
Olá a todos!
Gostaria de vos deixar com uma reflexão sobre o filme “A Onda” de Dennis Gansel.
Gostaria de vos deixar com uma reflexão sobre o filme “A Onda” de Dennis Gansel.
Em primeiro lugar é indispensável referir que este filme expressa extremamente bem a revolta dos jovens e a sensação de incompreensão que estes muitas vezes sentem. Exemplo disso é Dennis, cujos seus assuntos não merecem um momento de atenção por parte dos pais, ou até mesmo Karo que não se sente confortável com o “estilo de vida” dos progenitores. “Nada nem ninguém nos ouve e a nossa vontade nunca prevalece”, de certo que terá sido isso que Dennis sentia. Este vivia numa situação de aparente depressão, e era motivo de preocupação (como “acampar” à porta da casa do seu professor). Estes sinais são muitas vezes ignorados pela família e a comunidade escolar, levando a que situações de sequestros nas escolas tenham lugar e que muitas vezes tenham consequências devastadoras como na escola de “A Onda”.
Quando falei da falta de objectivos dos jovens na aula, falo na perspectiva da nossa geração, que tem sido “sortuda” no sentido em que nunca teve necessidade de lutar pela sua liberdade. Somos de longe a geração que mais beneficiada sai em termos de contexto socioeconómico, mas mesmo assim somos a que mais problemas dá. Não há nada que nos una, um verdadeiro objectivo comum. Se calhar é por isso que se forma um grupo como “A Onda”, onde a única ideologia (que não existe nesta associação) é a união. Nos dias que correm vivemos afastados uns dos outros, condenados ao anonimato das grandes cidades. Será que aquilo que nos frustra não serão as (falta) perspectivas de um futuro nada risonho. A nossa vida parece que desde o momento em que nascemos foi “moldada”, esta limitada a um conjunto de acontecimentos que passam por acabarmos a escola, seguirmos para a universidade, arranjar trabalho, sair da casa dos país, arranjar namorada/o, casar, arranjar casa com o/a marido/esposa na periferia, ter filhos, pagar um carro familiar a prestações, garantir o estudo dos filhos, divórcio à beira dos quarenta, segundo casamento, gerir as visitas dos filhos, e esperar para morrer sozinhos enquanto somos abandonados em casa ou num lar. Este é o “W(B)est Way of Life”, é isto que nos espera e que é esperado pela sociedade que façamos.
Não acham estranho aqueles cerca de 20 jovens terem se inscrito no estudo da autocracia? Porque será? Bom, do meu ponto de vista passa pelo facto de que nos dias de hoje não existem muitas regras para os jovens, começamos a fazer aquilo que deveríamos de fazer com 17 ou 18 anos aos 15 ou 16, uma idade em que temos já falta de regras. E digamos aquilo que dissermos, o ser humano tem necessidade de regras, da vida em sociedade regulada, porque o caos não é propício à nossa sobrevivência (por algum motivo já John Locke desenvolvia a questão do Contrato Social no século XVII).
Em relação à questão da liderança, durante o nosso debate de quinta-feira, muitos defenderam que lideranças fortes são más. Eu não concordo, admito a existência de uma liderança firme, que não tem necessariamente que restringir liberdades. Temos o exemplo da governação Lincoln nos EUA, que era forte, e que só assim sendo teve a capacidade de acender o rastilho da abolição da escravatura naquele país. Acontece que sempre que pensamos num líder determinado, pensamos em Hitler ou Salazar, o que não corresponde 100% à verdade. Na realidade sem lideranças consolidadas e muitas vezes “teimosas”, as evoluções nas sociedades não se podem dar, como nos é dado a conhecer a partir do exemplo de Lincoln.
Infelizmente, este parece ser o único tipo de líderes que funcionam em Portugal (só que há umas boas centenas de anos, que parece que são espécies em vias de extinção). O nosso país é como aqueles filhos que têm 40 anos e ainda vivem na casa dos pais. Temos sempre necessidade de que alguém nos sustente, primeiro eram os descobrimentos, depois o ouro do Brasil, depois as colónias africanas, depois a Europa, depois… olha! Ficamos sem “depois”. Portanto temos sempre o sonho de que alguém nos venha salvar da nossa miséria, mas nada fazemos para o contornar.
Não pensem no entanto que eu acho que este é um mal só cá do nosso “rectângulo”, é uma necessidade comum aos seres humanos, lá porque com um ou dois deixamos de precisar de colo isso não significa que deixemos de ter necessidade de que alguém nos ampare.
Alexandre Evaristo
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