1. A ambição, muito resumidamente, é, na minha opinião, aquilo que nos leva a ser melhor que os outros. É algo individual e específico a cada ser humano. Se a nossa ambição é de riqueza material, então queremos ter mais dinheiro que os outros. Se a nossa ambição é de riqueza intelectual, então queremos ser mais inteligentes que os outros. Se a nossa ambição é a de fama, então queremos ser mais famosos que os outros... A ambição parte, então, de um desejo ou de uma necessidade, quase inconsciente, de diferenciação dos outros (de anormalidade, de originalidade). É egoísmo.
2. Será a ambição inconsciente? É que se for, podemos dizer sim a ambição faz parte da natureza humana. Mas a natureza humana é manipulável...
3.O que é que é a natureza humana? É também a natureza e instintos de outros animais? Então a ambição é um instinto de outros animais? Há espécies de animais que encontram na sublimação individual o instinto de sobrevivência (leão), já outras encontram-no na cooperação e no esforço colectivo (formigas). O leão tem uma ambição individual, as formigas têm uma ambição colectiva (chamemos-lhe assim). E nós?
4. Nós temos uma ambição individual. Mas nós, ao contrário dos outros, somos animais racionais, pelo que, dentro da nossa própria natureza, temos a capacidade de manipular os nossos instintos básicos. Logo, temos a consciência para definir e manipular os instintos. Temos a possibilidade de optar por uma sociedade que se rege pela ambição individual e por outra que se rege pela ambição colectiva.
5 (O que é que essa conversa toda tem a ver com o comunismo?). Se realmente pudermos optar por estas duas possibilidades, a que parecerá mais fácil será a da ambição individual, porque é inconsciente - a moral do capitalismo. Mas se pensarmos que a sociedade é melhor baseada na ambição colectiva temos a moral do comunismo.
Exactamente por sermos dotados de racionalidade e de termos construído aquilo a que vulgarmente chamamos uma civilização, é que deveria levar a espécie humana a ser capaz de superar esta espécie de darwinismo social em que o capitalismo nos mergulha.Uma espécie de competição desenfreada em que só os mais aptos sobrevivem (ou os mais espertos) e os outros são inexoravelmente atirados pela borda fora.
ResponderEliminarJorge
Penso que a questão seria exactamente canalizar o esforço dos mais ambiciosos para o bem colectivo, mas deixar espaço para todos podermos crescer intelectualmente sem restrições.
ResponderEliminarO problema é que este regime me parece impossível, e antes que me falem do comunismo não se esqueçam que na União Soviética (durante o regime de Estaline) houve um tal de Andrei Jdanov. Se a arte tem de ser para o povo (Realismo Socialista) então estamos a reprimir os esforços de imensas pessoas para partilharem a sua visão do mundo com todos nós. Mesmo que após a morte de Jdanov e de Estaline isto tenha acalmado, não deixava de haver repressão.
Além disto está também aberto para a discussão se é possível verdadeiramente canalizar a ambição pessoal para o bem colectivo. Sinceramente para mim muitas vezes faz pouco sentido melhorarmo-nos a nós próprios e não tentar melhorar o que nos rodeia, visto que isto nos afecta no dia-a-dia, mas nem sempre é esse o caso.
Não quero viver num mundo em que ou somos todos formigas ou alguns são leões e outros formigas.
Ainda bem que falas no Jdanov. É um dos maiores criminosos da história das artes, Hugo. Só de pensar nele e nos gajos que ele reprimiu (escritores, músicos, artistas, cineastas, etc), tenho arrepios na espinha. Vade retro Satanás!
ResponderEliminarJorge