Vamos então falar de indecências... e de promicuidades entre a política e a economia!
Claro que o filme do Capra se mantém, e infelizmente irá manter por muito tempo, actual. Tal como os documentários - goste-se ou não da forma - do Michael Moore. Isto porque na história da humanidade - perdão, do capitalismo -, há casos de sobra como os que são relatados no filme e que o professor indica no texto. Como não caberiam num comentário desta natureza todos os que são conhecidos e recentes no mundo, façamos uma reflexão sobre o que se passa neste cantinho afastado do centro de decisão da Europa mas bem no centro do Planeta.
Expressões como complots, compadrios, subversões, desonestidades, "não há almoços grátis", luvas, etc, aplicam-se às ligações obscuras entre a política e a economia. Melhor, entre os interesses políticos e económicos. Quem não houviu falar no processo Face Oculta? Farmacêuticas? BPN? Submarinos? Freeport? Ou o recente que envolve dirigentes da Mota Engil? Qual será o denominador comum destes casos e de muitos outros que a memória de momento não me traz? As ligações e interesses dos políticos com os gestores que foram ou querem vir a ser políticos? Claro que o recíproco também é válido. Em países como Portugal, é infelizmente fácil cair-se na tentação de tirar proveito próprio de situações privilegiadas que se ocupam em determinado momento. Daí que não é difícil perceber porque é que quase todos os gestores (?!) das principais empresas de capitais públicas são ex-ministros ou detiveram um qualquer cargo importante num Governo ou num partido. Desta forma como se pode esperar que se aponte o dedo a quem num cargo que se quer vir a desempenhar um dia? Se assim for, quando se lá chegar a coisa já não dá. E nisto, como em muitas coisas na vida não convém ficar mal na fotografia. Lembremos a promiscuidade do caso Face Oculta que envolve ex-governantes e sobre o qual há uma "heroína" anunciada: a ex-secretária de estado dos transportes que se recusou a pactuar com actos fraudulentos que não tarda serão do conhecimento de todos. Lembremos até o caso da formação do Primeiro-Ministro e de vários elementos dos dois últimos Governos com diplomas passados ao fim-de-semana (?!...). Lembremos obras e mais obras licenciadas sem que estejam cumpridos os requisitos legais ou autorizações que aparecem sem se saber como nem porquê. Numa pesquisa simples no Google com a designação "prosmicuidade entre política e economia" surgem 56900 resultados em 0,30 segundos. Como se vê é matéria fértil em casos. Por outro lado, em países como Portugal, a rotatividade entre partidos políticos no poder é um factor facilitador deste tipo de situações pois á fácil prever quando se está em posição privilegiada para "preparar" o futuro. Além de que a corrida a cargos de topo (sempre em empresas públicas que em muitos casos dão milhões de prejuízo) tem de ser bem doseada para que haja um equilíbrio entre elementos desses partidos.
Moral d(n)esta história? Não há!
Rita, concordo exactamente com tudo o que disseste, sem mudar uma vírgula. Tal como referiste, a promiscuidade entre a política e a economia verifica-se em inúmeras situações em Portugal, bem como no resto do mundo. No entanto, queria apenas reforçar a tua ideia, relatando mais alguns exemplos destas associações de interesses.
ResponderEliminarComeçando por um meio mais pequeno , já que sou praticante da modalidade de vela, queria fazer referência à situação em que se encontra a Federação Portuguesa de Vela. Nesta instituição do Estado, que "supostamente" deveria servir os interesses dos velejadores, verifica-se que o salário mínimo atribuído a um mero telefonista ronda os 5000 euros. Todos os restantes funcionários têm um rendimento mensal superior a esta quantia, não efectuando o trabalho para que são pagos e que lhes compete, nomeadamente a organização das deslocações da selecção nacional aos campeonatos internacionais. Além disso, foram apresentadas contas da federação em que constava a compra de 20 vassouras a 40€ cada uma (será que estas vassouras são especiais, justificando, assim, o seu preço?) e a aquisição de 10 caixas à prova de água para a máquina de filmar a 1500€ cada uma, sendo que elas estão à venda ao público por volta dos 400€. Posto isto, ponho-me a pensar porque será que esta federação insiste em comprar bens materiais muito acima do preço comum. Será que tem dinheiro a mais e pode dar-se ao luxo de esbanjá-lo à sua vontade? Ou será que existem pessoas que se aproveitam da diferença de preço para preencher um bocadinho mais a carteira? Não bastando esta situação, e o facto de a federação ter contraído diversas dívidas, o IDP ainda cortou o subsídio anual, devido a umas irregularidades com alguns decretos de lei. Assim, os funcionários deixaram de receber os seus ordenados chorudos e o dinheiro que entrava na FPV, atribuído pelo IDP, apenas se destinava aos atletas de alta-competição. No entanto, é de estranhar (ou não) que o presidente da Federação Portuguesa de Vela continue agarrado ao tacho, tendo em conta que não recebe ordenado há 6 meses. É óbvio que o dinheiro lhe continua a entrar no bolso de qualquer lado...
Só para terminar, queria ainda referir o caso do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge que recentemente fez um contrato de ajuste directo com uma empresa de tinteiros no valor de 20.191.227,00 €. É, por isso, plausível a pergunta: Onde é que eles vão gastar tanta tinta? E é de estranhar também que, gastando esta abastada quantia em tinteiros, não tenham também gasto uma quantia semelhante em papel onde possam imprimir e gastar essa tinta.
Deixo isto à vossa consideração...
Era como eu estava a dizer, se no filme a transparência não parecia tanta, e ainda dava espaço para alimentar alguns sonhadores como o Smith, aqui já se deixa as portas abertas para se ver tudo. Venham todos ver! Ou melhor, já é algo tão constante e tão intrínseco a posições de poder, que não só já não nos espantamos como consigo imaginar pessoas a pensar "Se toda a gente o faz, porque não fazê-lo também?". É absolutamente deplorável o estado das coisas. Ainda no outro dia estava a ouvir mais uma discussão em que o Louçã sugeria que não pagássemos os submarinos, rasgassem os contratos, para ver se se começava a tapar o buraco de 5oo milhões. E o que quero chamar à atenção aqui não é a vossa concordância ou não em relação a isto, mas sim a resposta do Sócrates que disse imediatamente "Ah, mas assim ficamos mal vistos!", algo que me deu imensa vontade de rir. Pelo menos que pusesse um MAIS a negrito ali pelo meio, antes do mal-vistos sei lá. Parece que ainda é só isso que está em questão, que ainda consegue salvar esta sua boa aparência e sair todo contente da situação. É o que se estava a dizer, há-de cair tudo mas ainda há gente a ver se fica bonita na fotografia, o que me parece complicado, principalmente vindo da pessoa que vem. Achei de uma ironia fantástica, ri-me literalmente, mesmo podendo haver possíveis análises do assunto, o meu instinto foi este à resposta que surgiu de imediato, sem rasto para dúvida.
ResponderEliminarIrónica também é essa história dos tinteiros, é que já nem se tenta disfarçar.
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ResponderEliminarConcordo com voces..
ResponderEliminarSe reparamos bem,hoje em dia, são poucas as pessoas que exercem o cargo para qual estudaram, cada vez mais vemos á frenta de grandes bancos e instituções, homens que detiveram grandes cargos políticos e vice versa também..
Acaba por dar-se importância sempre ao mesmo, é como um ciclo sem fim..
Vivemos num mundo de aparências..
Como referi na aula, cada vez mais é nos apontado o dedo, temos valor por aquilo que temos (bom nome, familia) e não por aquilo que realmente somos, à partida na sociedade em que vivemos mesmo aquele "pobre coitado" que sempre viverá à custa dos pais irá mais tarde ou mais cedo tomar conta dos cargos mais importantes da sua familia ou amigos e mesmo sem fazer por isso acaba por deter uma vida até por vezes melhor que as suas gerações passadas.
Vivemos num mundo de cunhas. O que interessa é ter-se "contactos" para poder vingar na vidaa
Enfim, sendo pésimista e realista, acho que toda esta situação só se irá agravar ao longo dos tempos
Acho complicado acrescentar mais alguma coisa ao que aqui disseram, porque acho que já demos mais que exemplos suficientes do estado "deplorável" (obrigada pela realidade Isa) em que o nosso país (acompanhado de tantos outros) se encontra actualmente. Queria, então, fazer só referência a uma "novidade" que descobri hoje, há uma hora atrás. Sabiam que o presidente da China vem a Portugal para "comprar" a nossa dívida? Mas é este o estado a que chegámos? Vamos ser o quê? Uma província da China? (Escusado será dizer que não há favores desta índole se não for para pedir algo em troca!) Achei extremamente risível, a sério. Nunca pensei que fosse esse o propósito da sua vinda. E não sei também se talvez não fosse melhor assim... Sei lá! É uma realidade que parece absurda, virarmos todos chineses e temos que chegar ao ponto de pôr os olhos em bico (por favor, espero que não), mas a verdade é que ontem também acharia absurdo o presidente da China querer comprar a nossa dívida. Enfim... já não há nada absurdo na política e nos políticos.
ResponderEliminarPrecisamente Rita, estava a pensar nisso mesmo, já ouvi essa notícia umas três vezes hoje e a sensação é sempre a mesma, não soa melhor de hora para hora. Ninguém compra a dívida de outro país sem ter objectivos muito concretos, e apesar de não conhecer a situação a fundo, também chegou a minha altura de me basear em aparências (oops), não lhe arranjo boa explicação.Tanto que a vinda deste senhor cá de partida já não está a ser bem aceite, tanto por alguns cidadãos como pelo menos um partido. É que isto só tem tendência para parecer mais ridículo.
ResponderEliminarSim vem comprar a nossa dívida e já o fez com a grécia. O nosso pais está cada vez mais em decandência.. eu sei que a nossa independência foi um dado muito importante, que a nossa cultura é vasta e que realmente a época dos descobrimentos foi a época alta de portugal, mas juntarmo-nos a espanha não era uma ideia absurda, ganhavamos a nivel da competitividade mundial e em outros niveis, mas também poderiamos perder muuito, é certo..
ResponderEliminarNão percebo porque é que veio aqui parar a questão de Portugal vir a fazer parte da China, ou até mesmo da Espanha. Isso não seria possível e muito menos seria aceite de bom grado pela União Europeia e pela ONU. Este negócio da compra da dívida portuguesa sem dúvida que serve os interesses da China. No entanto, não haverá certamente um acordo sem que Portugal beneficie também com isso.
ResponderEliminarSei que não estou dentro do assunto e, por isso, a minha opinião pouco valor tem, mas a meu ver o interesse da China será vir a receber os juros da dívida Portuguesa ao longo de vários anos, fazendo assim um investimento agora com retorno a médio prazo. Por seu lado, o benefício para o nosso país será pagar juros mais baixos.
Posto isto, penso que o que interessa aos dois países é que haja um acordo que traga benefícios para ambos. Não digo que esta vinda do presidente da China seja uma coisa boa ou má. Isso dependerá das condições impostas pelos dois países...
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ResponderEliminar" "A China está a fazer política com a moeda na Europa", aponta o analista Ian Campbell, numa coluna publicada na Reuters. "Mas a vontade de ajudar as economias mais debilitadas da zona euro parece um suborno", acrescenta.
ResponderEliminarA Europa tem pressionado a China para deixar subir o yuan, mas num tom mais conciliatório do que os EUA - e mesmo com as "ajudas" aos países mais endividados do euro é improvável que a pressão europeia desapareça. Até porque as compras de dívida soberana da UE podem contribuir para fazer subir o valor do euro, dificultando a retoma (ver ao lado).
A disponibilidade chinesa para comprar dívida será uma vantagem para Portugal, que enfrenta em 2011 o repagamento de cerca de 23 mil milhões de euros de dívida emitida, isto sem contar com pedidos para novos empréstimos, fruto do défice deste ano. O roadshow do ministro das Finanças em Macau e em Hong Kong, em Setembro, foi bem recebido pelos investidores, segundo apurou o i, que olham para Portugal como uma boa oportunidade - a República oferece juro alto e risco de zona euro.
Mas as vantagens para Portugal do conflito cambial que se adivinha não chegam para compensar os riscos - sobretudo o de apreciação do euro face ao dólar, que ergue mais uma barreira às exportações portuguesas, o único motor a puxar pela economia em 2011. A China não está disposta a baixar repentinamente o valor do yuan e os Estados Unidos vão continuar a imprimir dólares (baixando o seu valor) para estimular a economia, cuja retoma está mais incerta do que o esperado - o Banco Central Europeu já mostrou que não irá seguir o exemplo e o euro poderá ser apanhado no meio da corrida à desvalorização. No volátil mercado cambial, o euro já subiu 17% desde Junho - e a tendência será para continuar a subir.
"Um yuan baixo e uma subida do euro face ao dólar têm impacto na competitividade das exportações portuguesas", aponta Filipe Garcia, economista da consultora financeira IMF. "Não afecta só a competição nos Estados Unidos e China, mas todos aqueles mercados em que empresas destes países competem com as nossas", acrescenta. A subida do euro afecta também a retoma dos principais clientes das exportações portuguesas (ver caixas ao lado), como Alemanha, Espanha e França (50% do total). "
http://economia.publico.pt/noticia/maior-banco-chines-negoceia-compra-de-dez-por-cento-do-bcp_1464628
ResponderEliminarSe leres os comentários que aparecem aí já ficas com uma ideia do que de ingrato há nesta situação.
É verdade que esse aspecto da subida do euro é sem dúvida um aspecto que influencia negativamente a nossa economia. No entanto, é inevitável que em qualquer coisa na vida hajam aspectos bons e maus. Por exemplo, quando se toma um medicamento para tratar uma determinada doença existem sempre efeitos secundários e é da responsabilidade do médico determinar se essa medicação é ou não vantajosa. Assim, tal como no exemplo que acabei de referir, cabe ao Governo avaliar os prós e os contras deste negócio e tomar uma decisão em relação ao que é mais benéfico para o nosso país. Por este motivo, Portugal deve impor as suas próprias condições e não se deixar submeter unicamente aos interesses alheios. Mais uma vez reforço a ideia que não sou a favor nem contra a vinda do presidente da China a Portugal, mas penso que seria importante, dada a situação em que se encontra o nosso país, avaliar as várias opções e oportunidades que surgem.
ResponderEliminarOlá a todos!
ResponderEliminarEu regra geral sou muito crítico em relação ao nosso pequeno rectângulo, mas temos que admitir que a corrupção não é um fenómeno interno, infelizmente ultrapassa fronteiras e regimes políticos. Isto porque enquanto o poder economíco se subreposer ao político, esta situação não vai ter fim. O poder económico precisa do poder político, e vice-versa.
Como o próprio filme denunciou, o senhor Taylor, controlava os senadores do seu estado e nos outros também se passaria e passará o mesmo, ou seja, também nos EUA à corrupção. Não vale a pena dizermos que estes crimes são próprios de países pequenos ou de países grandes. A única diferença entre o nosso país e os outros, é que os nossos criminosos-políticos-capitalistas, não são tão inteligentes como os estrangeiros, e não conseguem esconder os crimes tão bem, costuma ser frequente no sul da Europa.
Alexandre
Nós não estamos a negar a existência de corrupção no estrangeiro. Apenas achámos que deveríamos cingir-nos aquilo que acontece no nosso país porque se começássemos a falar sobre os outros países do mundo, certamente, que o debate não teria um fim e dificilmente chegaríamos a uma conclusão.
ResponderEliminarExactamente, como a Patrícia disse, longe de nós negar a corrupção nos outros países!Simplesmente decidimos centrar-nos no nosso país. Se formos falar do resto do planeta é uma conversa para o resto da vida, literalmente.
ResponderEliminarBem, tenho de vos dizer que é quase impossível acompanhar o vosso ritmo! (isto é um elogio) Mas consegui ler tudo e concordo com as três.
ResponderEliminarApesar de não ser portuguesa, vivo aqui há cinco anos não é difícil notar que é, de facto, um país extraordinariamente corrupto. Desculpem constatar o óbvio.
O que é mais triste é que estas situações não se limitam às grandes empresas. Não. Os filhos andam a aprender com os papás e hoje em dia miúdos com 17 e 18 anos andam no mesmo tipo de vida. Sem querer entrar muito por onde vou entrar agora, porque sei que é um assunto delicado, queria dar este exemplo.
Eu tive a oportunidade de conversar com um ex-aluno do Camões (muito simpático, por sinal) que há muitos anos atrás esteve na Associação de Estudantes (mesmo muitos anos, não foi do ano passado nem do ano anterior). Este rapaz, agora universitário, falou-me com imenso orgulho de como as coisas funcionavam no seu tempo. É relevante salientar que ele era o tesoureiro.
Para começar, os membros da AE tiveram a preocupação de ler todos os leis e decretos relacionados com os direitos de uma AE (e fizeram muito bem). Mandaram todas as cartas que eram necessárias à IPJ, junta de freguesia e outras instituições que dão apoio a iniciativas estudantis e conseguiram uma quantidade extraordinária de dinheiro. Tipo, milhares. Se fizeram festas e organizaram actividades para os alunos, não sei. Penso que sim e é provável que até tenham feito um bom trabalho nesse aspecto. Mas ele admitiu, sem vergonha nenhuma, que utilizavam esse dinheiro e cito ''para fazer as nossas vidas''. Estou a falar de férias no Porto ('business trips') para os membros da associação, estou a falar de saídas à noite para discotecas e casinos, estou a falar de ir para a escola de manhã de táxi (ele até riu-se lembrando como punha nas contas da AE 'deslocação - 10euros'), estou a falar de tabaco, estou a falar de jantares, estou a falar de bebidas alcoólicas e pizzas encomendadas para a escola...
Isto não é normal. Pessoas com esta idade são o futuro deste país.
Será que as coisas nunca vão mudar?
É não é?Em Portugal herda-se esta capacidade extraordinária juntamente com outras aptidões, vai de família para família e tenta-se desenvolver isto desde cedo, nada melhor que a prática para lhe ganhar o jeito. Melhor são as pessoas que parecem falar destas situações com orgulho, podiam orgulhar-se do trabalho que fizeram, que se calhar também fizeram alguma coisa de jeito, mas o orgulho e prazer de realizar tais coisas parece vir lado a lado com o de ter tido a capacidade de fazer esses pequenos desvios de dinheiro, que cá em Portugal ninguém se preocupa muito em disfarçar, e não ter sofrido nenhuma consequência à conta disso. Já é uma arte por cá pelos vistos, já não é questão de quem faz ou não, é de quem faz melhor, porque a parte do fazer já parece perfeitamente normal e admissível. Parece que já está entranhado nos costumes, para mudar não será fácil...
ResponderEliminarConcordo exactamente com o que acabaste de dizer Isa, especialmente com a última frase. Sem dúvida que o problema principal daquilo que acontece no nosso país e do estado em que ele se encontra é a mentalidade do povo português. Ainda ontem falei com um amigo meu com dupla nacionalidade, cujo pai é português e mãe japonesa e ele também é desta opinião. A mentalidade portuguesa e a mentalidade japonesa em pouco ou nada se assemelham. No Japão, as pessoas compram apenas produtos fabricados no seu país, dando assim um importantíssimo apoio à sua economia. É certo que cá em Portugal os produtos nacionais são bastante mais caros que os produtos, por exemplo, espanhóis. No entanto, um investimento agora ao comprar estes produtos traria certamente um retorno a médio ou longo prazo, acompanhado de uma notória descida de preços, o que traria competitividade dos nossos produtos no mercado tanto nacional como internacional. Por outro lado, a mentalidade do nosso povo também nos dota da característica de não saber aproveitar bem o dinheiro, gastando-o em coisas que pouco interesse e utilidade têm na nossa vida. No Japão isto raramente acontece.
ResponderEliminarPor fim, só para vos fazer ver a que ponto é que as mentalidades de duas sociedade tão diferentes são totalmente opostas, queria referir que no Japão as pessoas não roubam ninguém. Podemos até adormecer no comboio com a carteira aberta com uma nota de 100 euros à vista, que a primeira pessoa que passar vai-nos acordar e chamar a atenção para guardar-mos a carteira. Em Portugal não tenho dúvidas do que teria acontecido à nota...
Assim, é fácil concluir porque é que Portugal está como está e o Japão é uma das potências mundiais. O problema aqui é que, tal como disseste Isa, "para mudar não será fácil".
Sim, tens toda a razão, patrícia, tem tudo a ver com a mentalidade.
ResponderEliminarMas como combater isso? Podemos mudar-nos, mudar a nossa própria forma de ser, mas não podemos mudar os outros. Por outro lado, é triste deixar o país cair assim, é triste ficar sentado de braços cruzados, com a consciência limpa mas rodeado pela corrupção. Não sei, acho um bocado deprimente. A passividade não é a solução de certeza, mas é complicado rectificar. É como a Isa disse, estamos a falar de uma coisa que já é perfeitamente aceite na sociedade.
Exacto Zillah, parece que a única hipótese que temos é agir da maneira que nos parece ser a mais correcta, que possa melhorar esta situação de corrupção, e esperar que isso surta algum efeito nas pessoas à nossa volta, que as faça pensar duas vezes no que fazem e no que deviam ou poderiam fazer, pelo menos para reflectirem sobre o assunto, pois já não sei se alguém o faz sequer. Mas por outro lado isto parece infinitamente lento e demorado, principalmente pensando que esta atitude será uma excepção no meio de uma sociedade intrinsecamente corrupta, o mais provável é ser desprezada e/ou desacreditada por alguns, ou pelo menos considerada trabalhosa, e se há coisa que acho que falta a muitos portugueses é hábitos de trabalho, parece que tudo o que envolva esforço pessoal é uma tortura e que afinal nascemos todos para o ócio e deixar isto andar. E o que quero dizer aqui não é que não vale a pena, e sim questionar-me sobre a maneira de realmente esta ideia se fazer sentir. Por onde começar? Não vejo como solução emigrar, o problema estará lá à mesma, e nós pouco contribuímos para o melhorar, por mais frustrante que a tentativa possa ser. Ou desprezamos por completo os habitantes deste país, ou isto não será satisfatório para nós. Até que ponto nos sentimos bem com nós próprios se as coisas à nossa volta parecem viradas do avesso?Ou se tem uma capacidade de abstracção extraordinária, em que retemos apenas a informação que é relevante para a nossa felicidade em particular, ou não sei...parece-me complicado.
ResponderEliminaracho que o grande problema é que, quanto à questão da corrupção, chega a uma altura que estamos tão envolvidos que deixamos de reconhecer aquilo que è bom para nós e o que é bom para os outros. Passamos a pensar só em nós, eo filme retrata muito bem essa situação, mas nem sempre acaba como no filme - acabamos por deitar abaixo aqueles que admiramos e de quem gostamos só para nos safarmos. Mas será que há maneira de travar isto? Crio que só mudando a menalidade das pessoas, da nossa sociedade. E para isso é preciso vontade de mudar, será que há vontade?
ResponderEliminarA corrupção é um excesso do sistema em que vivemos, ou um fenómeno específico independente do sistema?
ResponderEliminarNão há países onde não haja corrupção. Mas parece que a corrupção prende-se mais com o desenvolvimento económico do que com os modelos escolhidos. Por exemplo, os países africanos têm uma classe dirigente especialmente corrupta. Os antigos países socialistas eram conhecidos por terem uma enorme corrupção. Já os países mais desenvolvidos, tipo Noruega, Canadá ou Nova Zelândia têm níveis de corrupção muito mais baixos. É uma questão complicada...
Jorge
Na minha opinião a corrupção está essencialmente relacionada, como já referimos, com a mentalidade das pessoas. Como o professor disse, "não há países onde não haja corrupção", por isso, dado que há vários sistemas diferentes nos diferentes países do mundo, penso que a corrupção não é um excesso do sistema em que vivemos. É certo que esta pode ser mais ou menos dominante num certo país dependendo do sistema que aí vigora, mas não creio que esse seja a principal fonte que alimenta este problema.
ResponderEliminarA meu ver, aquilo que é mais importante numa sociedade são os princípios morais, nomeadamente o espírito de camaradagem, a honestidade e os hábitos de trabalho. Sem estes princípios que devem estar incutidos na mentalidade duma sociedade, haverá certamente uma grande percentagem de corrupção. É por isto que os níveis de corrupção nos países como a Noruega e o Canadá em nada se assemelham à existente nos países africanos. Nos países menos desenvolvidos, a luta que muitas vezes é necessária pela sobrevivência faz com que as pessoas se esqueçam dos seus princípios ou que nem sequer os tenham caso os seus pais não lhes tenham transmitido. No caso da Noruega, o facto do seu sistema de ensino ser um dos melhores do mundo vai necessariamente repercutir-se na mentalidade da sua sociedade, baixando assim os casos de corrupção.
A corrupção política significa o uso ilegal,por parte de governantes, funcionários públicos e agentes privados do poder político e financeiro de organismos ou agências governamentais com o objetivo de transferir o dinheiro público ou privado de maneira criminosa para determinados indivíduos ou grupos de indivíduos ligados por quaisquer laços de interesse comum.
ResponderEliminarPor um lado concordo que a taxa de corrupção nos paises menos desenvolvidos seja mais acentuada, não só pela falta de controlo dos dinheiros publicos mas tambem pela baixa taxa de eleitores, a maior parte da população ou é analfabeta ou tem mais com que se preocupar, preocupa-se mais com o que se à de governar e nao com que os governa.. Por outro lado os paises desenvolvidos apesar de mais controlados tem maior acessibilidade aos dinheiros publicos e as formas de corrupção são maiores. Fico na duvida mesmo assim de onde existirá mais corrupção..
mesmo sendo uma questao politica é importante ver que tambem mexe muito com a moral das pessoas. Existe uma frase muito interessante e que se encaixa neste tema: "Toda a gente tem um preço", a questão é percebermos se a sociedade está disposta a vender-se por um preço, expondo-se a um mundo de mentiras. Na minha opinião, não stamos dispostos a mudar porque a corrupção nos convém. Numa campanha política, quem dá o capital para a campanha, normalmente grandes emprsas a quem "dá jeito", está a colocar esse partido e as medidas que ele tomar sob a sua esfera de influência.
ResponderEliminarOs grandes alimentam-se das fraquezas dos pequenos que se preocupam mais em ter o que comer pelo menos até ao fim da semana. É difícil parar a corrupção porque isso exige um esforço por parte da população (digamos não-dominante) e a mesma não está na sua maioria disposta a perder metade da sua vida e talvez sanidade mental a lutar pelos seus princípios, pelo que está certo, enquanto deixa os filhos a fome. É um pouco exagerado mas é verdade. Nem sempre é conformismo, por vezes é uma questão de sobrevivência.
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