O filme de Woody Allen, Crimes e Escapadelas coloca-nos um conjunto de questões de grande alcance filosófico que abordámos na aula e que gostaria que continuássemos a abordar no nosso blog.
Trata-se do filme mais desencantado de Woody Allen. A ideia que inicialmente se destaca é a de que o mundo é um lugar injusto e imoral. O oftalmologista comete um crime para salvaguardar a sua vida de aparências. Inicialmente está dominado pelos sentimentos de culpa e pelo remorso, que gradualmente vão desaparecendo. No final do filme, é um homem feliz. Em contrapartida a personagem da história paralela ( uma das mais simpáticas que Woody Allen criou para si próprio) é injustiçado por não lhe reconhecerem o seu talento, por uma esposa que não o ama e por uma possível amante que o troca pelo seu inimigo imbecil.
Penso que a chave do filme se encontra na evocação da conversa à mesa em que se debate a moralidade do universo.
O que Woody Allen dá a entender é que este mundo não tem um autor moral que crie uma universalidade de valores que previna as injustiças. Não se trata de um mundo sem moral, mas de uma moral criada pelos seres humanos e como tal imperfeita e provisória. Uma moral relativa que, de forma alguma, consegue evitar as injustiças. Não há sequer no filme, a remissão para uma outra justiça de cariz divino que numa outra vida, possa devidamente avaliar os nossos actos e proceder em conformidade. A justiça divina não existe.
Parece-me uma temática próxima de Sartre de algum existencialismo desesperado que em Portugal se traduziu muito bem em algumas obras de Vergílio Ferreira. O destino dos homens depende em grande parte da sorte e do acaso. Não podemos esperar nem por uma justiça perfeita criada pelos homens, nem por uma justiça cósmica redentora. Como diz uma das personagens à mesa,« se a guerra tivesse sido ganha por Hitler» as coisas teriam sido muito diferentes.
O que me parece mais curioso no filme, é que esta inexistência de uma moral universal, de imperativos categóricos, como pretendia Kant, uma razão universal orientada pela lei moral que obrigue a vontade a agir em conformidade,provoca no cineasta um profundo desconforto. Há como que uma espécie de darwinismo moral: neste mundo são os mais espertos e sem escrúpulos que se podem safar. Os justos, aqueles que procuram o Bem, estão muitas vezes condenados a penar. E nem sequer podem ter a consolação de serem redimidos noutra vida.
Claro que esta é a posição defendida no filme que não tem que ser forçosamente a de cada um de nós. As religiões em geral e o cristianismo em particular, deram-nos um conforto moral, embora perverso. Quando Deus entregou as tábuas da lei a Moisés fica-se a saber que existe um código universal de Bem e de mal criado por Ele, mas fica-se igualmente a saber que quem não o cumprir estará eternamente condenado.
Onde é que estão as tábuas da lei ou qualquer outra moral universal? Estaremos, pelo contrário, a viver no puro relativismo, onde as acções, boas ou más se equivalem? Até onde é que vai o relativismo? Conseguiremos, mesmo de uma forma relativa, criar uma moral com aparência de universal que possa servir de padrão de referência para a humanidade? Poderemos debelar ou minorar as injustiças? Poderemos acreditar que há um património comum da humanidade como por exemplo a Declaração Universal de Direitos Humanos?
Jorge
Tal como disse na aula, julgo que a moral é algo que está em constante evolução, já que é um objecto da criação do homem. Num mesmo sítio, ao longo dos tempos, pode-se considerar como “Bom” um homem seguir os seus instintos e libertar a sua vontade de poder e, anos, décadas, séculos mais tarde, começar a abraçar-se outras hipóteses, a da castidade, controlo de instintos, e este sim é o novo “Bem”. Apesar de numa sociedade se observar alguns elementos morais quase do senso-comum, como, no ambiente que nos rodeia mais proximamente, o exemplo da violação que o Stôr usou para me questionar, uma vez que é por nós criada, terá muitos outros elementos quase pessoais, ou pelo menos de grupos mais estritos, que muitas vezes entram em colisão. Será essa evolução ou alteração da visão da moral em alguns sítios, e a constância desta mesma noutros, que o torna possível. A moral, a nossa moral, que poderá estar de acordo com alguns elementos de outras, acaba por se tornar quase numa ideia reguladora, o que não nos impede de a quebrar em determinadas alturas, faz parte. Serve como um meio de controlo e avaliação da realidade à nossa volta, algo que nunca poderá ser completamente objectivo, é simplesmente mais confortável. Quem se porta mal será condenado, mesmo que não seja na presente vida, e sim numa outra, e, enquanto alguns praticam aquilo a que chamam Bem, quase que se sentem superiores aos que não o fazem, porque eles não serão condenados. Tem ares de algo que faz as pessoas sentirem-se melhor com o acaso do mundo, com o mínimo esforço da sua parte por vezes. Imaginar que o final, se não formos nós a agir e a fazer alguma coisa, poderá ser o mesmo, é muito desconfortante. Mas será o conforto o mais importante?
ResponderEliminarNão me senti desconfortada com o filme, uma vez que já tinha pensado na situação desta maneira. Uma primeira abordagem talvez pudesse ser chocante mas, quando se está de acordo com esta teoria, julgo que a tendência é só para observar acenos de concordância.
Em relação ao relativismo, penso que acções consideradas maldosas que nunca foram descobertas, a não ser que o próprio se sinta mal, o que não é uma condição necessária, permanecerão como isso mesmo, um total esquecimento, indiferente como se não tivesse acontecido. Uma vez sendo descoberta, temos à nossa volta os defensores de diversas morais para nos garantir que não nos esquecemos. São tudo interpretações, a que dificilmente escapamos, estão em todo o lado, mas isto não implica que não saibamos o que de facto são, interpretações.
1 (introdução). Na minha opinião, a moral, pelo menos no sentido que normalmente lhe é atribuído, não existe.
ResponderEliminarE não é ser pessimista, é ser realista. Não me parece que seja o conceito de conjunto de boas acções, segundo parâmetros estritamente pessoais ou culturais (perspectiva relativista) bem como não me parece que seja algo de amplitude universal, como se fosse algo de divino.
A minha visão de moral é a de algo natural, inerente à espécie humana, daí quase estritamente biológica, que a mente não se separa do corpo.
2 (onde se passa a explicar). O conceito de moral a que sempre estivemos habituados, nasce, em grande parte, da mistificação criada pela religião. As religiões (qualquer uma delas) pegam no sentido de moral como sentido de manipulação do ser humano, disfarçado pelos conceitos de pecado, castigo e perdão. Daí, concordar com a Isa quando diz que a moral é uma criação dos homens. Sim, a moral que estamos habituados é uma criação dos homens porque me parece que a religião e todo o sentido de moral que daí partiu é uma criação dos homens, na esperança de fazer face ao desconhecido.
3 (o que acho que não é a moral). Mas essa não é a verdadeira moral. Acho que a verdadeira moral surge naturalmente, quase sem necessidade de raciocínio, da nossa vida em sociedade. Não confundir com lei ou com justiça. A moral nasce da nossa capacidade de socialização e o estabelecimento de laços sociais com outros seres humanos não é resultado de pensamento crítico, lógica ou razão, mas antes de emoções. Não foi a moral que evolui, foi antes a forma como a vemos e como a sentimos (sentimento) que se foi modificando por via da razão.
4 (o que acho que é a moral). Parece-me, então, que a moral é o reflexo da nossas emoções nos outros (emoções de piedade, alegria, tristeza...). É algo inerente, inato e aplicável a todos os seres humanos enquanto espécie, como se fosse algo biológico. É o facto de emocionarmo-nos com o facto de outro poder sofrer tanto como nós próprios e como não gostaríamos que isso nos acontecesse. Mas não como na simples fórmula "não faças aos outros aquilo que não gostas que te façam a ti", que abre várias excepções. É depois a razão e a forma como personalizamos e individualizamos as emoções que nos irá permitir agir segundo o nosso bom-senso, talvez, segundo a moral. Mas não considero a moral algo superior que nos rege para além da lei.
5 (conclusão). A partir daí, cabe à sociedade ou à cultura decidir punir ou não o indivíduo que faz a escolha. Mas para isso existem os tribunais.
O teu argumento parece-me um pouco confuso.
ResponderEliminarDaquilo que percebi, pareces considerar que a moral é simples empatia que não nos rege para além da lei.
A empatia é a capacidade que um ser humano tem de se identificar com outro ser, pondo-se no seu lugar, mas sem nunca deixar de perceber que a dor é de outrém
Assim sendo, como será isso possível? Para mim é claramente óbvio que a empatia rege as nossas acções para além da lei. Não teremos nós a noção de que algo está errado se esse algo não estiver explicito na lei?
Aliás, porque é que existem atenuantes? As atenunantes existem exactamente porque a nossa capacidade de nos pormos no lugar de outra pessoa nos leva a termos uma maior compreensão de um certo caso e a sermos brandos ou não.
Assim, a empatia não só nos rege para além da lei como chega mesmo a influenciar a mesma.
É um processo relativamente simples e frio, averiguar que o homicídio é algo muito pouco produtivo (dáí ser punível por lei), mas o facto de haver uma distinção entre sentenças deve-se completamente à empatia. Há algo que nos diz que um assassino frio e calculista merece uma pena superior a alguém que deixou as suas emoções virem ao de cima. Isto que defendes parece-me exigir a extrema objectividade da lei, mas estarei talvez a divagar, pois não abordaste muito o tópico da lei.
Esta é uma discussão muito complicada pois quer-se sempre tentar evitar uma confusão entre os conceitos da moralidade, justiça e lei, mas eles estão tão densamente interligados que isto se torna complicado.
Concordo com vocês quando dizem que a moral tem origem humana e não tem qualquer influência divina. A moral não é de todo universal, pois varia de sociedade para sociedade e de cultura para cultura. Só assim se explica as diferenças nas leis que vigoram em cada país do mundo.
ResponderEliminarA meu ver há um padrão moral em cada comunidade, mas isso não garante que não haja divergências entre cada indivíduo que nela está integrada, já que cada um deles tem uma história de vida singular com diferentes experiências significativas. É por este motivo que há divergência de opiniões no que diz respeito ao aborto, ao casamento homossexual, à clonagem, etc. Contudo, como para viver em sociedade são necessárias regras, as leis servem para definir aquilo que é moralmente aceitável ou não numa determinada sociedade. O facto de as leis se alterarem com o tempo também indicia que a moral se modifica à medida que os anos passam.
Por este motivo penso que a moral é de certo modo subjectiva, pois não é constante no tempo e muito menos universal. No entanto, tal como já referi, há certos padrões morais em cada uma das culturas que advêm das experiências e hábitos comuns e da interacção entre os elementos dessa comunidade organizada que condiciona a troca de conhecimentos e convicções.
Quanto ao que o Gonçalo disse, "a moral é o reflexo da nossas emoções nos outros", não posso deixar de discordar. Se assim é, então porque será moralmente aceitável matar um animal e o mesmo não acontecer quando se trata dum ser humano? Será que as pessoas têm piedade umas das outras e não têm dos animais? Não me parece que assim seja... E porque é que cada um de nós não mata as pessoas de que não gosta?
1. Patrícia, a comparação que fizeste entre homens e animais é interessante. Na minha opinião, não acho moralmente aceitável matar um animal. E daí? Pondo as coisas de outra maneira, se não fores vegetariana, achas moralmente aceitável alimentares-te de outros animais? Achas moralmente aceitável colaborares no assassínio de outra espécie? Considerarias moralmente aceitável matares um animal (e refiro-me a um mamífero) com as tuas próprias mãos?
ResponderEliminarEu não. No entanto, não é por isso que não sou instintivamente carnívoro (ou omnívoro). Mas respeito a "moral" dos vegetarianos.
2. Quanto ao matar as pessoas de que se não gosta, parece-me um pouco exagerado. A emoção perante os outros não é obrigatoriamente de empatia: não é por não ter empatia por uma pessoa, ou mesmo ódio, que a vou matar. Posso ter essa vontade, que não considero obrigatoriamente imoral, mas através da racionalização dessa emoção, vou resfriar a vontade latente e não vou cometer nenhum crime. Se o cometer, existe a lei.
3. Hugo, quando disse que a moral não é algo superior que nos rege para além da lei, referia-me à moral tradicionalmente religiosa (realmente ficou mal explícito). Referia-me à moral que diz "Olha que o respeitinho é muito bonito, se não tiveres respeitinho não vais para o céu", ou não tens uma recompensa, ou és imoral. A verdadeira moral não deve ser, ou não é, baseada em medos de qualquer coisa, é algo que surge naturalmente e depois racionalizamos consoante ou não a lei, o que não significa que esta se sobreponha à moral, digamos assim. Se não, não seria "moralmente aceitável" existirem mudanças legislativas.
Respondendo à tua pergunta, sim, acho moralmente aceitável matar um animal. A meu ver, faz parte das leis da natureza um animal alimentar-se doutro. É por isso que existem cadeias alimentares e é por isso que, como seres omnívoros que somos, nascemos para comer carne, peixe e vegetais.
ResponderEliminarNo entanto, não te percebo quando afirmas que não achas moralmente aceitável matar um animal para comer, mas depois dizes que és instintivamente carnívoro. A moral é um processo de consciencialização que antecede um acto. Como é que tu tens consciência que é errado matar um animal para comer, mas depois come-lo? Instintivamente carnívoros são os animais como os tubarões que não raciocinam e agem apenas por instintos. Tu, como ser humano que és, tens a capacidade de tomar consciência dos teus actos e podes optar por fazer uma ou outra coisa. Assim, se achas moralmente inaceitável matar um animal para comer devias, através dum raciocínio dedutivo, optar por comer apenas vegetais.
Quanto à parte de matar uma pessoa, concordo contigo quando afirmas que ter essa vontade não é obrigatoriamente imoral. Qualquer pessoa pode ter esse instinto, mas desde que consiga "resfriar a vontade latente", como tu afirmas, não se pode considerar que tenha tido uma atitude moralmente inaceitável. No entanto, que mais é esse "resfriar a vontade latente" do que um processo de consciencialização moral. Disseste que acreditas que não existe moral, mas a moral não é mais do que isso (racionalizar o acto através da dedução do que está certo e do que está errado). Ou será que não matarias a pessoa só com medo de seres preso e não pelo facto de saberes que isso é errado?
1. Quando me referia a instintivamente carnívoros, estava a comparar com as pessoas que escolhem ser vegetarianas. Ou seja, por instintivamente carnívoros referia-me ao facto de estar na nossa natureza, obviamente podemos alterá-la.
ResponderEliminarQuanto ao facto de ser ou não imoral matar animais para comer referia-me à máxima moral (se se considera a moral habitual universal), que nos diz que não se deve matar. Mesmo que seja para a nossa alimentação, matar animais é uma forma clara de "imoralidade", quem nos diz que não sentem a dor? (especialmente os mamíferos, que possuem um sistema nervoso mais complexo). Porque não nos devemos compadecer com a sua morte, principalmente com o seu abate em massa?
No sentido usual do termo, parece-me imoral. Mas existe em nós um instinto de sobrevivência, por vezes superado por um instinto de gula, que nos impele a matar outras espécies animais.
O que quero fazer ver é que, afinal de contas, essa suposta moral que devemos seguir é, por vezes, pouco importante. Interessa antes a forma como racionalizamos o acto, como disseste: "é um processo de consciencialização que antecede um acto".
2. Quanto a matar uma pessoa, obviamente é errado, não só porque está previsto na lei, mas porque tenho consciência do sofrimento do outro.
Não esclareceste a minha dúvida, se é para ti moralmente inaceitável matar animais para comer, porque é que não és vegetariano? Para ti, a vontade de comer um bife é superior ao facto de saberes que, para o poderes fazer, foi morta uma vaca antes?
ResponderEliminarE se para ti o teu acto imoral (comer carne de animal) não deve ser punido, então porque é que o facto de um canibal matar uma pessoa para comer já deve ser? Na tua definição de moralidade, "moral é o reflexo da nossas emoções nos outros" em que é que um caso difere do outro?
Interrompendo um bocado a discussão acesa sobre a opção de se ser, ou não, vegetariano, queria só comentar o que se falou anteriormente sobre a tal origem da moral: se é um processo lógico ou uma inclinação natural da pessoa, um instinto enfim. Julgo que esta distinção já faz parte duma moral específica, também não é universal. Há quem ponha primeiro a razão e só depois os instintos, e há quem use a razão apenas como instrumento dos instintos. Aliás, esta distinção, logo à partida, é uma base importantíssima para o desenvolvimento de determinada moral. Há quem defenda que os instintos são “maus”, e há quem defenda que se não os seguirmos estamos a negar a vida. Partindo para exemplos mais específicos, é como olhar para a palavra sofrimento e uns dizerem que faz parte do nosso crescimento pessoal e outros dizerem que é um castigo.Daqui se conclui que é tudo altamente subjectivo, a definição de bem e mal começa logo por aí, e já se sabe que são estes valores bons ou maus que justificam em grande parte as nossas acções.
ResponderEliminar1. Ok... isto está-se a tornar um bocado confuso.
ResponderEliminarPondo as coisas desta maneira: segundo aquilo que é considerado a moral universal (que eu não defendo), existe diferença entre matar um animal para comer, ou por puro divertimento, descuido, ou auto-defesa.
Também me parece que existe uma diferença significativa entre matar por puro divertimento e por sobrevivência. Na teoria.
Na prática, as consequências para o animal acabam por ser as mesmas. Para o animal, de uma forma ou de outra é mau. Por vezes até é pior no caso de matar para comer (basta visitares alguns matadouros). Tanto de uma forma, como de outra é "imoral" (podemos dizer assim), porque afecta directamente os outros, neste caso, espécies animais.
Mas por ser supostamente "imoral", vais deixar de fazer? Devias deixar de fazê-lo. Mas a verdade é que o teu instinto diz que deves comer carne, digamos, assim. Mas é como diz a Isa, nós podemos, em cada situação, escolher entre deixar o nosso instinto sobrepor-se, ou então o nosso discernimento e razão. É o facto de sermos racionais que nos permite fazer essa escolha.
Os animais, por sua vez, não têm estruturas racionais e de pensamento tão desenvolvidas como as nossas, como tal, matam outras espécies, pura e simplesmente, por instinto, por sobrevivência: não há moralidade ou imoralidade nisso.
A verdadeira moral deve ser então o mediador entre os nossos instintos e a nossa razão.
2. Respondendo à pergunta: "se é para ti moralmente inaceitável matar animais para comer, porque é que não és vegetariano?". Para mim, na teoria, é imoral matar animais, mesmo para comer (pelas razões que já expliquei), mas na prática, a verdade é que deixo passar (digamos assim) o meu instinto carnívoro. (O ser humano não é um ser perfeito). E sim, é também porque gosto de carne. Se me quiserem considerar imoral por isso...
Quanto à questão de não ter considerado que foi morta uma vaca, eu, e penso que todos os que não são vegetarianos, não pensam na vaca que morreu quando estão a comer o bife. Mas posso estar enganado...
Quanto à questão dos canibais, digo que são pessoas com sérios problemas mentais, em que os seus instintos e a sua capacidade de raciocínio estão deturpados (digamos assim).
Uma boa pergunta a fazer seria: então porque é que, em algumas culturas indígenas, o canibalismo é aceitável?
Bem, a discussão vai acesa..!
ResponderEliminarEu, antes de mais nada, queria dizer (ainda relativamente a uma parte da discussão da aula), que não penso que a existência de criminalidade, como disseram, implique uma subjectividade total da moral.
Quando falamos em homicídios, violações, assaltos, etc., e pensamos que a acção do culpado não se baseia na mesma "moral" que a nossa, podemos ter razão à primeira vista. Mas eu acho que o facto de tais crimes serem cometidos, não quer necessariamente dizer que o indivíduo não saiba que essa é a moral (neste caso, a de não cometer o crime) pela qual nos regemos, mas sim que simplesmente quis violá-la, o que, como já referi, não mostra que a moral é completamente subjectiva...
Na minha opinião, se, por exemplo, no filme, depois de a amante ser assassinada, alguém assassinasse também a mulher (ou alguém próximo) do oftalmologista, ele ficaria furioso. Isso mostra que, quando matou matar a amante, a "moral" dele não era diferente, logo podemos admitir a existência de um padrão comum (dentro de certas barreiras culturais) a toda a espécie (não divino, nem totalmente universal) pois por muito que as pessoas, por vezes, não se guiem pela sua moral, não quer dizer que elas não a tenham, e tal e qual a nossa.
É aqui que penso que entra o existencialismo de Sartre de que se falou no post e no início do debate. Dentro da moral que em 90% dos aspectos é comum a todos, a meu ver, existe a liberdade individual para a tomada de decisões que, mesmo sendo más, não "apagam" a existência de uma moral. Como em tudo na vida, uns tomam decisões boas e outras más e, dependendo da sorte e do acaso, poderão vir a sentir as repercussões que os seus actos acarretam, ou não. Isso sim, é subjectivo.
Assim, para mim, o mais sensato afirmar-se é que existe um meio-termo entre a subjectividade e a universalidade da moral, mais a tender para a universalidade, e, apesar do filme de Woody Allen nos mostrar uma perspectiva muito frustrante e pessimista, não podemos simplesmente tomar como certo que os criminosos não pagarão pelos crimes e que os honestos e pacatos nunca realizarão os seus sonhos... Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Infelizmente, seria uma utopia ser tudo justo, mas a realidade do filme não pode ser generalizada. Por vezes tal acontece, mas não sempre. Senão, para que existiria ainda a Justiça?
Diria que este assunto acerca da moral é bastante delicado. É difícil, se não impossível, criar um conjunto de valores que definam a moral e que seja aplicável de forma universal. Como já dito, é tudo demasiado subjectivo, sendo portanto a moral, na minha opinião, resultado de experiências vividas. Vamos moldando valores e vamos dando prioridade a uns em lugar de outros. Não acho que uma pessoa nasça e tenha inerente um conjunto de valores prontos a serem desenvolvidos. Penso que as coisas, digamos desta forma, vão acontecendo. Se uma criança nascer numa floresta quererá apenas comida e abrigo. Não procurará especificamente contacto humano pois para além de não saber o seu significado não é prioridade naquele momento em que a sobrevivência é tudo. Não terá os valores que uma criança nascida num ambiente digamos normal que tem incutidos valores como amizade, honestidade, lealdade. Acredito que se ninguém nos ensinar esses valores ou outros quaisquer, nós podemos vir a desenvolvê-los através de determinadas experiências. Daí a dificuldade em serem universais pois nem todos passamos pelas mesmas coisas. Por outro lado podia pôr-se a questão ' E se ensinássemos a todos os valores que devem ser seguidos e a sua respectiva ordem? '. Aí eu diria que é pouco ético tirar a um homem a oportunidade de se definir livremente, pelo menos em parte.
ResponderEliminarA moral define o que é certo ou errado, justo e injusto, licito e ilícito, permitido e proibido. Determina as acções e atitudes que devem ser adoptadas pelas pessoas, mas quem as valida e quais são os parâmetros utilizados para dar credibilidade aos deveres morais é a sociedade e a cultura de cada nação de cada estado e de cada sociedade. cada sociedade comunga de ideais diferentes, o que faz várias morais coexistir no interior das sociedades.
ResponderEliminarComo somos educados de maneira diferente temos parametros de moralidade e ética diferentes, isto é, na nossa sociedade actos que sao normalíssimo como andar de calças de ganga noutros lugares é repuguenante e até alvo de medidas extremas.
temas que pensar que por certo o mundo todo homogénio não seria um mundo bom, um mundo capaz de evoluir entraria em estagnação.
A moralidade é subjectiva apesar de existirem algumas leis e opiniões que são universais..
Os valores passam de geração em geração, vao "evoluindo", o que hoje em dia é digno de aplausos daqui a umas décadas pode já nao sê-lo