Até que ponto influenciam mecanismos racionais naquilo a que chamamos “natureza humana”? E quando isto acontece, concordamos todos que já não podemos chamar-lhe um instinto? Muitos até falam em suprimir o seu instinto porque não lhes parece a forma correcta de agir (estigma social?), e o que passam cá para fora é precisamente o inverso. Aliás, há quem lhe chame o instinto animal, e aqui ainda se torna mais fácil compreender esta tendência para o querer anular na nossa sociedade, pois muitos reagem mal a esta palavra, “animal”. Criou-se uma conotação depreciativa à volta desta e tenta-se evitá-la à força toda, e assim perguntamo-nos se não será o chamado “instinto” humano apenas o instinto animal moldado por todos os elementos sociais, racionalizado (daí a enorme dispersão, confusão e as imensas teorias)? Mas quando isto sucede desta maneira, mais tarde ou mais cedo, deixa-se escapar um bocado deste instinto a que se tinha feito campanha contra. Será que é por isso que, quando se chega a posições de poder, vemos frequentemente acções antagónicas das iniciais? Será esta a origem da falta de coerência? Será o verdadeiro instinto animal a falar mais alto? Como o Gonçalo dizia, quando se fala do leão ou da formiga, podemos ter a certeza que está na natureza deles aquela acção, e connosco? Não funcionaria melhor se assim fosse? Não teremos esse instinto animal algures ? Já Fernando Pessoa dizia “ Bom servo das leis fatais/Que regem pedras e gentes, / Que tens instintos gerais/E sentes só o que sentes”, quando falava do gato que brinca na rua, de forma instintiva e natural, com a sua irracionalidade que o impede que chegue a toda esta dispersão humana, age precisamente consoante sente.
Se formos pensar em algumas tribos, parece-nos óbvio o espírito de grupo. E assim perguntamo-nos, é só quando se chega a outro patamar, quando a tribo ou qualquer outro grupo já está bem instalado, seguro, e tem bases sólidas, que começam a surgir aqueles que já se mostram insatisfeitos com esta igualdade e ambicionam mais? Será que a maior parte das pessoas só ambiciona este nível de igualdade, o movimento de rebanhos, como dizia o Nietzsche, num clima adverso, fraco, e, quando este é ultrapassado, a insatisfação não tarda a chegar, já se quer distinção pessoal?Com certeza rapidamente surgem muitos contra-exemplos para isto, as posições são muitas, e a história mostra-o.
Isa
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