país sem cometer quaisquer crimes ou ilegalidades e é obrigatório um contrato de trabalho ( para se poder ter todos os documentos em ordem como os referentes à Segurança Social e outros). Estes são os requisitos burocráticos e considero-os bons e suficientes.
O problema reside na aceitação pela parte social, se bem percebi é o que realmente está a ser discutido. Quanto a isso a única solução é maior tolerância e flexibilidade por parte de todos.