Na nossa discussão de 4ª feira, foram colocadas algumas questões essenciais não só de filosofia política, mas de reflexão antropológica sobre a própria natureza humana.
os regimes socialistas nacionalizaram toda a propriedade. Considerando o lucro como socialmente injusto, concentraram todas as actividades económicas nas mãos do estado. A motivação para o trabalho deveria vir de objectivos colectivos e não individuais.
Uma das críticas mais frequentes a estes modelos, foi corporizada pela Alexandra: o socialismo iguala o que é diferente. Trata de igual modo os que se esforçam e os que não se esforçam, os que têm ambições e os que não têm. Se eu tenho o meu salário garantido no final do mês, porque é que hei-de estar a esforçar-me a trabalhar mais, se esse trabalho não vai ter nenhuma recompensa financeira. O regime estagna em termos económicos. Cada um faz apenas o necessário para sobreviver. Os defensores do capitalismo defendem assim uma sociedade baseada no mérito individual. Esforças-te mais, trabalhas mais, és melhor e terás a devida recompensa.
Os defensores do socialismo consideram este princípio como uma falácia. Raramente a riqueza foi obtida por meios honestos. A ganância e o lucro capitalistas levam a que uma maioria seja explorada por uma minoria. A propalada igualdade de oportunidades do sistema capitalista, na prática, não existe. São raros os casos de promoção social. Quem nasce pobre,terá sempre enormes dificuldades em sair da pobreza. Por isso se justifica um papel central do Estado, com a promoção de serviços públicos universais e com a cobrança de impostos a quem tem mais dinheiro de forma a permitir essa igualdade. Foi essa, basicamente, a posição defendida pelo André na discussão.
O Gonçalo colocou uma questão central e muito importante: a natureza humana é compatível com um regime socialista que privilegia o colectivo em detrimento do individual? A pergunta também se pode colocar relativamente aos regimes capitalistas. E também se pode colocar de outra forma: existe alguma natureza humana?
Jorge
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