Tenho acompanhado com muito interesse o debate sobre o nacionalismo. Há aqui ideias muito interessantes e questões que dão que pensar.
O Renato abordou um problema na sua mensagem que me parece bastante importante: a intolerância cresce sempre que as crises se agravam. É fácil culpar os estrangeiros quando cresce a insegurança e o desemprego, E é fácil culpá-los porque são um alvo fácil. É nesse terreno que as organizações de extrema direita florescem. Este discurso, tipo, «os portugueses primeiro», é sedutor perante uma comunidade pouco instruída e facilmente manipulável.
O eleitorado destes grupos está socialmente bem determinado; é constituído essencialmente por pessoas de idade avançada, de alguma forma excluídas, com baixos salários, ou desempregadas. É fácil dizer a essas pessoas: «Não tens emprego, porque os empregos que podias ocupar são todos dos imigrantes»; «Não tens segurança, porque os imigrantes ou seus descendentes tornaram as nossas ruas num alvo de fácil criminalidade».
Esta questão ganhou uma relevância recente com o caso da expulsão dos ciganos em França ao arrepio de todas as leis comunitárias uma vez que são cidadãos romenos. Eu não digo que não haja gente que não tenha infringido as leis francesas, mas a deportação em massa parece-me puro racismo. A braços com a crise que atravessa toda a Europa, Sarkozy fez o mesmo que Berlusconi em Itália ou Merkel na Alemanha: culpou os mais fracos. Assim, não só desviou as atenções dos verdadeiros problemas de França, como estancou uma possível perda de votos para a extrema direita que tem um peso significativo em França.
Embora tivesse gerado muita aversão por toda a Europa, Sarkozy conseguiu o que queria: desviar por uns tempos a atenção dos franceses dos principais problemas do seu país e aumentar a sua popularidade que estava muito em baixo.
Agora pensem no caso português; durante décadas Portugal foi um exportador de mão de obra para quase todo o mundo. A partir dos anos 70 com a descolonização e, sobretudo a partir dos anos 80, depois da adesão à CEE, Portugal tornou-se um país de imigração. Agora imaginem que todos os países expulsavam os seus imigrantes (já nem falo nos seus descendentes) aplicando a máxima de «Os Portugueses primeiro». Por cada estrangeiro residente em Portugal há oito portugueses a viver fora de Portugal.
Ia ser bonito...
Jorge
exactamente, como eu disse, o nacionalismo e o culpabilizar dos imigrantes tem bastante a ver com casos especificas e com as características de vida nos seus diferentes níveis (social, empresário, financeiro) de cada individuo, que numa acção de revolta aceita esses argumentos como algo que atenua a falta de responsabilidade para com a sua própria vida.
ResponderEliminarQuanto ao exemplo português acho que a principal razão da construção de bairros sócias, nos quais o nosso governo tem investido bastante, é serem uma solução á exportação dos imigrantes, e que tem tido na minha opinião bons resultados.Não concordo com a comparação do caso português e francês com o caso dos imigrantes portugueses a viver em solo estrangeiros (emigrantes portugueses), porque no meu pouco conhecimento sobre o assunto, penso que os emigrante português tem bastante mais sucesso na integração no meio social e financeiro como emigrante, ao contrario do caso da maioria dos imigrantes romenos do caso francês e também do caso português, por isso penso que a expulsao e o julgamento que se seguio recaido sobre a naçao francesa não tem nexo porque a responsabilidade não cai com mais intensidade sobre a nação francesa e o seu sistema jurídico, cai sim com mais intensidade sobre esses mesmo imigrantes.Sinceramente penso que este caso francês devia servir para acabar com a hipocrisia sobre este assunto dos imigrantes que se auto-marginalizam, e começar pensar neles como uma minoria, não pela sua diferença racial, mas pela sua qualidade para fazer boas escolha que facilitem a sua vida como imigrantes, ou, neste caso, a sua falta de qualidade.
Também não concordo com a comparação feita entre os ciganos que foram expulsos pelo governo de Sarkozy e os emigrantes portugueses residentes em outros países da Europa. Na minha opinião, um emigrante que resida legalmente num determinado país e que trabalhe de forma honesta para subsistir não pode ser colocado em pé de igualdade com um cigano que infringe as leis desse país e que vive de uma forma desonesta, subsistindo dos apoios do estado, que por sua vez são parte dos impostos pagos pela população. Os ciganos, para além de terem demasiados apoios financeiros do estado, não lhes dão o devido valor: "Soube do caso de uma família de ciganos que vivia numa barraca no Barreiro, sem as condições mínimas de higiene. A Câmara Municipal ofereceu-lhes um apartamento e eles aproveitaram-se da situação para ganhar algum dinheiro, visto que venderam esse apartamento e voltaram para a barraca".
ResponderEliminarPosto isto, penso que qualquer pessoa que trabalhe horas e horas para subsistir, não dispondo de qualquer apoio do Estado, merece mais respeito do que um cigano que abuse até mesmo da boa vontade dos outro.
Boa noite. Peço desculpa pela ausência prolongada mas no fim-de-semana foi complicado comentar sem computador e depois quando pude 'actualizar-me' de todos os posts ainda demorei um bocadinho a ler tudo porque realmente foi bastante debatido e houve ideias com as quais concordo bastante, acho mesmo que este espaço tem sido bem aproveitado e tenho pena de não ter podido vir cá quando isto estava mais 'aceso'! Acho que a existência do blog consegue fazer com que, mesmo não conhecendo praticamente ninguém, possa saber um pouco mais acerca do que cada um pensa e defende, o que é bom.
ResponderEliminarPosto isto, e falando só deste post, queria dizer, primeiro, que concordo quando o Renato diz "porque no meu pouco conhecimento sobre o assunto, penso que os emigrantes portugueses têm bastante mais sucesso na integração no meio social e financeiro"... É certo que o meu conhecimento também é deveras pouco, mas nas aldeias dos meus pais onde passo uma parte do Verão já tenho vindo a debater este assunto das condições de vida dos emigrantes portugueses no estrangeiro, porque tenho lá família, e sempre me disseram que são bem recebidos onde quer que vão, que a integração é feita de maneira saudável e, sobretudo, sempre com muito respeito de parte a parte. Na minha opinião, não se pode esperar outra coisa se nada é feito para perturbar a qualidade de vida das pessoas que já lá viviam, o que já não acontece, de todo, com os ciganos com que estamos habituados a lidar, que normalmente não respeitam regras de cidadania e a quem falta muito bom senso. Não digo, obviamente, que o Sarcozy tenha o mínimo de razão quando os expulsa de França alegando o não cumprimento das leis, mas parece-me relativamente difícil conviver na nossa sociedade com pessoas que não têm nem de longe qualquer respeito pelos que com elas partilham espaços. Se os ciganos têm tantos direitos como dizem ter, não se deveriam esquecer dos deveres que competem a cada um cumprir para que a existência deles possa ser suportável, o que não é na maior parte dos casos, já que usufruem de bens do Estado, nomeadamente as habitações, para as quais todos contribuímos, e acham bem violar as normas do "tratar bem o que não nos pertence", quando existem pessoas que respeitam o espaço e a liberdade dos outros e a quem esses bens dariam na mesma muito jeito, mas deles não podem usufruir porque há quem os tenha e não os aproveite.
Isto tudo revolta-me um bocado, ouço histórias de pessoas que levam pancada dos ciganos só porque numa caminhada na rua calha cruzarem olhares com eles, o que eles vêm como uma enorme falta de respeito. É admissível termos que estar sujeitos a isto?
Assim, a verdade é que, embora respeite toda a gente que me respeita, a tolerância tem LIMITES e não podemos nem devíamos ter que estar sujeitos a certos "rituais" de outras culturas que se esquecem que a sociedade e os espaços que partilhamos são um bem comum e não algo que possamos pôr apenas "a nosso jeito".
Ah, é verdade, hoje fui ver o filme que recomendou, o "Lola", tenho algumas coisas para dizer portanto amanhã venho cá escrever um post, hoje ainda tenho alguns trabalhos para fazer, mas gostava mesmo de depois lhe poder perguntar uma ou outra coisa sobre o filme.
ResponderEliminarAté amanhã!
Patrícia, tens uma visão um bocado idílica da emigração portuguesa. Nos anos 60, os emigrantes portugueses não foram legais em França durante muito tempo. A sua própria saída de Portugal era ilegal e não autorizada pelo regime de Salazar.
ResponderEliminarForam os emigrantes portugueses quem em França criaram os célebres «bidonville», ou seja, imensos bairros de lata. Mas porque é que os Sarkozy da altura não criaram obstáculos aos emigrantes portugueses e árabes? Porque se vivia num período de boom económico e a mão de obra barata era necessária para fazer os trabalhos duros e sujos que os franceses não queriam.
Quanto aos ciganos, eu sei que o problema é difícil. Mas há duas coisas que tens que ter em conta: a 1ª é que a UE permite a livre circulação de trabalhadores no espaço comunitário; a 2ª é que a maioria dos ciganos não é emigrante, pois vive nos respectivos países há inúmeras gerações. Por isso se torna necessário definir políticas em relação a essa comunidade.
Ainda em relação ao que o Renato e a Patrícia estavam a dizer, julgo que o problema que surge depois é definir essa linha ténue entre o "portar bem" e o "portar mal". Quando é que nos portamos suficientemente mal para sermos expulsos?Quando temos uma multa de excesso de velocidade (sendo exagerada), ou quando agredimos alguém, seja lá por que razão for? Concordo que os imigrantes mais pacíficos e os outros que parecem gerar constantemente confusão não devam ser tratados da mesma maneira, no entanto, também imagino que essa barreira entre um estado e o outro possa ser mal interpretada, muito mal usada por pessoas com intenções menos boas (e julgo que não é uma teoria da conspiração, parece-me altamente provável), acabando por gerar muita confusão. Não desaprovo o que vocês disseram de maneira alguma, simplesmente acho que há muitos elementos que fazem com que isso depois não funcione tão bem, e daí a falta de simplicidade deste assunto.
ResponderEliminarAchei curiosa aquela história do cruzar olhares e ser espancado. Já assisti a várias cenas dessas ao meu lado, sem ser por parte de um cigano. Na minha zona já vi muito atrito a ser criado à conta de olhares mal interpretados, e penso que nestes casos provinha em grande parte da sensação de se ser julgado pelo olhar, uma má postura que leva a imediata desconfiança (que provavelmente provém de más experiências passadas, que os leva a exagerar cada sinal exterior e a agir na defensiva), tudo isto a culminar com a ideia de que só se fazem ouvir com violência. Não é algo que não acontecesse antes, simplesmente, sendo feito por um cigano, só vem a ser mais uma adição à lista de ofensas que lhes dá má fama, muitas vezes justificada, mas não generalizo. Neste exemplo que dei, estará mais relacionado com determinadas vivências do que propriamente com algo "cultural", mas com os ciganos resta-nos acreditar que têm pelo menos uma maior tendência para cair nestas situações, independentemente da existência de outros factores, que conduzem a casos extremos, ou seria algo mais localizado.
Penso que o ponto crucial aqui não é o facto de serem ciganos, mas o facto de serem ilegais. Não acho que seja justo que haja pessoas que se "matam a trabalhar" e que ao fim do mês têm de pagar os respectivos impostos enquanto outras permanecem ilegais, estando isentas dos mesmos. Se há emigrantes ilegais num determinado país, penso que devem ser deportados qualquer que seja a sua nacionalidade.
ResponderEliminarÉ claro que o Sarkozy também se aproveita das situações que lhe são favoráveis e, caso lhe seja útil manter pessoas ilegais em França, ele fecha os olhos e deixa passar a situação. Por este mesmo motivo, a atitude que os ciganos apresentam e a maneira de estar em relação à sociedade apenas serve como agravante para o facto de serem ilegais e constitui um incentivo para que o Estado os expulse do país.
Na minha opinião e como referi no meu post á uns dias e citando as mesmas palavras "o nacionalismo é uma definição política muito abrangente; defesa dos interesses da nação antes de quaisquer outros e, sobretudo da sua preservação enquanto entidade, nos campos linguístico, cultural,contra processos de destruição de identidade ou transformação..(..)
ResponderEliminarExistem ínumeras pessoas (nacionalistas) que levam esta ideia bastante a peito, hoje em dia e como o stor disse, estas ideias de querer explusar os imigrantes são apenas medidas "fingidas" para fugir dos problemas que realmente são importantes. São estes esquemas políticos que já se realizam á imensos anos que têm deixado este mundo tão dequilibrado
Com a entrada na UE perdemos qualidade de vida em alguns aspectos, a multi-cultualidade e a imigração acentuaram-se e isso não é a nível económico assim tão mau, favorece o capitalismo. A densidade populacional aumenta o fundo genético também.
È claro que, quando algo está mal a culpa é sempre dos outros e é por isso que este país está assim, este e muitos outros, temos medo de perder o que é nosso..
Vivemos numa sociedade de excessivo preconceito muito por parte das gerações de cépticos passadas. Acredito que as novas gerações do século XXI sejam muito mais liberais, como já tem vindo a notar-se..