domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ainda sobre os filmes que vimos nas últimas semanas

Os dois filmes que tivemos o prazer de ver, são geralmente considerados filmes escandalosos e, em boa parte,malditos. Embora sejam muito diferentes, colocam-nos como tema central, o questionamento, ou mesmo a rejeição, da ordem de valores dominante na sociedade. São, em boa parte, filmes niilistas , porque mais do que propor uma transmutação de valores (para utilizar a terminologia de Nietzsche), se colocam essencialmente no campo da denúncia.

Na parte final da aula, discutimos um tema que gostaria de retomar e aprofundar aqui: Precisamos de um Bem e de um Mal que ultrapassem uma mera dimensão individual? Deveremos ser absolutamente relativistas na nossa ordem de valores? deveremos, pelo contrário, seguir os princípios de Francesco Alberoni, que afirmava que somos relativistas, mas que deveremos agir como universalistas? Mas se somos unânimes em rejeitar o relativismo (pelo menos o relativismo absoluto) na medida em que ele nos conduz directamente ao egoísmo e à indiferença, que valores deveremos aceitar? Que Bem e que Mal?

Esta discussão pode parecer meramente teórica, mas não é. Se pensarmos na revolução actualmente em curso no Egipto e nas opções políticas e ideológicas que se abrem a esse país, veremos que esta é a grande discussão do nosso tempo.

Jorge

10 comentários:

  1. A noção de valor, de bem e de mal, é subjetivo mas não 100%. Vivemos todos em sociedades, estamos inseridos numa comunidade e por isso temos que conviver uns com os outros, seguir certos e determinados padrões culturais, certas leis e normas. Sem a socialização eramos apenas seres e não HUMANOS.
    Os valores são então mediadores de equilibrio, são eles que, mediante, uma situação nos fazem agir de certa e determinada forma e não de outra, sem estes era impossível uma vida sem conflitos interiores e exteriores.
    A questão do bem e do mal e subjectiva, na perpectiva que em diferentes situações se deve actuar de diferentes modos, não podemos seguir um único padrão, não podemos então generlizar todas as acções.
    Uma questão abordada no debate foi a questão da aprendizagem e da noção de castigo/recompensa, é uma questão complexa, só recorrendo a aprendizagens, a castigos e a noção pré-estabelicidas do certo e errado é que podemos evoulir, podemos formular teorias e opiniões, aprendemos a julgar e a sentir culpa/revolta/indignação/"peso na consciência", sem esta não podemos usufruir da nossa plasticidade cerebral..
    Acho também que a é família e a educação,o meio e a socialização que nos primeiros anos de vida são fundamentais para a noção de valor, respectivamnete bem e mal..

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  2. Concordo com a Rute quando dizes que o valor de bem e mal é subjectivo. mas não quando diz que é 100% subjectivo, vivemos numa sociedade que se reje por valores tradicionais e por muito que se alterem, há valores que permanecem. o bem e o mal por exemplo: sabemos que roubar é mau, que mentir é mau. mesmo assim todos nós eventualmente praticamos o mal, bastante frequentemente o fazemos aliás. Acho que, tal como a Rute a maior parte destes valores nos são introduzidos pela família, principalmente quando são o nosso principal contacto com o mundo exterior, enquanto somos mais novos, mas depois são também interiorizados e partilhados pelos amigos, pela escola e quando temos todo um contacto com um novo mundo exterior que começamos a conhecer durante a adolescência. O grande problema é que por vezes deixamos de conseguir distinguir o bem do mal..

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  3. A meu ver, a noção de bem e mal não é inata no ser humano. Ela é-nos incutida pela sociedade/cultura em que nos integramos, bem como pelas pessoas com quem convivemos diariamente. Os valores morais são, portanto, algo que surgiu como mediador dos relacionamentos humanos, com o intuito de evitar que o prazer de uns entrasse em conflito com a liberdade de outros. Por este motivo, penso que a noção de valor é subjectiva, mas segue determinados padrões dentro duma cultura ou sociedade, podendo variar bastante de cultura para cultura ou em pequenos aspectos consoante a personalidade de cada um.
    Posto isto, penso que não é viável uma noção de bem e de mal com uma dimensão individual. Nenhum ser humano é capaz que viver isolado da sociedade desde o momento em que nasce até morrer, visto que o que nos torna humanos é a convivência social e as aprendizagens que dela resultam. Assim, para que haja um relacionamento frutífero numa sociedade, como um conjunto de pessoas organizadas, torna-se indispensável a existência de normas e valores comuns aos vários elementos dessa comunidade e que passem de geração em geração.

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  4. Bem, esse problema da distinção do bem e do mal permanecerá, já que nada é em si bom ou mau, isso só o vem tornar mais óbvio. O que é que haverá para distinguir?Tirando aquelas noções orientadoras que se aplica a um ramo maior da sociedade para a orientar, tal como aplicamos a nós próprios para o fazer e, tanto uma como outra, não são condições necessárias para a sua total concretização e seguimento, há poucas coisas mais subjectivas.São limites, as pessoas têm a necessidade de que lhos imponham ou sejam auto-impostos para que se mantenham "em ordem", seja lá o que isso for. Não querendo caminhar para o caminho do costume, mas já caminhando, é uma forte tendência da Igreja.Não dizem o que é bom e mau afinal?Não é uma forma de controlo em que afastamos de todo qualquer raciocínio pessoal?
    "Sem a socialização eramos apenas seres e não HUMANOS."Não me parece que os animais não comuniquem entre si, e também me faz confusão essa constante elevação da raça humana, o que me leva à história dos macacos do André. Mas será que ainda se pensa que somos completamente diferentes deles?Que reagiríamos duma maneira muito diferente?Claro que esta é a minha opinião, e há estudos que estão de acordo com ela, mas não me parece que sejamos tão dispares. Além disso, concordo também com o André em relação à nossa necessidade de passar pelas situações para realmente aprendermos o que determinada coisa significa e para que tenhamos uma opinião própria, e não de outra pessoa, quanto a concretização ou não de determinada coisa. Fazemos, não gostamos, não fazemos. E não:somos impedidos, nada nos é explicado,não fazemos. Ninguém aprende nada com isto!E mais ainda, a tendência é para ficar um bichinho que nos diz para ir experimentar a tal coisa. Só se "ganha" algo com o castigo se com esta palavra se estiverem a referir às consequências directas da nossa acção, como levar com a água no caso dos macacos, e não ser atacados pelos outros macacos. Essa é uma forte tendência que não nos leva a lado nenhum, e mais uma vez demonstra como somos parecidos com os macacos. Não é a violência que ensina, é a passagem pela situação.

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  5. Isa, com a frase "Sem a socialização eramos apenas seres e não HUMANOS" penso que a Rute não quis dizer que uma consequência da socialização é a formação de seres humanos. O que ela quis dizer é que uma pessoa não se torna humana unicamente pelo efeito determinista da genética. É necessário que haja socialização para que um indivíduo se diferencie dos animais no que diz respeito ao comportamento. É óbvio que os animais comunicam entre si, mas o facto de geneticamente serem diferentes dos seres humanos torna-os não humanos.
    Quanto à igualdade que referes entre os animais e a espécie humana, não concordo de forma alguma. Acho que é fácil compreender que o ser humano está dotado duma maior capacidade cerebral que lhe permite reagir de forma original consoante o indivíduo e a situação. Por seu lado, as condutas dos animais são estáveis e uniformes, na medida em que carecem de originalidade no modo como reagem às situações ambientais, não variando de indivíduo para indivíduo dentro de cada espécie. Também não me lembro de alguma vez ter visto uma ponte ou um prédio construído por um animal (não humano) o que demonstra a diferença de complexidade nas criações dos animais e dos humanos.
    Com isto quero dizer que há uma notória diferença de capacidades mentais e, consequentemente, comportamentais entre os animais e os humanos, o que não implica que os nossos direitos sejam diferentes e que possamos tirar partido da nossa maior inteligência para lhes causar sofrimento.
    Também não concordo com a parte final do teu comentário. Dado que a noção de bem e de mal não é inata, sendo-nos imposta pela sociedade em que nos integramos, o castigo é utilizado em associação com a noção de mal de maneira a moldar os valores de uma sociedade/ cultura para que as pessoas se possam relacionar entre si. Só assim se explica o facto de tu considerares que é errado matar uma pessoa, apesar de com certeza nunca o teres feito. É a relação entre indivíduos que estabelece o que se deve ou não fazer, tendo em vista um bem comum ao grupo, e foi exactamente isto que aconteceu com os macacos...

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  6. joao, eu disse que os valores não eram 100%subjectivos mas concordo inteiramente contigo..
    exactamnete patricia percebes-te o meu ponto de vista.
    Isa, quando disse que sem a socialização não eramos humanos nao inferiorizei os animais, mas temos que perceber que um macaco nunca irá falar, não é um animal racional o pensamento é inexsistente, age apenas por instinto..

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  7. Eu percebo o que a Rute está a dizer, mas será que também nós seres humanos não agimos muitas das vezes por instinto? aliás, a maior parte das vezes. O velho ditado pensa antges de agir, é muito bonito, mas por muito que digamos que pensamos antes de agir a verdade é que a única coisa que pensamos é se o que estamos a fazer vai ser ou não aceite pela sociedade como uma coisa boa ou má. Claro que podemos dizer que nem toda a gente o faz, mas eu acredito que todos pensamos assim. A questão é que a noção varia de pessoa e de meio social para meio social, porque dentro da mesma cidade por exemplo temos várias subcultutras que tem noções de bem e mal diferentes. Por exemplo: roubar por necessidade, será uma coisa assim tão errada? Claro que roubar é uma acção negativa, mas se não há mais nada que possamos fazer e precisamos de sobreviver, podemos ser assim tão rebaixados e castigados? É aqui que a diferença entre o bem e o mal nos confunde

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  8. João, acho que estás a confundir a noção de instinto com a noção de prazer. O facto de agires consoante aquilo que é mais agradável para ti não significa necessariamente que ages segundo um instinto. O ser humano age segundo o princípio do prazer mas o facto de ser racional permite-lhe reflectir se aquilo que está a fazer é correcto ou errado. O instinto passa por satisfazer as necessidades do indivíduo sem ter em conta as consequência do seu acto. Acho que é óbvio que qualquer pessoa com a total posse das suas capacidades mentais racionaliza a sua acção antes de a executar. Por vezes, a pessoa pode optar por fazer aquilo que considera errado, ignorando as consequências, mas isso não impede que ela tenha a noção de como se vai repercutir a sua acção.

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  9. Só agora é que vi os comentários, mas ainda assim vou responder. Claro que os humanos não são idênticos a qualquer outra espécie, nem entre si o são. A questão que me faz confusão, é quando se referem a eles como se não criassem quaisquer ligações ou comunicassem entre si. Não comunicam??Eu acho que o fazem, e basta ver alguns programas da bbc para observar até que ponto o conseguem fazer. Fala-se do elefante no Haiti que salvou a criancinha de se afogar, fala-se do gorila que cuidou da outra criancinha que caiu na sua jaula. Não será isso também um rasto de socialização?Longe de mim dizer que somos iguais, simplesmente não sei até que ponto nos podemos achar superiores. Somos dotadas de tantas capacidades cerebrais e ainda assim temos também a capacidade de destruir o ambiente à nossa volta, o que trará algumas consequências negativas para nós próprios. Podemos ser diferentes, nisso estamos de acordo, eu simplesmente não ponho uma barreira tão grande entre mim e o macaco. Temos uma necessidade de poder e de nos auto-elevar que por vezes se torna destrutiva.
    Quanto ao instinto e ao prazer, não poderão estar por vezes ligados?O meu instinto ser procurar o que me dá mais prazer?Não digo que seja regra geral, mas não são completamente dispares.

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  10. ok, construímos prédios, mas pergunto-me até que ponto essas construções são uma demonstração do nosso génio. Não digo que não o tenhamos para outras coisas, simplesmente acho um exemplo triste. É a constante construção de coisas dessas em zonas verdes que por vezes me faz questionar essa nossa inteligência insuperável.

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