domingo, 27 de março de 2011

Control


Olá a todos!
O filme da aula passada partia efectivamente da perspectiva da viúva do Ian Curtis. Provavelmente muitas questões não corresponderiam propriamente à realidade. Mas o filme não deixava de ser extremamente coeso e bem conseguido. Gostei da aposta no preto e branco, escolha interessante.
O stor colocou na aula a questão de que até que ponto os Joy Division, devia o seu sucesso, não a aqualidade inquestionavel da sua música, mas sim à ao suícidio do Curtis.
Eu acho que realmente a música dos Joy Division é óptima, mas o suícido foi a melhor publicidade que a banda podia ter. Mas apesar disso, respeitaram o seu catálogo, e não lançaram provavelmente músicas gravadas em estúdio que seriam pessimas só para lucrarem com isso (e que o próprio Curtis não queria ver lançadas, seria também a vontade de Johnny cash, possivelmente, que tem quatro álbuns de originais alnçados desde que morreu) ou não lançaram 50 000 colectâneas (estilo Queen).
Se virmos bem, a morte é realmente uma fonte de lucro extraordinária na indústria do entertenimento. Temos o caso do Jimmy Deam, por exemplo. Que todos os anos, no aniversário da sua morte, traz milhões e milhões de dolares à terra onde nasceu, que é digna de grandes festas por essa altura. Na minha opinião, a morte de artistas jovens, é uma mina, porque realmente vivemos naquela perspéctiva do que poderiam ter vindo a dar ao mundo. E claro, que vidas perdidas tão cedo, trazem grande comoção.
Alexandre

5 comentários:

  1. Não só será a questão do "potencial" que não foi cumprido, mas também do facto de aos acontecimentos trágicos ser sempre associada uma curiosidade mórbida. É interessante ver o que levou uma a tomar um atalho para chegar àquilo de que a maior parte de nós tem medo: a morte.
    Eu diria que se o Ian Curtis ainda hoje fosse vivo não se "veria" a música dos Joy Division (e as letras do Ian Curtis)da mesma forma. Os próprios membros da banda são um exemplo disto, nem tinham prestado atenção às letras até depois do suicídio. A morte de Ian Curtis, tal como a morte de muitos outros artistas, de certa forma é (e lamento que assim seja) uma espécie de certificado de qualidade e integridade musical.

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  2. Sim, concordo Hugo, há uma certa mística por detrás da morte desses artistas. Penso que às vezes esses artistas chegam mesmo a ser idolatrados mais pela morte e pelo estilo "life in the fast lane" que os levou ao fim tão cedo nas suas vidas do que a sua obra em si.

    À minha cabeça vêm por exemplo o Kurt Cobain, idolatrado por milhares que provavelmente só conhecem a Smells Like Teen Spirit e a Come As You Are ou o Sid Vicious, que tanto quanto se sabe, nem uma nota sabia tocar.

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  3. Aliás, até há aquela história à volta do Closer, a capa do cd com o túmulo e as letras mais escuras, que vem alimentar ainda mais os curiosos. Também acho que as pessoas se sentem atraídas por estas histórias, o mistério que está por detrás dos suicídios e os porquês, não sei se para se defenderem contra eles ou só por mera curiosidade "inofensiva"... Ao mesmo tempo que muitos têm medo da morte sentem-se captados por estas histórias que parecem emanar esse lado da vida, como se mesmo antes da morte já fossem só "cadáveres adiados" e, conhecendo isto, conhecerão também melhor a obscuridade por detrás desta, e quando digo obscuridade refiro-me ao desconhecimento.

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  4. Acho que a morte de qualquer artista, não apenas dos músicos, conduz a um aumento das vendas da sua obra realizada enquanto vivos. Se morrerem novos e de modo trágico, ainda mais estas vendas aumentam, em parte devido ao facto de, tal como o Alexandre disse, as pessoas viverem naquela perspectiva do que poderiam ter vindo a dar ao mundo. Também o aumento do mediatismo à volta do sucedido conduz inevitavelmente ao aumento das vendas, na medida em que cresce a publicidade em redor da sua obra e, consequentemente, surgem mais pessoas curiosas para verem o estilo do autor.
    Por fim, e pegando no exemplo do José Saramago, que suscitava uma enorme controvérsia e dividia opiniões, penso que as pessoas tendem a mudar aquilo que pensam sobre um artista e a esquecer os seus "podres" após a sua morte, o que leva mesmo as pessoas que não gostam dele a ter a tentação de comprar a sua obra.

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  5. Concordo com tudo o que foi dito. As pessoas gostam, por si só, de saber acerca da vida dos famosos, então se um desses famosos tiver uma morte trágica e/ou misteriosa, a curiosidade dispara em flecha. Quanto mais detalhas mais interessante a história é. E as vendas aumentam exponencialmente por isso e até porque há muitas pessoas que compram o trabalho do artista que morreu para procurar por sinais que talvez tenha deixado para trás e coisas muito nesse estilo. Ou então compram como resultado de um «arrependimento» de não ter aproveitado enquanto esse mesmo artista estava vivo.
    Penso que os joy Division - eu não conhecia a banda até ver o filme- não são excepção à regra e o sucesso que têm ainda nos dias de hoje deve-se à morte do vocalista.

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