Olá a todos!Em relação ao filme desta semana, gostava de virar o meu discurso para os aspectos técnicos (sem discurar a filosofia, mas isso, lá mais para o fim). Se assim o faço, é porque gostei bastante daquilo que vimos (pelo menos em 1993 o filme ganhou um César para melhor filme). Como o stôr disse, num post atrás, é um filme completamente revolucionário. Desde os multifacetados actores ou ao repetitivo (que se tornou assustador e por vezes entediante)“ou bien”. Realmente a minha primeira menção vai para Pierre Arditi e a Sabine Azéma, sendo que o primeiro recebeu o César para melhor actor principal. Tiveram realmente desempenhos extraordinários, e que de certo foram muito trabalhados. É extraordinário a diferença entre as personagens. A transição do Mr. Miles para o Toby, é para mim o melhor exemplo, e absolutamente fabulosa. Por outro lado, é interessante observarmos como é que todas as cenas são gravadas dentro do estúdio, sem se recorrer a exteriores, o que nos "teletransporta" para a origem de teatro que o argumento tem. A banda sonora, é muito apropriada no sentido em que está carregada de dramatismo. E claro! A cinematografia também é extraordinária (nomeação para César.
Mas o mais importante, e revolucionário, são sem sombra de dúvida os diferentes finais e a reflexão a que isso nos obriga. É extraordinário pensarmos que uma pequena alteração em relação àquilo que fizemos pode mudar tudo. Mas será que é mesmo assim? Eu sou muito pouco defensor do indeterminismo. Acredito profundamente que tudo está planeado, e se algo não decorre da forma como queremos, tem uma justificação. Nada acontece sem um motivo, tudo tem uma razão. Portanto, não é pelo Miles se rebolar no campo de golfe que isso o impediria de morrer nas montanhas. Isso (não) aconteceu porque estava pré-destinado. Apesar de eu não ser um fã particular da palávra destino, porque acaba por ter uma conotação, por vezes um tanto ou pouco a caminhar para o religioso, e porque realmente, se formos donos do nosso destino, somo-lo inconscientemente.
Alexandre
Concordo quando dizes que este filme ganha imenso com os aspectos técnicos, extraordinariamente singulares, pois nunca tinha visto um filme com tão poucos cenários como este mas que, no entanto, ganham com o decorrer do tempo uma importância assinalável, como é o incontornável caso do barracão.
ResponderEliminarQuanto aos actores, rendo-me. Admito que não percebi mesmo que foram SEMPRE os mesmos... Como dizes, as diferenças entre o Toby e o Miles são extraordinárias (também achei incríveis as diferenças entre a Rowena e a menina loira de que não me lembro do nome) e todas as expressões e idiossincrasias das personagens levam-nos para mundos completamente diferentes, carácteres diferentes, posturas diferentes. Não queria acreditar quando me disseram que foram sempre os mesmos... Excelentes actores mesmo.
Relativamente ao resto, não concordo contigo. Não sou de todo apologista do determinismo e acho que sou eu quem tem poder nas decisões que tomo e, se é certo que como nos mostrou o filme, uma simples acção ou simples pormenor pode influenciar toda uma vida, somos nós que as tomamos e não penso que haja nenhuma espécie de destino ou determinismo que tenha controlo sobre o que pensamos ou a forma como agimos. As nossas decisões evoluem da mesma forma que também nós evoluímos, mas por irem mudando, não quer dizer que deixemos de ser nós a ter um papel na sua escolha, mas sim que estas mudam com idades, estados psicológicos, etc.
Portanto, acredito que somos nós os "donos do nosso destino", e não acredito que o façamos de forma inconsciente, pois não é inconscientemente que tomamos as decisões que sabemos que têm importância no decorrer da nossa vida.
Concordo também em relação aos cenários, dão um toque muito especial ao filme, e mostra que não é preciso aquelas coisas altamente trabalhadas para o trabalho se concretizar bem. É suposto o cenário ser complementar ao filme, e não falar por ele, e acho que neste caso funcionou muito bem. O cómico daqueles cenários, que se notava claramente como eram feitos, funciona muito bem dentro do sentido de humor peculiar do filme.
ResponderEliminarQuanto às personagens, estava a pensar precisamente quando disse à Rita que eram sempre os mesmos, e ele mal acreditava. É mais fácil de nos apercebermos que a actriz feminina é sempre a mesma, ela tem uns traços muitos característicos(o perfil), daí ser difícil não reparar. Aquelas cores garridas das roupas delas fizeram muito pensar no Almodóvar, os nas vestimentas espanholas talvez... Mas com ele realmente é difícil perceber. Eu cheguei lá rápido porque achei que não fazia sentido ser só ela sempre a mesma, e uma vez pensando assim, apercebemo-nos logo de que é sempre a mesma pessoa. Ele tinha mais acessórios para desviar a atenção do mesmo rosto (a barba, os óculos), mas a postura dele e a total metamorfose de papel para papel só podem provir de uma grande aptidão do actor.
Quando à música, peço desculpa a ligação, mas fez-me por vezes pensar no Will and Grace. De qualquer maneira, funciona muito bem no filme.
Quanto à questão mais filosófica da coisa, também caminho mais para o lado do anti-determinismo. Acredito que uma acção nossa, ou hesitação num determinado momento, possa vir a provocar grandes alterações na nossa vida. Mas, tal como a Rita disse, somos nós quem fazemos essas decisões, a nossa vida está nas nossas mãos, não acredito que esteja tudo destinado e que nascemos e o nosso percurso de vida já está determinado. Determinado por quê? Não, somos nós que fazemos esses momentos e desfechos. Pode nem sempre correr como planeámos, mas isso não tira o controlo que temos sobre o que fazemos. O que o filme me fez pensar, é que devemos sempre agir em conformidade com o que pensamos, porque algo que na altura nos parece insignificante, até pode vir a provocar grandes mudanças no nosso futuro. Essa questão do determinismo extremo até me faz pensar em conformismo, até que ponto é que pensam que o seu plano de vida já está determinado, e se deve ou não agir, simplesmente deixar andar porque já está tudo determinado. De qualquer maneira ninguém sabe qual é o desfecho, por isso sugiro, o melhor é ter controlo sob o que fazemos, e não estar à espera que as coisas se façam por si só, e quase aleatoriamente.
Isa
Não concordo no determinismo a 100% mas existem inúmeros factos e aconteceimentos que acontecem ao longo da nossa vida que não podem ser apenas fruto do acaso. Acredito porém que a vida é também aquilo que nós fazemos dela, as consequências que os nossos actos têm e as decisões a que todos os dias somos expostos controem o nosso fado..
ResponderEliminarPorém temos que avaliar outros aspectos como o nosso genótipo e o nosso fenótipo, até que pontos os nossos genes e a sua repercursão no meio fazem de nós o que somos hoje e desencadeiama a nossa evolução...
sim, o trabalho dos actores foi excelente, tal como tu rita, não tinha de forma alguma posto sequer em questão que eram apenas 2 actores
ResponderEliminarRute, não acho que os nosso genes tenham qualquer influência na delineação do nosso destino. Penso sim que as pequenas opções que fazemos ao longo da vida vão definir as situações futuras que, por sua vez, vão suscitar a necessidade de tomar novas decisões. Por exemplo, o facto de optarmos por ir para uma escola em vez de ir para outra pode fazer com que conheçamos (ou não) um professor de uma determinada disciplina que tenha a capacidade de cativar e aumentar o nosso interesse nessa área de estudo e, assim, fazer com que no futuro escolhamos uma profissão relacionada com a mesma.
ResponderEliminarComo já devem ter percebido não concordo de todo com o determinismo, pois penso que só os nossos actos e os dos que nos rodeiam podem definir os acontecimentos futuros.
Estou habituada a filmes com determinada estrutura que até podemos dividir numa introdução das personagens, num conflito, e numa solução. Este filme, não correspondendo a um desenvolvimento linear, fez-me acha-lo confuso, mas cada vez que penso nele gosto mais e mais. Não achei o cenário muito interessante, acho que o mérito reside unicamente na interpretação das personagens que chegaram, por vezes, a ter um carácter simultaneamente irritante e intrigante.
ResponderEliminarRelativamente à questão filosófica abordada, a do determinismo(ou não), acredito que o destino é resultado das nossas acções. O que aconteceu, e o que acontecerá, foi, e será, resultado das nossas acções, das nossas opções e decisões. No filme, uma palavra podia mudar o curso de uma vida e acredito que assim o é na vida real. Um sim ou um não, um ir ou não ir, um fazer ou não fazer, são todos caminhos diferentes que não garantem o mesmo final e tudo o que podemos fazer é optar consoante aquilo em que acreditamos.
Olá a todos!
ResponderEliminarEu não sou um determinista ao ponto de como tudo já está planeado, vou ficar sentado à espera. Mas para mim, é inquestionável que tudo tem um rumo traçado antes de nascermos. Eu não sou uma pessoa muito religiosa, mas acredito na ciência (apesar de ser de humanidades...). A ciência já não se limita ao possitivismo de Cunt, já avançou, por exemplo para áreas como as regressões, que têm muito valor ciêntifico nos dias de hoje. Não nos podemos limitar àquilo que parece óbvio, e não podemos descartar a hipotese que só existo eu e o mundo aparente, há outros niveis associados à própria natureza (como também não consigo provar o contrário). Não quero estar a fazer um discuros muito zen, porque é algo que não tem nada a ver comigo, mas tentar mostrar que a própria ciência nos pre-determina, como é o caso da genética que a Rute referiu com a qual eu concordo, é um bom exemplo. O filme, alías, mostra como não controlamos o nosso destino, o Miles não caiu da montanha de propósito... Eu não posso impedir que amanhã me caía um piano em cima no meu caminho para casa. Na realidade, nós não controlamos nada, e não há forma como prová-lo ou o contrário.
Alexandre
A palavra que não entra para mim é o destino, em que nascemos para fazer não sei o quê e não podemos escapar a isso. O fatalismo enfim... É óbvio que não temos controlo sob tudo o que fazemos, se somos atropelados ou partimos o pé não é porque queremos, simplesmente isso é o produto de alguma acção ou decisão feita por nós, ter decidido ir por aquele caminho em vez do outro e ter sido assaltado. Simplesmente acho que isso não foi planeado ou estivesse previamente determinado, pura e simplesmente aconteceu. Não há futuros feitos, vão sendo feitos.O controlo total é pouco frequente, seja qual for a área.
ResponderEliminarSim patricia concordo com aquilo que tu dizes, mas o facto de, por exemplo, falarmos deve-se á existencia no nosso codigo genético dessas caracteristicas, claro que sem a intervenção da cultura e da sociedade não seria possivél essas mesmas caracteristicas se evidenciarem. Concordo com a epigénese, tese que afirma tese que defende a interação dos genes e do ambiente, uma visão nao determinista, somos moldaveis.
ResponderEliminarApesar disso nao concordo no acaso só por si, acho que é algo muito subjectivo, se algo acontece é porque tem que acontecer, mas nós temos sempre influencia nesses acontecimentos