domingo, 31 de outubro de 2010

Outros filmes


Olá a todos!
Ontém vi o filme "Some Like It Hot" do Billy Wilder. O AFI (American Film Institute) considerou-o o 14º melhor filme americano de todos os tempos e a melhor comedia americana de sempre. Eu adorei este filme, muitos acreditam que Marilyn Monroe teve aqui o seu melhor desempenho de sempre (ganhou um Globo de Ouro, o único da sua carreira). Fica aqui o trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=vB66Gnf5JMg
Alexandre Evaristo

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Olá a todos!
Vou deixar os inqueritos em relação aos filmes anteriores por mais uma semana, porque acho que nem toda a gente ainda votou. Entretanto, acrescento o referente ao filme: "Rosetta" dos irmãos Dardenne.
Alexandre Evaristo

Rosetta: "Tu t'appelles Rosetta... Je m'appelle Rosetta... Tu as trouvé un travail ... J'ai trouvé un travail ... Tu as trouvé un ami ...


Uma palavra para descrever o filme “Rosetta” dos irmãos Dardenne é: inesquecível.
Este é de longe o melhor filme que vimos em Filosofia e Cinema, e tem características para polarizar opiniões: ou gostamos de todo ou odiamos. É um filme cru, sem banda sonora, edição ou actores profissionais, mas é esta a crueza necessária para retratar a dureza da realidade representada. Rosetta era afinal de contas uma jovem que de certo que ainda não tinha atingido a maioridade e lutava para garantir o sustento da roulotte onde vivia com a mãe alcoólica e passava por dificuldades “estranhas” nos dias de hoje.
Estranhas? Este retrato parece estar muito longe de nós, mas existe. Existe, a poucos quilómetros da cidade de Lisboa ou em qualquer periferia de uma cidade europeia deste nosso ocidente capitalista. Mas será que este tipo de situações só se dão nas sociedades capitalistas ou serão piores noutros regimes? Quando no anterior post falei em melhorias do capitalismo refiro-me ao combate destas desigualdades. Mas são possíveis de atenuar, porque temos que ser muito angelicais para crer numa sociedade completamente igual, basta referirmo-nos a uma palavra de ordem: força,
Dentro deste mundo capitalista que o filme retrata podemos abordar a questão das relações de trabalho. Quer queiramos quer não o patrão vai dominar sempre a vida do empregado, porque é ele que vai ser o grande “credor” do segundo, que lhe vai entregar o dinheiro para este sustentar a sua família. E portanto, uma certa exploração nas relações de trabalho vai sempre perpetuar-se.
No nosso debate muitos criticaram a atitude de Rosetta por denunciar o seu amigo para ficar com o seu trabalho. Mas será que nas condições de vida que a jovem tinha, não será o que todos faríamos? O desespero leva-nos a fazer muita coisa que pensaríamos ser incapazes de fazer. Se nos encontramos perdidos numa montanha sem comida com os nossos companheiros mortos, de certo que nos iremos alimentar destes. O ser humano tudo faz para sobreviver, porque o que está para lá da morte é assustador por ser desconhecido. Tudo aquilo que é diferente choca-nos e assusta-nos num primeiro momento.
Por fim, gostei bastante da intervenção do stôr no debate quando referiu que realmente a contestação ao estado das coisas nunca parte de quem está mal, parte de quem está de cima. Rosetta vivia na miséria, mas o seu desejo não era alterar o funcionamento da sociedade mas apenas ter um trabalho e uma casa, como ilustra o título deste texto, e fala do filme:
Rosetta: "Tu t'appelles Rosetta... Je m'appelle Rosetta... Tu as trouvé un travail ... J'ai trouvé un travail ... Tu as trouvé un ami ... J'ai trouvé un ami ... Tu as une vie normale... J'ai une vie normale... Tu ne tomberas pas dans le trou... Je ne tomberai pas dans le trou... Bonne nuit... Bonne nuit..."

Alexandre Evaristo

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Rosetta Parte I - comentário

Acho que neste caso em particular, qualquer outra tentativa de representar a situação que se passa no filme seria um eufemismo do que ele é realmente. Como foi dito, não era suposto ser agradável, uma banda sonora e fotografia elaboradas seriam um desvio. É animalesco, completamente cru, como senti também com o Lola. A Rosetta não age com artifícios ou tentativas de embelezamento do que faz, ninguém o tenta no filme. Então porquê filmá-lo dessa maneira? Não há nada que justifique esses pormenores quando se tenta mostrar a situação de uma forma despida, em que não há aquelas cenas à Hollywood, com pausas e grandes planos, como eye candy para o espectador. Aliás, o filme está longe de se aproximar desta expressão, tem a sua própria beleza atípica, faz o espectador sair de uma posição confortável, é um desafio afinal. Aliás, até perceber a nossa posição em relação a ele quando termina parece difícil (digo eu...pelo menos de imediato).

Ela tenta escapar a uma vida como a da mãe e, se parece ter elevados princípios para esta, quando se trata dela própria acaba por ser uma questão de sobrevivência, em que o que resta dos seus princípios ainda lhe faz sinal em algumas situações, mas nem sempre são ouvidos. Até a maneira como a câmara é controlada dá uma maior sensação de aproximação a Rosetta, custa a habituar, mas faz todo o sentido. Ao fim e ao cabo, é toda esta falta de beleza estereotipada que o torna belo. Ela até fala consigo mesma para se tentar convencer de que vai tudo correr bem, mas isso é o que se diz sozinha ao adormecer, o acordar é bem diferente, muito mais áspero e austero. Ela raspa a asa em todas as situações possíveis, mas nenhuma delas parece duradoura, satisfatória ou convincente. A cena final só vem demonstrar todo o desalento e amargura a que isto leva, as pessoas por quem ela passou por cima no meio do processo não desaparecem, a sua própria tentativa final de desaparecer também não é bem sucedida…Realmente dá a volta ao estômago, e se até aí alguns tiveram dificuldades em mostrar-se emotivos graças à sua atitude dura, aqui torna-se difícil não reagir.

Não há compaixão nenhuma na maneira como é transmitido o filme, a Rosetta foi endurecida pela vida e, deste modo, esta vida terá de ser representada de uma forma implacável. É uma visão lúcida da realidade, desmascarada.


Isa

La rosetta

O filme " La rosetta" mostra a hipócrisia e a falta de honestidade da nossa sociedade.
A ideia que tinha do filme, depois de pensar e reflectir, sobre os temas abordados acabou por mudar ligeiramente..
A rosetta é, na minha opinião ,a prova viva de que o nosso instinto de sobrevivência está mesmo á flor da nossa pele, isto é, quando é a nossa vida e o nosso futuro, melhor ou pior, que esteja em causa somos, nós seres humanos, capazes de fazer coisas incriveis, agir incoscienetemente e quase que "irracionalmente".
Estamos inseridos num cenário bruto e cru. A vida é um conjunto de conflitos exteriores e interiores... Todos se preocupam com a qualidade de vida material mas poucos ponderam uma vida meramente satisfatória e equilibrada a nivel emocial. A pressão da sociedade e do mundo que nos rodeia tem levado cada vez mais pessoas ao limite, ao limite das suas capacidades, e o resultado deste facto são a elevada tendência de subida das taxas de suicidio assim como o aumento do número de casos de doenças do foro emocial (depressão, bipolaridade, esquizofrenia)
Está cada vez mais patente a ideia em nós de que uma sociedade justa é impossivél...
É premiscuo ainda analisar o parelelo entre a cidade e os seus suburbios..
Reparemos entao que é nas cidades que existem as oportunidades e nos suburbios destas a aglomeração de pessoas que tanto as ambincionam.. Isto cria um enorme desiquilibrio entre a oferta e a procura aumentando assim a raiva interior e o "querer ter".
Concordo que a atitude de rosetta nao tenha sido deveras a melhor quando denunciou o "amigo", mas analisando o outro lado não foi um acto assim tão macabro, visto que ela só queria trabalhar honestamente e havia alguem que estava a ocupar esse seu lugar.. Apesar de tudo ela queria trabalhar e honestamente.
A troca dos sapatos pretos de atacadores pelas botas de borracha vejo-a como o simbolo da mudança de vida, A existência de uma enorme linha entre o lugar onde vive e o lugar onde ambicionava viver, a difernça entre mendigar e trabalhar...
Apesar de tudo, o filme é bom. A relaidade nua e crua custa ser aceitada e daí este filme nos "chocar" um pouco
Rute

Ditadura versus Democracia

A discussão entre o Renato e a Zillah coloca uma questão interessantíssima. Gostaria de focar e alargar essa discussão com a seguinte pergunta:

Haverá situações limite em que se justifica a instauração de uma ditadura que suspenda as liberdades democráticas, tendo em vista a restauração da ordem pública prevenindo o descalabro económico e o caos social? Ou, pelo contrário, a democracia é um bem em si mesmo e em nenhuma situação se devem pôr em causa os direitos e garantias dos cidadãos?

Está aberto o debate!

Bom fim de semana a tod@s

Jorge

Moving On

O comentário da Zillah ao meu ultimo post é exactamente o que eu estava á espera e já tinha referido …basta falar de autoritarismo vem logo o velho e habitual estereotipo, e o meu problema é que vem dirigido a mim. Penso que se fui mal compreendido aqui esta clarificação…eu NÃO concordo com as medidas aplicadas nos fascismos como o terceiro Reich ou o Mossulinista … o que referi neste comentário não tem absolutamente nada a ver com o genocídio… ou a perseguissao determinada racialmente… não defendo a cultura a uma raça especifica… e só ai da para ver qual a diferença entre o que disse e os “fascismos regra”, o que por acaso, são completamente absurdos.

E já por falar em 3º Reich e o caso Italiano, (isto agora para ti Zillah) por muito más que as repercussão finais tenham sido e por muito maus que os objectivos e aplicações tenham sido (o que não quer dizer que o que foi estipulado no meu comentário tenha que incluir todas esses abusos de autoridade e nacionalismo), há uma coisa que essas aplicações politicas conseguiram fazer que hoje em dia não é sequer uma miragem… cumpriram o estipulado e os resultados a nível interno foram visíveis e benéficos…trouxeram ordem pela autoridade…é verdade que privaram algumas liberdade e as pessoas tiveram que por de lado a sua “necessidade” de satisfação individual…mas os resultados benéficos disso não podem ser ignorados (se queres um exemplo mais claro e próximo, podes pegar na ditadura Salazarista e na recuperação económica que trouxe).

Outra afirmação que é obvia é a do “esta sociedade não me agrada”…lá está mais uma vez demonstrado que este perigo e característica do ser humano é real e visível…o ser humano não consegue ser outra coisa senão individualista e não tem qualquer noção de sentimento de sacrifício nem por outros individuou, (e ainda mais grave) nem pela sociedade…o que a Zillah e a maioria das pessoas quer é um modelo politico que resolva os problemas a curto prazo, e de preferência que não tenha qualquer influencia na sua vida…o que é…. já por falar nesta palavra que agora está na moda…utópico.

Já por falar em “Liberdade de expressão” individual, algo que parece ser super essencial e um direito extremo na sociedade para a revolta contra o mau funcionamento político para os críticos do autoritarismo, queria dar aqui um exemplo simples e á vista de todos (e queria que pensassem nisto em contraste com o exemplo francês, onde neste ultimo mês tem havido revoltas e acções até algo violentas contra o aumento da idade da reforma, de 60 para 62)

O exemplo Português.

Penso que todos os que lerem isto estão em sintonia comigo quando afirmam que o pais é vergonhoso a diferentes nível.

Pois bem, eu que estou de fora a assistir ao resultado da tal falada liberdade de expressão, assisto só a um espectáculo de meias-frases sem ordem e demasiado subjectivas, caracterizadas por serem as hoje ditas como “conversas de café” e que não passam disto.

A única diferença da vontade revolucionária liderado pelos militantes de Abril é que a sociedade sentia na pele as reformas aplicadas, que é impulso mais que suficiente para passar da conspiração á acção, e hoje em dia como as consequências são a longo prazo e não há grande consequência imediata para o nosso dia a dia, as pessoas falam mais do que agem e escondem-se atrás do comodismo.

Cada semana que passa lá ouvimos mais uma vez “reformas não estão asseguradas no futuro”, “os professores vão passar a receber menos”, “Portugal está em penúltimo lugar em termos x”, “Portugal tem a pior recessão desde x tempo”….imaginem todos estes cortes salariais, exclusão de privilégios assegurados como a reforma quase instintos, aumento dos preços gradualmente até chegar a um ponto em que seja insuportável, uma sociedade em que os impostos já hoje em dia são pagos mas não existe qualquer investimento no que realmente é importante… isto tudo é uma enorme bola de neve e a nossa geração já não deverá sentir isso em grande escala, mas estou a falar daqui a 100 anos, com este atrofio gradual e exploração do pais….ai sim a situação vai ser “medonha” e piora quando nos apercebermos que nessa altura já não há nada a fazer…em que a herança de deflação é tão grande que vai ser tão difícil a aplicação de um sistema politico como foi possível o sucesso da primeira republica /zero) , e que vamos passar fome e os nossos filhos vão deixar de ter direito a educação…ai sim vão dizer, como o Português sempre diz, “devíamos ter feito qualquer coisa para mudar isto”… onde esta discussão não seria “Alternativas politicas ao Capitalismo” mas sim “Como vou arranjar dinheiro hoje para alimentar os meus filhos?”

Resumindo a liberdade de expressão é mal aproveitada, porque se formos a ver o que ganhamos em consequência da revolução de Abril é reflectido em palavras vagas e no comodismo. Na verdade, e caricatamente, a única coisa que antes não podíamos dizer e que dizemos agora é “Viva o Sporting”, porque o resto que é dito não tem qualquer significado e não consiste qualquer ameaça ao modelo político e económico que nos ilude, escraviza e explora.

Zillah também agradecia que me explicasses em que medidas ser justo é contraditório a ser autoritário, e também que me explicasses o que é que “vem depois” da aplicação da minha alternativa (espero que a resposta não seja nem genocídio, nem racismo).

E asseguir se alguém comentar…Moving on para a próxima temática!!! …. é que se continuarmos a bater nesta tecla vou ser morto por uma série de pessoas que, compreensivelmente, não aceitam nada do que digo….não é que isto seja a única opção ao que vivemos hoje…eu preferiria viver numa sociedade democrática responsável justa e unida…mas já não acredito que isso seja possível vindo do que vemos hoje….portanto ser autoritário não é um defeito meu ou de qualquer outro… é uma qualidade que diferencia quem se esconde atrás das palavras para defender o que acha certo e quem prefere agir em consequência do que está errado… e para mim seria mais fácil e agradável o acomodamento…mas eu prefiro não o fazer.


Botão

Rosetta - 1ª parte

Gostaria de fazer um comentário mais alargado ao filme dos irmãos Dardenne que vimos ontem, mas vou dividi-lo em dois posts distintos: o primeiro dedico-o às questões de natureza estética e o outro ás questões de conteúdo.

O filme provoca estranheza em quem o vê. É totalmente desprovido, austero, ascético. Em muitos momentos, torna-se rude e áspero. Eu sei que estas questões de apreciação estética prendem-se muito com os gostos subjectivos de cada e torna-se sempre difícil argumentar sobre o gosto, quando este tem uma considerável base afectiva e não racional. No entanto, vou tentar.

Sobretudo nas últimas décadas, o cinema tornou-se numa arte completamente previsível. De todas as indústrias culturais, o cinema é aquela que é mais cara em termos de produção e a que mais tem que estar sujeita às regras do mercado. Mais do que uma arte, o cinema tornou-se numa gigantesca indústria. Os grandes estúdios de Hollywood investem muito dinheiro e querem, legitimamente rentabilizá-lo. No seu modo de produção e nos objectivos a alcançar, o cinema não é substancialmente diferente de qualquer outra indústria, seja ela de automóveis ou de sabonetes. O objectivo principal é o lucro.

O lucro parece-me algo de totalmente legítimo, sobretudo quando promovido por entidades privadas. Mas nas artes em geral e no cinema em particular, tem efeitos perversos. Se repararem no cartaz de filmes actualmente em Lisboa, eles são todos extremamente parecidos. Não no conteúdo, ou nos actores, mas nos processos pelos quais são feitos. O cinema visa agradar ao suposto gosto de massas e por isso não arrisca nada. Os argumentos são lineares, as montagens e realizações não albergam nenhum tipo de surpresas, a forma de representar é sempre idêntica. Criou-se a ideia de que o cinema é apenas uma forma de entretenimento. As pessoas vão às salas para se divertirem um bocado e as questões culturais são desvalorizadas. Mais: o cinema como forma de questionamento do próprio espectador, os filmes abertos que exigem um esforço de interpretação, são liminarmente banidos, porque não são comerciais, não dão lucro. Ou seja, a indústria cinematográfica torna os espectadores mentalmente preguiçosos.

Talvez por isso é que um filme como Rosetta seja tão estranho para os olhos dos espectadores comuns. É que ele contraria o hábito de ver um filme com absoluta passividade, como se o mesmo não fosse uma obra aberta, capaz de variadas interpretações. O grande cineasta francês Alain Resnais, felizmente ainda hoje vivo e activo apesar dos seus 88 anos, afirmou recentemente, que desde há 50 anos que filma obras que desafiam a capacidade interveniente do espectador, a sua capacidade de apropriação e de interpretação do filme, num processo incessante de descoberta de leituras num filme que nem sempre são facilmente desvendáveis.

Só o facto de ser diferente, não faz de Rosetta um grande filme. O que me impressiona é que a frugalidade, eu diria mesmo, a pobreza franciscana de meios, coaduna-se brilhantemente com os objectivos do filme: relatar uma vida desumana, quer do ponto de vista social, quer do ponto de vista das condições psicológicas que a mesma proporciona. Focar que a pobreza torna-nos menos humanos, um qualquer elo perdido no reino animal, metade pessoa, metade outra coisa qualquer, é uma ideia central de Rosetta. Os momentos decisivos são de uma intensidade dramática exemplar, mesmo comovente, em contraste com a aparente falta de sentimentos da protagonista do filme. Refiro-me como exemplo apenas à cena em que o amigo se afunda nas lamas do lago: o momento de hesitação expresso no rosto de Rosetta, entre o dever social e moral da salvação e a vontade egoísta de usurpação do emprego, é absolutamente brilhante.

O filme está cheio de pormenores tristes, quase sórdidos ou patéticos, mas, nem por isso, menos significativos: a rapariga que troca os sapatos normais pelas galochas, que alivia as dores com um secador de cabelo, a falta de jeito para dançar quase grotesca, o barulho irritante de uma motoreta,a água fora de casa que corre de uma torneira relutante, as lutas físicas com os patrões, os resfolegares, as respirações ofegantes. A pobreza é filmada de forma nua, sem artifícios, sem bálsamos que a adocem ou véus que a obscureçam E repito a pergunta que fiz na aula: poderia este filme ser filmado de outra forma? Parafraseando o anúncio, podia, mas não era a mesma coisa. Faltar-lhe-ia a autenticidade e a intensidade que desta forma tem.

É que a pobreza não é apenas uma chaga social, infelizmente crescente e incontrolável. A grande ilacção do filme é que ela (a pobreza)não só nos torna menos escrupulosos em matéria moral e mais propensos para abraçar aquilo que comummente se designa pelo mal; a pobreza torna-nos também mais feios. E nada melhor que o rosto de Rosetta vergada pelo esforço de carregar uma bilha de gás, aparentemente para se suicidar, para o demonstrar.

Jorge

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Zillah Clarke...Queres Casar Comigo??

E não é que venho mesmo defender? ;) Não é é utópica

Sobre este tema já algo abordado da alternativa ao capitalismo, e detesto ser pessimista mas ser realista é uma ideia que me agrada mais, hoje em dia não existe qualquer hipótese de instalar um sistema não extremista onde se exclui um capitalismo dominante e escravizador. Lembrando agora um filme referido hoje, e relacionando com a sociedade capitalista, queria dar o exemplo do filme "The Matrix" (que apesar de a opinião do obvio ver o filme como não tendo nenhum outro preposito tirando os efeitos especiais e o combate corpo a corpo entre os personagens, o que é falso, porque vindo de uma perspectiva de analise critica da sociedade é bastante interessante) no qual a personagem principal Neo é acordado para o mundo real, apresentado á jaula que a sociedade (que o Matriz, no filme) construiu a sua volta para seu acomodamento, e de como as pessoas dentro dessa sociedade estão tão acomodadas á rotina que seria perigoso mostrar a essa sociedade que na realidade o mundo que vivem não passava de uma mentira construída para os controlar e bloquear as suas mentes frágeis e influenciáveis. Tudo isto resumido: o ser humano do sec. XXI está tão habituado ao capitalismo que infelizmente se for preciso a maioria (a maioria dessa maioria são pessoas que tem um nível de vida média-alta) lutaria para o manter. Nesta situação estou portanto em total sintonia com a opinião demonstrada no blog.

Agora dirigindo-me ao tema (e á parte interessante, muito por culpa do Miguel Sousa, muito impulsionado pela Zilah Clarke, mas maioritariamente promovido pela minha vontade de exprimir contra x) queria fazer algumas criticas ao mesmo tempo que apresento o meu ideal de sociedade funcional.

Em primeiro lugar quero fazer uma pequena crítica que desfaz logo á partida a sociedade anarquista que o Miguel Silva propôs. Basicamente a primeira medida e mais importante que o Miguel imporia na sua sociedade (que seria aplicável se esta primeira medida fosse concretizada e se todos aceitassem agir em prol de um todo e não em prol do individuo) seria a incerssao de novos “valores ética e moralmente correctos, como, por exemplo, os já referidos, o habitual amor ao próximo”.

Bem na minha perspectiva uma sociedade ordenada funciona tal qual como uma grande relógio, constituído por molas, rodas e mecanismos que fazem o relógio trabalhar harmónica e perfeitamente.

Se uma das molas ou rodas faltar ou girar na outra direcção, compromete todo o funcionamento do relógio porque cada mecanismo depende do outro para funcionar, ou seja, e referindo me agora ao conceito de sociedade: cada um tem influencia nos que o rodeiam e assim sucessivamente. A minha questão é: Para que o teu relógio ou sociedade funcione harmonicamente não seria necessário haver influência nos valores éticos e morais da sociedade?...A resposta é sim, era necessário e hoje em dia não tens qualquer influência. Isto já para não falar de um sistema judicial que se rege pelo “praticas o mal, o mal cai sobre ti” e “praticas o bem, o bem cai sobre ti” (que é muito aplicável, mas não numa sociedade anarquista onde em vez de um fosso entre ricos e pobres seria criado um fosso entre capacitados comodistas e incapacitados revoltosos e criminalizadores do meio, que revoltados e sem hipótese de satisfazer as suas necessidades básicas, aceitam uma mudança de regime só pela própria ideia de mudança, episodio já bastante visto na historia) onde a massa financeira seria distribuída consoante capacidades, o que é absurdo e impensável se pensarmos 2 minutos nisso, pensando racionalmente e não utopicamente.

Na minha opinião, já que as tentativas de integração de um ser humano corrupto, individualista e escravo da sociedade capitalista numa sociedade ordenada e justa falharam por completo, e visto a situação que presenciamos hoje em dia (sistema judicial vergonhosamente desleixado e cúmplice com a criminalidade) é o que é, penso quer está na hora não de vacilar e esperar que a sociedade tome acção em prol de si mesma e dos seus componentes (a tal moral comum e amor ao próximo utópico anarquista), mas sim que o estado tome acção em prol da sociedade. Acabar com a hipocrisia.

Hoje em dia tudo o que oiço na rua é “o pais é uma vergonha”, “a população desonesta goza com o nosso sistema judicial e faz o que quer”, “a distribuição da riqueza é injusta”, “a educação é superficial”, “se fosse eu mudava esta merda toda”… mas a verdade é que cada vez que alguém disposto a tomar medidas e a realmente agir autoritariamente em prol da sociedade e não do individuo é logo julgada e excluída. Na verdade penso que é por isto que a politica autoritária tem sido tão excluída (já para não falar da associação imediata ao fascismo de Mussolini e ao Nazismo do Terceiro Reich) …pelo carácter mesquinho, hipócrita e individualista das pessoas…no qual “eu” estou primeiro…. e só se “eu” estiver muito bem é que me preocupo com o que está a minha volta (isto para responder á “teoria do entre-ajuda”). Por esta mesma razão é que teorias como o anarquismo têm tido grande apoio da sociedade, porque o anarquismo, a curto prazo e individualmente, tem consequências bastante agradáveis.

Já tinha portanto batido uma vez nesta tecla da tolerância onde numa sociedade de ordem onde a sociedade, e em consequência disso, os seus componentes, beneficiassem disso, não deve haver qualquer tipo de tolerância para os corruptos a qualquer nível. Para isso mesmo existem leis e como já ouvi muito dizer das tais pessoas que falam muito e não fazem nada “existem leis para alguma coisa”…e nessa área concordo com o Miguel… o código penal tem muita palha e muito mais grave, toda a palha que tem é hoje em dia ignorada e manipulada a favor de um/uns certo/s individuou/s….defendo uma estipulação rígida, forte e directa na aplicação das leis, e que seja bem visível que repercussões cada lei cita em consequência de cada acto.

Para responder á pergunta do stor digo agora: O papel do Estado é tomar acção firme, justa e objectiva contra o que vai contra o estipulado e promover o que está a favor ao estipulado, sendo uma influência directa e tendo um papel activo economicamente, mas trabalho esse funcionando em prol da sociedade como um todo, onde o trabalho tem frutos no investimento nesse mesmo prol e no melhoramento das condições de vida, e onde cada constituinte desse todo toma total responsabilidade pelas suas escolhas e acções

Queria só por fim criticar mais uma vez (e peço desculpa se ofendo alguém por ser demasiado brusco ou directo) a sociedade anarquista e usando uma citação de um comentário escrito pelo Miguel Sousa: “mesmo que não sejam noções totalmente universais, há coisas básicas como "não matar" e etc.”… e é por isto que uma sociedade anarquista nunca vai resultar aplicada num pais organizado em sociedade…porque é claro neste excerto que a única maneira disso ser valido é se os componentes dessa sociedade fossem todos clones do Miguel, nos quais era mais que obvio não matar, não roubar, não violar, não explorar, etc… o problema das pessoas é que casa vez que se fala em “uma pessoa moralmente correcta” a maioria dos ouvintes pensam logo no moral que cada um deve ter e esquecem-se que existem diferentes morais constituídos por valores diferentes…valores esses tão validos para pessoa x como inválidos para sujeito y….valores esses que em situação de desespero ou não, roubar ou matar é permitido.

Como é óbvio, não ia obrigar alguém a aceitar ideias com os quais não concordam ou expulsar alguém do país por não partilharmos as mesmas crenças! Não concordo com essas acções extremistas

Nesta citação enterras a tua própria teoria de incerssao de um novo moral e valores na sociedade alternativa, comprometendo tudo como uma pirâmide sem base.

Haveria mais para dizer mas como a leitura já deve ter sido bastante enfadonha se chegaram a este ponto (Parabéns e obrigado já agora) não me alongo e deixo-vos aos comentários

Botão

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Alguma clarificação de conceitos

Esta nossa discussão sobre o capitalismo deve ser balizada por alguns conceitos e problemas que nos poderão ajudar a perspectivar o tema, não só em termos teóricos, mas também na sua dimensão quotidiana.

Verdadeiramente, hoje já não existem defensores de modelos económicos puros. O comunismo na sua versão económica pura e dura com a nacionalização de toda a economia, desapareceu com a queda do muro de Berlim em 1989; o capitalismo na sua versão mais liberal, sem direitos sociais não é (pelo menos oficialmente) em nenhum país do mundo. Apesar de tudo e em nome da verdade, há mais ortodoxia ideológica nos defensores do modelo económico capitalista do que comunista.

Hoje não me parece que ninguém conteste o sistema político de democracia representativa. Por isso, deixaria de lado a discussão desse tema e centrar-me-ia mais nas questões sociais sobretudo nas diferenças entre esquerda e direita. Muitos dizem que esta distinção hoje já não faz sentido, mas, pessoalmente, acho que continua a fazer. Se estiverem atentos e repararem por exemplo nas propostas de Orçamento entre o PS, o PSD e o CDS por um lado e o BE e o PCP por outro, verão que existem diferenças enormes. Podem não lhes chamar diferenças entre esquerda e direita, mas outra coisa qualquer. Mas essas diferenças existem.

O grande problema das sociedades de hoje é saber qual é o papel que está reservado ao Estado. De uma forma simplificada podem estabelecer-se as seguintes diferenças:

A direita que se identifica mais com os modelos económicos capitalistas ou de economia de mercado, defende que o Estado deve ter apenas um papel regulador das actividades económicas devendo estas ser impulsionadas pela concorrência entre as diversas empresas privadas. O Estado deve ser pequeno evitando a burocracia e a corrupção. Deve assegurar prioritariamente funções de representação e de alguns pilares fundamentais do estado de direito, designadamente as Forças Armadas, a Segurança Interna e a Justiça. Os outros sectores, incluindo a Saúde, a Educação, a Cultura e a Segurança Social devem ser prioritariamente assegurados pela iniciativa privada (como sucede nos EUA. A concorrência fará melhorar a qualidade dos serviços e produtos e baixar os preços e permitirá um maior crescimento económico. Defende a meritocracia (os melhores devem ser recompensados. A igualdade de oportunidades e o apoio aos mais desfavorecidos deve ser igualmente assegurado não pelo Estado, mas sim pela sociedade civil que se auto-organiza para o efeito.Como o Estado é pequeno os cidadãos pagam poucos impostos ficando com mais dinheiro disponível para o gastarem como quiserem.

A esquerda defende que o Estado deve ter um papel activo na redistribuição da riqueza. e no fomento efectivo da igualdade de oportunidades. Como o modelo económico capitalista é, em si mesmo, gerador de desigualdades sociais, o Estado deve intervir como um factor corrector dessa tendência. Para isso é criado o chamado Estado Social, baseado em serviços públicos próprios em áreas cruciais como a Saúde, a Educação, a Cultura e a Segurança Social que satisfaçam as necessidades básicas da população, sobretudo da mais desfavorecida. Defende igualmente que alguns sectores da economia, considerados estratégicos pelos serviços que prestam ás populações devem igualmente ser públicos, designadamente aqueles que se relacionam com a Banca, os Seguros, a energia e as telecomunicações. O Estado desempenha essa função redistributiva através dos impostos que devem ser progressivos; quem ganha mais, paga mais, para ajudar os que ganham menos, ou sectores mais vulneráveis da sociedade, como os idosos, os doentes ou os desempregados. Os cidadãos pagam mais impostos, têm menos dinheiro disponível, mas, pelo menos em teoria, têm as suas necessidades básicas resolvidas pelo Estado.

Jorge

(Não) Alternativa ao Capitalismo

A minha proposta para a a alternativa ao capitalismo é uma não alternativa.
Acho que de todos os modelos socias e económicos que ao longo da história foram tentados, não atingiram o sucesso e igualdade do capitalismo apesar de tudo. Temos o exemplo do comunismo, principios bastante válidos, mas acaba sempre em ditadura, um regime fechado. Na minha opinião uma das maiores atrocidades que se pode cometer em relação a uma sociedade é o seu encerramento para o mundo, a impossibilidade de estar em contacto com outras cultura.
O grande problema da sociedade capitalista reside na falta de eficacia e clareza de aplicação das medidas. Porque de um modo geral o regime que hoje conhecemos defende a iguldade. Mas sejemos honestos, a igualdade em sociedade é sempre útópica, vai haver sempre um individuo que se vai sobrepor aos outros, querer mais, tendo em conta o espirito competitivo do ser humano. No meio da igualdade, no "estado natural", é o poder da força que impera.
Nesta minha sociedade capitalista melhorada, acredito numa aposta na trasparência na economia, poloítica e justiça. Acredito que uma sociedade futura bem preparada precisa de uma boa educação, e é nesse sentido, que se pode apostar na tal igualdade, todos os individuos têm que ter bases de reflexão sobre o mundo e uma formação que lhe permita enfrentá-lo. A sáude é também muito importante e não deveria de ser descurada.
Se me perguntassem o que é que mudava em Portugal, é melhor eu não começar porque se não nunca mais saímos daqui, porque no nosso país infelizmente nada funciona. Mas se formos aos países escandinavos também há uma adopção de um modelo capitalista que acaba por funcionar. Boa educação, excelente prestação de serviços de sáude, políticos competentes e transparentes que não têm rendimentos extraordinários e uma justiça que funciona.
Alexandre Evaristo
Estejam à vontade para discoradar.
P.S: Stôr realmente têm razão, está semana tivemos cheios de testes pelo menos na nossa turma, por isso esta semana a minha participação tem estado um pouco limitada.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Sobre o filme "Os Edukadores" - A minha alternativa ao capitalismo

         Há uns anos atrás vi um documentário sobre a corrupção da polícia chinesa. Para combatê-la, o Estado enviava os seus polícias para os templos budistas durante um mês, tendo de passar esse tempo sem telemóvel, sem contacto algum com o mundo exterior e com uma alimentação saudável e racionada, obrigados a passar a maior parte dos dias a meditar. Através deste simples processo, os polícias ficavam como que “moralmente reinventados”, tendo esta medida uma elevada percentagem de eficácia. Na minha opinião, um procedimento semelhante deveria ser aplicado numa transição do capitalismo para um novo sistema, sobre o qual divagarei mais à frente, pois agora as pessoas não estão preparadas para um sistema totalmente novo. Como a população está neste momento, seria impossível introduzir um sistema que não a “Ditadura do Capital”, devido ao facto das pessoas estarem demasiado acomodadas ao actual: só vêem dinheiro à frente, como burros com palas que os impedem de ver as coisas à sua volta, só que em vez da estereotipada cenoura, uma nota impele-as a andar sempre em frente, nunca se desviando do seu caminho. Ora se a maioria destas pessoas educadas pela televisão, revistas sensacionalistas, jogos sangrentos e pela publicidade, não têm a mínima noção do que significam palavras como moral ou solidariedade, como funcionaria um sistema honesto e benéfico para todos?! O sistema que aqui proponho necessitaria em primeiro lugar que gradualmente se incutissem valores ética e moralmente correctos, como, por exemplo, os já referidos, o habitual “amor ao próximo” e certos princípios morais que deveriam até constar no código penal de todos os países. O código penal também seria outra coisa que devia ser alterada neste país, na medida em que deveria ser simplificado, pois, hoje em dia, se queremos saber o que é legal ou o que é crime somos obrigados a ler um volume de milhentas páginas extremamente enfadonho. A sociedade que eu idealizo, mas que ainda não considerei com certeza em todas as variáveis do problema, seria socialista a nível político, mas um socialismo verdadeiro, não o de “chacha” que há cá em Portugal, um que realmente reduzisse as desigualdades, não permitindo a existência de um abismo entre os ricos e os pobres; em termos sociais seria comunista, existindo abundante entreajuda, como os perdidos “vizinhos da aldeia”, que fariam quase tudo por nós; em termos económicos seria anárquico, na medida em que cada um receberia de acordo com as suas capacidades (inteligência, eficiência, etc), não estando dependente do “berço” ou das ajudas “por baixo da mesa”; religiosamente, seguiria o budismo, mais especificamente, o karma, ou seja, viveria segundo a máxima “praticas o mal, o mal cai sobre ti” e “praticas o bem, o bem cai sobre ti”, o que julgo que faria disparar a solidariedade; etnicamente falando, seria bastante diversa, pois a multiculturalidade é, na minha opinião, uma coisa bastante saudável. Não especificarei mais nenhum aspecto desta sociedade devido à extensão do texto, mas gostaria apenas dizer que faria, também, grandes alterações no sistema educativo. Será esta sociedade impossível de alcançar, será utópica? Sinceramente não tenho a certeza, mas olhando para o sistema agora em vigor e ao estado a que as coisas chegaram de uma coisa estou seguro: valeria a pena tentar!

 

P.S. Por favor dêem-me a vossa opinião sobre o meu sistema ou proponham alternativas. Deixo-vos com uma frase de Roosevelt que denuncia uma situação cada vez mais evidente:

 

A liberdade da democracia não está a salvo se as pessoas tolerarem o aumento do poder privado até a um ponto em que ele se torna mais forte que o estado democrático em si. Isso, na sua essência, é fascismo – domínio do governo por um indivíduo, por um grupo – FDR

Rosetta: um murro no estômago

O filme dos irmãos Dardenne (Luc e Jean Pierre) é, do ponto de vista estético um filme singular e completamente diferente de tudo o que vimos até agora: não tem actores profissionais, não tem música, nem efeitos fotográficos ou especiais de qualquer tipo.

O filme, o 2º dos irmãos Dardenne, gerou uma tremenda controvérsia em Cannes. Ganhou a palma de ouro de 1999 triunfando sobre o hiper favorito Tudo Sobre a Minha Mãe de Pedro Almodovar e deixou os organizadores do festival completamente embaraçados com a decisão do júri presidido por David Cronemberg. Numa altura em que Cannes se virava rapidamente para as superproduções e para um piscar de olhos cada vez mais insistente ao cinema de Hollywood, dar o principal prémio do maior festival do mundo, a um filme rude e artesanal, só poderia passar mesmo na cabeça de Cronemberg.

O filme relata a experiência de uma jovem proletária sem instrução nem bons sentimento que é uma verdadeira anti-heroína. Ao contrário dos filmes marxistas tradicionais em que os operários têm consciência de classe, bons sentimentos e querem mudar o mundo e terminar com as injustiças, em Rosetta proporciona-se a exploração em estado bruto e sem romantismos. Rosetta não quer fazer nenhuma revolução, nem ser solidária com os seus irmãos de classe,nem sequer denunciar a ordem social dominante: só se quer safar, arranjar um emprego a qualquer preço que lhe permita sobreviver numa selva social sem contemplações nem compaixão.

Por isso o filme é tão rude e moralmente quase sórdido. Na altura em que o vi nas salas de cinema, foi como se tivesse levado um valente murro no estômago das minhas convicções mais profundas em matéria política.

Com Rosetta, entramos num outro tipo de cinema, aquilo que se convencionou designar por cinema de autor. São filmes mais arrojados do ponto de vista estético, nem sempre lineares, que desafiam os cânones mais tradicionais de fazer cinema. São filmes que, normalmente, não têm muitos espectadores, mas que todos querem recordar passados uns anos, quando se fazem as listas dos melhores filmes.

Podem encontrar mais alguma informação crítica neste link:

http://www.cinema2000.pt/ficha.php3?id=501

Jorge

O debate sobre o capitalismo

Infelizmente, o debate sobre o capitalismo não tem sido muito participado. Provavelmente, esta é uma altura de testes e muitos afazeres.

No entanto, as sementes estão lançadas e como vamos voltar ao tema poderão ser aprofundadas algumas ideias com novos filmes. Uma coisa, porém, já deu para reparar e que é um bom sinal: há ideias diferentes sobre os méritos do capitalismo e sobre a sua inevitabilidade ou possibilidade de superação.

Jorge

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Próximo filme?

Qual é que é o próximo filme que vamos ver?
Não sei se vou conseguir ir a aula, queria ver se encontrava o filme para ver em casa.
Olá a todos!
Em relação às sondagens da semana passada 93% dos inquiridos afirmam ter gostado do filme "A Onda", contra 6%, que escolheram a opção oposta. Sobre o filme "O Estrangeiro", 90% dos inquiridos escolharam a opção gosto, pelo contrário 10% não gostaram.
Por sugestão do stôr a partir de agora as votações são feitas de 1 a 5. O professor pediu-me também que se fizessem sondagens sobre os filmes que já foram vistos e votados.
Votem!

P.S: vocês já sabem, mas:
1-Muito Mau
2-Mau
3-Suficiente
4-Bom
5-Muito Bom

Alexandre Evaristo

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Edukadores, capitalismo e alternativa

O filme os Edukadores está muito longe de ser uma obra prima, mas coloca algumas questões muito relevantes que foram abordadas na aula, mas que gostaria que pudessem ser melhor sistematizadas aqui no blogue.

O protagonista Jan afirma que não vivemos numa democracia mas numa ditadura do capital. Pior: o capitalismo depois de na segunda metade do século XX ter conseguido níveis de protecção aos trabalhadores muito elevados, parece agora regressar à sua forma primitiva, típica do século XIX com salários cada vez mais baixos, desemprego, ausência de direitos laborais, trabalho precário e fim acelerado do Estado Social. Enquanto isto sucede, a classe média vai desaparecendo e surgindo um fosso crescente entre os detentores da riqueza e os que nada têm.

Grande parte da abundância foi criada à custa da sobre exploração dos países mais pobres do chamado terceiro mundo. os ténis, as roupas e muitos objectos de marca ou sem ser de marca, são fabricado nos países da Ásia, muitas vezes por crianças a ganharem salários miseráveis que permitem custos de produção muito baixos e preços também baixos.

O sistema capitalista dá sinais de entrar em colapso. Não é a primeira vez que acontece, nem será a última. Esta crise causada pela ganância especulativa dos mercados internacionais, exterioriza apenas os sinais de crise que já se acentuavam: insustentabilidade de manutenção dos sistemas de segurança social, crises ambientais gravíssimas, falências dos modelos sociais da Europa perante o aparecimento de economias emergentes como a China, a Índia e o Brasil, desemprego e precarização do trabalho.

Na minha opinião, o capitalismo, que eufemisticamente chamam de economia de mercado, é um regime economicamente irracional, ambientalmente criminoso, socialmente injusto e culturalmente alienante. Se a humanidade o conseguisse substituir por outro melhor, seria excelente para quase toda a gente.

Mas aqui é que bate o ponto principal: que alternativas existem ao capitalismo? O comunismo, surgiu cheio de boas intenções, mas sob a batuta de Estaline ou Mao, tornou-se numa monstruosidade sem nome, uma ditadura sanguinária e repressiva que não trouxe nem liberdade nem bem estar aos povos (haveremos de ver um filme sobre o comunismo neste ciclo); a social-democracia, aparentemente conseguiu criar o equilíbrio entre alguma igualdade e a liberdade, com um forte sector público na economia, mas os modelos entraram em derrocada e mesmo nos países escandinavos, aqueles que melhor protagonizaram este modelo, resvalaram a passos largos para o capitalismo, ainda não selvagem, mas cada vez menos regulado; as outras formas de socialismo (autogestionário,democrático, poder popular, etc.) nunca passaram de utopias.

Afinal, qual é a alternativa? Porque é que o capitalismo tem resistido a tudo e perpetua-se apesar das injustiças? Será que é o capitalismo que melhor corresponde à natureza humana? Mas, afinal o que é a natureza humana, se é que existe alguma? É a alienação constante, da telenovela e do futebol? É o querer ter em vez de ser? É dizer isto é meu, em vez de dizer isto é nosso? É a subjugação absoluta à ganância do lucro e do dinheiro? É privilegiar o ter em vez do ser?

Duas notas finais para concluir este comentário: Sabem quem lê as revistas de colunáveis e de vips, tipo Caras? Não são os ricos, mas sim os pobres. Não os move face aos ricos nenhum sentimento de indignação ou de revolta por serem explorados por eles, pelos Belmiros e Amorins deste país. O que os move é a inveja. Os pobres não pretendem acabar com o sistema capitalista. São como o raptado do filme: ambicionam tornar-se um deles.

Finalmente, uma nota sobre a competitividade. Quando eu andava no liceu havia um tipo que aferia o grau de satisfação com as suas notas nos testes pelas notas dos outros. Se ele tivesse 12 e outros tivessem 10, ficava todo satisfeito; mas se tivesse 14 e outros tivessem 16, ficava com umas trombas terríveis. Não será o mesmo com o dinheiro? As pessoas querem dinheiro só para terem acesso a bens, ou também para marcarem uma diferença face aos que não o tendo não podem aceder a esses bens?

Se esta segunda hipótese for a verdadeira (e desconfio que é) acho que está tudo perdido...

Jorge

Link do filme "Edukadores"

Boa tarde!
Tal como tinha prometido à Rita, está aqui o link para o filme que vimos ontem. Como é um torrent, vou pôr aqui o link para fazer download do programa para sacar os torrents, que o Stôr também já tinha pedido.

BitTorrent (programa dos torrents)

Edukadores (espero que esteja com qualidade, pedi o link a uma pessoa que tem mais jeito para isto do que eu...)

Mais sites com torrents:

Isa

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Queria apenas deixar aqui uma frase que talvez possa dar origem a uma discussão interessante:

"Aqueles que abrem mão da liberdade essencial para adquirirem protecção temporária não merecem nem uma coisa nem outra" - Benjamin Franklin.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Alguns indicadores fundamentais para o o debate sobre o filme os Edukadores.

Capitalismo

Riqueza

Conflito de gerações

Terrorismo

Formas de rebelião juvenil

Anti-conformismo e legitimidade.

Mudança de atitude com o aumento de idade.

Jorge

Filme "Lola"

Venho aqui pôr, a pedido do Stor, o link para o filme "Lola" que encontrei. Já vem com legendas em português e está com muita qualidade. Vejam que vale bem a pena!Merece todos os elogios que recebeu.


"Os Edukadores" de Hans Weingartner

Aqui ficam os links de apresentação sugeridos pelo stôr, em relação ao filme "Edukadores" que vamos ver esta semana:
http://www.ruadebaixo.com/os-edukadores.html
http://www.cinema2000.pt/ficha.php3?id=4988
http://cinerama.blogs.sapo.pt/arquivo/758869.html
Alexandre Evaristo

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

"Os Edukadores" de Hans Weingartner


Olá a todos!
Stôr, em relação aos links do filme desta semana, "Os Edukadores" de Hans Weingartner, peço-lhe que os deixe num comentário a este post. Porque sendo nos comentários não há problema, aparecem. Depois, eu coloco-os num post.

"The Stranger" de Orson Welles


Olá a todos!
Ainda ninguém falou sobre a nossa ida à cinemática, por isso antecipo-me.
Eu acho que a nossa visita ao espaço referido foi muito interessante, e definitivamente uma experiência a repetir. Como o Stôr, referiu, para a próxima temos é que ir mais cedo (e numa dessas vezes, poderíamos visitar o Museu do Cinema, que a cinemateca alberga).

Em relação ao filme propriamente dito, gostei bastante. Infelizmente, a fita não estava em muito boas condições, o que acabava por afectar as legendas e o áudio. Em primeiro lugar Orson Welles merece os nossos parabéns, por um ano após o fim da segunda guerra mundial abordar com tanta abertura a questão da perseguição aos nazis.

Há também que acrescentar que o filme prima por conseguir desenvolver uma tenção dramática que se alastra desde o primeiro minuto. Um suspense que nos faz lembrar um bom filme de Hitchcook (“Chamada para a Morte” ou “Pshyco”). Esta intensidade só se consegue desenvolver graças aos desempenhos extraordinários dos actores deste filme com grande destaque para o próprio Orsen Welles (“Franz Kindler”/ “Professor Charles Rankin”) e Loretta Young (“Mary Longstreet Rankin”).

É extraordinário pensarmos que em 1946 se fazem cenas com tanta eficácia técnica como a da morte da personagem de Welles, causada pela espada de uma das estátuas do amado relógio de Franz Kindler. Esta cena, que o grande João Bénard da Costa apelida de “um dos grandes momentos do cinema”, não parece ter interessado minimamente ao realizador que muitas vezes terá recusado a paternidade deste filme, afirmando que o grande autor do argumento era John Huston e que não tinha contribuído para a edição da película. Acho que o texto de Bénard da Costa está extremamente bem escrito, e aconselho-vos seriamente a lê-lo para perceberem melhor este capítulo que nos ajuda a perceber a complexidade da personalidade do realizador de “Citizen Kane”.

Que comece o debate…

Alexandre Evaristo

P.S: Esta é apenas uma pequena crítica, nada formal. Recuso-me a desenvolver muito mais sobre este filme depois de ler as sábias pálavras de Bénard da Costa.

"A Onda" de Dennis Gansel


Olá a todos!
Gostaria de vos deixar com uma reflexão sobre o filme “A Onda” de Dennis Gansel.

Em primeiro lugar é indispensável referir que este filme expressa extremamente bem a revolta dos jovens e a sensação de incompreensão que estes muitas vezes sentem. Exemplo disso é Dennis, cujos seus assuntos não merecem um momento de atenção por parte dos pais, ou até mesmo Karo que não se sente confortável com o “estilo de vida” dos progenitores. “Nada nem ninguém nos ouve e a nossa vontade nunca prevalece”, de certo que terá sido isso que Dennis sentia. Este vivia numa situação de aparente depressão, e era motivo de preocupação (como “acampar” à porta da casa do seu professor). Estes sinais são muitas vezes ignorados pela família e a comunidade escolar, levando a que situações de sequestros nas escolas tenham lugar e que muitas vezes tenham consequências devastadoras como na escola de “A Onda”.

Quando falei da falta de objectivos dos jovens na aula, falo na perspectiva da nossa geração, que tem sido “sortuda” no sentido em que nunca teve necessidade de lutar pela sua liberdade. Somos de longe a geração que mais beneficiada sai em termos de contexto socioeconómico, mas mesmo assim somos a que mais problemas dá. Não há nada que nos una, um verdadeiro objectivo comum. Se calhar é por isso que se forma um grupo como “A Onda”, onde a única ideologia (que não existe nesta associação) é a união. Nos dias que correm vivemos afastados uns dos outros, condenados ao anonimato das grandes cidades. Será que aquilo que nos frustra não serão as (falta) perspectivas de um futuro nada risonho. A nossa vida parece que desde o momento em que nascemos foi “moldada”, esta limitada a um conjunto de acontecimentos que passam por acabarmos a escola, seguirmos para a universidade, arranjar trabalho, sair da casa dos país, arranjar namorada/o, casar, arranjar casa com o/a marido/esposa na periferia, ter filhos, pagar um carro familiar a prestações, garantir o estudo dos filhos, divórcio à beira dos quarenta, segundo casamento, gerir as visitas dos filhos, e esperar para morrer sozinhos enquanto somos abandonados em casa ou num lar. Este é o “W(B)est Way of Life”, é isto que nos espera e que é esperado pela sociedade que façamos.

Não acham estranho aqueles cerca de 20 jovens terem se inscrito no estudo da autocracia? Porque será? Bom, do meu ponto de vista passa pelo facto de que nos dias de hoje não existem muitas regras para os jovens, começamos a fazer aquilo que deveríamos de fazer com 17 ou 18 anos aos 15 ou 16, uma idade em que temos já falta de regras. E digamos aquilo que dissermos, o ser humano tem necessidade de regras, da vida em sociedade regulada, porque o caos não é propício à nossa sobrevivência (por algum motivo já John Locke desenvolvia a questão do Contrato Social no século XVII).

Em relação à questão da liderança, durante o nosso debate de quinta-feira, muitos defenderam que lideranças fortes são más. Eu não concordo, admito a existência de uma liderança firme, que não tem necessariamente que restringir liberdades. Temos o exemplo da governação Lincoln nos EUA, que era forte, e que só assim sendo teve a capacidade de acender o rastilho da abolição da escravatura naquele país. Acontece que sempre que pensamos num líder determinado, pensamos em Hitler ou Salazar, o que não corresponde 100% à verdade. Na realidade sem lideranças consolidadas e muitas vezes “teimosas”, as evoluções nas sociedades não se podem dar, como nos é dado a conhecer a partir do exemplo de Lincoln.

Infelizmente, este parece ser o único tipo de líderes que funcionam em Portugal (só que há umas boas centenas de anos, que parece que são espécies em vias de extinção). O nosso país é como aqueles filhos que têm 40 anos e ainda vivem na casa dos pais. Temos sempre necessidade de que alguém nos sustente, primeiro eram os descobrimentos, depois o ouro do Brasil, depois as colónias africanas, depois a Europa, depois… olha! Ficamos sem “depois”. Portanto temos sempre o sonho de que alguém nos venha salvar da nossa miséria, mas nada fazemos para o contornar.

Não pensem no entanto que eu acho que este é um mal só cá do nosso “rectângulo”, é uma necessidade comum aos seres humanos, lá porque com um ou dois deixamos de precisar de colo isso não significa que deixemos de ter necessidade de que alguém nos ampare.

Alexandre Evaristo

domingo, 17 de outubro de 2010

Os Edukadores

Na sequência do filme que vimos na 5ª feira, proponho que na próxima semana vejamos o filme Os Edukadores de Hans Weingartner.

Trata-se de um filme sobre um grupo de 3 jovens (dois rapazes e uma rapariga) que contestam de forma radical a sociedade e os valores capitalistas, através de assaltos a casas de pessoas ricas e deixando mensagens de revolta. Insere-se na tradição libertária de alguma juventude alemã, sobretudo no bairro berlinense de Kreuzberg,talvez a zona do mundo onde existem mais anarquistas por metro quadrado.

O filme permitir-nos-á continuar a responder a algumas questões relevantes colocadas pelo filme anterior, designadamente as que se prendem com os ideias da juventude, numa época em que parece ser cada um por si.

Eu gostava de pôr aqui uns links de apresentação do filme, mas da outra vez meti água. Pode ser que o Alexandre nos faça este favor e coloque aqui uns links de apresentação.

Jorge

Os ideais da juventude

No filme «A Onda» há uma questão que me parece particularmente importante e que foi muito bem notado no comentário do Gonçalo Lima:o que leva os jovens a uma adesão entusiástica à Onda, não são questões de natureza ideológica, mas sim meramente formais.

O discurso político do professor só se torna mais explícito no último dia e, mesmo assim, ainda relativamente vago. Os jovens não se tornam fascistas ou nazis. Eles aderem vibrantemente a um conjunto de traços e símbolos que lhes dão um forte sentimento de pertença e de identidade a um grupo e, simultaneamente, excluem os que a ele não pertencem: um símbolo, uma camisa, uma saudação, etc.

Isto levanta-me duas questões fundamentais que gostaria de colocar aqui para continuar a discussão que se pode prolongar para o filme seguinte Os Edukadores que versa sobre um tema com algumas semelhanças:

a) Como manipular os jovens os jovens de hoje? É fácil manipulá-los? E se é fácil essa manipulação, porquê? Será que os jovens se sentem vazios nesta sociedade que abandona as causas colectivas e se refugia num progressivo individualismo rodeado de tecnologia?

b) Que ideais têm os jovens portugueses de hoje? O que resta depois da ruína dos sonhos de revolução dos anos 60 e 70, e do individualismo da década de 80? Cada um quer tratar apenas da sua vida e ter sucesso, ou ainda existem sonhos colectivos? E se existem, quais?

Jorge

Ainda sobre o Estrangeiro

Reparei que ninguém emitiu a sua opinião sobre O Estrangeiro de Orson Welles que vimos na Cinemateca.

Como sabem, trata-se de um filme muito diferente de todos os que vimos até agora, sobretudo em questões formais, designadamente a época em que foi feito. Foi uma primeira incursão no cinema clássico americano, um filão riquíssimo e que gostaria de poder explorar melhor.

Gostava de saber o que acharam do filme e se valeu a pena a deslocação à Cinemateca.

Jorge

Estive fora

Estive sem acesso à net desde 6ª feira e reparo, para grande contentamento meu, que o blog continua muito animado.

Vou tentar fazer alguns comentários, mas, como calculam, não posso ser tão interveniente como pretendia.

Jorge

sábado, 16 de outubro de 2010

Factores sociológicos e genéticos para o sucesso escolar

Depois de ler os diversos comentários que têm sido acrescentados neste blogue e que acabam por dar, quase todos uma importância muito grande ao facto da escola ser pública ou privada para o ranking, estive a reflectir e a ler sobre o assunto. Achei particularmente interessante um artigo sobre o sucesso escolar publicado numa revista de Pediatria.

O sucesso escolar e as notas elevadas nos exames nacionais provavelmente dependem mais de outros factores do que meramente do facto do aluno estudar numa escola pública ou numa escola privada.

O nível social mais elevado da maioria dos alunos que frequentam as escolas privadas proporciona não só uma maior facilidade de acesso a “facilitadores” do ensino, como por exemplo, os explicadores, como também a imersão num meio cultural que favorece a obtenção de melhores resultados académicos. O facto de a família ter uma maior capacidade para proporcionar um meio ambiente mais estimulante para o estudo, por exemplo, pelo facto dos pais também terem estudado e poderem transmitir a sua experiência e aconselharem os filhos, de motivarem os filhos para terem bons resultados académicos que por sua vez irão conduzir a melhores saídas profissionais, pode ser mais importante do que a escola que frequentam.

Por outro lado, embora não se possa de modo nenhum considerar, do ponto de vista individual, que uma pessoa é obrigatoriamente mais inteligente pelo facto de pertencer a um nível sócio-económico mais elevado, o que lhe permite estudar numa escola privada, ou que é menos inteligente porque pertence a uma meio mais desfavorecido, sendo obrigado a estudar numa escola pública, a realidade é que, em média, e através de um processo de selecção natural que conduz à sobrevivência dos mais aptos na sociedade, ao longo de gerações, os mais inteligentes alcançam melhores resultados do ponto de vista profissional e sócio-económico, casam tendencialmente com pessoas com características intelectuais semelhantes, transmitem aos filhos características genéticas e proporcionam um meio ambiente que propicia que os filhos sejam também mais inteligentes e que tenham melhores resultados académicos.

Embora esta ideia possa parecer chocante à primeira vista, é uma realidade sociológica incontestável e é baseada em estudos científicos. Nesse artigo que estive a ler sobre os factores que mais influenciam o sucesso escolar e, consequentemente, os rankings das escolas verifiquei que, por exemplo, o facto de uma criança ter uma boa aprendizagem da leitura na fase em que está a “aprender a ler” adquirindo um bom vocabulário, vai ser da maior importância para o seu sucesso escolar mesmo no ensino secundário e no ensino superior quando tem de “ler para aprender”. Ora, o peso do meio familiar e social principalmente na idade pré-escolar é tanto ou mais importante do que o professor ou a escola, seja esta privada ou pública.

A Onda e a ameaça do Fascismo

1(Introdução). Reparei que a discussão na aula não quis ser levada para temas mais, ditos, políticos, portanto, achei que a minha apreciação sobre o filme se devia centrar mais sobre estes temas, que penso serem da maior importância - no fundo, é através da política que se governa, se não é assim, deve ser.
2(Comparação filme-nazismo). Há um professor que quer recriar uma ditadura dentro de uma sala de aula / Em 1933, Hitler sobe ao poder, na altura como chanceler da Alemanha. O professor controla uma turma de alunos com problemas familiares, económicos, alguns / Hitler sobe ao poder sobre a crise que o país atravessava / Vive-se, hoje em dia, uma grave crise económica e política na Europa.
3. Existe nos alunos da turma um conforto de ser mandado pelo professor, obedecem-lhe incondicionalmente, não sabem a razão, mas gostam de ser comandados. Além disto, todos se sentem no seio de uma comunidade que se protege e se ajuda, mas que também afasta quem dela não quer fazer parte. Apesar de tudo, não lutam por um objectivo comum, não há uma ideologia clara, é algo indefinido.
(Problema). A onda alastra-se. Quase toda a escola se junta ao movimento, um movimento sem ideais e sem ideias. Como um rebanho, fecham-se, quase de uma forma inocente, sobre si próprios, rejeitam os outros.
4. O grupo é oficializado - uniforme, símbolo e saudação.
(Consequência). A oficialização do grupo traz legitimidade ao mesmo.
5. No final da semana, a onda já está descontrolada e como tal, o professor tenta travá-la.
(Consequência). Um aluno mata-se.
6.A análise das ideias principais do filme leva-nos a concluir que, todo o percurso que o filme toma até à travagem da onda pelo professor (Hitler não travou) é o percurso do fascismo na Alemanha. É o alerta para algo perigoso, que nasce de simples contestações individuais ou de crises económicas e políticas. Nasceu, naquela turma, da necessidade de pertencer a um grupo, mesmo que esse grupo fosse indefinido. Havia naqueles alunos essa necessidade, por na minha opinião, se sentirem sozinhos (talvez), desapoiados pela família e por acreditarem na inocência do colectivo a que se juntaram. Entraram de olhos fechados e continuaram de olhos fechados quanto às proporções daquele movimento, só os abriram quando houve um suicídio. Tal como muitos alemães só tiveram conhecimento do que se fazia nos campos de concentração quando o 3º Reich terminou.
7.É um filme que transmite uma ideia assustadora. Como é fácil a evolução de um movimento com as mesmas características que a onda. É fazer passar a ideia de que é preciso ter cuidado, ter os olhos bem abertos. Não é assim tão impossível o reaparecimento do fascismo na Europa, basta ver o aumento dos partidos de extrema direita nas sondagens, nas assembleias, nas cabeças das pessoas. E vivemos também uma grave crise económica. Portanto, é preciso ter cuidado.
8(Para terminar). Decidi usar uma comparação com o fascismo de Hitler na Alemanha porque o filme era alemão, no entanto, a onda também poderia ser comparada ao fascismo de Salazar em Portugal.


Sondagens

Olá a todos!
Em relação à sondagem da ultima semana 14 pessoas (87%) afirmaram ter gostado do filme "This Is England" de Shane Meadows, enquanto que 2 outras responderam de forma oposta (12%). Para além de introduzir uma sondagem em relação ao filme desta semana "A Onda" de Dennis Gansel, vou lançar nova sondagem sobre "O Estrangeiro" de Orson Welles.
Alexandre Evaristo

Rankings: serão importantes?

Já que estamos, no blog, a discutir questões sobre a educação e as escolas, e já foi feita uma referência ao ranking deste ano, gostaria que dessem a vossa opinião sobre uma parte de uma das respostas da entrevista dada por Joaquim Azevedo, membro do Conselho Nacional da Educação, ao Jornal Público, que passo a copiar:

Público: Os rankings são ou não indicadores da qualidade das escolas?

JA: "São um contributo para aferirmos a qualidade das escolas, mas temos que enriquecer o indicador dos exames com outros indicadores, porque muitas vezes o que estamos a comparar é escolas com muito poucos alunos em exame com escolas com muitos alunos e aí há diferenças muito grandes. Outra questão ligada a este fenómeno é que há escolas – mesmo públicas – que, entre o 10.º e o 12.º ano, praticam uma selecção de carácter social e económico e, portanto, os que levam a exame são muito poucos. Dos outros alunos, dos que fi caram pelo caminho e muitas vezes abandonaram a escola, ninguém fala. É escandaloso o que se passa nalgumas escolas públicas que, por força da pressão que os rankings introduziram, começaram a enveredar por estratégias de limpeza: levam os alunos até ao secundário sem problemas nenhuns, chegam aos conselhos de turma no 9.º ano e aprovam e fazem transitar alunos com cinco e seis níveis negativos, e, quando chegam ao 10.º ano, reprovam-nos. Nós temos níveis de abandono de vinte e trinta por cento em algumas escolas secundárias, logo no 10.º ano, e isto é gravíssimo. Por isso é que me tenho batido para que se criem indicadores compósitos e para que não se trabalhe só com este indicador dos exames nacionais."

Achei muito interessante esta sua resposta porque, para além de ser algo que sempre me fez imensa confusão, a forma como há escolas que, como já disseram aqui, "convidam os alunos a sair", é também uma forma de discriminação e prenconceito puros, na minha opinião. Será que o facto de essas escolas quererem os lugares cimeiros justifica tudo? Não existirão limites para o desejo e ânsia de sucesso? Será que os exames nacionais são a única coisa que realmente importa?

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Persuasão e autoridade

O filme " A Onda" que vimos hoje levanta muitas, mas mesmo muitas questões ,tanto de política como de valores...
Este filme responde e muito bem a certas questões e dúvidas de todos nós como:
(Afinal, como foi possível a ditadura de Hitler? Poderia a ditadura de Hitler repetir-se hoje em dia? Será que a juventude actual, especialmente os jovens alemães, põe a possibilidade de serem como que uma “massa de manobras” de um ditador?)…
“A Onda” mostra-nos não só o valor real da persuasão mas também que a manipulação de grupos não é algo assim tão complexo.. Parece que quase basta usar um conceito que seja facilmente alvo de discórdia e de "picardia" e usar e abusar da persuasão para conseguir mover massas..
Pergunto-me, analisando o filme, até que ponto conseguem, nós seres humanos, convencer-nos, manusear-nos, fazer-nos acreditar e admitir apenas aquela possibilidade como correcta, manipular-nos… Conseguir mesmo com ideologias e ideais "baratos", bases pouco fundadas e argumentos frágeis, que todos as sigam sem sequer se questionarem o porquê realmente de estarem a faze-lo..
Acho interessante a ideia de autoridade exposta neste filme. Hoje em dia a sociedade oferece-nos protótipos de pessoas “ ideias”, de pessoas que nos servem de exemplo, devem ser dignas da nossa admiração e de respeito(polícias, médicos etc) . A questão da autoridade do professor é bastante controversa. Hoje em dia a educação é para todos, não é como antigamente em que apenas as pessoas com posses económicas a podiam frequentar. A escola tornou-se algo “banal”... Toda esta mudança de mentalidades fez com que o ensino tenha cada vez menos valor mas mais importância. Cada vez se exige mais, quanto mais se estudar maior as hipóteses de “vingar na vida”, mas a questão prática de ir á escola para aprender tem sido denegrida ao longo dos tempos.. Os professores tem perdido autoridade muito por culpa dos pais, que ao terem cada vez mais acção na educação escolar dos filhos têm suavizado as acções menos boas por parte dos seus filhos, isto tudo na minha opinião…
Rute Lopes

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A Onda de Dennis Gansel

Nesta 5ª feira vamos ver o filme a Onda do alemão Dennis Gansel de 2008. Foi apresentado por um aluno da AP-FC do ano passado e gerou uma excelente discussão.

Podem encontrar alguns links de apresentação do filme aqui:







Jorge

domingo, 10 de outubro de 2010

Tolerância e nacionalismo

Tenho acompanhado com muito interesse o debate sobre o nacionalismo. Há aqui ideias muito interessantes e questões que dão que pensar.

O Renato abordou um problema na sua mensagem que me parece bastante importante: a intolerância cresce sempre que as crises se agravam. É fácil culpar os estrangeiros quando cresce a insegurança e o desemprego, E é fácil culpá-los porque são um alvo fácil. É nesse terreno que as organizações de extrema direita florescem. Este discurso, tipo, «os portugueses primeiro», é sedutor perante uma comunidade pouco instruída e facilmente manipulável.

O eleitorado destes grupos está socialmente bem determinado; é constituído essencialmente por pessoas de idade avançada, de alguma forma excluídas, com baixos salários, ou desempregadas. É fácil dizer a essas pessoas: «Não tens emprego, porque os empregos que podias ocupar são todos dos imigrantes»; «Não tens segurança, porque os imigrantes ou seus descendentes tornaram as nossas ruas num alvo de fácil criminalidade».

Esta questão ganhou uma relevância recente com o caso da expulsão dos ciganos em França ao arrepio de todas as leis comunitárias uma vez que são cidadãos romenos. Eu não digo que não haja gente que não tenha infringido as leis francesas, mas a deportação em massa parece-me puro racismo. A braços com a crise que atravessa toda a Europa, Sarkozy fez o mesmo que Berlusconi em Itália ou Merkel na Alemanha: culpou os mais fracos. Assim, não só desviou as atenções dos verdadeiros problemas de França, como estancou uma possível perda de votos para a extrema direita que tem um peso significativo em França.

Embora tivesse gerado muita aversão por toda a Europa, Sarkozy conseguiu o que queria: desviar por uns tempos a atenção dos franceses dos principais problemas do seu país e aumentar a sua popularidade que estava muito em baixo.

Agora pensem no caso português; durante décadas Portugal foi um exportador de mão de obra para quase todo o mundo. A partir dos anos 70 com a descolonização e, sobretudo a partir dos anos 80, depois da adesão à CEE, Portugal tornou-se um país de imigração. Agora imaginem que todos os países expulsavam os seus imigrantes (já nem falo nos seus descendentes) aplicando a máxima de «Os Portugueses primeiro». Por cada estrangeiro residente em Portugal há oito portugueses a viver fora de Portugal.

Ia ser bonito...

Jorge

Sondagens

Olá a todos!
Mais uma sondagem que chega ao fim, 93% dos inquiridos afirmam ter gostado do filme "Stand by Me" de Rob Reiner, apenas 6% afirmaram não ter sido do seu agrado.
Nova sondagem para esta semana, toca a votar. O que acharam de "This Is England", de Shane Meadows?

sábado, 9 de outubro de 2010

This is England

Quanto ao filme que vimos na aula passada devo dizer que foi o que mais me interessou até agora. Primeiro porque nos transmitiu várias ideias sobre as quais nos pudémos debruçar durante o debate. O que mais me chocou durante o filme foi a maneira como Shaun se transformou ao longo de todo o enredo, de um miudo que vivia sob as constantes criticas dos colegas, toenou-se um miudo racista, preconceitoso. Quanto aos motivos que o levaram a tal transformação creio que o mais forte foi a procura de uma figura paternal, o facto de precisar de alguém que o orienta-se, que estivesse presente para ele como o pai estaria. infelizmente juntou-se a um grupo que tinha ideias radicais e sendo ele uma criança de 12 anos era bastante facil influencia-lo.
Não creio que se tenha apercebido da gravidade dos ideias em que acreditava, até porque, e isso é mostrado no filme, quando Combo aponta uma faca a um miudo indiano para que este lhes dê a bola com que estava a jogar, Shaun ri-se.
Foi também discutido o papel da mãe na situação de Shaun, uns chamaram-na de irresponsável mas eu não concordo. Afinal ela só queria o melhor para o filho e por muito que os amigos não lhe tenham parecido os mais ortodoxos, não havia nada que ela pudesse fazer, Shaun sentia-se feliz, como não se sentia desde a morte do pai e no fundo creio que ela o compreendia, talvez até se quisesse sentir como ele, integrada num grupo onde se pudesse esquecer dos seus problemas, dos seus dilemas, onde se senti-se acompanhada outra vez.
Devo também dizer que achei um pouco repugnante a relação de Shaun com a Smell, para além de não acrescentar nada à história do filme, deixou-me um pouco incomodado, afinal ela tinha à volta de 20 anos e ele tinha apenas 12.
Senti que a ideia principal que o filme me transmitiu foi o facto de Shaun estar à procura de uma figura paternal e isso levou-o a sofrer uma espécie de «lavagem cerebral».

João Morais