Li com muito interesse os vossos posts e comentários sobre o filme de Rob Reiner,mas gostava de colocar uma nova questão para discussão que foi apenas marginalmente abordada na aula.
Os quatro miúdos parecem ter famílias disfuncionais, com falta de afecto e, nalguns casos, problemas sociais graves. Apesar de tudo, três deles, conseguem ter uma vida de adulto bem sucedida, em que esses traumas não se reflectem na sua vida adulta. Na aula discutimos a relação entre os jovens família, as relações entre asfixia e falta de afecto, mas há uma questão, marginal ao filme, mas interessante que gostaria que suscitasse a vossa reflexão. Será que é possível ter uma vida de adulto normal e bem sucedida (eu sei que esses termos são ambíguos)quando se tem uma infância marcada pela pobreza e pela exclusão social? Ou seja, uma criança pobre, sem grandes oportunidades de estudar está condenada a ser um adulto pobre, ou mesmo marginal à sociedade?
Jorge
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ResponderEliminarSobre a pergunta chave do final deste post queria referir que o termo "condenado" é demasiado profundo...preferiria referir-me a probabilidades e ai sim penso que um ambiente familiar rodeado de marginalidade é bastante mais propicio a que um jovem venha a ter uma vida semelhante.
ResponderEliminarMas principalmente queria sublinhar a grande importância que o meio social (mais especificamente as pessoas com que passamos os dias, no caso dos adolescentes, os amigos) pode ter no desenvolvimento de uma vida mais ou menos bem sucedida... existe portanto uma razão clara pela qual os jovens que crescem em bairros problemáticos têm mais probabilidade de acabar marginais vêm portanto na rua influencias mais velhas com as quais se identificam mesmo os pais sendo pessoas que o incentivem a estudar (o que acontece pouco, sendo isso mesmo um "empurrar" para a vida marginal) os adolescentes são extremamente influenciáveis pelo estereotipo que para eles faça sentido
Sinceramente acho que um dado muito relevante que diga respeito a esse problema é a escola e o ambiente e pessoas com que um adolescente é rodeado, porque eu não tenho duvidas que mesmo nos bairros problemáticos os jovens frequentam o ensino escolar... o grande problema passa a ser então a desistência que ocorrem mais particularmente entre o 8º e o 10º ano e que se liga directamente ás pessoas que esses mesmos jovens se fazem acompanhar e vêm como modelo
A resposta é sim, se a criança não for educada de maneira a destingir os bons dos maus exemplos...refiro-me então a uma questão que passa muito pela vontade desse mesmo jovem de se afastar do meio ambiente marginal que o rodeia (ainda que seja bastante difícil e que tenha grandes desvantagens a nível de relações sociais) e colher os frutos disso mesmo mais tarde
Boa noite!
ResponderEliminarComeçando pela resposta à pergunta propriamente dita, sim, penso que seja possível uma criança que tenha crescido num ambiente pouco propício ao seu desenvolvimento psicológico/intelectual possa crescer e, por variadíssimas razões, tornar-se um adulto com uma carreira frutífera e cheia de sucesso.
Por um lado, sabemos que hoje em dia existem várias oportunidades de estudo para quem não pôde frequentar a escola devidamente e, sentindo que quer fazer mais e melhor, quer recomeçar a sua vida através, por exemplo, das "Novas Oportunidades". Todos nós já ouvimos falar disso e a verdade é que, se para a maioria das pessoas este termo é apenas sinónimo de "facilidade" ou "preconceito", para outros, os que beneficiam com a existência desta via de estudo, é sinal de mudança, de terminar o que ainda não foi terminado, acima de tudo, de reviravolta. Tudo o que disse é, obviamente, pôr a resposta à luz da actualidade e daquilo com que contactamos, pois isto é algo com o qual lidamos no nosso quotidiano, mas há várias outras abordagens que podemos fazer a esta questão.
Por outro lado, devo dizer que esta pergunta me fez recordar uma ideia com que fiquei depois de ler algumas entrevistas a personalidades conhecidas e de grande relevo e impacto no panorama internacional, quer por via da comunicação social, quer de outras formas, que passo a clarificar: se repararmos bem, uma grande maioria das pessoas que temos como ícones nacionais/internacionais, passaram, na infância, por muitas situações traumáticas e dolorosas, defendendo que foi precisamente devido a isso (a maior parte dos casos está relacionada com a pobreza, a discriminação social, o racismo, os maus tratos, entre outros) que lutaram mais, estudaram mais, quiseram chegar mais longe. Tudo isto me leva a acreditar que, em resposta à sua pergunta, estes 3 jovens do filme que vimos, bem como muitos dos que, no mundo real, passam por isto, transformam os seus problemas familiares ou as suas limitações (de várias índoles) em estímulos e em incentivos para dar a volta por cima e para poderem afastar-se o máximo possível daquilo que já viveram, pois é algo que estará sempre presente nas suas vidas pelo lado mau, mas também funciona pelo lado positivo, isto é, também faz com que saibam perfeitamente o que não querem mais para o seu futuro ou para a sua vida. Diria até que foi essa infância traumática que os fez subir na vida e serem "casos para contar"... Pode parecer, para muitos, uma mulher banal, que teve sorte como outros não a tiveram, mas dão muitas vezes o exemplo da Oprah para tipificar esta nossa questão. Uma criança/adolescente violada, mal-tratada, pobre, que agora é "só" a mulher mais influente dos EUA e a mulher mais rica do mundo. Como é possível então? Será apenas sorte? Não sei se alguma vez viram entrevistas dela, mas ela defende que foi essa infância da qual fugiu que a tornou no que é hoje. Fê-la lutar, provar ao mundo e a si própria que não é o nosso ambiente que nos deita abaixo, que, afinal, os estereótipos não deviam ter tanta relevância como sabemos que, infelizmente, têm para muita gente. Como devemos calcular, este é só um de inúmeros exemplos que servem para mostrar que, independentemente da nossa origem, pilar a pilar, grão a grão, pedra a pedra, tudo se constrói, e eu acredito vivamente nisso.
Pessoalmente, gosto muito da frase "o que não nos mata, torna-nos mais fortes", e talvez seja essa a chave para o sucesso dos 3 miúdos e de tanta gente pelo mundo fora. Oxalá todas essas crianças e adolescente conseguissem perceber o poder existente nessa frase.