domingo, 31 de outubro de 2010

Outros filmes


Olá a todos!
Ontém vi o filme "Some Like It Hot" do Billy Wilder. O AFI (American Film Institute) considerou-o o 14º melhor filme americano de todos os tempos e a melhor comedia americana de sempre. Eu adorei este filme, muitos acreditam que Marilyn Monroe teve aqui o seu melhor desempenho de sempre (ganhou um Globo de Ouro, o único da sua carreira). Fica aqui o trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=vB66Gnf5JMg
Alexandre Evaristo

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Olá a todos!
Vou deixar os inqueritos em relação aos filmes anteriores por mais uma semana, porque acho que nem toda a gente ainda votou. Entretanto, acrescento o referente ao filme: "Rosetta" dos irmãos Dardenne.
Alexandre Evaristo

Rosetta: "Tu t'appelles Rosetta... Je m'appelle Rosetta... Tu as trouvé un travail ... J'ai trouvé un travail ... Tu as trouvé un ami ...


Uma palavra para descrever o filme “Rosetta” dos irmãos Dardenne é: inesquecível.
Este é de longe o melhor filme que vimos em Filosofia e Cinema, e tem características para polarizar opiniões: ou gostamos de todo ou odiamos. É um filme cru, sem banda sonora, edição ou actores profissionais, mas é esta a crueza necessária para retratar a dureza da realidade representada. Rosetta era afinal de contas uma jovem que de certo que ainda não tinha atingido a maioridade e lutava para garantir o sustento da roulotte onde vivia com a mãe alcoólica e passava por dificuldades “estranhas” nos dias de hoje.
Estranhas? Este retrato parece estar muito longe de nós, mas existe. Existe, a poucos quilómetros da cidade de Lisboa ou em qualquer periferia de uma cidade europeia deste nosso ocidente capitalista. Mas será que este tipo de situações só se dão nas sociedades capitalistas ou serão piores noutros regimes? Quando no anterior post falei em melhorias do capitalismo refiro-me ao combate destas desigualdades. Mas são possíveis de atenuar, porque temos que ser muito angelicais para crer numa sociedade completamente igual, basta referirmo-nos a uma palavra de ordem: força,
Dentro deste mundo capitalista que o filme retrata podemos abordar a questão das relações de trabalho. Quer queiramos quer não o patrão vai dominar sempre a vida do empregado, porque é ele que vai ser o grande “credor” do segundo, que lhe vai entregar o dinheiro para este sustentar a sua família. E portanto, uma certa exploração nas relações de trabalho vai sempre perpetuar-se.
No nosso debate muitos criticaram a atitude de Rosetta por denunciar o seu amigo para ficar com o seu trabalho. Mas será que nas condições de vida que a jovem tinha, não será o que todos faríamos? O desespero leva-nos a fazer muita coisa que pensaríamos ser incapazes de fazer. Se nos encontramos perdidos numa montanha sem comida com os nossos companheiros mortos, de certo que nos iremos alimentar destes. O ser humano tudo faz para sobreviver, porque o que está para lá da morte é assustador por ser desconhecido. Tudo aquilo que é diferente choca-nos e assusta-nos num primeiro momento.
Por fim, gostei bastante da intervenção do stôr no debate quando referiu que realmente a contestação ao estado das coisas nunca parte de quem está mal, parte de quem está de cima. Rosetta vivia na miséria, mas o seu desejo não era alterar o funcionamento da sociedade mas apenas ter um trabalho e uma casa, como ilustra o título deste texto, e fala do filme:
Rosetta: "Tu t'appelles Rosetta... Je m'appelle Rosetta... Tu as trouvé un travail ... J'ai trouvé un travail ... Tu as trouvé un ami ... J'ai trouvé un ami ... Tu as une vie normale... J'ai une vie normale... Tu ne tomberas pas dans le trou... Je ne tomberai pas dans le trou... Bonne nuit... Bonne nuit..."

Alexandre Evaristo

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Rosetta Parte I - comentário

Acho que neste caso em particular, qualquer outra tentativa de representar a situação que se passa no filme seria um eufemismo do que ele é realmente. Como foi dito, não era suposto ser agradável, uma banda sonora e fotografia elaboradas seriam um desvio. É animalesco, completamente cru, como senti também com o Lola. A Rosetta não age com artifícios ou tentativas de embelezamento do que faz, ninguém o tenta no filme. Então porquê filmá-lo dessa maneira? Não há nada que justifique esses pormenores quando se tenta mostrar a situação de uma forma despida, em que não há aquelas cenas à Hollywood, com pausas e grandes planos, como eye candy para o espectador. Aliás, o filme está longe de se aproximar desta expressão, tem a sua própria beleza atípica, faz o espectador sair de uma posição confortável, é um desafio afinal. Aliás, até perceber a nossa posição em relação a ele quando termina parece difícil (digo eu...pelo menos de imediato).

Ela tenta escapar a uma vida como a da mãe e, se parece ter elevados princípios para esta, quando se trata dela própria acaba por ser uma questão de sobrevivência, em que o que resta dos seus princípios ainda lhe faz sinal em algumas situações, mas nem sempre são ouvidos. Até a maneira como a câmara é controlada dá uma maior sensação de aproximação a Rosetta, custa a habituar, mas faz todo o sentido. Ao fim e ao cabo, é toda esta falta de beleza estereotipada que o torna belo. Ela até fala consigo mesma para se tentar convencer de que vai tudo correr bem, mas isso é o que se diz sozinha ao adormecer, o acordar é bem diferente, muito mais áspero e austero. Ela raspa a asa em todas as situações possíveis, mas nenhuma delas parece duradoura, satisfatória ou convincente. A cena final só vem demonstrar todo o desalento e amargura a que isto leva, as pessoas por quem ela passou por cima no meio do processo não desaparecem, a sua própria tentativa final de desaparecer também não é bem sucedida…Realmente dá a volta ao estômago, e se até aí alguns tiveram dificuldades em mostrar-se emotivos graças à sua atitude dura, aqui torna-se difícil não reagir.

Não há compaixão nenhuma na maneira como é transmitido o filme, a Rosetta foi endurecida pela vida e, deste modo, esta vida terá de ser representada de uma forma implacável. É uma visão lúcida da realidade, desmascarada.


Isa

La rosetta

O filme " La rosetta" mostra a hipócrisia e a falta de honestidade da nossa sociedade.
A ideia que tinha do filme, depois de pensar e reflectir, sobre os temas abordados acabou por mudar ligeiramente..
A rosetta é, na minha opinião ,a prova viva de que o nosso instinto de sobrevivência está mesmo á flor da nossa pele, isto é, quando é a nossa vida e o nosso futuro, melhor ou pior, que esteja em causa somos, nós seres humanos, capazes de fazer coisas incriveis, agir incoscienetemente e quase que "irracionalmente".
Estamos inseridos num cenário bruto e cru. A vida é um conjunto de conflitos exteriores e interiores... Todos se preocupam com a qualidade de vida material mas poucos ponderam uma vida meramente satisfatória e equilibrada a nivel emocial. A pressão da sociedade e do mundo que nos rodeia tem levado cada vez mais pessoas ao limite, ao limite das suas capacidades, e o resultado deste facto são a elevada tendência de subida das taxas de suicidio assim como o aumento do número de casos de doenças do foro emocial (depressão, bipolaridade, esquizofrenia)
Está cada vez mais patente a ideia em nós de que uma sociedade justa é impossivél...
É premiscuo ainda analisar o parelelo entre a cidade e os seus suburbios..
Reparemos entao que é nas cidades que existem as oportunidades e nos suburbios destas a aglomeração de pessoas que tanto as ambincionam.. Isto cria um enorme desiquilibrio entre a oferta e a procura aumentando assim a raiva interior e o "querer ter".
Concordo que a atitude de rosetta nao tenha sido deveras a melhor quando denunciou o "amigo", mas analisando o outro lado não foi um acto assim tão macabro, visto que ela só queria trabalhar honestamente e havia alguem que estava a ocupar esse seu lugar.. Apesar de tudo ela queria trabalhar e honestamente.
A troca dos sapatos pretos de atacadores pelas botas de borracha vejo-a como o simbolo da mudança de vida, A existência de uma enorme linha entre o lugar onde vive e o lugar onde ambicionava viver, a difernça entre mendigar e trabalhar...
Apesar de tudo, o filme é bom. A relaidade nua e crua custa ser aceitada e daí este filme nos "chocar" um pouco
Rute

Ditadura versus Democracia

A discussão entre o Renato e a Zillah coloca uma questão interessantíssima. Gostaria de focar e alargar essa discussão com a seguinte pergunta:

Haverá situações limite em que se justifica a instauração de uma ditadura que suspenda as liberdades democráticas, tendo em vista a restauração da ordem pública prevenindo o descalabro económico e o caos social? Ou, pelo contrário, a democracia é um bem em si mesmo e em nenhuma situação se devem pôr em causa os direitos e garantias dos cidadãos?

Está aberto o debate!

Bom fim de semana a tod@s

Jorge

Moving On

O comentário da Zillah ao meu ultimo post é exactamente o que eu estava á espera e já tinha referido …basta falar de autoritarismo vem logo o velho e habitual estereotipo, e o meu problema é que vem dirigido a mim. Penso que se fui mal compreendido aqui esta clarificação…eu NÃO concordo com as medidas aplicadas nos fascismos como o terceiro Reich ou o Mossulinista … o que referi neste comentário não tem absolutamente nada a ver com o genocídio… ou a perseguissao determinada racialmente… não defendo a cultura a uma raça especifica… e só ai da para ver qual a diferença entre o que disse e os “fascismos regra”, o que por acaso, são completamente absurdos.

E já por falar em 3º Reich e o caso Italiano, (isto agora para ti Zillah) por muito más que as repercussão finais tenham sido e por muito maus que os objectivos e aplicações tenham sido (o que não quer dizer que o que foi estipulado no meu comentário tenha que incluir todas esses abusos de autoridade e nacionalismo), há uma coisa que essas aplicações politicas conseguiram fazer que hoje em dia não é sequer uma miragem… cumpriram o estipulado e os resultados a nível interno foram visíveis e benéficos…trouxeram ordem pela autoridade…é verdade que privaram algumas liberdade e as pessoas tiveram que por de lado a sua “necessidade” de satisfação individual…mas os resultados benéficos disso não podem ser ignorados (se queres um exemplo mais claro e próximo, podes pegar na ditadura Salazarista e na recuperação económica que trouxe).

Outra afirmação que é obvia é a do “esta sociedade não me agrada”…lá está mais uma vez demonstrado que este perigo e característica do ser humano é real e visível…o ser humano não consegue ser outra coisa senão individualista e não tem qualquer noção de sentimento de sacrifício nem por outros individuou, (e ainda mais grave) nem pela sociedade…o que a Zillah e a maioria das pessoas quer é um modelo politico que resolva os problemas a curto prazo, e de preferência que não tenha qualquer influencia na sua vida…o que é…. já por falar nesta palavra que agora está na moda…utópico.

Já por falar em “Liberdade de expressão” individual, algo que parece ser super essencial e um direito extremo na sociedade para a revolta contra o mau funcionamento político para os críticos do autoritarismo, queria dar aqui um exemplo simples e á vista de todos (e queria que pensassem nisto em contraste com o exemplo francês, onde neste ultimo mês tem havido revoltas e acções até algo violentas contra o aumento da idade da reforma, de 60 para 62)

O exemplo Português.

Penso que todos os que lerem isto estão em sintonia comigo quando afirmam que o pais é vergonhoso a diferentes nível.

Pois bem, eu que estou de fora a assistir ao resultado da tal falada liberdade de expressão, assisto só a um espectáculo de meias-frases sem ordem e demasiado subjectivas, caracterizadas por serem as hoje ditas como “conversas de café” e que não passam disto.

A única diferença da vontade revolucionária liderado pelos militantes de Abril é que a sociedade sentia na pele as reformas aplicadas, que é impulso mais que suficiente para passar da conspiração á acção, e hoje em dia como as consequências são a longo prazo e não há grande consequência imediata para o nosso dia a dia, as pessoas falam mais do que agem e escondem-se atrás do comodismo.

Cada semana que passa lá ouvimos mais uma vez “reformas não estão asseguradas no futuro”, “os professores vão passar a receber menos”, “Portugal está em penúltimo lugar em termos x”, “Portugal tem a pior recessão desde x tempo”….imaginem todos estes cortes salariais, exclusão de privilégios assegurados como a reforma quase instintos, aumento dos preços gradualmente até chegar a um ponto em que seja insuportável, uma sociedade em que os impostos já hoje em dia são pagos mas não existe qualquer investimento no que realmente é importante… isto tudo é uma enorme bola de neve e a nossa geração já não deverá sentir isso em grande escala, mas estou a falar daqui a 100 anos, com este atrofio gradual e exploração do pais….ai sim a situação vai ser “medonha” e piora quando nos apercebermos que nessa altura já não há nada a fazer…em que a herança de deflação é tão grande que vai ser tão difícil a aplicação de um sistema politico como foi possível o sucesso da primeira republica /zero) , e que vamos passar fome e os nossos filhos vão deixar de ter direito a educação…ai sim vão dizer, como o Português sempre diz, “devíamos ter feito qualquer coisa para mudar isto”… onde esta discussão não seria “Alternativas politicas ao Capitalismo” mas sim “Como vou arranjar dinheiro hoje para alimentar os meus filhos?”

Resumindo a liberdade de expressão é mal aproveitada, porque se formos a ver o que ganhamos em consequência da revolução de Abril é reflectido em palavras vagas e no comodismo. Na verdade, e caricatamente, a única coisa que antes não podíamos dizer e que dizemos agora é “Viva o Sporting”, porque o resto que é dito não tem qualquer significado e não consiste qualquer ameaça ao modelo político e económico que nos ilude, escraviza e explora.

Zillah também agradecia que me explicasses em que medidas ser justo é contraditório a ser autoritário, e também que me explicasses o que é que “vem depois” da aplicação da minha alternativa (espero que a resposta não seja nem genocídio, nem racismo).

E asseguir se alguém comentar…Moving on para a próxima temática!!! …. é que se continuarmos a bater nesta tecla vou ser morto por uma série de pessoas que, compreensivelmente, não aceitam nada do que digo….não é que isto seja a única opção ao que vivemos hoje…eu preferiria viver numa sociedade democrática responsável justa e unida…mas já não acredito que isso seja possível vindo do que vemos hoje….portanto ser autoritário não é um defeito meu ou de qualquer outro… é uma qualidade que diferencia quem se esconde atrás das palavras para defender o que acha certo e quem prefere agir em consequência do que está errado… e para mim seria mais fácil e agradável o acomodamento…mas eu prefiro não o fazer.


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