Alguns de vocês mostraram curiosidade em ver mais filmes do João César Monteiro, designadamente As Recordações da Casa Amarela e as Bodas de Deus (os outros filmes da trilogia).
Eu estarei disponível para vos emprestar os filmes deles, caso o desejem. A seguir á sua morte foi editada uma caixa com 11 dvd`s contendo praticamente toda a sua filmografia em edições críticas e com muitos extras. O único senão era o preço: 175 €. Os filmes também se vendiam e ainda vendem individualmente, mas também a preços pouco convidativos.
Eu tive a sorte de ter um amigo que me gravou todos os filmes e mos ofereceu no Natal.
Para quem não quiser comprar há sempre uma alternativa: o blogue My One Thousand Movies (http://myonethousandmovies.blogspot.com/) publicou-os todos e ainda mais 3 curtas que não vêm na colecção. Para ver no pc basta fazer o download dos filmes. Como os filmes vêm em formato rmvb, precisam de instalar o Real Player e os filmes correm lindamente no vosso computador.
Quem, como eu, não gosta de ver filmes no pc e prefere o ecran da televisão tem que fazer o download do software Convert X to dvd (http://www.vso-software.fr/products/convert_x_to_dvd/?source=update) ou ir ao google que eles depois reenviam e converter em formato avi. indicado para dvd. A conversão é lenta, cerca de meia hora por filme, mas excelente uma vez que faz logo a separação dos capítulos e agarra as legendas sem problemas.
Para quem gosta muito de cinema, vale a pena percorrer com detalhe esse blogue. Não tem filmes recentes, mas são escolhidos com muito critério e bom gosto.
Jorge
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Para não julgarem que é apenas uma fixação minha
Lista de prémios de A Comédia de Deus:
A Comédia de Deus acumulou 12 galardões: o Mionetto para o melhor
filme em concurso, os Prémios Cinemavvenire e Pasinetti ao Filme, o
Prémio Especial do Júri, o Prémio do Sindicatos dos Jornalistas de
Cinema Italianos para realização e o prémio da Crítica, todos no Festival
de Cinema de Veneza, bem como o Grande Prémio do Júri, o Prémio dos
Jovens Estudantes de Cinema e o Prémio para a melhor interpretação
masculina nos Encontros Cinematográficos de Dunquerque, para além
do Prémio l’Age d’Or da Real Cinemateca da Bélgica, o italiano Prémio 8
Fiuggi e o Prémio da Federação Internacional de Críticos de Cinema no
Festival de Montevideu
Jorge
A Comédia de Deus acumulou 12 galardões: o Mionetto para o melhor
filme em concurso, os Prémios Cinemavvenire e Pasinetti ao Filme, o
Prémio Especial do Júri, o Prémio do Sindicatos dos Jornalistas de
Cinema Italianos para realização e o prémio da Crítica, todos no Festival
de Cinema de Veneza, bem como o Grande Prémio do Júri, o Prémio dos
Jovens Estudantes de Cinema e o Prémio para a melhor interpretação
masculina nos Encontros Cinematográficos de Dunquerque, para além
do Prémio l’Age d’Or da Real Cinemateca da Bélgica, o italiano Prémio 8
Fiuggi e o Prémio da Federação Internacional de Críticos de Cinema no
Festival de Montevideu
Jorge
Ainda sobre a Comédia de Deus - uma opinião.
Vasco Câmara, o mais conceituado crítico português de cinema escreveu isto a propósito de A Comédia de Deus quando foi apresentado em Veneza:
«O dia da liturgia
João de Deus espalhou um venenoso perfume sobre Veneza. "A Comédia de Deus", de João César Monteiro, é uma celebração jubilatória, missa intoxicante aos sabores e odores arcaicos de um gelado chamado Paraíso- o cinema. É um filme de outra galáxia. Comovente foi, também, a celebração do regresso de Michelangelo Antomioni. Foi o dia da liturgia.
Há filmes em cujas imagens lateja uma pulsão predadora da beleza, mas como se ela fosse o reencontro com odores venenosos, intoxicantes - Paradjanov realizava esses filmes, por exemplo. Há então cineastas que se fazem sátiros, predadores arcaicos. João César Monteiro é um deles e " A Comédia de Deus", que ontem exalou o seu perfume na competição veneziana, é um filme monumento, celebração litúrgica do cinema como se ele ainda pudesse ser pecado.
É uma obra que vem de outra galáxia – está obviamente a anos luz da baixeza normalizada da maioria dos filmes da competição- e alguém lhe chamou "extraordinário tratado cinema, extraordinário tratado de obsessões e fetichismo". No caso deste filme, uma coisa tem que ver com a outra.
João de Deus, o sorveteiro que divide o seu tempo entre a mistura de aromas e a colecção de pêlos púbicos femininos, é o celebrante da extraordinária sucessão de rituais por que se estende este filme, - ao longo de 2h 45m. Rituais de caça, claro, rituais de um erotismo infantil e também satânico. Quando João de Deus brinca com um par de cuecas de menina, a elegância dos gestos é a mesma que bailava no corpo de Chaplin, por exemplo, ao brincar com o mundo no " Grande Ditador".
E quando João de Deus mergulha para um poço de ovos onde esteve acocorada a sua jovem presa – a grande "perturbação" deste filme é a pedófilia – a sofreguidão é cósmica. De onde é que vêm essas imagens? " De muito longe, coisas que li, que vi, filmes, pintura. É um magma. Há muitos materiais e a imagem é sempre uma conclusão". Dizia o realizador na conferência de imprensa. Este filme tinha direito a sair daqui com um Leão»
Jorge
«O dia da liturgia
João de Deus espalhou um venenoso perfume sobre Veneza. "A Comédia de Deus", de João César Monteiro, é uma celebração jubilatória, missa intoxicante aos sabores e odores arcaicos de um gelado chamado Paraíso- o cinema. É um filme de outra galáxia. Comovente foi, também, a celebração do regresso de Michelangelo Antomioni. Foi o dia da liturgia.
Há filmes em cujas imagens lateja uma pulsão predadora da beleza, mas como se ela fosse o reencontro com odores venenosos, intoxicantes - Paradjanov realizava esses filmes, por exemplo. Há então cineastas que se fazem sátiros, predadores arcaicos. João César Monteiro é um deles e " A Comédia de Deus", que ontem exalou o seu perfume na competição veneziana, é um filme monumento, celebração litúrgica do cinema como se ele ainda pudesse ser pecado.
É uma obra que vem de outra galáxia – está obviamente a anos luz da baixeza normalizada da maioria dos filmes da competição- e alguém lhe chamou "extraordinário tratado cinema, extraordinário tratado de obsessões e fetichismo". No caso deste filme, uma coisa tem que ver com a outra.
João de Deus, o sorveteiro que divide o seu tempo entre a mistura de aromas e a colecção de pêlos púbicos femininos, é o celebrante da extraordinária sucessão de rituais por que se estende este filme, - ao longo de 2h 45m. Rituais de caça, claro, rituais de um erotismo infantil e também satânico. Quando João de Deus brinca com um par de cuecas de menina, a elegância dos gestos é a mesma que bailava no corpo de Chaplin, por exemplo, ao brincar com o mundo no " Grande Ditador".
E quando João de Deus mergulha para um poço de ovos onde esteve acocorada a sua jovem presa – a grande "perturbação" deste filme é a pedófilia – a sofreguidão é cósmica. De onde é que vêm essas imagens? " De muito longe, coisas que li, que vi, filmes, pintura. É um magma. Há muitos materiais e a imagem é sempre uma conclusão". Dizia o realizador na conferência de imprensa. Este filme tinha direito a sair daqui com um Leão»
Jorge
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Sobre João César Monteiro
João César Monteiro é, na minha opinião, um dos maiores cineastas da história do cinema, um dos mais radicalmente originais e independentes, mas um dos mais controversos e incompreendidos.
Após a sua morte em 2004, foi publicada uma caixa com 11 DVD`s abarcando a quase totalidade da sua obra (ficaram de fora apenas 3 ou 4 curtas). Para quem eventualmente esteja interessado em ver a sua obra na Internet, pode ir ao site myonethousandmovies.blogspot.com e encontrará lá todos os seus filmes.
Nem todos os seus filmes são geniais. Na fase inicial da sua carreira é marcada por uma intensa ruralidade e lirismo, bem diferente do filme que vimos na aula. A maior surpresa vem com o filme Recordações da Casa Amarela de 1989, onde cria a figura de João de Deus (interpretada por ele próprio)e que polarizou as opiniões, entre um rancor profundo e uma paixão desmedida (como calculam faço parte destes últimos). A figura de João de Deus mantém-se nos filmes A Comédia de Deus e As Bodas de Deus e está ainda indirectamente presente nos filmes Le Bassin de JW e no seu filme final, Vai e Vem.
O filme que dele gosto mais chama-se À Flor de Mar de 1985, que nada tem a ver com a personagem de João de Deus. Para quem quiser experimentar vale a pena mergulhar no cinema dele e assistir a algo que nada tem a ver com aquilo a que estamos habituados.
Jorge
Após a sua morte em 2004, foi publicada uma caixa com 11 DVD`s abarcando a quase totalidade da sua obra (ficaram de fora apenas 3 ou 4 curtas). Para quem eventualmente esteja interessado em ver a sua obra na Internet, pode ir ao site myonethousandmovies.blogspot.com e encontrará lá todos os seus filmes.
Nem todos os seus filmes são geniais. Na fase inicial da sua carreira é marcada por uma intensa ruralidade e lirismo, bem diferente do filme que vimos na aula. A maior surpresa vem com o filme Recordações da Casa Amarela de 1989, onde cria a figura de João de Deus (interpretada por ele próprio)e que polarizou as opiniões, entre um rancor profundo e uma paixão desmedida (como calculam faço parte destes últimos). A figura de João de Deus mantém-se nos filmes A Comédia de Deus e As Bodas de Deus e está ainda indirectamente presente nos filmes Le Bassin de JW e no seu filme final, Vai e Vem.
O filme que dele gosto mais chama-se À Flor de Mar de 1985, que nada tem a ver com a personagem de João de Deus. Para quem quiser experimentar vale a pena mergulhar no cinema dele e assistir a algo que nada tem a ver com aquilo a que estamos habituados.
Jorge
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
A Comédia de Deus
Como vos disse na aula, coloco aqui para discussão o texto que elaborei no ano passado para o blog a Raposa e as Uvas sobre o filme «A Comédia de Deus» de João César Monteiro».
«Como sabem, vamos dedicar este ciclo aos valores e achei por bem começar por um filme que representa uma absoluta transgressão dos valores tradicionais. O filme é marcado pelos contrastes claros que perpassam toda a obra cineasta: a música erudita e a música pimba;as citações literárias de Camões e a linguagem vulgar; a obscenidade e o recorte literário; as muitas palavras e o silêncio; a opulência e a degradação.
Mas, o filme é sobretudo marcado pelas contradições de João de Deus: homem pacato e zeloso, alquimista genial e respeitador dos valores familiares («não te esqueças que um dia serás mãe»), fundamentalista da higiene pública da privacidade da imagem e da reputação, pretenso altruísta que aparentemente se solidariza com os problemas da fome no mundo («temos que ser uns para os outros»). Mas é também a personagem da extrema perversidade: coleccionador dedicado de pelos púbicos, violador de empregadas de geladaria, falso beato e perverso no limite, João de Deus representa de uma forma cabal as contradições de uma moral dominante excessivamente repressiva que gera em todos nós uma duplicidade comportamental em que a parte obscura se remete para o domínio privado e nunca assumido perante os outros.
A hipérbole de João de Deus (personagem entendida como alter ego do cineasta) o seu sentido de transgressão e de excesso, nunca é gratuita. Ela remete-nos sempre para uma crítica feroz de todos os poderes colectivos constituídos sejam eles políticos, religiosos, empresariais e culturais (reparem no discurso de apresentação do novo gelado e dos convidados que o acompanhavam - uma prostituta reformada, um padre, um político e um empresário)e pela afirmação de uma feroz individualidade(JCM nunca se identificou com qualquer grupo ou lobby mesmo dentro do cinema)que mais do que uma redenção, deve ser entendida como um percurso de vida.
O filme remete-nos de forma elíptica para um vasto conjunto de questões de natureza filosófica, sobretudo de natureza moral: o que é o Bem e o que é o Mal? (Nietzsche defendia que estes conceitos não passam de palavras vazias). Quais os limites das convenções morais? Quais as relações entre a moral dominante e a felicidade individual? Qual o sentido de representação (no sentido teatral do termo) necessário a cada um de nós para se afirmar de forma socialmente aceitável, reprimindo a vontade e o prazer individuais? O que é que é socialmente aceitável relativamente aos comportamentos sexuais? Até onde poderemos transgredir?»
Está aberta a discussão
Jorge
«Como sabem, vamos dedicar este ciclo aos valores e achei por bem começar por um filme que representa uma absoluta transgressão dos valores tradicionais. O filme é marcado pelos contrastes claros que perpassam toda a obra cineasta: a música erudita e a música pimba;as citações literárias de Camões e a linguagem vulgar; a obscenidade e o recorte literário; as muitas palavras e o silêncio; a opulência e a degradação.
Mas, o filme é sobretudo marcado pelas contradições de João de Deus: homem pacato e zeloso, alquimista genial e respeitador dos valores familiares («não te esqueças que um dia serás mãe»), fundamentalista da higiene pública da privacidade da imagem e da reputação, pretenso altruísta que aparentemente se solidariza com os problemas da fome no mundo («temos que ser uns para os outros»). Mas é também a personagem da extrema perversidade: coleccionador dedicado de pelos púbicos, violador de empregadas de geladaria, falso beato e perverso no limite, João de Deus representa de uma forma cabal as contradições de uma moral dominante excessivamente repressiva que gera em todos nós uma duplicidade comportamental em que a parte obscura se remete para o domínio privado e nunca assumido perante os outros.
A hipérbole de João de Deus (personagem entendida como alter ego do cineasta) o seu sentido de transgressão e de excesso, nunca é gratuita. Ela remete-nos sempre para uma crítica feroz de todos os poderes colectivos constituídos sejam eles políticos, religiosos, empresariais e culturais (reparem no discurso de apresentação do novo gelado e dos convidados que o acompanhavam - uma prostituta reformada, um padre, um político e um empresário)e pela afirmação de uma feroz individualidade(JCM nunca se identificou com qualquer grupo ou lobby mesmo dentro do cinema)que mais do que uma redenção, deve ser entendida como um percurso de vida.
O filme remete-nos de forma elíptica para um vasto conjunto de questões de natureza filosófica, sobretudo de natureza moral: o que é o Bem e o que é o Mal? (Nietzsche defendia que estes conceitos não passam de palavras vazias). Quais os limites das convenções morais? Quais as relações entre a moral dominante e a felicidade individual? Qual o sentido de representação (no sentido teatral do termo) necessário a cada um de nós para se afirmar de forma socialmente aceitável, reprimindo a vontade e o prazer individuais? O que é que é socialmente aceitável relativamente aos comportamentos sexuais? Até onde poderemos transgredir?»
Está aberta a discussão
Jorge
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Sondagens
Ainda sobre o "Crime e Escapadelas":
Como classificas o filme "Crimes e Escapadelas" de Woody Allen?
1 0 (0%)
2 1 (8%)
3 6 (50%)
4 4 (33%)
5 1 (8%)
Votos apurados: 12
Eu não publiquei sondagem para o filme desta semana, mas vocês querem que eu punha?
Como classificas o filme "Crimes e Escapadelas" de Woody Allen?
1 0 (0%)
2 1 (8%)
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Votos apurados: 12
Eu não publiquei sondagem para o filme desta semana, mas vocês querem que eu punha?
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