É nestas questões como a dos ciganos que somos capazes de avaliar a nossa capacidade de tolerância.
Tolerância não significa indiferença ou a relativização total dos comportamentos. Mas também significa a total rejeição de pretensas superioridades de qualquer tipo, ou de generalizações abusivas em relação a todo um povo. Não significa que as leis não se cumpram, mas também não significa um cumprimento cego das leis.
Uma cultura que coabita com a nossa há séculos e que não se confunde com a nossa. Por um lado, marca um traço distintivo de resistência muito forte, independentemente dos valores pelos quais se reja. Por outro lado, exige que seja tratada de forma delicada, num esforço de integração e de adaptação mútua.
Os ciganos são marginalizados e auto-marginalizam-se. Há ressentimentos mútuos comuns. Há algumas boas práticas, mas, na generalidade, o que domina é a desconfiança, a intolerância, o ressentimento.
Os ciganos não são estrangeiros. Viveram sempre em Portugal e falam português. A sua integração é um dos desafios mais complexos dos nossos tempos. Para nós e para eles. Não basta dizer que lhes damos casas e subsídios. Isso nem sempre é verdade. Quem está disponível para arranjar um emprego a ciganos no meio de não ciganos? Quem é que não se deixa levar por todas as histórias que sobres eles correm (verdadeiras ou não?) e não se sente inseguro junto a eles?
Ostracizá-los não é solução. Nem metê-los na prisão, por dá cá aquela palha. As medidas repressivas e securitárias podem agradar muito ao Paulo Portas e à extrema direita, mas não resolvem nenhum problema de fundo. O caminho é estreito, mas é só um: o da compreensão mútua.
Jorge
Aquilo que tem de haver é exactamente uma coexistência pacífica, e para isso a comunidade cigana tem de ser também tolerante e ter um desejo de se integrar.
ResponderEliminarOs ciganos parecem ter práticas essenciais da sua cultura que vão fortemente contra algumas das nossas leis, e não é porque há uma espécie de "comunidade" que pratica algo ilegal num país que a lei deve ser alterada.
Do nosso lado resta apoiar e fomentar este tipo de desejo e tentar dispersar um pouco os possíveis mitos existentes sobre essa cultura.
O problema da etinia cigana é que apesar de ter á partida os mesmos direitos que qualquer outro cidadão, também tem os mesmo deveres sejam eles quais forem (civicos, educativos)..
ResponderEliminarSão uma cultura muito própria, em alguns aspectos bastante atroz e decadente, a maneira e a forma como alguns assuntos dentro desta comunidade são tratados são repudiados pela sociedade daí a dificulade de aceitação.
A integração é um processo moroso e lento.. Acho que como não existe um cigano "puro" com um cargo ,no nosso país, poderoso dificulta o "arrancar" de uma nova era para esta etinia.
è certo que não exitem só ciganos pobres,feirantes, que vivem em barracas tambem existen muito ciganos ricos que ostentam carros topo de gama..
Nós não aceitamos isto, não aceitamos que exista alguém que apartida está hierarquicamente inferior a nós seja melhor e tenha e vive melhor que nós
É absolutamente verdade que aceitar um cigano para determinado emprego é difícil, mas é essencial pois tem de se começar por algum lado. Quanto mais lhes negarmos oportunidades mais eles se juntam na sua comunidade e mais se afastam do dito mundo. É também verdade que todo este processo é de esforço mútuo, é um pouco 'meet me half way'. Porque não sermos nós a dar o primeiro passo? E penso que distribuir apartamentos com míseras rendas de 2€ não é suficiente, justo, ou sequer relevante pois revolta a populaçao em geral, e os próprios ciganos não sabem lidar com isso, chegando muitas vezes a abandonar esses mesmos apartamentos e a voltar a construir uma barraca.
ResponderEliminarApesar da história da coexistência pacífica parecer a resposta mais óbvia e comum, é a mesma que a minha. Ainda acredito que não é um mito,e é das poucas alternativas minimamente justas. No entanto, esta implica cedências e interacção entre as duas partes, e é aí que os egos se magoam e colidem. Está sempre toda a gente à espera que seja o outro a "sacrificar-se".Ora isto, se funciona momentaneamente, com o tempo trará algum ressentimento e a abertura de feridas antigas.
ResponderEliminarNão sei se haverá o tal "cigano puro" com um grande cargo, mas se não há, também nunca começará por cima, muito pelo contrário, é de baixo que o processo se inicia. Deste modo, isto só funciona se se começar precisamente por aí, se deixarem o tal "modelo" surgir e ir-se construindo, ele não vai cair do céu dum dia para o outro. Mais uma vez, "tem que se começar por algum lado".
Quanto à hierarquia, não a compreendi. Se se baseia em bens económicos, nessa situação o superior já seria ele. Essa distinção do superior e do bom faz-me sempre alguma confusão, é um assunto muito sensível, e pouco objectivo.
Eu penso que ainda demorará muito até que os ciganos sejam aceites para uma entrevista de emprego, ou para qualquer coisa que implique estar no meio do resto da sociedade, a não ser que seja um emprego que possam ter em grupo. Acho que, basta ver pelo debate que tivémos na turma, que isso é algo que não acontece. Os avós ensinaram aos pais que os ciganos são maus, praticam coisas más e vão contra as nossas leis, os pais passam essa educação aos filhos e as coisas nunca vão a lado nenhum. Sinceramente, não percebo como podem afirmar que os ciganos deviam ir para a prisão, por serem ciganos. Para além de ser pura generalização, é, pior, uma pura discriminação, fruto de um preconceito que persiste há séculos.
ResponderEliminarAgora é assim: quem, na verdade, tem fundamento (e não estou a falar de Estatísticas, como disseram na aula) para falar do que fazem ou não os ciganos dentro das suas comunidades? Não será um pouco exagerado o que se diz? Quem, realmente, sabe do que fala? Pareceu-me que, por exemplo, o testemunho do Faustino mostra, confrontando a "sabedoria geral", que o que pensamos sobre eles pode não passar de uma imagem preconceituosa e onde não há respeito absolutamente nenhum. Eu não digo que sejam perfeitos, que cumpram todas as leis, que sejam eles a querer integrar-se e nós a não deixarmos (pois, como disseram, tem de vir das duas partes), mas questiono-me até que ponto o que pensamos dos ciganos não são ideias preconcebidas e se, muitas delas, têm de facto fundamento. Quantas vezes me aconteceu dar ideias como certas que, afinal, se mostraram ser preconceitos sem razão de ser absolutamente nenhuma? Não seremos todos altamente influenciados?
Acho que, não conhecendo "por dentro", nunca poderei dizer que todos roubam, todas pegam fogo, todos rejeitam a ajuda. Nunca vi nada que fizessem, que não fizessem também pessoas de outra etnia. No entanto, os ciganos saem sempre sacrificados.
É preciso conhecermos para podermos criticar.
Acho que tens razão em tudo o que dizes, Rita. As pessoas têm tendência a falar daquilo que não sabem e, como tal, fazem, geralmente, críticas muito pouco fundamentadas, baseadas em preconceitos pessoais e sociais. Tal como disseste, nenhum de nós conhece verdadeiramente a realidade da comunidade cigana, principalmente devido ao facto das pessoas desta etnia permanecerem isoladas do resto da sociedade, dificultando o contacto directo com esta mesma realidade. A opinião que as pessoas formam em relação aos ciganos é normalmente negativa, pois é fruto do preconceito que vigora na sociedade e de alguns casos menos agradáveis que surgem no dia-a-dia e que, posteriormente, são generalizados para o resto dos ciganos. É por este motivo que penso que o primeiro passo para que haja uma integração da comunidade cigana na nossa sociedade é que ocorra uma mudança da mentalidade dos cidadãos não só de Portugal, mas um pouco de todo o mundo. Só assim será possível a existência de tolerância entre duas culturas tão distintas e que passa pela ocorrência de cedências de ambas as partes. Não me parece que a cultura cigana entre assim tanto em choque com a nossa tornando-se necessário erradica-la. A meu ver, devem haver regras que sejam igualmente justas para todos os cidadãos do mundo, quaisquer que sejam as suas etnias, tendo em vista uma igualdade de circunstâncias e oportunidades. O facto das pessoas serem diferentes umas das outras não quer dizer que sejam melhores nem piores e é sobretudo o conceito de superioridade/inferioridade que cava o fosso de separação entre as culturas.
ResponderEliminarEu sou uma pessoa que de facto não gosta de falar sobre o que não sabe ao certo, daí a que este tema dos ciganos seja um pouco problemático para mim. Mas não consigo deixar de achar que esta visão da compreensão mútua como algo utópico, o máximo que eu penso que se pode atingir é uma coexistência sem grandes sobressaltos. Há aspectos da cultura cigana considerados aberrantes pela cultura, diga-se, “ocidental”, que não me parecem permitir que haja azo a compreensões mútuas, por mais hipócrita que isso possa ser. Verdade seja dita, se o papel reduzido da mulher na sociedade cigana é chocante para “nós”, então “nós” já devíamos ter acabado com a violência doméstica, que ano após ano parece aumentar. Mas tenhamos fé, talvez essa compreensão se atinja um dia, mas para isso também me parece que nesse dia já não devam haver preconceitos a nível sexual ou racial, um dia em que a raça humana atinja a “iluminação”.
ResponderEliminarEu vou dar um exemplo, eu andei do 5º ao 9ºano na Escola Eugénio dos Santos, uma escola que se situa bastante perto de um conhecido bairro de ciganos, o bairro das Murtas. Durante todo o tempo em que andei naquela escola raramente sofri abusos de qualquer espécie, mas quando os sofri, foram propiciados por pessoas de etnia cigana. Querendo ser o mais imparcial possível, há uma coisa que tem de ser dita, os ciganos que andam naquela escola (ou andavam, visto que já saí de lá há algum tempo) mantém o seu reino de terror através da coerção e da violência. Qualquer estudante que tenha ingressado naquela escola no tempo em que eu lá andei sabe isso. Mas, podemos relativizar a questão, e alguém afirma "Mas bullies há em todas as escolas..." ao que eu respondo com uma pergunta,"E não será uma coincidência algo estranha que justamente os bullies daquela escola serem provenientes daquele bairro?
É ridículo afirmar que todos os ciganos deviam ser postos na cadeia, que todos são ladrões ou criminosos. Independentemente da cultura, todo o ser humano tem capacidade para o bem e para o mal. Há muitas maiores bestas que por aí andam e têm a cara lavada, passamos por elas na rua e nem reparamos. Mas existe certamente um preconceito contra os ciganos, e embora exagerado, não é de todo infundado. Penso que uma possível solução, ou ao menos uma atenuante, seria aumentar tanto os direitos como os deveres. E quando eu digo aumentar direitos, não é dar mais dos que já são dados ao comum cidadão português, é de facto certificar-se de que esses direitos são gozados. Por outro lado, certificar-se também de que os deveres são cumpridos. Alguém vai referir naturalmente que se os ciganos fogem aos impostos, também muitos outros cidadãos fogem. Pois bem, é verdade e é algo extremamente negativo, mas não se pode justificar um problema com outro problema, senão não se chegará a conclusões de qualquer espécie.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminar