A propósito do filme que vimos na 5ª feira e da discussão subsequente gostaria de vos deixar algumas perguntas:
1 Como receberiam s notícia de um filho ou filha vossa se vos dissesse que era homossexual?
2 Acham que os casais homossexuais devem ter o direito de adopção, ou esse direito deve ser reservado a casais heterossexuais?
3 As paradas gay são uma manifestação de exibicionismo irritante ou uma demonstração de afirmação de ma minoria sexual?
4 Acham que o pensamento politicamente correcto discrimina aqueles que são contra o alargamento de direitos dos homossexuais?
5 Se são heterossexuais e forem abordados por um homossexual com uma tentativa de engate reagiriam da mesma maneira caso essa tentativa fosse de um heterossexual?
Jorge
Antes de mais gostava apenas de sublinhar a questão que por vezes dizemos que agiríamos duma maneira mas, quando chega a hora "H" as coisas funcionam de outra maneira bem diferente. No entanto, penso que se um filho/filha me dissesse que era homossexual obviamente que seria um choque e que a princípio ficaria um pouco triste, não pela decisão mas tal como tenho o sonho de ser mãe, tenho o sonho de ser avó contudo, até esse sonho seria na mesma possível de realizar com a adopção. Concluindo, sentiria uma surpresa inicial mas acho que saberia aceitar e lidar com o assunto.
ResponderEliminarEm meu entender a segunda pergunta deve-se dividir essencialmente em duas partes: o ponto de vista dos pais e o ponto de vista da criança. Em relação ao casal acho que tem todo o direito a ter uma criança para amar e educar e não me atrevo a dizer que a educariam pior que um casal heterossexual. Em meu entender o "problema" desta questão é essencialmente a parte psicológica da criança. Teria que sofrer uma maior adaptação na escola e possivelmente ia ser mais "gozada" pelos colegas pelos pais serem diferentes (por ter dois pais ou duas mães). Também sou da opinião que, por várias razões, a estabilidade de uma criança em desenvolvimento requer uma entidade maternal e um paternal até porque, cada vez mais me apercebo de como os meus pais se completam exactamente porque há coisas que não se discutem com o pai e outras não se discutem com a mão. Contudo, é a tal coisa, quando estamos em falta e quando sabemos que estamos em falta, tentamos sempre preencher essa "falta". Logo, acredito que um casal homossexual teria uma noção ainda melhor que a minha sobre este problema e teria todos os cuidados e mais algum para superar este problema da melhor maneira.
Em relação às paradas gay devem ser encaradas como um "somos como somos e vão-se habituando à ideia". A verdade é que, os homossexuais quando se começaram a assumir foram censurados e discriminados e estas paradas devem ser encaradas como a sua forma de mostrarem que não têm vergonha de assumir o que são e como são, levando as pessoas a aceitar o facto de eles serem "diferentes".
Tal como discutimos na aula, a grande maioria das pessoas age consoante o que é politicamente correcto abstraindo-se daquilo que realmente pensam. A meu ver, o que está "na moda" é aceitar de braços abertos os homossexuais mostrando assim um imenso liberalismo. Se para sermos liberais temos que aceitar o alargamento dos direitos homossexuais, então aceitaremos! Acho que nos dias de hoje é a atitude tomada. Claro que aqueles que na verdade não aceitam dizem isto mas de seguida pensam em todas as questões do "inestético", do corpo humano ser feito para ligar o homem à mulher e não juntar seres do mesmo sexo mas enfim...
Por último, muito sinceramente não sou muito de reagir a esse tipo de tentativas de "engate". Contudo acho que se me deparasse com esse tipo de situação reagiria de maneira diferente se fosse um homossexual ou um heterossexual.
sim é verdade que nestas questões a nossa opinião não é 100% fiavél, acabamos por quando nos deparamos por estes acontecimentos e situações agir de forma diferente da qual pensamos..
ResponderEliminarse um filho me disesse que era homosexual custaria-me a príncipio aceita-lo numa primeira fase, depois acabaria por aceitar com normalidade.
A adopção nao deve singir-se apenas ao heterosexuais. existem imensas crianças que vivem em colégios em orfanatos, crianças que precisam de um lar e de alguém que lhes ^dê amor e estabilidade e que nao os tratrem com pudor. Acho que nestes casos de adopção a fase do analisar se ambos tem capacidade de cuidar de uma crianaç deve ser mais austera, porque vivendo numa sociedade céptica e a taxa de aceitação de casais homossexuais ainda nao ser assim tao elevada.
As manisfestações gays são na minha opinião demonstração de afirmação de uma minoria sexual. As paradas gays dão uma ideia á sociedade errada deles mesmos, os gays são pessoas normais, não são apenas pessoas com "tics" e com maneiras de apresentação diferente. São pessoas muitas vezes com grandes estatudos e que não se assumem por esta mesma escolha sexual estar ligada ao exibicionismo e ao "espalhafacto".
Não diria que o pensamento politicamente correcto discrimine aqueles que são contra o alargamento de direitos dos homossexuais mas sim que os inibe de fazê-lo.
Não reagiria da mesma maneira
Concordo em grande parte com o que a Mafalda disse. Eu assisti a episódios do género na minha família e não me é muito difícil falar do assunto. Desde pequena que "assisti" à heterossexualidade como à homossexualidade e, uma vez isto acontecendo, tornou-se numa coisa perfeitamente natural a meu ver. Mais uma vez, consoante as nossas experiências de vida e o meio em que crescemos, teremos opiniões e reacções muito diversas. Eu revolto-me muito facilmente com a situação porque simplesmente nunca estabeleci uma barreira tão grande entre uma e outra, habituei-me a ver ambas como igualmente naturais. Isto surge quase como um enquadramento das minhas respostas.
ResponderEliminarDito isto, julgo que a resposta à primeira questão é óbvia. Tirando o facto de saber que seria mais difícil para o meu filho ser bem aceite por alguns membros da sociedade, julgo que seria perfeitamente normal para mim. Aliás, por vezes nem têm de haver aqueles momentos de revelação à filme, em que os pais ou o resto da família não sabiam de nada e ficam chocados quando o dizem. Posso dizer que na minha família nunca houve um momento desses, simplesmente sempre esteve inerente e não houve nenhum momento único revelação. Percebia-se e era aceite, se não houver qualquer inibição por parte da pessoa julgo que não é difícil chegarmos a essa conclusão.
Também concordo com a adopção. Tal como com qualquer casal, quando se adopta uma criança, há o risco de algo não correr bem, desses pais se separarem e afins. Há sempre riscos, somos todos falíveis, e não é só com casais homossexuais que isso acontece. Primeiro, quanto às presenças femininas e masculinas, julgo que o casal não se iria isolar numa bolha onde não há acesso a pessoas do outro sexo. Mais uma vez, julgo que é uma questão do amor que é dado e livremente expresso, mais do que estabelecer barreiras para tudo, limitarmos exageradamente o mundo à nossa volta só porque temos medo de nos encarar com novas realidades. A expressão é mais importante que a contenção. Julgo também que tudo isto é uma questão de habituação, as pessoas agora ficam muito alarmadas, mas tem que se começar por algum lado para se ver se as mentalidades mudam, e com a experiência e a observação de casos felizes isto seria mais fácil de entender, mais do que estarmos para aqui a especular. Não me parece que a criança ficasse deformada ou, como algumas pessoas insistem a dizer, ficasse com maior tendência para seguir o mesmo caminho dos pais, ou seja, ser gay. Esta última é absolutamente ridícula, mas há quem a defenda.
Quanto às paradas gay, julgo que é uma afirmação duma minoria sexual. Eles estão ali, são pessoas normais, seja lá isso o que for, e não devem ser tratadas como inferiores ou como atrocidades da natureza, nem sequer ser ignoradas. É uma questão de não se esconder o tabu, de haver um confronto com esta realidade, que alguns tentam ignorar antes mesmo de a tentar encarar. Até me lembrei daquele caso recente em espanha em que vários casais gay se foram beijar em frente do papa. e achei muito bem. As pessoas precisam de ser confrontadas com a realidade, e não afastá-la e dizer que é uma doença só porque foge do mais comum, ou do que se mostra com maior liberdade, porque é tido mais uma vez como o normal, o correcto, que ainda não sei como deve ser definido, mas as pessoas insistem em dar-lhe esse nome.
ResponderEliminarQuanto ao politicamente correcto, acho que há pessoas que ainda têm em si o instinto para repugnar relações homossexuais, no entanto, pensando logicamente, a igualdade de direitos não pode ser adaptada para cada situação, logo todos a merecemos, e isso abrange qualquer orientação. Se pensar em mim pessoalmente, a tendência é para discriminar aqueles que o dizem da boca para fora, envolvendo palavras como "nojo" pelo meio, e não são capazes de se explicar decentemente. Depende da agressividade com que é dito, porque há sempre a possibilidade de se admitir que incomoda com sinceridade, não se misturam áreas e segue-se em frente.
Por fim, julgo que qualquer tentativa de engate brusca, venha de que sexo vier, é desagradável. A própria palavra engate estraga logo tudo. Se fosse do mesmo sexo, acho que é uma questão de se explicar a situação naturalmente, não me parece que seja assim tão chocante, as pessoas é que fazem um grande reboliço à volta disso a priori.
1. Primeiro estranha-se depois entranha-se.
ResponderEliminar2. A adopção e a qualidade de educação não varia de heterossexual para homossexual, mas sim de pessoa para pessoa, por isso, um casal homossexual tem tanto direito de adoptar uma criança, como um casal heterossexual.
3. São uma manifestação de exibicionismo irritante.
4. Não, porque é que se preocupam com a discriminação dos que discriminam? Todos têm o direito de dar a sua opinião e acho que não é o politicamente correcto que luta pelo alargamento dos direitos dos homossexuais, mas sim o moralmente correcto.
5. Não reagiria da mesma maneira.
Quanto à primeira questão, concordo muito com a Mafalda. Uns mais que outros, mas sermos pais e, consequentemente, esperarmos ser avós, é algo quase inerente à espécie humana. No fundo, somos um ciclo e isso é o que "esperamos". Assim, tudo o que se sobrepõe a uma vontade tão forte como eu penso ser a de ter netos, é um choque e algo com que acredito que seja difícil de lidar. No início, deveria ficar triste e a pensar que muitas das minhas expectativas falharam, mas agora, e com esta idade, não sei dizer se com o tempo conseguiria fazer com que fosse "normal". Aí percebo a Isa, as nós experiências moldam-nos. Percebo que para ti fosse fácil aceitares com naturalidade uma situação dessas, mas lá está, eu nunca contactei com ninguém que fosse homossexual na minha família, e mesmo nas minhas relações pessoais nunca foi algo que acontecesse muito, portanto pensar nessa questão deixa-me um pouco apreensiva.
ResponderEliminarRelativamente à adopção, concordo, mais uma vez, imenso com a Mafalda. Não poderei dizer que apoiaria a adopção a 100%, porque não podemos pôr no mesmo saco o crescimento duma criança num ambiente de um casal heterossexual ou de um casal homossexual. Não digo que os casais homossexuais não dêem todo o amor e carinho necessários para o bem-estar da criança, mas irá crescer a pensar que é natural algo que não é. Para além de, como já disseram, isso se saber na escola e seja pretexto para discriminação à criança/adolescente, o exemplo com que cresceu vai ser o seu modelo, e vai ser um ciclo que o tornará a ele e aos seus descendentes também homossexuais, tornando a homossexualidade tão natural quanto a heterossexualidade o que, por muito que aceitemos as opções de vida de outras pessoas, não podemos afirmar. Pelo menos não acho que seja tão natural uma coisa como é outra.
Nas paradas gay, penso que há um pouco de tudo. Há quem vá realmente para tentar defender os seus ideais e as suas opções, ou essa "minoria sexual", e há quem vá para "irritar" políticos, a família, amigos, etc.
No engate, reagiria de maneira diferente, sem dúvida. Por muito que seja como a Isa diz, que o "engate" é sempre um pouco escusado, mesmo que a aproximação fosse "saudável" e não necessariamente que tivesse uma conotação negativa, estaria mais receptiva se fosse uma pessoa do mesmo sexo. Acho que para os heterossexuais é sempre complicado aceitar que possamos ser "alvo de conquista" de uma pessoa que, à partida, tem opções diferentes das nossas.
ResponderEliminarPois é Rita, eu cada vez mais noto como o ambiente muda radicalmente as pessoas. É que uma separação tão grande da heterossexualidade e homossexualidade simplesmente não faz sentido na minha cabeça, não entra, é tudo o mesmo, não me faz diferença absolutamente nenhuma. Eu habituei-me a não supor que rapazes têm de gostar de raparigas e o inverso. Quanto à adopção, essa definição de natural é muito pessoal, é uma interpretação. As coisas só deixam de ser tabus quando são postas em prática. As crianças só deixam de ser discriminadas quando isso deixar de ser um tabu, e sim um caso comum. É um ciclo, tudo se segue, mas os ciclos também precisam de um início, um despoletar. As crianças fazem muitas vezes comentários maldosos entre umas e outras, mas têm de aprender por algum lado que não são verdade. Ora se nunca se permitir isso, elas nunca irão aprender. A solução perante a dificuldade de compreensão de algo não é fugir desse algo.
ResponderEliminar1. Secalhar não reagiria muito em ao ínicio, mas acabaria por aceitar. Num o/a rejeitaria pela sua opção sexual
ResponderEliminar2. Os direitos devem ser exactamente iguais, há muitos casais heterosexuais que maltratam os filhos, não depende da tua orientação sexual.
3. São um exagero, tudo mascarado, meio nu, não vemos demonstrações dessas por parte dos heterosexuais.
4. Mais uma vez todos devemos ter os mesmos direitos.
5. Honestamente, não. Infelizmente ainda temos preconceitos que permanecem connosco devido à nossa cultura.
1) Aceitava bem.
ResponderEliminar2) Sinceramente não sei. É uma questão que necessita mais reflexão da minha parte - os argumentos a favor são completamente válidos, mas não sei pronunciar-me ainda.
3) Já foram uma demonstração de afirmação de uma minoria sexual, e em certas partes do globo acredito que ainda sejam. No entanto, acho um pouco exagerado e desnecessário hoje em dia, pelo menos onde nós vivemos. Em termos legais (tirando a questão do casamento e da adopção), os homossexuais não são discriminados. Portanto, se o objectivo for apenas tentar sensibilizar as pessoas e/ou abolir a discriminação que existe nos homofóbicos, não é de todo a melhor maneira. Só piora a situação, eu acho. Dito isto, compreendo que as pessoas queiram fazer protestos desse género para pelo menos poderem se sentir a vontade, coisa que se calhar não costuma acontecer.
4) Subscrevo tudo o que o colega Gonçalo Lima disse.
5) Já aconteceu e reagi normalmente.