terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ciganos

Olá a todos!
Peço desculpa por esta semana ter estado mais ausente, mas realmente, estou a fazer dois trabalhos, que não dão tempo para respirar!
Em relação ao filme não há muito a dizer. Não era nada de especial, mas acima de tudo: divertido. Deu para rir muito do ridículo!
A questão dos ciganos é muito frágil. A primeira coisa que temos que perceber é que os ciganos, não têm pátria. São originários, efectivamente da zona da Roménia, Bulgária… no entanto, há registos de famílias ciganas em Portugal desde o século XVI. Portanto, os ciganos são tão portugueses como qualquer um de nós. Assim, não é portanto razoável “criarmos” um país para se repatriarem ciganos (o que costuma dar bom resultado).
A questão fundamental é, de quem é que é a culpa da “exclusão” dos ciganos, “nossa”, ou deles. Eu pessoalmente, não acredito na ideia de culpa, a responsabilidade é sempre partilhada. Portanto, a culpa não é só nossa, nem é só dos ciganos. Há que perceber que se percorreu um longo caminho na inclusão das famílias ciganas na nossa sociedade. Hoje em dia, vivem praticamente nos mesmos bairros, que a maioria. No entanto, temos que respeitar a cultura cigana. “Standartizar” as pessoas, nunca dá bom resultado. A diferença é indispensável. Parece-me que temos que fazer cedências “de parte a parte”. “Nós” e os ciganos. A comunidade vai ter que mudar alguns pontos de vista, sem dúvida, mas não os podemos formatar. Não podemos pensar que isso significa: leis próprias para ciganos. Somos todos iguais perante a lei, não me parece que seja possível, deixarmos que as crianças ciganas não vão à escola, ou que os pais vivam à conta do rendimento mínimo de inserção. Só que não querer trabalhar, e não pagar impostos, não é uma atitude apenas da comunidade cigana. E portanto, os que não são ciganos, esses também têm que cumprir a lei.
Inquestionavelmente o estado e as câmaras sócias, têm desenvolvido esforços para a inclusão dos ciganos, mas acham que mover fundos para essa questão, e depois as câmaras autorizarem a construção de muros para separar os bairros ciganos do resto da comunidade é uma boa “medida”?
Alexandre

3 comentários:

  1. acho que tens razão Alexandre.
    de facto o governo está preocupado na inclusão dos ciganos, mas o que é facto é que pode já ser "tarde demais". Nós já formulamos esteriotipos de pessoas, os ciganos são como uma personagem tipo, sujos, porcos e maus, roubam, não trabalham não estudam e não querem fazer nada... Já incutimos na nossa sociedade esta mesma ideia e hoje me dia nestes assuntos somos cada vez mais elitistas..
    o que é facto é que mesmo que esta inclusão venha a ser benéfica para ambos irá ser bastante morosa e lenta

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  2. Realmente tens razão Rute, é um processo muito demorado, e extremamente complicado.

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  3. Andava a passear pelos corredores da informação quando me deparei com esta Janela. Decidi espreitar e gostei do que vi, ainda que o tenha feito num breve relance. Cá volatrei para efectuar um grande plano.

    A questão dos ciganos é um assunto que me é muito próximo, quer por questões pessoais, quer profissionais. E teremos "pano para mangas" a debater acerca desse assunto. E é importante que, desde cedo, hajam pessoas a reflectir acerca destas questões e a contribuir para uma sociedade que integre todos, sem barreiras de raça, cor ou género.

    Como refere a Rute Lopes, há um estereótipo associado aos ciganos (como há tantos outros associados a tanta gente). Temos tendência a colocar rótulos nas coisas e a estigmatizar aquilo que nos é estranho. Também concordo que a inclusão é um processo moroso e lento. Não tenho dúvidas que será benéfica para todos. Mas mais importante que a sua morosidade, é o facto da sua Possibilidade!

    É nessa possibilidade que todos temos de acreditar. E muito já foi e continua a ser feito. Este blogue, por exemplo, com esta reflexão, já está a contribuir para a mudança. Há uns anos atrás, porventura, alguém estaria aqui a debater este assunto? Ou tão pouco a dizer que os ciganos são alvos de exclusão e que isso deve ser pensado?

    Há uns anos teríamos projectos de Mediadores ciganos a trabalhar em Autarquias e Hospitais? Seria algo impensável, não?

    Muito haveria a dizer.

    Despeço-me deixando uma sugestão cinéfila: "No tempo dos ciganos" de Emir Kusturica. Além de excelente filme, tem excelente banda sonora de Goran Bregovic (destaque para a música "Ederlezi"). Aconselho, vivamente a ver e a ouvir.

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