Se não se importam, gostaria de analisar o filme que vimos ontem, numa perspectiva mais política, uma vez que as outras foram mais abordadas na aula.
Há um traço dominante no discurso do dirigente da National Front (hoje British National Party) e que tanto cativa a assistência: a defesa do nacionalismo e o ódio aos estrangeiros.
Este discurso feito em 1983 ainda se repete frequentemente nas intervenções públicas da extrema direita europeia (e não só, vejam o episódio de Sarkozy e dos ciganos em França)e, pelo menos nalguns países, com bastante sucesso. Parece, no entanto, ser um discurso completamente contrário à evolução das sociedades, uma vez que a globalização impôs uma muito maior circulação de capitais e de pessoas tornando as sociedades muito mais multi-culturais.
Posto isto, gostava de colocar algumas questões para poderem ser discutidas aqui no blogue?
a) Como se justifica que estas ideologias tenham tanto sucesso em determinados países da Europa, quando se limitam a apelar aos sentimentos mais baixos da população através de um discurso xenófobo e racista?
b) Que políticas devem existir face à pressão migratória das regiões mais pobres do mundo? Aceitar todos? Expulsar todos? Expulsar os que se portam mal?
c) Quem deve ser considerado cidadão nacional? Todos os que nascem cá, mesmo sendo filhos de estrangeiros, ou aqueles que mesmo nascendo cá têm que ser filhos de nacionais?
d) Que direitos devem ter os imigrantes? Os mesmos que os nacionais, ou menos do que a estes?
e) Como podemos integrar os povos das culturas que são muito diferentes das nossas e que se auto-marginalizam como os ciganos ou os árabes?
f) Finalmente, a questão fundamental em termos filosóficos e que já John Locke colocava no final do século XVII: quais são os limites da tolerância?
Jorge
Queria apenas abordar brevemente a questão da tolerância:
ResponderEliminarA tolerância é contraditória na medida em que, para sermos consistentes com a teoria, temos de aceitar a intolerância.
Assim, num esforço para serem consistentes, ou para fazerem sentido, os governos democráticos vão-se acanhar de tomar medidas que sejam minimamente intolerantes, o que eventualmente poderá causar algum tipo de transtorno a pessoas que continuarão a procurar e formar partidos que irão, de facto, tomar apenas medidas intolerantes, seja qual for a razão.
discordo um bocado, acho que a tolerancia é um aspecto positivo mas quando passa de tolerancia a mer passividade aí a questao muda de figura.
ResponderEliminarFocando-me agora mais no 1º ponto, eu acredito que ainda há muita gente retrógrada que toma a presença de imigrantes como concorrência e uma ameaça à sua área pessoal. Parece-me que, no fundo, não têm é confiança nas suas capacidades, ou simplesmente não as desenvolveram, e se, por exemplo, a nível profissional valerem mesmo alguma coisa, apesar de ser mais difícil, não são os imigrantes que os vão impedir de alcançar o que querem. É claro que a questão da “mão-de-obra barata” torna tudo muito mais complicado, mas a solução não será revoltar-se contra ela, que simplesmente aceitou uma oportunidade. As pessoas ainda se dividem muito em grupos e fazem questão de impor limites, principalmente no que se trata de aceitar novos participantes. Os imigrantes são encarados como intrusos. Aqueles querem subir na vida e que os louros venham para si. A vinda dos imigrantes, no máximo, só faz com que tenham de trabalhar mais por isso. É o desejo de distinção que alimenta isto? É um complexo que têm com eles próprios? Acredito que quem esteja bem consigo próprio não o tome como uma ameaça e sim como uma colaboração entre culturas, sem repúdios ou complexos de inferioridade disfarçados de superioridade. É medo de se perderem neste ambiente? Parece-me que é de quem se inferioriza e se sente menos capaz no grande grupo, em que qualquer pessoa é aceite. Provavelmente quererão condicionar a sua competição, e aqui tudo lhes foge do controlo. Não querem abrir portas porque têm medo de não se adaptarem ou não se distinguirem na imensa multidão (?!). O ser imigrante aqui acaba por se lhes tornar conveniente pois convencem-se que é uma boa desculpa para o ódio e o desejo de que se vão embora, e não ponham os seus lugares na sociedade em prova, pois parece ser o problema deles aqui. Empenhem-se e a imigração talvez já não lhes pareça a culpada.
ResponderEliminarEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarpeço desculpa pela repetição, a culpa é do computador
ResponderEliminar@ André Faria Não vejo como é que aquilo que eu disse vai contra o que disseste. A questão da tolerância é que infelizmente muitas vezes acaba em passividade e é exactamente isso que leva a que certas pessoas recorram a partidos políticos intolerantes para transmitirem o que pensam e resolverem os seus problemas.
ResponderEliminarÉ claro que o meu comentário não é contra a tolerância, nem tudo o que se quer é consistência, e a tolerância é obviamente muito mais positiva e interessante do que a intolerância, que simplesmente não o é. Estava apenas a comentar uma falha que pode acabar por ser lamentável. No final de contas, basta apenas aquilo que se apelida de "bom senso".
@ mojo pin (grande música já agora)Concordo plenamente com a questão dos imigrantes serem injustamente culpados e odiados por "roubarem" os empregos dos outros. As pessoas que devem ser culpadas são as empresas que os contratam em situações de ilegalidade por serem mais baratos e porque aceitam que se abuse dos seus direitos.
A questão das pessoas se sentirem perdidas na multidão é interessante. Pode ser porque irão ter uma maior dificuldade em se destacar pela positiva, mas também é bem possível que, ao verem muitas pessoas de outros países a chegar e a divulgar e "ostentar" a sua cultura, as pessoas se sintam deslocados, como se não estivessem no sítio que conheciam. É sempre uma pena ver a "identidade" de um país ou cultura desaparecer, o que é interessante é haver um certo contacto entre culturas em todos os países, sem marginalização e sem imposição.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarPrecisamente Hugo, se querem culpar alguém, culpem quem torna esta situação possível, e não quem, provavelmente sem grandes opções, acaba por ter de aceitá-la. Aliás, isto terá começado precisamente por se saber que eles não tinham muito por onde escolher, e acabariam por aceitar salários ridículos, que muita gente não quer.
ResponderEliminarSim, essa é também uma possibilidade. Esta ligação de culturas pode sempre levar a que pequenas partes da identidade nacional sejam esquecidas. Mas parte-se do princípio que, se tudo correr bem, isto se fará de uma forma equilibrada e com uma coexistência saudável entre culturas, sem uma sufocar a outra.Aí sim, torna-se numa situação muito interessante, como tu disseste!
Isa
Relativamente à questão da integração de povos como, por exemplo, ciganos, penso que estão já neste momento a serem tomadas medidas para tornar possível a coexistência entre a sua cultura e a nossa. O problema reside no facto de este povo viver muito ligado às suas tradições e se recusar a cooperar.
ResponderEliminar