sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Conversa Acabada de João Botelho

Gostava de vos ler sobre o filme Conversa Acabada de João Botelho que vimos no auditório na passada 5ª feira.

Gostaram? Não gostaram? Porquê? Aprenderam alguma coisa de útil no âmbito do estudo de Fernando Pessoa?

Digam de vossa justiça. Livremente, como sempre.

Jorge

7 comentários:

  1. Um filme em nada comercial.. Com uma técnica antiga, poucos actores e poucos cenários..
    Achei, apesar de primeiramente ter sido difícil seguir o filme com atenção , interessante.
    Como já estudámos fernando pessoa tornou-se mais fácil compreende-lo.
    Achei o filme muito longo, a parte final é belíssima, as cartas de sá carneiro a fernando pessoa e vioce-versa, toda a acção em roda dos dois, da questão do suicidio...
    è sempre bom ouvir o realizador e os actores, neste caso o actor,do filme.

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  2. Olá a todos!
    Eu devo de confessar que achei o filme um pouco aborrecido. Gostei mais da introdução inicial do João Botelho, que do filme em si. É praticamente impossivel acompanhar com atenção, quando toda a história se baseia na leitura de poemas e de cartas, é maçador. Eu gosto bastante de Sá-Carneiro e de Pessoa, no entanto são cento e tal minutos exaustivos! Não vou dizer que fiquei a saber muito mais sobre os dois, mas é sempre mais qualquer coisa.
    Alexandre

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  3. Como disse ao Stôr, para quem está habituado ao típico cinema comercial, o filme é um desafio. Como o João Botelho disse no início, tentou dar tudo para este filme. Ora, julgo que isto é claro, em algumas situações podia ter sintetizado um bocadinho, já estava a atirar demasiadas coisas para a cena. No entanto, de maneira geral, aquele é um filme para absorver a poesia de Pessoa. Para quem tenha fixado alguns poemas, é lindíssimo ouvi-los assim e acompanhar mentalmente, sempre com a próxima estrofe na cabeça, a poesia dele não deixa de nos espantar. Quem não se sentiu assim, ou de maneira parecida, em relação à poesia, dificilmente terá apreciado. Como foi dito, é um filme auditivo, os cenários são rudimentares, o que por vezes se torna interessante, mas não são de certeza o foque do filme. Havia imagens muito interessantes: a folha de papel sobre o café, que o absorve, as sombras de Pessoa no quarto, os pézinhos das bailarinas atrás da tela...Imaginando nós a cabeça de Pessoa como um outro mundo,não diria alucinado, mas certamente fora do comum, o cenário atípico seria necessário.

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  4. Eu também, tal como o Alexandre, tenho de admitir que gostei mais de ouvir a introdução do João Botelho do que de ver o filme. Sinceramente, achei o filme pretensioso. Apesar de ter uma ou outra parte boa (ex: a cena da leitura na rádio em estúdio dum poema de Pessoa), foi difícil não adormecer. Isto, no entanto, não se deveu ao facto de ser um filme pouco comercial. Foi apenas mau. Não gostei da forma como Fernando Pessoa foi retratado - um poeta tão belo e complexo representado de maneira tão banal e desinteressante, para não falar do péssimo sotaque inglês, foi no mínimo enervante.
    Não posso dizer que fiquei desiludida porque, na verdade, não tinha grandes expectativas. Mas foi uma perda de tempo. Compreendo que tenha sido um filme auditivo e não visual, mas pergunto-me: porque então fazer um filme?

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  5. Eu concordo com a Isa quando diz que foi notório o que o João Botelho disse no início, tentou pôr tudo o que conseguiu neste filme e foi por isso que, em certas partes, como já outros disseram, se tornou complicado segui-lo com atenção sem nos dispersarmos.
    No entanto, acho que, embora mostre, como disse a Zillah, um Pessoa um tanto banal, o filme retrata aquilo que muitas vezes fica por dizer, a grande amizade entre Pessoa e Sá Carneiro, uma vez que nem sempre damos a importância necessária a esta correspondência. Achei muito interessante essa parte. Quanto à leitura excessiva de poemas, pode ter sido demasiada, mas a verdade é que de outra maneira e por outra forma provavelmente nunca iríamos ter contacto com eles. Foi quase um filme para ganhar, acima de tudo, muita cultura e muita bagagem de literatura portuguesa.

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  6. Gosto bastante tanto de Fernando Pessoa como de Mário de Sá-Carneiro mas não acho que o filme tenha mostrado grande coisa do que eles foram. O próprio realizador admitiu ter corrido muitos riscos ao fazer este filme e agora compreendo. Parecia mais um slideshow com excertos de poemas e cartas narrados. Não acho que tenha tido grande originalidade. Apenas algumas expressões dos actores são merecedoras de destaque. Houve uma ou outra expressão do actor que interpretava Sá-Carneiro que parecia verdadeiramente sincera.
    O filme foi muito cansativo e teria sido mais engraçado apresentar um fundo totalmente preto em que o objectivo fosse apenas ouvir. Seria como na altura em que não se tinha televisão e se ouviam histórias inteiras pela rádio. Teria sido mais produtivo e mais divertido to fill in the blanks.

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  7. Ola! Apesar de não fazer parte da turma, gostava de deixar aqui a minha opinião sobre o filme de João Botelho. Tal como muitos já disseram o filme tendia a tornar-se um pouco enfastiante, no entanto, e tal como referiu João Botelho no início, os heróis de que trata não são os escritores em si, mas antes os seus textos, o 'poder' e o encanto que eles conseguem empregar nas suas palavras. É um cinema um pouco mais reflexivo e menos narrativo, logo agradará a um menor número de pessoas à partida. Em 1980, talvez os meios disponíveis para a realização do filme não fossem os óptimos e talvez seja pertinente ter em conta que se trata da primeira longa-metragem do realizador (em que, tal como ele explicou, tentou dar tudo, acabando eventualmente por pecar um pouco por falta de maturidade). Mas não achei de todo um filme que mereça uma má classificação. Achei, sim, que não é um filme transversal, no sentido em não é dirigido a todo e qualquer espectador: é dirigido a um espectador algo experiente no que toca à obra tanto de um como de outro autor. Pelo menos senti isso, pois derivado do ainda pouco contacto que tive com as obras de ambos somente em certas alturas senti que estava realmente a entender aquilo que estava a ver.
    Devo confessar que também me incomodou o péssimo sotaque inglês que foi utilizado e que fiquei algo intrigada: de certo não eram actores experientes, mas pareceu-me exagerado e desnecessário um inglês tão falado em português, por assim dizer. Pois que reflecti um pouco sobre isto e concluí que teria um objectivo definido: ainda que Pessoa tenha escrito diversos poemas em inglês ele não deixa de ser um poeta português e isso é assinalado desta forma. Se, de facto, foi a ideal ou não é algo em que podemos pensar.

    Rita Aquisição

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