domingo, 7 de novembro de 2010

Democracia?

Antes de mais, gostaria de referir que este foi o filme que mais me agradou de ver na disciplina até agora. Apesar da história não ser muito original (um indivíduo vs o "mundo") nem propriamente realista, é um filme muito bem feito, com uma personagem principal da qual é fácil de gostar e apoiar.

Eu penso que este filme, embora embelezado com a derradeira vitória de Smith no fim da película, retrata de forma crua e dura a política norte-americana (que, no final de contas, acaba por ser um exemplo para toda a política ocidental). O que Frank Capra nos demonstra através desta história é que cada vez mais os políticos passaram a ser fantoches controlados pelos grandes grupos económicos, em vez de serem as os exemplos que lutam pelos direitos dos cidadãos como deveriam ser. Fundamentalmente, este nosso conceito actual de "democracia" é ilusório, pois não passa de uma ditadura do capital. Escolhamos o partido que escolhamos, no fundo, os políticos eleitos vão ter de balancear as suas decisões entre as decisões em prol do povo e as decisões em prol dos "barões" que os controlam. Naturalmente, as decisões irão inclinar-se para o lado os "barões".

Penso que o que é mais agravante neste sistema político é que este está mais e mais dependente do capitalismo para sobreviver. Um jovem como Smith quando chega a uma posição de poder é confrontado com duas escolhas: ou luta pelos seus ideais e pelos direitos do povo e tenta promover uma mudança, o que é provável visto ser uma tarefa hercúlea (como pudemos assistir), ou deixa-se perverter e passa a pertencer à (grande) maioria dos políticos (corruptos) que agem de acordo com as directrizes que os magnatas lhes colocam. É uma situação que infelizmente não me parece ter volta a dar ou fim enquanto o capitalismo for a força motriz deste mundo. O ciclo é de tal forma vicioso que a democracia já funciona apenas com base no poder político, necessita dos tais "apoios" económicos para sobreviver. Apoios esses que causam o contínuo atropelo de direitos humanos que subsiste até aos dias de hoje.

Peço desculpa pela brevidade do comentário, nos próximos dias publicarei uma continuação, mais inclinada para o poder dos media na sociedade, tal como pudemos observar no filme.

António MS

3 comentários:

  1. Hoje em dia tal como smith estamos entre a espada e a parede, passo a redundância.. por um lado como referiste temos os nossos principios e ideias por outro lado temos a tão pesada corrupção e todos os actos a esta associadas..
    Não é facil hoje em dia vencermos aquilo que já está mais que implantado na sociedade (corrupção) e que só tem tendência para crescer..
    Enfim e como referido em aula, decerteza que isto se passase na vida real o smith acabaria por nao "vencer a luta"

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  2. Excelente texto, parabéns!
    Alexandre

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  3. Gostei do que disseste, pois concordo com essa parte em que dizes que, na política, um homem cheio de valores e ideais como o Smith depara-se com um grande dilema. O problema é que, por muito que essa minoria tente ser fiel a si própria e àquilo em que acredita, no mundo em que vivemos ela não vinga, não vence, porque ganha a velha máxima do "se não podes vencê-los, junta-te a eles", que penso ser aquilo a que assistimos todos os dias. Pessoas a transformarem-se, por assim dizer, para servirem os interesses de outrém. Pessoas como o Smith não vencem na nossa sociedade, infelizmente. Antes de conseguirem credibilidade para mover mundos e fundos, para chegaram ao povo, para defender as suas ideias e convicções, é-lhes cortada a palavra, a credibilidade, tudo. É o que acontece quando um "pequeno" se tenta meter no caminho de Taylors e afins, é o que acontece quando achamos que um só homem chega para todos, que um só homem pode fazer justiça sozinho. Mais uma vez infelizmente, isso não é a realidade. As injustiças, a corrupção, tudo isso só pode ser travado quando for um grande grupo a pôr as mãos ao trabalho. E isso não é fácil, nem cómodo, exige um espírito de luta e perseverança que nem todos querem ter. A maior parte das vezes... dá demasiado trabalho.

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