'' Em 2003, os lares unipessoais tornaram-se o modo de viover mais comum nos Estados Unidos. E ao passo que antigamente as familias se reuniam á noite, hoje, filhos, pais e cônjuges têm cada vez mais dificuldade em passar algum tempo juntos. Em Bowling Alone , a sua aclamada análise do cada vez mais esfarrapado tecido social americano, Robert Putnam fala de duas décadas de declinio do «capital social». Uma maneira de avaliar esse capital, numa dada sociedade, é contabilizar o numero de reunioes publicas e a filiaçao em clubes ou grupos. Enquanto, nos anos 1970, dois terços dos americanos pertenciam a organizaçoes que mantinham reunioes regulares ás quais assistiam, nos anos 90 esse numero caíra para cerca de um terço. Sao valores que refletem, segundo Putnam , uma quebra de conectividade humana na sociedade americana. De entao para cá , proliferou um novo tipo de organizaçao , passando de apenas 8000 nos anos 50 para mais de 20000 no final da década de 90. Mas , ao contrario dos antigos clubes , com os seus encontros presenciais e as suas redes sociais estaveis, estas novas organizaçoes mantêm as pessoas á distancia. Adere-se via e-mail ou atraves de campanhas postais maciças, e a principal actividade resume-se a enviar dinheiro, sem contacto ou interacçao''
Daniel Goleman, Inteligencia Social.
Vivemos rodeados de tecnologia, desde telemoveis a redes sociais, será isso benefico para o desenvolvimento da cooperaçao entre povos estimulando a interaçao ou, pelo contrário promove o isolamento?
Eu detesto discursos pessimistas sobre as novas tecnologias, com as pessoas a ficarem dependentes e as famílias a não se reunirem no sofá e falarem sobre o seu dia… blah blah blah. Outra vez conversa de velho de jardim. Tudo tem os seus prós contras, e as novas tecnologias não são excepção. Por um lado, limitam o convívio (seja familiar ou com amigos), mas por outro também aproximam as pessoas. E realmente, sem estes avanços, não se tinha feito globalização (seja ela boa ou má). As culturas aproximaram-se e tivemos trocas. No entanto, as próprias redes sóciais são uma “ocidentalização” (se isto assim se poder dizer) total do mundo. Acabam por outro lado, por nos permitir saber o que se passa em todo o mundo. Para os jornalistas, são algo essencial. Uma fonte de informação preciosa quando a comunicação social está em suspenso (Egiptos, Haiti… esse tipo de situações). O Twitter e Facebook, são verdadeiros jornais online, em tempo real, que permitem aos locais relatar aquilo que vêm, sem serem filtrados pelos donos das cadeias noticiosas. Por fim, até para a promoção da política e da música (áreas diferentes), as redes sociais contribuem. A política já não sabe viver sem as redes sócias, nem a música, com as redes sócias a permitirem-nos conhecer uma verdadeira panóplia de novos géneros, e a conquistarem votos (e a aproximar os políticos das pessoas).
ResponderEliminarAlexandre
Acho que o aumento da utilização das novas tecnologias, cria, antes de tudo, uma nova forma de relacionamento e socialização. Ao mesmo tempo que nos aproxima, também nos isola. Vivemos, nas redes sociais, quase como que uma segunda vida. Quanto à abertura a novas culturas, continuo, sinceramente, sem perceber como é que as redes sociais promovem assim tanto a abertura a outras culturas. De certeza que não vou conhecer a cultura da China ou do Japão através do facebook. Primeiro porque não conheço ninguém que viva na China ou no Japão, segundo, porque não sei falar nem japonês nem mandarim, ou cantonês.
ResponderEliminarEu acho que o ponto que o Gonçalo estabeleceu é importante. No entanto, as pessoas dão-se a conhecer (habitos, gostos...) no twitter e facebook, e por consequência percebemos melhor o que é a sua cultura (se considerarmos que as pessoas são um produto da mesma). Se quisermos no facebook, twitter, myspace... facilmente se encontram pessoas de diferentes origens, mas claro que isso é opcional, e se o teu objectivo for conhecer ente diferente.
ResponderEliminarAlexandre
Se, por um lado, as redes sociais e os telemóveis, entre outras coisas, nos isolam (se é que podemos pôr isto nestes termos), penso que neste momento é quase insustentável vivermos sem eles. Primeiro, penso que, por exemplo, ter-se uma conta no Facebook, não anula a socialização, e a necessidade dela, serve apenas para dar a conhecer aos outros precisamento a socialização que acontece todos os dias nas nossas vidas. A verdade é que já dei por mim a saber de notícias importantes do mundo, quer a um nível mais sério, sobre coisas da actualidade, como a outros níveis que nos interessam pessoalmente. E isso é inegavelmente importante, e contribui até para enriquecermos e para, sobretudo, alargarmos horizontes. Conheço pessoas para quem o gesto de abrir a página do Twitter é sagrado para, por exemplo, saber das descobertas científicas, mesmo a uma escala mais pequena, de que de outra forma ninguém ouviria falar.
ResponderEliminarÉ verdade que sim, não faz com que se conheça a cultura chinesa. Mas será que se pode dizer que a existência destes "acessórios" corta a globalização se, com ou sem eles, não conhecermos na mesma a cultura chinesa? Porque, na minha opinião, a sua existência não tem assim tantos aspectos negativos, e não contribui assim tanto para o isolamento.
Não sei o que pensam sobre isto mas gostava de perguntar uma coisa... Do vosso círculo de amigos e também de conhecidos, os que mais utilizam as novas tecnologias (telemóvel e redes sociais) são os que mais vivem isolados ou menos? Será que uma pessoa isolada utiliza muito o telemóvel? É que eu penso que, pelo que conheço, as novas tecnologias não isolam, juntam, já que as pessoas que mais as usam também são aquelas que mais convivem, mais têm a dizer e a mostrar aos outros... Bem como quanto à interacção entre culturas diferentes, porque se através das tecnologias não interagimos com pessoas de outras culturas, então sem elas muito menos isso aconteceria.
Talvez isto seja um pouco uma "verdade de la Palice", mas a minha opinião é que cada um sabe de si e o facto de uma pessoa estar mais ou menos isolada está directamente relacionado com o grau de intensidade da rede social. A realidade é que as pessoas que as usam ao extremo estão mais isoladas da sociedade, visto que são, na sua maioria, tímidas ou pessoas com baixa auto-estima, que utilizam a "máscara" da internet para comunicar com a sociedade, já que conversar através de um aparelhómetro é mil vezes mais fácil do que falar cara a cara, olhos nos olhos. Parafraseando o nosso amigo João de Deus, acerca desta temática tenho apenas a dizer que "Tudo o que é demais cheira mal" e devemo-nos controlar para não basearmos a nossa vida nas novas tecnologias.
ResponderEliminarConcordo com o Alexandre. Tudo tem prós e contras, e estes dependem da maneira como utilizamos, neste caso, as novas tecnologias. Estas facilitam o contacto com pessoas de todo o Mundo, mas por outro lado permitem também, por exemplo, o trabalho através de casa. Por muitas vantagens que estes possa ter, até que ponto é que não leva ao isolamento? Não termos colegas de trabalho pode levar a uma baixa produtividade e à diminuição da capacidade de interagir com pessoas diferentes, com ideias que contradizem as nossas.
ResponderEliminarMas este isolamento depende total e exclusivmente de nós, é necessário entendermos até onde podemos ir, pois, tudo o que é em excesso prejudica-nos.
As novas tecnologias e todos os avanços tecnólogicos só mostrama a capacidade do ser humano, a capacidade e a plasticidade do cérebro e a evoulucão destes mesmo.
ResponderEliminarHoje em dia, estamos rodeados de novas tecnologias, muitos de nós já nao dispensam inúmeras delas, isto porque esta geram o facilitismo, ajudam-nos até nas tarefas mais básicas e num futuro próximo serão as ~máquinas a viver quase que por nós.
As novas tecnologias trouxeram mesmo assim, inúmeras notas positivas, por um lado a comunicação foi facilitada, conseguimos combinar e conviver com pessoas do ourtro lado do mundo, por outro se por um lado antigamnete era necessário conhecer pessoas cara a cara, mais intimista e real, hoje em dia, este aspecto tem sido desvalorizado.
Concluindo, como em tudo, as novas tecnologias têm as suas partes boas e más, aspectos positivos e negativos, somos nós, os usufruidores destes que temos de ter consciencias dos seus males mas também dos seus beneficios e ultilizalos da melhor forma e maneira.