Tenho acompanhado com muito interesse a discussão suscitada pelo tema do determinismo e pela mensagem do João Morais. Gostava de aprofundar e suscitar a vossa reflexão e as vossas observações sobre uma outra perspectiva que comecei a abordar na aula.
A recusa do determinismo não significa de forma absoluta a recusa de Deus. Não queria colocar o problema nesta perspectiva, porque existem defensores do não determinismo que são crentes e vive-versa. Santo Agostinho, o genial filósofo cristão do século IV D.C. tinha uma frase que sintetizava bem a sua vontade de conjugar a fé com o livre arbítrio: «ama e faz o que quiseres». Eu sei que é sedutor pensar na existência num plano pré-determinado, provavelmente elaborado por uma entidade transcendente. Ela dará sentido à nossa existência. Os defensores do puro acaso, não encontram este sentido teleológico (ou seja, finalista) na existência. Somos assim, mas poderíamos ser de outra maneira, ou simplesmente não ser.
Já alguma vez perguntaram aos vossos pais como se conheceram? Quantas coincidências coexistiram para que cada um de nós existisse? Que cada um de nós é apenas a possiblidade que resultou de uma infinita série que, por acaso, não vingou? Esta ideia do acaso remete-nos directamente para a contingência e para o facto de nenhum de nós, só ser acidentalmente importante. Bastava que a minha mãe no dia em que conheceu o pai, não o tivesse conhecido e eu pura e simplesmente não seria. haveria outro qualquer em vez de mim.
Esta ideia assusta-nos numa fase da nossa vida, mas, á medida que envelhecemos, somos conformados a ela. Custa-me mais a acreditar num qualquer sentido do destino em que não passamos de actores, ou melhor de marionetas, puxadas a belo prazer por alguém que determinou o que eu seria.
O André associou o determinismo ao conformismo. Acho que ele tem razão, mas apenas em parte. A nossa vida individual somos nós que a decidimos, ou não, de acordo com as nossas capacidades e possibilidades. Gosto desta ideia. O livre arbítrio responsabiliza-me. Mas, e em termos colectivos? Sabemos que a natureza é, em boa parte determinista, embora questão não esteja encerrada entre os físicos. A mecânica quântica veio colocar o problema da possibilidade no mundo da microfísica e lançar uma contradição entre o mundo das partículas não deterministas e o mundo dito normal, determinista, que a física contemporânea ainda não conseguiu resolver.
Mas queria falar um pouco na História enquanto ciência. É curioso que a primeira interpretação com um mínimo de cientificidade dos factos históricos se deva a Karl Marx, e que este, tal como o seu antecessor Hegel, sejam deterministas. A História cumpre, escrupulosamente um plano traçado e caminha para um fim, seja ele o triunfo da razão (Hegel) ou a sociedade sem classes (Marx). Cada actor individual, mais não faz do que obedecer a um plano previamente traçado. As personagens históricas não passam de um instrumento da Razão Universal ou da luta de classes, conforme os filósofos. E se fosse de outra maneira? A História sem um fio condutor, regida pelo puro acaso, seria absolutamente ininteligível: um amontoado de factos sem nexo nem ligação. Não sei se é assim, mas parece-me que não. A forma como se descobriu pode ter sido acidental, assim como algumas descobertas de Pasteur, mas estava historicamente determinado que de uma forma ou de outra, a vacina teria que ser descoberta ou por Pasteur ou por outro e que o Brasil seria descoberto e colonizado por Cabral ou outro, para desgraça dos índios brasileiros.
Como vêem o problema não é nada simples. Por isso, esta questão continua permanentemente a ser discutida. E nós, que gostamos de Filosofia, mais não fazemos do que permanecermos fiéis a essa tradição.
Jorge
Acho que se complica com a Física, especialmente a mecânica, pois apesar de achar que as coisas não são certas, são tudo teorias e poderão sempre sofrer alterações, uma vez que não podemos estar a fazer ensaios eternamente, há coisas, como a gravidade, que dificilmente vemos a sofrer reformulações radicais. Sabemos que com a gravidade, o corpo, no planeta Terra, não pode simplesmente ficar a pairar no ar. É largado e cai com a aceleração da gravidade, cerca de 9,81 m.s-2, se formos desprezar o atrito do ar e afins. Os valores podem variar ligeiramente, mas não me recordo de excepções em que a força do peso não entre em acção. Quando se fala de mecânica as probabilidades já são muito altas, e aqui já se está a estabelecer uma relação de causa e efeito, as leis de Newton complicam muitíssimo esta história. O primeiro instinto, será dizer que, a par com a descoberta do Brasil, é uma coisa física, está ali presente, já existe, teria de ser encontrado, e portanto não podemos pôr isto na categoria dos desejos e pensamentos humanos, que é a área onde me revolta por completo pensar em determinismo, em que parece que nós é que temos o papel secundário na nossa vida. A tendência é para não pôr isto na mesma categoria das acções humanas, e da forma como os nossos pais se conheceram, etc. Já se abrem excepções, mesmo para quem, como tinha dito, não gosta de ficar no meio. Daí este tema não ser nada linear quando começamos a abranger a tudo à nossa volta. Daí a tão comum aplicação da teoria a só uma parte da realidade, e não a todos os acontecimentos.
ResponderEliminarTens razão, Isa. Por isso os físicos desesperam à procuram de um novo Einstein que com um toque de Midas descobrisse uma teoria quântica da gravidade que conciliasse estas duas concepções que o paradigma físico actual considera desavindas. Mas, como tu própria escreves, isto só reforça a ideia de que a questão do determinismo/acaso é muito mais complexa do que nos aparece à partida.
ResponderEliminarJorge
Percebo muito bem o que dizes sobre a Física, e é por isso que concordo quando dizes "e portanto não podemos pôr isto na categoria dos desejos e pensamentos humanos, que é a área onde me revolta por completo pensar em determinismo, em que parece que nós é que temos o papel secundário na nossa vida". Acredita que, quando defendo o acaso, não podia concordar mais com isso. Para mim, quando falamos em determinismo/acaso, pelo menos na vertente de que temos vindo aqui a discutir e, também, a que discutimos na aula, estamos a cingir-nos à parte das decisões pessoais, daquilo que diz respeito à nossa individualidade e não ao colectivo, não falando bem do mundo à nossa volta que, preconizado pelo teu exemplo da Física e pelo comentário do stôr na aula acerca da descoberta do Brasil, é igualmente importante e cai um pouco no esquecimento quando se discute esta questão.
ResponderEliminarÉ aqui, que para mim, reside exactamente a complexidade de que já falaram, porque quando a responsabilidade passa só por nós, a coisa é um bocadinho mais fácil.
Essa pergunta que o stôr coloca, e que de certeza já muitos de nós colocaram aos nossos pais ou, mesmo sem perguntar, já pensámos nisso, é muito interessante. Somos únicos, na medida em que somos o resultado de uma infinidade de coincidências também únicas que, juntas, nos deram origem. Nós, acima de tudo, somos a face visível do acaso. Todos diferentes, todos resultado de uma sequência que, à partida, não voltará nunca a repetir-se.
Quanto à parte da História enquanto Ciência, pensar nisso é extremamente interessante. Por exemplo, não concordo quando diz que alguém tinha que descobrir a vacina da penicilina, porque se não fosse Pasteur seria outro qualquer... Quem nos garante? Não acho que estivesse assim tão pré-determinado. Na cabeça dele, com a experiência de vida dele, com o conjunto de coisas únicas que observou, resultado da sua vida, ele descobriu a vacina. Foi, mais uma vez, o resultado de uma série de acontecimentos e coincidências que culminaram na descoberta da penicilina. Outro, descobriria outra coisa qualquer, porque não há duas vidas iguais. Eu acredito que esta é a grande mola impulsionadora da Ciência, das descobertas científicas e afins. Por isso é que, como o stôr disse, se espera outro Einstein. Não existirá. Einstein era único, e o que descobriu foi resultado da vida dele. Pode esperar-se outro, com um conjunto e uma bagagem diferentes. Ninguém pode garantir que, não sendo um a descobrir, seria outro. O produto da Ciência com que vivemos hoje e a que, muitas das vezes, não damos importância por nos parecer normal/banal, por estarmos já acostumados a ele, é a continuação de uma história, sim, mas de acontecimentos únicos e sequências únicas que determinaram que hoje seja assim e não de outra maneira. Se outros espermatozóides tivessem vingado, a História seria diferente, e a Ciência também.
Determinismo
ResponderEliminarO determinismo parte da consideração de que, da mesma forma que podemos sempre encontrar causas para os eventos fisicos que nos cercam, podemos sempre encontrar causas para as nossas acções, sejam elas quais forem. Com efeito, sendo como somos produtos de um processo de evolução natural, seria surpreendente se as nossas acções não fossem causadas do mesmo modo que o são outros eventos biológicos, tais como a migração dos pássaros e o fototropismo das plantas. Mesmo que o princípio da causalidade não seja garantido e que no mundo da microfísica ele tenha sido inclusive colocado em dúvida, no mundo humano, constituído pelas nossas acções, pensamentos, decisões, vontades, esse princípio parece manter-se plenamente aceitável. De facto, admitimos que as decisões ou acções humanas são causadas. Alguns poderão dizer que Napoleão invadiu a Rússia por livre decisão da sua vontade. Mas os historiadores consideram parte do seu ofício encontrar as causas, procurando esclarecer as motivações e circunstâncias que o induziram a tomar essa funesta decisão. Na determinação das nossas acções, as causas imediatas podem ser externas (alguém decide parar o carro diante de um sinal vermelho) ou internas (alguém resolve comer um chocolate), sendo geralmente múltiplas e por vezes muito difíceis de serem rastreadas. No entanto, teorias biológicas e psicológicas (especialmente. a psicanálise) sugerem que as nossas acções são sempre causadas. Com base em considerações como essas, a conclusão do filósofo determinista é a de que o livre-arbítrio na verdade não existe, posto que se a acção fosse realmente livre ela não seria determinada por outros factores independentes dela mesma. A liberdade que parecemos ter ao tomarmos as nossas decisões é pura ilusão, produzida por uma insuficiente consciência das suas causas. Mesmo quando pensamos que poderíamos ter agido de outro modo, o que queremos dizer não é que éramos realmente livres para agir de outro modo, mas simplesmente que teríamos agido de outro modo se o sentimento mais forte tivesse sido outro, se soubéssemos aquilo que agora sabemos etc.
Isa, não concordo contigo quando afirmas que “há coisas, como a gravidade, que dificilmente vemos a sofrer reformulações radicais”. Aquilo que actualmente é dado como certo e que é impensável que se passe doutra forma senão essa, não será impossível que venha a ser reformulado no futuro. Tal, como no passado não havia dúvidas de que era o Sol que se deslocava em torno da Terra e hoje em dia pensamos que é a Terra que gira à volta do Sol, também, quem sabe se no futuro a própria gravidade não será vista de outra maneira. Na verdade, a gravidade já está mesmo a ser posta em causa pela Física segundo um artigo que li na “Science et Vie”. É por isso que, no meu ponto de vista, tudo aquilo que nos parece que está determinado e que pensamos que seja incontestável está simplesmente associado à nossa ignorância. Isto porque na fase actual dos nossos conhecimentos há coisas que nos parecem determinadas devido ao facto de não conseguirmos interferir sobre elas. No entanto, é admissível considerar que no futuro os conhecimentos nos permitam compreender e interferir sobre essas coisas que nos pareciam determinadas. Por exemplo, hoje em dia não há nada de mais inexorável que o envelhecimento e a morte, mas é admissível que no futuro a ciência nos permita modificar isso ao descobrir uma maneira de impedir a deterioração das nossas células ao longo do tempo.
ResponderEliminarNo que diz respeito à História, se tudo estivesse determinado, isso implicaria que nada do que as pessoas fizessem ou dissessem iria interferir com os acontecimentos históricos. Isto é muito difícil de aceitar, porque implica que o poder de decisão das pessoas era nulo. Se eu optar por escolher um ou outro curso universitário e, consequentemente uma ou outra profissão, é fácil de compreender que isso irá afectar todo o meu futuro. Também a História resulta de um encadeamento de decisões tomadas por pessoas e que afectaram populações, países e mesmo as gerações vindouras. Se tivessem sido tomadas decisões diferentes, o curso da História seria também ele diferente. No que diz respeito à História actual do nosso país, podemos admitir que cada pessoa individualmente teve a opção de votar no partido político que entendeu. Assim, é difícil de admitir que estava determinado que tinha de ganhar o PS. Caso tivesse ganho, por exemplo, o Bloco de Esquerda, as medidas de austeridade seriam certamente diferentes e isso modificaria certamente a História do nosso país.
(continuação)
ResponderEliminarPara terminar, fazendo referência à Ciência penso é certo que os conhecimento nesta matéria seguem um percurso bem definido e não casual. No entanto, isso não se deve ao determinismo mas a uma sequência de acontecimentos que seguem um processo lógico e que resultam da nossa capacidade de raciocinar e tomar decisões. Isto é, existem relações bem definidas de causa-efeito, mas isso não implica necessariamente que haja determinismo como afirma a Rute. Por outro lado, a não existência de determinismo não implica necessariamente que tudo acontece ao acaso. O que eu quero dizer é que factores que interferem numa relação de causa-efeito podem desencadear sequências de eventos diferentes mas que não são aleatórias. Se analisarmos o exemplo da Rute do semáforo vermelho, temos de ter em consideração que as pessoas podem optar por passar ou por parar, o que por sua vez pode originar ou não um acidente. No outro exemplo do chocolate, se a pessoa tiver fome pode optar por comer o chocolate, mas existem factores que podem interferir com essa relação de causa-efeito como a pessoa ter ou não dinheiro para o comprar, ter dinheiro mas preferir poupá-lo, não gostar de chocolate e preferir comer bolachas, não ter chocolate disponível ou não querer engordar e comer uma salada.
Já agora, para reforçar esta ideia, se na genética se sabe que os genes (genótipo) contêm a informação que determina aquilo que o indivíduo vai ser (o seu fenótipo), está provado que os factores extrínsecos do meio ambiente, como por exemplo a exposição a radiações, podem alterar completamente o próprio genótipo (mutações) ou o fenótipo, por exemplo causando queimaduras na pele.
Não concordo com o que disseste Rute. Quantas vezes é que o ser humano não age de forma mais ou menos irracional. Por vezes não fazes opções simplesmente porque calha? Não falo de coisas de grande relevância na tua vida, pois nesse caso seria simplesmente irresponsável, apesar de possível e muitas pessoas o fazerem. "De facto, admitimos que as decisões ou acções humanas são causadas. " Um acontecimento pode ter múltiplas respostas, podes reagir instintivamente e às vezes nem sabes ao certo o que estás a fazer, podes pensar e ter diversas respostas e nem saber por onde escolher, tem uma imensidão de elementos externos... E já se sabe, uma resposta diferente, muitas vezes origina resultados diferentes. Não me parece que o cérebro humano seja assim tão linear. As pessoas fazem previsões diferentes para a mesma coisa. Não me parece que sejamos todos assim tão lógicos, aliás, já nem sem se pode falar nesta palavra se pelos vistos já está determinado, a lógica serve só para nos entreter a cabeça. Tu podes apresentar uma mesma situação a duas pessoas e cada uma delas surgir com uma consequência ou efeito que se lhes apresenta como clara e, ainda assim, ser completamente diferente da outra pessoa. Podes falar com a mesma pessoa no dia a seguir e ela dar-te uma resposta completamente diferente porque acordou mal-disposta. É tão confuso, como é que se pode pensar numa só solução já prevista? Nem sei se te percebi bem, mas tenho ideia que disseste que há sempre causas por detrás das nossas decisões, mesmo que inconscientemente, e que o que iríamos fazer já estava definido. Parece-me que não, claro que não andamos todos a agir aleatoriamente mas, no cérebro humano, as mesmas causas podem resultar em acções tão diferentes em pessoas completamente diferentes. Podes estar confuso e das múltiplas respostas que deste a um problema escolheres uma quase que ao acaso, ou queres ser do contra e fazes outra coisa, ou não compreendes o que te é apresentado. Quer dizer, não é nada linear.
ResponderEliminarSim Patrícia, há sempre falta de informação, e daí eu nunca ter dado nada como certo. Aliás, a ciência quase não fazia sentido se considerássemos as coisas como certas, há sempre espaço para evoluir e para a descoberta. Mas, ainda assim, se largares um corpo na Terra, ele caí (sem atritos...). A explicação pode dispersar-se ligeiramente mas, tirando nos centros de gravidade 0 criados, ele continua a cair. Só queria tornar clara a área que me deixa mais dúvidas, e que é tão difícil de negar que tem sobrevivido anos e anos e, apesar das ameaças de mudança, está na mesma. Não digo que nunca vai mudar, nada disso. Simplesmente queria mostrar um assunto complexo em que dificilmente encontras uma resposta que envolva o corpo a não cair. À primeira vista, é a única área que me faz realmente pensar duas vezes. Uma resposta diferente a este problema, muito provavelmente terá de ser radicalmente diferente e mudará muitas das nossas percepções em relação ao mundo que nos rodeia. Não nego a possibilidade de um dia surgir, simplesmente até agora não se viu nada, e os corpos continuarão a cair.
Rute, como a Isa, também não concordo contigo quando dizes que o ser humano, e as suas acções, está determinado por um sistema de causa-efeito, como na natureza. É verdade que a maior parte das nossas decisões são tomadas com base na nossa experiência de vida e de todos os acontecimentos que até então nos modificaram. No entanto, o ser humano tem algo de diferente para com os animais e a natureza - é a sua plasticidade e capacidade de desenvolvimento e evolução, mais baseado no meio em que se movimenta do que na influência do seu código genético.
ResponderEliminarPodemos dizer que os animais são pré-determinados pelos seus instintos e pelos seus genes, daí a sua capacidade de desenvolvimento através do meio ser limitada, o que faz com que não estejam naturalmente aptos para tomar decisões "livres". (Uma hiena não decide ser, livremente, vegetariana).
Já o ser humano é algo diferente. Nós tomamos as decisões que quisermos (livre-arbítrio, contrariando, muitas vezes, a escolha mais "natural". (Se estiver um frio do caraças e a chover, se me apetecer ir para a rua de t-shirt, vou de t-shirt, apesar de não ser a decisão mais racional e lógica). Penso que o exemplo perfeito é este: (Um aluno tem como objectivo tirar vinte no próximo teste. Sabe que para tirar vinte tem que estudar. Nos cinco dias anteriores mentaliza-se que tem que estudar e até organiza um plano de estudo. No entanto, por falta de força de vontade, ou estuda no dia antes do teste, ou não estuda sequer). Chama-se acrasia. Este conceito humano contraria a lógica do sistema causa-efeito presente na natureza... Seremos, então, assim tão determinados?