segunda-feira, 18 de outubro de 2010

"The Stranger" de Orson Welles


Olá a todos!
Ainda ninguém falou sobre a nossa ida à cinemática, por isso antecipo-me.
Eu acho que a nossa visita ao espaço referido foi muito interessante, e definitivamente uma experiência a repetir. Como o Stôr, referiu, para a próxima temos é que ir mais cedo (e numa dessas vezes, poderíamos visitar o Museu do Cinema, que a cinemateca alberga).

Em relação ao filme propriamente dito, gostei bastante. Infelizmente, a fita não estava em muito boas condições, o que acabava por afectar as legendas e o áudio. Em primeiro lugar Orson Welles merece os nossos parabéns, por um ano após o fim da segunda guerra mundial abordar com tanta abertura a questão da perseguição aos nazis.

Há também que acrescentar que o filme prima por conseguir desenvolver uma tenção dramática que se alastra desde o primeiro minuto. Um suspense que nos faz lembrar um bom filme de Hitchcook (“Chamada para a Morte” ou “Pshyco”). Esta intensidade só se consegue desenvolver graças aos desempenhos extraordinários dos actores deste filme com grande destaque para o próprio Orsen Welles (“Franz Kindler”/ “Professor Charles Rankin”) e Loretta Young (“Mary Longstreet Rankin”).

É extraordinário pensarmos que em 1946 se fazem cenas com tanta eficácia técnica como a da morte da personagem de Welles, causada pela espada de uma das estátuas do amado relógio de Franz Kindler. Esta cena, que o grande João Bénard da Costa apelida de “um dos grandes momentos do cinema”, não parece ter interessado minimamente ao realizador que muitas vezes terá recusado a paternidade deste filme, afirmando que o grande autor do argumento era John Huston e que não tinha contribuído para a edição da película. Acho que o texto de Bénard da Costa está extremamente bem escrito, e aconselho-vos seriamente a lê-lo para perceberem melhor este capítulo que nos ajuda a perceber a complexidade da personalidade do realizador de “Citizen Kane”.

Que comece o debate…

Alexandre Evaristo

P.S: Esta é apenas uma pequena crítica, nada formal. Recuso-me a desenvolver muito mais sobre este filme depois de ler as sábias pálavras de Bénard da Costa.

2 comentários:

  1. Não só tem o seu quê de Hitchcock, como a comparação ao Lynch se faz sentir, não só pela questão do ambiente campestre, que se falava na introdução do filme que o stor nos mostrou há tempos, mas por cenas mais alucinadas e dramáticas como a do relógio. Pelo menos, não conhecendo eu bem o próprio Welles, foi o início de uma exploração, é esta a associação, realista ou não, que faço. Confesso que comecei a ver o Citizen Kane há uns tempos, mas fui desviada do filme passado 5 minutos por outra pessoa que queria ver a versão prolongada do Senhor dos Anéis (umas longas 4 horas...).E assim se fez...

    Este afastamento dele do filme pode levar a muitas questões da parte de quem não o conhece bem. Acabámos realmente de ver uma marca dele?A sugestão da autoria da cena do relógio, quase sem sobra de dúvidas, abre as portas para o entusiasmo de quem fica de pé atrás com toda esta negligência do suposto "pai" do filme. Pelo menos a mim deixou, que sou grande fã deste dramatismo nos clássicos.

    Não posso deixar de mostrar a minha predilecção por filmes a preto e branco que, mesmo com a pouca qualidade da gravação que nos foi apresentada (vá, chamemos-lhe vintage), me fazem por vezes abstrair do resto do contexto do filme por uns minutos. É a luz e a sombra no seu melhor, e quando as interpretações são boas, nada substitui o ambiente que se cria.

    Provavelmente a história terá tido mais impacto na sua altura, já que, como o Alexandre referiu, foi um filme pioneiro sobre a segunda guerra mundial, realizado apenas um ano após esta.Já não será um tema novo para nós, pois ainda hoje se continua a fazer filmes sobre esta. São de facto inúmeros. É interessante, ainda assim, ver aquele que terá sido um "génio"nazi(e com a palavra génio refiro-me à alta influência) procurar uma vida simples e pacata, de procurar passar de grandes e influentes actos para vida mais desapercebida, casando-se, mudando-se para o campo... Inesperado ou não, voluntário ou não.Mas como se viu, uma pessoa não se evapora simplesmente por o querer, não se passa de um dia para o outro de uma posição influente para o anonimato, e este não foi excepção.E, de facto, o clima agarra de uma ponta à outra do filme.

    Eu estou mais que disposta a voltar à Cinemateca, foi um filme que cortou com o ritmo dos filmes que andávamos a ver, é mais do género dos que geralmente me chamam à atenção, e parece-me que é algo a repetir.

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  2. O Estrangeiro não é considerado um dos melhores filmes de Orson Welles e há alguns problemas com o papel que o cineasta e actor nele desempenhou, pelo menos a julgar pelo texto do João Benard da Costa.

    Mas parece-me realmente importante saber do impacto que o filme vos pode provocar, positivo ou negativo,na medida em que pela época em que foi feito, pelos recursos técnicos utilizados, pelo estilo de direcção e pelo argumento, marca uma ruptura com o tipo de filmes que vimos até agora.

    Até agora temos visto filmes relativamente recentes, razoavelmente lineares (talvez com excepção do Rumble Fish do Coppola) e com histórias bem definidas tocando temáticas juvenis. Depois de vermos os Edukadores, acho que é tempo de começarmos a pisar terrenos mais aventurosos e a entrar no chamado cinema de autor, ou no cinema clássico americano.

    Para quem gostou do filme, aconselho vivamente a que vejam o «Citizen Kane» o 1º de Welles e por muita gente considerado como o melhor filme da história do cinema. Podem encontrá-lo facilmente na net, inclusivamente com legendas em português.

    Jorge

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