A Claire Fisher, dos “Sete Palmos de Terra”, dizia, na sua típica atitude extremista, e com um ligeiro dramatismo, que “desejava que, por uma vez, as pessoas deixassem de agir segundo os clichés que são”. Ora se isto se pode adaptar a várias situações, e também ser altamente contestável, de certa forma fez-me pensar nos rapazes de “Stand by Me”.
São muitas as pessoas que ficam satisfeitas ao pôr etiquetas em tudo o que os rodeia e, a facilidade de as pôr, contrasta com a dificuldade de escapar destas, façam elas sentido ou não. Põem-se barreiras e limites desnecessariamente, por vezes nada mais que ideias preconcebidas. A tentativa de fuga, por parte de algumas personagens do filme, destas distinções supérfluas, que há muito lhes haviam posto, ou poderiam vir a pôr, como seguidores dos seus progenitores (o bêbedo, o maluco… e desde que haja fontes a lista prolonga-se), e a rara compreensão daqueles que tentam ir além da superfície despertou-me a atenção. Poder-se-á dizer que é rebuscado, mas realmente duas situações eram possíveis: ou davam vida a um cliché e à fama do seu progenitor, ou faziam alguma coisa, rasgavam a etiqueta que lhes puseram desde logo, quebravam o cliché. Não será certamente tão fácil quanto as palavras que o resumem parecem mostrar mas, ainda assim, é uma realidade. As marcas da infância estarão sempre lá, é um facto, mas uma coisa é tornarmo-nos nessa fragilidade, e já que se tem a “etiqueta” dar-lhe uso, e outra completamente diferente é sermos mais do que ela, nunca fingindo que a esquecemos. Podemos tentar enterrar as coisas, mas só depois de lidar com elas.
As reacções desde logo são diferentes, há os que ainda procuram aprovação, porque no fundo se trata de um pai que, quando não nos ignora, tenta reduzir-nos, e há os que aparentemente se desligam de imediato. Só o futuro deles realmente nos poderia dizer qual quebrou essa barreira, pois mais do que a velocidade de reacção, a solidez desta é essencial. E, de facto, o resultado - o advogado que morre de uma maneira digna e um outro, não tão bem sucedido, que vai vivendo de biscates, com o que se lhe vai apresentando - torna-o claro.
A infância condensada numa viagem, com todos os passos (ou muitos deles) bem calcados, discernidos e deixados para nos fazer pensar. Este foi apenas um deles em que me foquei. O cliché ultrapassa a falta de originalidade, é aqui um estereótipo que pode ser quebrado. Define-os, limita-os, mas pode ser controlado.
(Já escrevi isto há alguns dias, não sei se estou a repetir alguma ideia dos posts anteriores, mas resolvi publicar à mesma).
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