sábado, 16 de outubro de 2010

Rankings: serão importantes?

Já que estamos, no blog, a discutir questões sobre a educação e as escolas, e já foi feita uma referência ao ranking deste ano, gostaria que dessem a vossa opinião sobre uma parte de uma das respostas da entrevista dada por Joaquim Azevedo, membro do Conselho Nacional da Educação, ao Jornal Público, que passo a copiar:

Público: Os rankings são ou não indicadores da qualidade das escolas?

JA: "São um contributo para aferirmos a qualidade das escolas, mas temos que enriquecer o indicador dos exames com outros indicadores, porque muitas vezes o que estamos a comparar é escolas com muito poucos alunos em exame com escolas com muitos alunos e aí há diferenças muito grandes. Outra questão ligada a este fenómeno é que há escolas – mesmo públicas – que, entre o 10.º e o 12.º ano, praticam uma selecção de carácter social e económico e, portanto, os que levam a exame são muito poucos. Dos outros alunos, dos que fi caram pelo caminho e muitas vezes abandonaram a escola, ninguém fala. É escandaloso o que se passa nalgumas escolas públicas que, por força da pressão que os rankings introduziram, começaram a enveredar por estratégias de limpeza: levam os alunos até ao secundário sem problemas nenhuns, chegam aos conselhos de turma no 9.º ano e aprovam e fazem transitar alunos com cinco e seis níveis negativos, e, quando chegam ao 10.º ano, reprovam-nos. Nós temos níveis de abandono de vinte e trinta por cento em algumas escolas secundárias, logo no 10.º ano, e isto é gravíssimo. Por isso é que me tenho batido para que se criem indicadores compósitos e para que não se trabalhe só com este indicador dos exames nacionais."

Achei muito interessante esta sua resposta porque, para além de ser algo que sempre me fez imensa confusão, a forma como há escolas que, como já disseram aqui, "convidam os alunos a sair", é também uma forma de discriminação e prenconceito puros, na minha opinião. Será que o facto de essas escolas quererem os lugares cimeiros justifica tudo? Não existirão limites para o desejo e ânsia de sucesso? Será que os exames nacionais são a única coisa que realmente importa?

19 comentários:

  1. Rita, na minha opinião, dizer que as escolas privadas convidam os alunos a sair é uma teoria um pouco pessimista. Claro que isto acontece, mas são casos muito raros e normalmente não se devem somente às más notas mas também ao mau comportamento do aluno. Não penso que o interesse da escola ao convidar os alunos a sair seja unicamente o prestígio e a "ânsia de sucesso" como referes, mas principalmente não deixar que vigore nenhum tipo de anarquia ou desrespeito pelos professores tal como acontece frequentemente nas escolas públicas.
    Quanto ao facto de os rankings serem ou não indicadores da qualidade das escolas, penso que depende do ponto de vista. Por que será que existe uma tamanha diferença entre as escolas públicas e as privadas no ranking nacional? Não me parece que os professores do ensino público sejam piores que os do privado nem que os alunos das escolas privadas, apesar de em geral terem mais bens materiais, sejam mais inteligentes que os do ensino público... A meu ver, a razão para esta diferença está no facto de os alunos do ensino privado terem melhores condições sociais que lhes permitem obter boas notas. Muitas vezes têm melhores condições de estudo em casa e, caso tenham dificuldades em aprender (ou mesmo que não tenham), têm facilmente acesso a bons explicadores. Por outro lado, os adultos de classes sociais mais elevadas têm muito mais expectativas para com os filhos a nível do seu futuro e ambicionam que eles tenham o mesmo sucesso económico e profissional. Assim, exercem muito mais pressão sobre os filhos que são encorajados a estudar e a ter boas notas. Pelo contrário, no ensino público os alunos têm muito menos pressão dos pais para que tenham bom aproveitamento escolar, visto que estes lhes dão muito mais liberdade e muitas vezes não dão a devida atenção ao seu rendimento. Muitas das vezes isto acontece porque "se matam a trabalhar" para arranjar dinheiro para sustentar a família e não têm tempo disponível para ajudar os filhos a estudar.
    Isto é somente a minha opinião, mas admito, tal como referi, que haja outros pontos de vista.

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  2. Rita, acho que, obviamente, a definição do ranking das escolas pela avaliação geral dos alunos nos exames nacionais é um absurdo. Porquê?
    1. Os exames nacionais são apenas indicadores que nos informam sobre o conhecimento dos alunos. Mas uma escola não é boa (só) por ter alunos com melhores notas. Será de certeza mais fácil para uma escola do centro de Lisboa, como a nossa, ter uma melhor classificação que uma escola do interior do país - porque o interior (menos condições de vida, menos acesso à cultura), completamente diferente do centro litoral (maiores condições de vida, mais acesso à cultura, mais acesso a outros países). Logo, é mais difícil para uma escola do interior atingir melhores resultados que uma escola do litoral.
    2. Outra questão importante é a das escolas privadas. As escolas privadas,e penso que não seja uma atitude pessimista, são caracterizadas por fazerem uma selecção dos seus alunos. Começa logo pela escolha do preço a pagar mensalmente, que logo exclui determinado tipo de alunos, ligados a classes sociais mais pobres, passa pelo apoio (excessivo) aos bons alunos (alunos com boas notas) e pelo abandono (excessivo) dos alunos com más notas e acaba com uma maior possibilidade de exclusão destes alunos destas escolas, de maneira a manter o ranking.
    3(Solução). Na minha opinião acabavam-se com os rankings das escolas, substituindo-os por uma avaliação geral das condições de ensino de cada escola (acho que isso não são rankings). Se impossível acabar com os rankings, então sim adoptar indicadores compostos, como o referido na entrevista.
    4(Conclusão tipo político). As escolas não devem entrar em clima de competição (clima esse criado por este tipo de classificações), mas sim ajudarem-se de modo a competir para um objectivo comum - uma melhor educação.

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  3. Concordo com o G Lima em relação à situação das escolas privadas. Não me parece de forma alguma que seja uma maneira de pensar pessimista, e sim um facto. Se já se faz uma selecção ligeira dentro de algumas escolas públicas, então naquelas em que se paga, e não pouco, para se ter lá os filhos, a selecção será obviamente maior. As turmas nestas escolas são geralmente muito mais pequenas, logo o acompanhamento a cada aluno em particular é muito maior. Quanto aos professores, também duvido que um professor incompetente sobreviva no ensino privado, ou pelo menos tenha a mesma facilidade. Como já foi referido, as pessoas pagam e bem nestes locais, logo será uma situação com menos tendência para acontecer. O controlo é muito maior quando se envolve dinheiro pelo meio, sugiro.

    Concordo também com a Patrícia na questão da pressão das famílias mais abastadas, é expectável. Os pais geralmente não esperam que os filhos façam menos que eles, ou que tenham empregos que lhes proporcionem pouca estabilidade financeira. Alguns ainda tentarão que os filhos alcancem o que eles não alcançaram, as pessoas raramente estão totalmente satisfeitas.

    Se não ouvi mal, o stor falou em vermos um filme que tenha alguma coisa a ver com anarquia, e também começo a ver essa necessidade. Ainda há muito preconceito à volta da palavra, e raramente se fala nela sem ser num tom completamente depreciativo. Acho que ainda há muita coisa para explorar.

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  4. Concordo exactamente com o que dizes no ponto 1. É claro que uma escola que se encontra localizada numa grande cidade como é o caso de Lisboa, Porto, Coimbra, etc. tem muito mais facilidade de obter bons resultados nos exames nacionais e consequentemente uma melhor posição no ranking nacional do que uma escola no interior do país. E isto deve-se maioritariamente ao facto de nestas escolas que referi por último o ensino ser menos exigente e os alunos encontrarem-se um pouco isolados do resto do país e do mundo.
    Quanto ao ponto 2, estou de acordo que as escolas privadas excluem os alunos de classe sociais mais pobres. No entanto, não percebo em que é que isso contribui para o facto de estas terem melhor ranking que as escolas públicas, em virtude de que, a meu ver, os alunos pobres não são menos inteligentes que os alunos ricos. Por outro lado, não entendo o que queres dizer com apoio excessivo aos bons alunos. Quando é que o apoio é excessivo? Por último, no que diz respeito a este ponto, é claro que há um abandono excessivo dos alunos com más notas nas escolas privadas, mas no ensino privado isso acontece em muito maior escala e, por isso, neste tópico penso que o ensino privado é uma vantagem e não uma desvantagem.
    Para concluir, no que diz respeito ao ponto 4, não concordo contigo quando afirmas que as escolas não devem entrar em clima de competição. Na minha opinião a competição é indispensável em qualquer parte da sociedade, nomeadamente no trabalho, no desporto, nas escolas, nas empresas, etc. Se houver uma competição saudável, isso só contribui para que haja um maior empenho entre as diversas partes e uma evolução mais rápida e eficaz.

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  5. A competição hoje em dia raramente permanece saudável. As pessoas não são capazes de trabalhar e empenharem-se porque querem? Só para serem melhores que o vizinho da escola ao lado? Se fosse saudável, diria logo que sim, não há mal nenhum com isso, mas assim de repente é difícil enumerar muitos casos em que permaneça saudável eternamente (não estaremos cá para a eternidade com certeza, mas estas situações muitas vezes têm pequenos prazos de validade, a que assistimos expirar), mesmo estando a competição presente em quase tudo hoje em dia. Talvez seja essa mesmo a razão, já se sabe das dificuldades numa sociedade altamente competitiva, e o caminho saudável já parece "desinteressante", moroso e insatisfatório para alguns. Ou muitos.

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  6. Patrícia, no ponto 2, não quero dizer que os alunos pobres são menos inteligentes que os ricos. Penso que a verdade é que os alunos que vêm de condições sociais e económicas mais difíceis se têm que esforçar mais que alunos que vêm de estratos sociais mais elevados, em que, supostamente, têm mais facilidade de acesso à cultura e etc, se a aproveitam é que é outra história.
    Além disso, não acredito que as escolas públicas sejam as escolas dos pobres, acho é que estas não estão tão importadas com rankings e classificações como as escolas privadas,cujo objectivo principal é o lucro, que muitas vezes é maior, quanto mais elevada a classificação da escola.
    Ainda em relação ao ponto 2, digo apoio excessivo em oposição ao abandono excessivo. Acho que é bom haver apoio aos bons alunos, mas desde que não se esqueçam os que têm piores notas e também precisam de apoio para as fazer subir.

    Na tua resposta ao ponto 4 acho que quando dizes que a competição é saudável é porque esta nos torna melhores desportistas, empresários, etc. Mas, na minha opinião, as escolas não são empresas, nem sequer entram no circuito económico. Uma escola não deve procurar ser melhor que outra, a qualquer custo, mas deve antes procurar ser melhor. Não é preciso competir por um lugar no raking.

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  7. Não pude deixar de reparar numa questão que se colocou aqui e que achei curiosa: então afinal como é que é, tal como a Isa nos disse no outro post, a professora dela diz ter os melhores alunos no interior porque dão mais valor às coisas e à oportunidade de estudar pois sabem que não terão mais nenhuma, e nós agora aqui dizemos que, obviamente, uma escola num dos grandes centros urbanos estará melhor no ranking ou obterá maior sucesso porque os alunos fazem parte de classes sociais economicamente mais acima e, por isso, existem mais oportunidades e, portanto, melhores notas. Dá que pensar, na minha opinião. Qual é, afinal, a conclusão?

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  8. Sim, parece uma contradição. Mas esse foi um caso engraçado de que me lembrei, de certeza que não é assim de forma geral no interior. E com alunos a abandonarem a escola a essa velocidade, "corre um bocado mal e acabou", não restam muitos para ser avaliados. Não sei se me faço entender, mas percebo a tua confusão com o que disse. O meu objectivo era mostrar naquele caso em particular a preocupação dos alunos, só porque não queriam ir plantar batatas. Percebes com certeza que não estava a generalizar, foi UM caso. Já nas escolas privadas generalizo.

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  9. a diferença entre as escola privadas e a escolas públicas é imensa e bastante acentuada.. A escola pública é para todo o tipo de alunos, com todo o tipo de alunos, as escola estão muitas vezes sobrelotadas o que torna as turmas gigantes, e é claro, um professor para 18 alunos ou menos, não é o mesmo que um professor para 25 ou 30 alunos.
    Normalmente os alunos qe estudam no ensino privado provém de familias com uma qualidade finaceira elevada, isto é, raras excepções, os pais são tambem bastante instruidos, as bases familiares sao sustentadas, aparentemente, os pais exercem bons cargos e por isso nao só dao o exemplo como desde cedo incentivão os seus filhos a estudar, a enriquecer a sua cultura e a desejar serem iguais ou melhores que os seus pais. As esolas privadas, não só dao melhores ofertas, infrastrururas e planos de apoio, como em toda a escola a competitividade também é incutida...
    Hoje em dia, passar ou nao o ano é uma questao cada vez mais facilitada, está-se constantemente a adiar problemas, existem colégios e extrenatos onde se podem fazer as disciplinas de dois ou tres anos em falat em apenas um...
    Vivemos numa sociedade de facilidade mas tambem de competição...

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  10. E a minha stora só deu aulas dessa vez no interior, não foi uma experiência de muitas escolas e muitos anos.

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  11. "Além disso, não acredito que as escolas públicas sejam as escolas dos pobres, acho é que estas não estão tão importadas com rankings e classificações como as escolas privadas,cujo objectivo principal é o lucro, que muitas vezes é maior, quanto mais elevada a classificação da escola." Concordo bastante, e acho que é mesmo disso que se trata. Existem alunos nas escolas públicas tão bons ou melhores que nas privadas, só que, na minha opinião, o problema é que, não "escolhendo" quem entra, existe de tudo (atenção, não critico isto, até porque haver diversidade só contribui para o nosso desenvolvimento, a muitos níveis), o que não acontece nos colégios. Muitas das vezes, é como vocês dizem, são os pais que não querem nada abaixo do que consideram ser uma carreira de sucesso e, assim, penso que não deixam que os filhos "aproveitem" certas experiências como acho que aproveitamos nós numa escola pública, querem apenas que estudem e que se dediquem ao trabalho. Isto leva-me a pensar que isto dos rankings é bastante discutível, porque na minha humilde opinião, acho que prefiro ter vida para além da escola e acabar com umas décimas a menos, do que estar num colégio das 8h da manhã às 8h da noite como acontece em muitos casos e tudo o que vemos à nossa volta são pessoas iguais a nós e uma competitividade levado ao extremo. Tenho pena de pessoas com quem já falei e me dizem que vivem assim. Na grande maioria dos casos, é assim que funcionam essas "escolas de elite" que estão no topo do ranking.
    Acho que o problema é que ainda acontece muitas vezes as escolas públicas serem vistas com o preconceito, isto é, ainda apontam o dedo a esta ou àquela escola porque tem pessoas de origens humildes, de outras raças, outras culturas, outras origens... ou então porque acolhem pessoas problemáticas e afins. É mesmo o preconceito a falar. Aliás, acho que é essa troca de experiências e vivências que devia fazer parte do nosso enriquecimento pessoal e que devíamos ter ao longo do percurso escolar, porque acho mesmo que é com essas coisas que se aprende imenso, muito para além daquilo que falamos nas salas de aula. É certo que os exames nacionais não nos vão perguntar esse tipo de coisas, e também é certo que estas escolas nunca chegarão ao primeiro lugar, mas cumprir os programas das disciplinas deveria ser UMA componente da escola, mas não a única. Fico feliz por aprender coisas novas com pessoas diferentes de mim (e existe muita diversidade no Camões!) que não se traduzem por notas.

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  12. Rute, é que às vezes essas turmas nem 18 alunos têm, são uns 10!Ora não podemos comparar as duas coisas como é óbvio, e desistir nestes casos nem deve ser uma opção. Têm os pais por trás a garantir que tal coisa não acontece. Quem é que nunca ouviu um amigo dizer que vai para um colégio para ter melhores notas? E quanto mais depressa se fizer isto tudo melhor. Parece que já está tudo mecanizado para a competição.

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  13. Eu sei Isa, e não foi uma crítica, até porque concordei contigo como disse no comentário de manhã, o que disseste (citando a tua professora) faz todo o sentido, quando somos obrigados a dar valor ao que temos damos 100% e não 50% de nós. Achei apenas curioso porque são duas versões para a mesma questão, e é algo que me deixa a pensar. Apenas isso :)

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  14. pois isa eu sei, e acrecenta o tempo que os "nossos" professores deperdiçam a mandar-nos calar e o tempo das interropções absurdas da nossa parte (alunos).. Nas escolas privadas não existe isto, eciste disciplina e controlo. Sim porque na minha opinião ás vezes uma sala de aula é uma uma pura "republica das bananas"

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  15. Sim Rita, ao fim do dia não somos a nota que temos na pauta. Eu saí logo no início do 10º duma turma filtrada noutra escola, passados 2 meses estava esgotada daquilo porque só se falava de notas, e se fosse preciso saiam dos testes todos a chorar. Era como se ficassem completamente vazios sem o 18 ou o 20 no teste, era isso que eles eram, a nota na pauta.

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  16. Sim sim, eu não levei a mal Rita!Até achei importante esclarecer esse pormenor, é interessante ver onde a conversa começou e onde já vai.

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  17. Peço desculpa se ofendo alguém aqui, mas uma pessoa que vive única e exclusivamente para as notas é uma pessoa sem o mínimo de personalidade. Obviamente que ninguém nega que é uma parte importante da nossa vida enquanto estudantes, mas não devia o propósito de tudo! E é em tantos casos!!! Irão, de certeza, atingir os objectivos académicos que desejam, mas e no fim? É com isso que ficam? É essa a felicidade? Poderão dizer-se "realizados"? Talvez possam... Mas tenho a certeza que esses de quem falas pararão para pensar um dia e verão que havia muito mais para fazer. E aí as notas já não lhes valerão de muito.

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  18. Queria só informar-vos que a escola que ficou à frente do ranking este ano, é uma privada do Porto que cobra 500 euros por mês, sem acesso ás actividades complementares (natação, ballet, etc) e sem incluir refeições.

    Segundo os seus responsáveis, os alunos até ao 8º ano não são seleccionados, mas a partir do 9º fazem uma seriação.

    O problema dos rankings é extremamente complexo. Foi uma exigência de alguns gurus da direita nos anos 90, com o argumento de que os pais deveriam poder escolher as escolas com melhores classificações para os seus filhos.

    O problema é que os rankings dependem de tantos factores (geográficos, sociais, culturais e pedagógicos) que só podem fazer sentido se os seus resultados forem ponderados de muitas formas o que até agora não tem sucedido. Acaba por ser uma forma de demagogia barata destinada a desacreditar o ensino público e a poder dar azo a uma antiga reivindicação do CDS e de parte do PSD: o Estado deixa de subsidiar o ensino público e passa a entregar aos pais um cheque-ensino e estes, com o dinheiro, colocam os filhos na escola provada que quiserem.

    Nos países em que este princípio foi aplicado, o resultado foi catastrófico: aumentou o fosso entre as escolas, aumentou a diferença social entre ricos e pobres e afastou as escolas dos meios rurais das escolas dos meios urbanos.

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