domingo, 28 de novembro de 2010

Determinismo

      Gostaria de poder acreditar que temos uma existência tão simples como a da perspectiva determinista em que o nosso esforço e trabalho seria recompensado no final com o nosso objectivo, vendo de certa forma ate que faz sentido, se tiver de acontecer acontecera,esta destinado que as acções e decisões que tomamos no levam ao nosso objectivo, se assim fosse a vida chata.
     Porem e porque há sempre um porem se isso for verdade podemos presumir que os milhares de desempregados, entre os quais muitos deles licenciados que esforçaram durante todos os anos de encimo, estiveram a perder o seu tempo pois estava destinado a que assim acontecesse, será legitimo pensar que na vida de milhares de pessoas existe um destino triste como o desemprego?
    E eu pergunto a mim mesmo  se existe realmente algo traçado ou determinado para cada um, algo contra o qual não podemos lutar e ao qual não podemos escapar, qual a legitimidade de se julgar ou culpar um criminoso, porque se nos acreditarmos que na nossa se tiver de acontecer algo acontecera e que o destino comanda as nossas escolhas, temos de nos por no lugar dos que nascem com tal destino e perceber que não é que eles queiram tal coisa para suas vidas mas algo que lhes escapa ao controlo, partindo dai teríamos de rever o nosso senso de justiça.
    Por estes motivos e outros eu penso que a existir algo é construído por nos, nos fazemos o nosso destino e a nossa sorte, e temos o dever de assumir quer as nossos sucessos como insucessos e não atribuir culpas ou responsabilidades a um possível destino.  


Faustino M

2 comentários:

  1. Tens toda a razão Faustino. Referiste um assunto que eu já tinha abordado anteriormente e para o qual as pessoas que defendem que as nossas escolhas pouco importam visto que nossas acções já estão determinadas têm dificuldade em encontrar uma justificação válida. Se as nossas acções, quaisquer que elas sejam, foram previamente escritas por uma entidade sobrenatural, não será plausível recriminar um assassino ou um ladrão pela sua acção incorrecta. Deveremos apenas lamentar o destino que lhe foi reservado e o facto de vir a passar vários anos da sua vida na prisão. Não fará também sentido diferenciar homicídios premeditados, por negligência, voluntários, involuntários, etc. visto que estes actos serão todos premeditados mas neste caso pela entidade metafísica que o previu e não pelo autor da acção.
    Quando coloquei uma pergunta sobre este assunto o João respondeu-me que nestes casos de homicídios, roubos e outros crimes as acções não estão determinadas. Mas questiono-me se fará sentido que as acções que tomamos ao longo da nossa vida estejam determinada e as dos criminosos não. Parece-me que não...

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  2. Também concordo contigo Faustino e, dando continuidade ao que a Patrícia estava a dizer, é como se só as "boas acções" fossem determinadas por alguma entidade metafísica e as más não. Portanto só as más acções são totalmente da nossa autoria, tudo o que sobra de bom é completamente independente de nós, já estava determinado. Realmente é muito gratificante, se queremos fazer alguma coisa de livre vontade, esta terá de ser má, é o que nos resta, pois já se sabe que caso seja boa não nos podemos responsabilizar por ela, não fomos nós, as más é que estão indeterminadas. A tal entidade só se responsabiliza quando lhe convém, às tantas é outra que quer ficar bem na fotografia.

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