Vi há tempos uma série americana em que uma das personagens principais dizia: “Quando se soube que a história das armas de destruição maciça não era verdadeira eu esperava que o povo americano se revoltasse. Ha! Não o fizeram. Posteriormente, quando a história da tortura em Abu Ghraib [prisão iraquiana] veio à superfície e foi revelado que o nosso governo participava na capitulação, uma prática que consiste no rapto de pessoas e na sua entrega a países com regimes especializados em tortura, eu tinha a certeza que o povo americano se faria ouvir. Nós mantivemo-nos mudos. Depois surgiu a notícia que aprisionávamos milhares de supostos suspeitos terroristas, prendíamo-los sem direito a um julgamento ou até o direito de confrontar os seus acusadores. Certamente nunca iríamos aturar uma coisa como esta. Foi o que fizemos. […] De facto, se o povo do nosso país se pronunciasse, a mensagem seria «nós não nos importamos com nada disto». Tortura, buscas e apreensões sem mandato, escutas ilegais, prisão sem um julgamento justo ou qualquer julgamento, guerra sob pretextos falsos. Nós, como o conjunto dos cidadãos, aparentemente não nos ofendemos".
A triste verdade é que isto é o que realmente acontece nos dias de hoje. Tanto na América como em Portugal, nós suportamos tudo, até as maiores aldrabices e falcatruas! Quando é que será que o povo abrirá os olhos e fará alguma coisa?! Aliás, porque é que o povo ainda não fez alguma coisa?! Onde é que estão as manifestações estudantis do tempo de Salazar, como as de Coimbra, que, quando o governo errava, iam para a rua fazer-se ouvir? E reparem que nessa altura não éramos livres de o fazer, enquanto agora já somos. Dizem-nos que a liberdade de expressão é garantida pela constituição… Garantida uma ova, agora somos condicionados pelo que o Estado nos impõe. As notícias não parecem tão más, pois a maioria ou são pagas pelo Estado ou passam em meios tão sensacionalistas que já não acreditamos numa só palavra que deles venha; os comportamentos são padronizados nas escolas, temos apenas o direito “fictício” de ser todos diferentes e ter opiniões divergentes, o Estado quase que nos obriga a sermos todos iguais e é óbvio que o Estado não nos vai ensinar a pensar por nós, não lhe dá jeito, assim seríamos, de facto, capazes de fazer uma revolução; quem chega a líder, a político nos casos português e americano em particular, hoje em dia, são maioritariamente burgueses de classe média-alta, mais alta do que média, a quem não dá jeito deixar de ser rico, privilegiando sempre o seu meio. Como resultado, as pessoas que mais tarde serão líderes não vêm de baixo, não são “self-made men”, não precisam de se rebelar para chegar ao topo, basta seguir os padrões mínimos, não “fazer ondas” e decididamente que não cortar a “TVI” ou a revista “Maria”. Aliás, julgo que a única maneira de haver uma insurreição era cortar as revistas das fofocas e os fundos ao Benfica. Se isso acontecesse a revolução era certa!
A maioria da população é demasiado pessimista e derrotista para se revoltar por uma razões muito simples. Eu sou vegetariano e acredito que o Mundo tem de mudar quanto à produção massificada de animais. Quando digo isto às pessoas elas respondem-me com um “Que diferença farás tu quando poucas são as pessoas que agem assim?”. Na minha opinião esta é uma das grandes razões para o povo não se rebelar contra o que quer que seja! Toda a gente considera que não tem importância, que a sua acção não mudará nada, mas eu tenho uma notícia para vocês: Os grandes líderes revolucionários eram tão vulgares como nós! Ninguém nasce a liderar uma revolta, quem o quiser fazer tem de difundir os seus ideais e lutar por eles!
Se achas que tomar conta do poder é uma atitude demasiado radical, contenta-te apenas com a insurreição: defende os teus direitos, ou os direitos que deverias ter, e faz a diferença!
Eu concordo plenamente quando falas sobre a inércia dos corpos estudantis dos dias de hoje. Os alunos universitários perderam qulaquer espécie de sensibilidade para o protesto fundamentado. Ninguém está a falar de um Maio de 68, mas por favor, façam-se expressar, não se limitem a beber cerveja nas praxes... e a drogarem-se na queima das fitas!
ResponderEliminarAlexandre
hmm, em primeiro, obrigada miguel
ResponderEliminartambém escreves bastante bem, e fazes com que ideias utópicas ganhem muito sentido, gosto de optimismo.
Mas alexandre eu discordo aí que os estudantes da universidade não se revoltam e só bebem cerveja etc etc, atrevo-me a perguntar, o que sabes tu, quando existem revoluções e movimentos a acontecer, lá porque não se tornam em mitos instantaneos, até porque a comunicação social pouco ou nada faz para os divulgar como é dito ali em cima, não quer dizer que não existam e que não façam a diferença.
de resto... a sério, vegetariano?
Mas que movimentos? É que convém, e é habito, fazermos propaganda daquilo que defendemos. Eu não me considero completamente desatento e não faço a nais pequena ideia de pelo que é que os universários lutam, para além de ter a banda x ou y na queima das fitas em Coimbra.
ResponderEliminarNovamente em relação ao comentário do Miguel, também não devemos de entrar por um caminho de "somos todos muito maus" porque isso já é pessimista em si. Em relação às revistas do social, não percebo em que sentido é que contribuem para o "atrufiamento" da sociedade. Esse tipo de publicações existem porque as pessoas têm curiosidade, querem saber mais sobre a vida das outras, sendo elas políticos ou pessoas comuns, o que importa é serem conhecidas num circulo. Estas revistas são a materialização de rumores que ao longo de toda a história se fabricaram. Isto prova que o ser humano, que é curioso por natureza, interesa-se pela vida dos outros. Todos nós o fazemos, não vale a pena dizer que não, não há ninguem que não diga mal de outra pessoa, sendo essa pessoa conhecida ou não. Com isto quero dizer que ler uma revista do social pode ser triste mas é por e simplesmente informarmo-nos sobre a vida de figuras públicas, aquilo que nós fazemos diariamente é o mesmo só que virado para as pessoass do dia a dia, sem que apareça na imprensa.
Em relação às fortunas que se gastam para a escolta de equipas de futebol, Benfica e Porto, no sentido Lisboa/POrto e vice-versa, é muito triste...
Alexandre
Por outro lado, não há objectvos de luta definidos como no tempo do Estado Novo, também reconheço.
ResponderEliminarAlexandre
Acho que não há tantos movimentos estudantis de revolta hoje em dia porque, apesar de tudo, os tempos são diferentes.
ResponderEliminarNão quero com isto dizer que nos dias de hoje não haja motivos de revolta e contestação, porque os há e muitos, mas tem um pouco também a ver com o regime político em que vivemos.
Enquanto que no fascismo os meios de controlo e repressão da população eram, apesar de tudo, mais visíveis e legitimados pela pide, levando, consequentemente, a uma revolta mais organizada e ponderada, hoje em dia, em democracia, os meios de controlo e repressão da população são mais disfarçados, o que leva a que muitas pessoas não queiram ver que os seus direitos estão em causa,levando, consequentemente, a uma revolta desorganizada e menos ponderada.
Esses casos de que falas no início fazem-me lembrar, num plano mais reduzido, o que me aconteceu no ano passado com uma stora. Aquilo era a incompetência em pessoa, mas só eu é que me queixava e passava as horas de almoço no concelho com uma lista de tudo o que corria MUITO mal naquelas aulas.Cada vez que ela fazia uma coisa pior, tipo mandar levar para casa os testes, eu ingenuamente dizia "AH!É agora que alguém se queixa comigo!".Nada, zero, ninguém mexeu um dedo. E tinha liberdade de fazer abaixo-assinados e afins? Pois claro, mas o que é que lhes acontecia?Eram lidos e armazenados, ou mostrados à stora com a respectiva assinatura do aluno, que a partir daí teria um "tratamento" especial. A verdade é que me ganhou respeito e não me humilhava como fazia, e ainda faz, com muita gente, mas continuou a dar-me aulas. Basicamente podes-te queixar, força, mas ninguém te ouve, o que ao fim do dia vai dar quase ao mesmo. Exprimi-me mas ninguém fez nada. Era como dizia há uns tempos, o invólucro se calhar é mais bonito, mas o conteúdo às vezes parece o mesmo.
ResponderEliminarEm relação ao vegetarianismo, não podia concordar mais contigo. Eu também sou vegetariana e já ouvi comentários do género, mas uma pessoa tem de começar por algum lado, e os efeitos nem sempre são imediatos. Não desistes dos teus ideais em função dos do grande grupo.
Além disso não acho assim tão chocante o que o Alexandre disse em relação aos universitários, uma grande maioria faz isso. Ás vezes dá ideia de que se movimentariam muitos mais alunos numa manifestação a favor da legalização das drogas leves do que numa por interesses escolares. Há excepções com certeza, mas falo do que muitas vezes me dá ideia ser o espírito dominante.
Miguel,
ResponderEliminarGostei muito do teu comentário e concordo contigo em muitos aspectos. No entanto, aquilo que o Gonçalo disse não deixa de ser verdade. Hoje em dia, se calhar nós não vemos revoluções realmente relevantes porque, apesar de tudo, os tempos de facto mudaram. Não estamos perante nenhum Big Brother, inimigo grande, eminente, terrível e visível, contra o qual queremos todos lutar. Não. É o que o Gonçalo disse, é algo disfarçado, mais controverso. Para além disso, sem querer desvalorizar demasiado a importância das causas actuais, acho que não se comparam com as causas de há tempos atrás. Temos de ser realistas. Eu posso dar o exemplo da manifestação de estudantes de 4ª feira - alguns dos protestos, na minha opinião, não fazem sentido nenhum. Mas enfim, são opiniões.
Mas é verdade o que dizes, Sousa, a diferença pode não ser feita com apenas uma pessoa, mas isso é irrelevante, devemos sempre defender aquilo em que acreditamos. Eu também sou vegetariana (já temos três na turma!), aliás, vegan em fase de transição, e acreditem que eu também ouço o mesmo tipo de conversa. É isso e ''mas as plantas também têm sentimentos, não?!''. É absurdo e profundamente irritante.
Eu percebo a frustração da Isa, até porque também já estive numa situação muito similar (mas com um colega de turma), mas não faz sentido adoptarmos a política do 'ninguém te ouve'. Se partirmos do princípio que não vamos ser ouvidos, então aí sim é que não vale a pena fazer nada.
pois tens razão, dar uma volta é mesmo muito suave.
ResponderEliminarvegetariano, não sei, achei giro xD
quer dizer, só conheço os que são porque os pais também o são, free will... must be hard...
Sim sim Zillah, apesar de ter tido a sensação que muitas vezes não estava a ser ouvida, não foi por isso que deixei de fazer alguma coisa. Voltamos sempre à mesma história, se queremos mudar alguma coisa à nossa volta não é parando à primeira tentativa que o vamos conseguir fazer. Não consigo enumerar manifestações do género que tenham dado resultado à primeira, com o mínimo de esforço. Tens é que te fazer ouvir, por mais frustrante que seja, e por mais tentativas que implique.
ResponderEliminarEu também já me posso incluir nos vegans em transição. Já não é nada mau, 3 no meio de 20 para começar.
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