segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sondagens

Finalmente sondagens:
1: 4 (21%)

2: 3 (15%)

3: 5 (26%)

4: 6 (31%)

5: 1 (5%)
Alexandre
Olá a todos!
Em primeiro lugar, peço desculpa por ainda não ter tratado das sondagens e por não ter participado muito no blog esta semana, só que realmente não há tempo, mas eu venho cá todos os dias ver o que é que se passsa!
Por outro lado, estou com uma duvida em relação ao trabalho escrit. Apesar de podermos falar sobre filmes de fora da aula, também podem ser os que tenhamos visto na aula, cert? Eu estou a fazer sobre o "Mr. Smith Goes to Washington", será que o meu trabalho saí mais desvalorizado por ser de um filme já visto?
Alexandre

domingo, 28 de novembro de 2010

Determinismo

      Gostaria de poder acreditar que temos uma existência tão simples como a da perspectiva determinista em que o nosso esforço e trabalho seria recompensado no final com o nosso objectivo, vendo de certa forma ate que faz sentido, se tiver de acontecer acontecera,esta destinado que as acções e decisões que tomamos no levam ao nosso objectivo, se assim fosse a vida chata.
     Porem e porque há sempre um porem se isso for verdade podemos presumir que os milhares de desempregados, entre os quais muitos deles licenciados que esforçaram durante todos os anos de encimo, estiveram a perder o seu tempo pois estava destinado a que assim acontecesse, será legitimo pensar que na vida de milhares de pessoas existe um destino triste como o desemprego?
    E eu pergunto a mim mesmo  se existe realmente algo traçado ou determinado para cada um, algo contra o qual não podemos lutar e ao qual não podemos escapar, qual a legitimidade de se julgar ou culpar um criminoso, porque se nos acreditarmos que na nossa se tiver de acontecer algo acontecera e que o destino comanda as nossas escolhas, temos de nos por no lugar dos que nascem com tal destino e perceber que não é que eles queiram tal coisa para suas vidas mas algo que lhes escapa ao controlo, partindo dai teríamos de rever o nosso senso de justiça.
    Por estes motivos e outros eu penso que a existir algo é construído por nos, nos fazemos o nosso destino e a nossa sorte, e temos o dever de assumir quer as nossos sucessos como insucessos e não atribuir culpas ou responsabilidades a um possível destino.  


Faustino M

Os buracos do determinismo: muitas questões, poucas respostas...

         Em relação ao determinismo, há algumas questões que ainda não foram abordadas até agora e que gostaria de ver clarificadas. Para além de muitas coisas que já foram ditas, esta teoria, que eu não apoio minimamente, não é apenas confortável para viver a vida, chega até a ser uma teoria que se pode comodamente defender e exemplificar. A verdade é que a teoria do determinismo tem apenas razão na vertente da causalidade que, pelo que eu entendi a partir do texto do João, segue a mesma linha do “efeito borboleta”, que nos diz que uma pequena acção pode gerar uma cadeia de acontecimentos que originam um evento muito maior. Tirando este ponto, penso que o determinismo está totalmente errado. O que eu gostaria de expor aqui é o seguinte: Vamos imaginar uma pessoa. Essa pessoa vive a sua vida normalmente e de repente dá-lhe qualquer coisa na cabeça e decide fugir de casa de mota. Foi destino. Outra pessoa. Esta já vive de acordo com os padrões da sociedade para qualquer um de nós viver a vida, casa-se, tem um trabalho “das nove às cinco”, tem filhos, etc. Foi o Destino. Uma pessoa como qualquer outra está farta da pressão exercida pelos seus pares, começa a injectar-se com heroína e morre. Foi o Destino. Uma relação entre duas pessoas acaba. Foi o Destino. Fulano atira-se dum prédio. Foi o Destino. Sicrano pisa uma mina no meio do deserto durante as suas férias. Nada que não estivesse destinado! Até eu estou a escrever este texto porque uma entidade superior assim o decidiu… Tudo se pode dizer “pré-destinado”. Colocarei em causa esta certeza dos deterministas mais à frente.

         Por outro lado, há essa questão de na História estarem determinados certos acontecimentos e descobertas. Concordo que o Homem acabaria por eventualmente descobrir o Brasil ou vacinas que salvam vidas todos os dias. Mas isto apenas acontece porque está na Natureza Humana a curiosidade, o ser humano procura sempre saber mais e entender coisas que, por vezes, parecem impossíveis de decifrar. Os deterministas mais extremistas poderão dizer que estava determinado, pois o Destino quis que a curiosidade fizesse parte de todos nós. Mas, assim sendo, volto ao mesmo tópico do primeiro parágrafo: pode-se dizer que tudo foi determinado, não interessa, por mais maluca que seja a coisa, não é impossível que tenha sido estabelecida por uma entidade superior. No entanto, estes pensamentos levam-nos a perguntas interessantes que põe totalmente em causa o determinismo. Por exemplo, uma interrogação parecida com a que se faz aos católicos para pôr em causa a sua crença: “Se tudo foi determinado por uma entidade superior e, partindo do pressuposto que esta entidade é solidária e generosa, porque é que há crianças a morrer em África e em todo o Mundo, todos os dias, sem que nunca tenham feito nada de mal?!”. Os católicos “não-deterministas” ainda podem dizer “Deus apenas criou o Mundo e deu ao Homem liberdade de escolha. A bagunça em que o Planeta está é simplesmente obra das pessoas”. Já os deterministas não têm a mesma desculpa, visto que a entidade superior em que acreditam é que decide tudo, ou, como dizia a Rita no debate da última aula, determina 75%. Seguindo o ponto de vista da Rita, como determinar ao certo a extensão do ponto cego de quem escreve o nosso destino?! Vejamos: só África corresponde a 14,2% da população mundial, o que somado às partes da Ásia que estão constantemente em guerra dá certamente mais de 25% da população mundial. Terá a entidade superior um ponto cego de mais de ¼ do Mundo?! Se assim é, porque deveremos acreditar nela?! Ou então será que, à semelhança de Descartes, esta entidade superior é um Génio Maligno?? Julgo que na aula alguém disse que este homicídio em massa feito pelo Destino era para um “bem maior”… Abram os olhos! Qual bem maior?! Os empresários duplicarem a sua riqueza bilionária comprometendo o futuro das crianças africanas?!

Entrega das críticas

Queria recordar-vos que a data limite para me entregarem as vossas críticas, termina na 4ª feira dia 9 de Dezembro. Por favor, não se atrasem, porque eu tenho mais 3 turmas de 11º ano e os alunos vão fazer teste na última semana de aulas e eu preciso de algum tempo para os ver.

As críticas não terão forçosamente que incidir sobre filmes vistos nas aulas, embora gostasse que respeitassem os temas até agora tratado: política e valores.

Cada um pode apresentar as críticas que quiser, embora nem sempre a quantidade seja grande aliada da qualidade. Embora eu só conte com a melhor, talvez seja preferível apostar numa única crítica bem elaborada e fundamentada.

Gostaria que tentassem cumprir o guião proposto há uns tempos. A abordagem de conceitos filosóficos e a opinião pessoal sobre o filme são particularmente importantes.

Para quem já não se lembra, volto a colocar aqui o guião:

GUIÃO ABREVIADO DE ANÁLISE CRÍTICA DE FILMES
Sem querer ser dirigista, gostaria que o vosso comentário escrito aos filmes pudesse ter como referência os seguintes elementos;

Ficha Técnica do Filme (Director/Realizador, Actores Principais, Ano, País de Origem, Características Específicas, - cores/preto e branco, duração)

Sinopse (Resumo breve do filme)

Principais conceitos filosóficos abordados (por exemplo, o sentido da existência, o Bem e o Mal, a relatividade dos valores, a importância da palavra no discurso político, a Liberdade, a cultura científica e tecnológica, o destino e o acaso, etc.)

Opinião pessoal sobre o filme (uma opinião fundamentada sobre o conteúdo do filme e também sobre os seus aspectos estéticos. Não terá que ser forçosamente uma opinião favorável ao filme)

Como na próxima aula vamos ver o Ladrões de Bicicletas que é um filme pequeno, podemos aproveitar algum tempo, para conversarmos um pouco sobre os vossos trabalhos.

Jorge

Determinismo e História

E que tal este poema do Brecht?

«Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sózinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas»

Bertolt Brecht


Jorge

Filme da Cinemateca

Na próxima 3ª feira passa na Cinemateca o clássico de Henri-Georges Clouzot , «O Salário do Medo».

Não tenho ainda a certeza se posso ir, mas para quem puder, aconselho vivamente o seu visionamento. Passa às 15, 30

Jorge

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Níveis diferentes de determinismo

Tenho acompanhado com muito interesse a discussão suscitada pelo tema do determinismo e pela mensagem do João Morais. Gostava de aprofundar e suscitar a vossa reflexão e as vossas observações sobre uma outra perspectiva que comecei a abordar na aula.

A recusa do determinismo não significa de forma absoluta a recusa de Deus. Não queria colocar o problema nesta perspectiva, porque existem defensores do não determinismo que são crentes e vive-versa. Santo Agostinho, o genial filósofo cristão do século IV D.C. tinha uma frase que sintetizava bem a sua vontade de conjugar a fé com o livre arbítrio: «ama e faz o que quiseres». Eu sei que é sedutor pensar na existência num plano pré-determinado, provavelmente elaborado por uma entidade transcendente. Ela dará sentido à nossa existência. Os defensores do puro acaso, não encontram este sentido teleológico (ou seja, finalista) na existência. Somos assim, mas poderíamos ser de outra maneira, ou simplesmente não ser.

Já alguma vez perguntaram aos vossos pais como se conheceram? Quantas coincidências coexistiram para que cada um de nós existisse? Que cada um de nós é apenas a possiblidade que resultou de uma infinita série que, por acaso, não vingou? Esta ideia do acaso remete-nos directamente para a contingência e para o facto de nenhum de nós, só ser acidentalmente importante. Bastava que a minha mãe no dia em que conheceu o pai, não o tivesse conhecido e eu pura e simplesmente não seria. haveria outro qualquer em vez de mim.

Esta ideia assusta-nos numa fase da nossa vida, mas, á medida que envelhecemos, somos conformados a ela. Custa-me mais a acreditar num qualquer sentido do destino em que não passamos de actores, ou melhor de marionetas, puxadas a belo prazer por alguém que determinou o que eu seria.

O André associou o determinismo ao conformismo. Acho que ele tem razão, mas apenas em parte. A nossa vida individual somos nós que a decidimos, ou não, de acordo com as nossas capacidades e possibilidades. Gosto desta ideia. O livre arbítrio responsabiliza-me. Mas, e em termos colectivos? Sabemos que a natureza é, em boa parte determinista, embora questão não esteja encerrada entre os físicos. A mecânica quântica veio colocar o problema da possibilidade no mundo da microfísica e lançar uma contradição entre o mundo das partículas não deterministas e o mundo dito normal, determinista, que a física contemporânea ainda não conseguiu resolver.

Mas queria falar um pouco na História enquanto ciência. É curioso que a primeira interpretação com um mínimo de cientificidade dos factos históricos se deva a Karl Marx, e que este, tal como o seu antecessor Hegel, sejam deterministas. A História cumpre, escrupulosamente um plano traçado e caminha para um fim, seja ele o triunfo da razão (Hegel) ou a sociedade sem classes (Marx). Cada actor individual, mais não faz do que obedecer a um plano previamente traçado. As personagens históricas não passam de um instrumento da Razão Universal ou da luta de classes, conforme os filósofos. E se fosse de outra maneira? A História sem um fio condutor, regida pelo puro acaso, seria absolutamente ininteligível: um amontoado de factos sem nexo nem ligação. Não sei se é assim, mas parece-me que não. A forma como se descobriu pode ter sido acidental, assim como algumas descobertas de Pasteur, mas estava historicamente determinado que de uma forma ou de outra, a vacina teria que ser descoberta ou por Pasteur ou por outro e que o Brasil seria descoberto e colonizado por Cabral ou outro, para desgraça dos índios brasileiros.

Como vêem o problema não é nada simples. Por isso, esta questão continua permanentemente a ser discutida. E nós, que gostamos de Filosofia, mais não fazemos do que permanecermos fiéis a essa tradição.

Jorge

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Determinismo

Tal como prometido, decidi publicar um post a explicar o determinismo.

Primeiro que tudo é necessário esclarecer o que é o determinismo. Determinismo é uma teoria filosófica que dá como explicação para a sucessão de acontecimentos a causalidade, isto é, entre uma acção e outra estabelecem-se relações de causalidade. Podemos dar um exemplo do filme: se a aliança da idosa que Chris matou e roubou tivesse caído no rio provavelmente este teria sido apanhado e preso, mas como esta ficou na margem, tendo sido depois encontrada por um drogado que participou num tiroteio perto do local do crime de Chris, este não foi apanhado. Isto é o exemplo de uma relação de causalidade, a qualquer uma das situações que se poderiam ter sucedido com a aliança, seguir-se-ia outra acção, causa da primeira.

Em segundo lugar esclarecer uma coisa, sei que na aula me mostrei muito "irritado" face a esta questão mas, acredito no determinismo moderado. Isto leva-me à segunda temática de que quero falar: Determinismo moderado ou determinismo radical? Os filosofos que acreditam no determinismo radical definiram alguns dos principios que este acarreta - o facto de que TODAS as acções tem uma causa; o homem não tem qualquer tipo de liberdade, é completamente determinado e o principio de que a pessoa é apenas moralmente responsável por acções livres, logo o Homem determinado não é moralmente responsável por nenhuma das suas acções. Por outro lado o determinismo moderado defende quer o determinismo e o livre arbítrio são teorias compativeis, ou seja por muito que a maior parte das acções sejam determinadas, há acções livres.

Concluindo esta pequena reflexão gostaria de explicar porque é que não acredito no livre arbítrio. Como disse hoje na aula sou religioso, acredito em Deus, muitos dizem que é por conforto, porque ajuda a acreditar em algo superior a nós. Mas, eu acredito que o Universo não pode ter sido criado do nada, por o nada não pode gerar nenhum produto. É necessário que alguém tenha criado a primeira particula, da qual se produziram as outras. Voltando ao primeiro ponto desta conclusão creio que é impossível que TUDO seja por acaso, dessa maneira toda a nossa vida seria um mero acaso. É por isso que acredito no determinismo moderado - uma combinação entre determinismo e livre-arbitrio. Acho que consegui explicar claramente como é a minha posição e o porquê dela.

João Morais

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O filme Relatório Minoritário

Eu não queria estar a colocar mensagens logo no dia em que estou em greve, mas constatei ontem que o filme proposto pelo Renato para vermos amanhã, Relatório Minoritário, tem 145 minutos de duração. Ora, isso faz com que tenhamos o mesmo problema que tivemos com o Não Fumar: é um filme demasiado extenso e depois do seu visionamento ficaremos sem tempo para a discussão.

Vou levar em alternativa, o Match Point do Woody Allen,que é o outro filme que conheço sobre o mesmo tema: determinismo/indeterminismo. Gostaria que pudessem dar a vossa opinião, de preferência aqui no blogue antes da aula. Se tiverem outras sugestões, serão muito bem recebidas da minha parte.

Jorge

PS: Que pena que ninguém pudesse ou quisesse ter ido ontem à Cinemateca. Perderam um óptimo filme e, ainda por cima,numa excelente cópia.

Jorge

domingo, 21 de novembro de 2010

Jean Renoir - Esta Terra é Minha

Olá a tod@s

Quem quiser e puder aparecer na Cinemateca na próxima 3ª feira às 15, 30 para ver o filme de Renoir, será muito benvindo.

Não quero combinar nada à porta da escola uma vez que tenho aula até às 15 horas, mas espero estar à porta da Cinemateca por volta das 15, 20


Jorge

A obra aberta

Não queria centrar-me muito nas questões filosóficas relacionadas com o filme de Alain Resnais, uma vez que as iremos discutir na próxima aula juntamente com o filme de Steven Spielberg, Relatório Minoritário. Gostaria apenas de referir algumas questões formais deste filme.

O que me atrai mais neste díptico Fumar/Não Fumar, é aquilo que Alain Resnais sempre considerou como uma obra aberta. O cinema não tem que ser forçosamente obrigado a uma estrutura narrativa linear. embora eu não tenha rigorosamente nada contra ela. Resnais sempre quis envolver os espectadores de alguma forma na construção do próprio filme. Os seus filmes, sobretudo até à década de 70 (Resnais tem 87 anos e ainda filma)são quase sempre inconclusivos e enigmáticos. O espectador é livre de se apropriar do próprio filme da forma que achar mais indicada, porque a obra é, em si mesma, aberta e permite variadas interpretações. Esse cariz dúbio, aliado ao tema dominante no cinema de Resnais (O tempo e a memória) fazem dele um cineasta verdadeiramente único na história do cinema. Curiosamente, Resnais nunca trabalhou com textos seu ao contrário de Bergman ou Woody Allen, por exemplo. Ele prefere trabalhar textos de outros autores (romances, peças teatrais)criteriosamente escolhidos e aos quais ele transmite o seu toque inconfundível.

Reforçando a ideia do indeterminismo referida pelo Alexandre no seu post e reforçado pelos comentários dos outros colegas, este filme centra-se no «ou bien» onde todas as possibilidades coexistem e onde a linha do destino é determinada frequentemente de forma acidental. Bastava um pequeno pormenor para que tudo fosse substancialmente diferente. Ao insistir obsessivamente nas pluralidades possíveis dos finais, ao regressar a um determinado ponto do tempo, para fazer as personagens falar e agir de forma diferente, Alain Resnais coloca-nos perante a grande interrogação central da sua obra: afinal o que é o tempo? Como poderíamos nós sermos diferentes se tivéssemos agido de forma diferente num determinado período da nossa vida. Reparem que o filme se passa apenas em quatro momentos diferentes: hoje, cinco dias depois, cinco semanas depois, cinco anos depois.

É, simultaneamente um filme que se constitui como uma homenagem ao teatro. Toda a estrutura do filme segue os recursos e as técnicas teatrais, numa espécie de peça em quatro actos e muitos apêndices, com um fabuloso desempenho dos dois actores e uma magnífica direcção.

Para mim, foi juntamente com o Palombella Rossa, o filme que mais me agradou de todos os que vimos.

Voltaremos a falar dele na próxima aula.


Jorge

sábado, 20 de novembro de 2010

Sondagens

"Palombella Rossa" de Nanni Moretti:
1(0%); 2(11%); 3(35%); 4(29%); 5(23%)
Nova sondagem para o "Não fumar" do Alain Resnais
Alexandre

No Smoking

Olá a todos!
Em relação ao filme desta semana, gostava de virar o meu discurso para os aspectos técnicos (sem discurar a filosofia, mas isso, lá mais para o fim). Se assim o faço, é porque gostei bastante daquilo que vimos (pelo menos em 1993 o filme ganhou um César para melhor filme). Como o stôr disse, num post atrás, é um filme completamente revolucionário. Desde os multifacetados actores ou ao repetitivo (que se tornou assustador e por vezes entediante)“ou bien”. Realmente a minha primeira menção vai para Pierre Arditi e a Sabine Azéma, sendo que o primeiro recebeu o César para melhor actor principal. Tiveram realmente desempenhos extraordinários, e que de certo foram muito trabalhados. É extraordinário a diferença entre as personagens. A transição do Mr. Miles para o Toby, é para mim o melhor exemplo, e absolutamente fabulosa. Por outro lado, é interessante observarmos como é que todas as cenas são gravadas dentro do estúdio, sem se recorrer a exteriores, o que nos "teletransporta" para a origem de teatro que o argumento tem. A banda sonora, é muito apropriada no sentido em que está carregada de dramatismo. E claro! A cinematografia também é extraordinária (nomeação para César.
Mas o mais importante, e revolucionário, são sem sombra de dúvida os diferentes finais e a reflexão a que isso nos obriga. É extraordinário pensarmos que uma pequena alteração em relação àquilo que fizemos pode mudar tudo. Mas será que é mesmo assim? Eu sou muito pouco defensor do indeterminismo. Acredito profundamente que tudo está planeado, e se algo não decorre da forma como queremos, tem uma justificação. Nada acontece sem um motivo, tudo tem uma razão. Portanto, não é pelo Miles se rebolar no campo de golfe que isso o impediria de morrer nas montanhas. Isso (não) aconteceu porque estava pré-destinado. Apesar de eu não ser um fã particular da palávra destino, porque acaba por ter uma conotação, por vezes um tanto ou pouco a caminhar para o religioso, e porque realmente, se formos donos do nosso destino, somo-lo inconscientemente.
Alexandre

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Ambição

A ambição é uma característica exclusiva do ser humano. Só o ser humano tem desejo de poder natural e por isso é ambicioso..
Os animais irracionais ao contrário dos humanos apenas lutam quando algo está em risco, seja vida,a própria espécie, a sobrevivência ou mesmo a reprodução., Quero com isto dizer que os animais, na minha opinião são apenas instintivamente ambiciosos e que esse sentido é lhes imposto pelo seu próprio fenótipo, agindo assim de modo diferente dos seres humanos..
Quanto ao homem, na minha opinião, é a inteligência humana que o transforma e que o torna ambicioso, é a sua própria capacidade intelectual que interfere no seu verdadeiro sentido racional
A ambição é um dos defeitos do ser humano sendo uma das principais causadoras de actos de baixo nível, que levam à indecência, à desonra, à desonestidade, à calunia, à ignomínia, à falta de respeito, de carácter e de orgulho,responsável pela enorme crise de valores pela qual passamos hoje em dia...
E se é certo que a ambição também contribui para o desenvolvimento humano, considerando que os ambiciosos são os que não têm quaisquer escrúpulos para ultrapassarem qualquer tipo de barreiras, não será menos certo que a vida de muitos seres humanos foi e continua a ser insuportável devido à exagerada ambição de outros.
Será também, desta forma, a ambição, uma prova de que existe uma espécie de dualismo na evolução humana, no sentido de que para existir o bom tem que existir o mau, pressupondo que a evolução humana partiu do animal não no sentido ascendente, mas num sentido alargado, tornando-se por um lado superior, mas por outro lado inferior ao próprio animal
Rute

Olá

Bem isto não é uma mensagem de comentário mas sim, uma mensagem de comprometimento, a uma participação mais activa na participação do blogue, visto que ainda não escrevi nada. Sei que ainda não participei nesta actividade, não porque não tive tempo mas sim, por falta de vontade. Daí que gostaria da vossa ajuda no sentido de incentivo a participar no blogue a partir dos próximos filmes.

Boa noite e até amanhã. João Barreiros (eu acho que o nome aparece mas assim tenho a certeza)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Cinemateca e próximo filme

Como não houve grande resposta nem sobre a ida á Cinemateca, nem sobre o próximo filme, o primeiro sobre a temática dos valores, vamos abordar os dois assuntos na próxima aula. Combinamos uma possível ida à Cinemateca e eu levo os dois filmes e escolhemos na aula.

Jorge

domingo, 14 de novembro de 2010

Sondagens

Em primeiro lugar sondagens (peço desculpa pelo atraso):
1(9%); 2(4%); 3(0%); 4(23%); 5(61%)
O "Mr. Smith Goes to Washington", é de longe o filme que vimos que obteve maior nª de valores 5.
Nova sondagem, toca a votar. Parece-me que esta deve de ir ser mais polarizada...

O estado a que isto chegou!

Em vez de fazer um texto todo ''seguido'' decidi ir comentando algumas questoes abordadas aqui no blog sobre o comunismo:



1- Se a ambiçao é de natureza Humana? Sim! Mas integra-se na ideologia do ser humano e por isso é alterável.A ambiçao individual nao vai contra a ambiçao colectiva, nao sao opostos, isto é , um individuo pode ter a ambiçao de se melhorar a si( visto que a ambiçao nao é só a nivel material, passa tambem por ambicionar mais conhecimento, cultura...) para transmitir a outros melhorando o colectivo, e assim sendo a ambiçao nao passa por ser melhor que o outro mas sim ser melhor do que era .Por exemplo um pai, ou uma mae, pode ambicionar uma ''boa'' educaçao para o seu filho, neste caso onde está a ambiçao material?,nao terá uma sociedade familiar uma ambiçao colectiva nao necessariamente material?
Ambiçao do ''Leão'', só se for para ganhar o campeonato...

2- Aquilo que caracteriza uma sociedade é quem é o detentor dos principais meios de produçao. Uma sociedade socialista, rumo ao comunista é caracterizada pelos principais meios de produçao serem propriedade social.

3-O proletariado é um conjunto de individuos que a unica coisa vendavel que tem é a sua força de trabalho. Desde que exista alguem que venda a sua força de trabalho, há proletarios, logo excepto nas fases de comunismo primitivo existiu sempre o proletariado embora sob varias designaçoes.

4- O Socialismo e a sua forma suprema, o Comunismo, defendem a igualdade. ''o socialismo iguala o que é diferente'', nao é verdade, isso chama-se igualitarismo, o socialismo pede a cada um de acordo com as suas capacidades concedendo de acordo com as suas necessidades.Uma familia com 5 filhos estudantes recebe mais da sociedade para satisfazer as suas necessidades do que uma familia com um agregado familiar menor.

5- A China continua a chamar-se República Popular da China,, continua a ser dirigida pelo Partido Comunista Chinês e os principais meios de produçao continuam a ser propriedade social.O que é entao a implosao da China?e Cuba e Vietname? e o que está a acontecer no Brasil? e mais concretamente na Venezuela,na Namibia ou na Líbia para citar só alguns exemplos em diferentes continentes.
Sérá que as condiçoes de trabalho da tão apregoada India(tao capitalista) sao melhores que as da China ou serão francamente piores? e as ''castas'' inconstitucionais desde a independencia que continuam bem presentes?e os trabalhadores sem seguro nos EUA que nao sao tratados nos hospitais? e a sitiaçao da Russia, em que hoje quem manda é a máfia, nao vejo o capital internacional a criticar a situaçao!
A diferença entre ricos e pobres nao caracteriza um regime, o que o caracteriza é quem detem os meios de produçao( como ja referi anteriormente).Na China, hoje em dia vive-se numa sociedade de transiçao a caminho da sociedade Socialista, ela também por si uma transiçao para a sociedade utópica(ideal,suprema) Comunista.

Cinemateca

Nos dias 23 e 30 pelas 15,30, passam dois excelentes filmes na Cinemateca. No dia 23 o clássico de Jean Renoir «Esta Terra é Minha» e no dia 30 o badaladíssimo «O Salário do Medo» de Henry-Georges Clouzot.

Eu pensei que poderíamos ir ver um destes filmes. AS 3ªs feiras são dias maus para mim, porque tenho uma aula entre as 13,30 e as 15, mas, com um bocadinho de esforço, conseguia pôr-me em meia hora na Cinemateca. Também não sei da vossa disponibilidade, com testes e isto tudo.

Podemos falar sobre isso na próxima aula.

Jorge

Filme da próxima semana

Para a próxima 5ª feira estou indeciso entre duas obras primas: o filme Ladrões de Bicicletas de Vittorio de Sica, o mais amado dos filmes do neo-realismo italiano e por alguns críticos considerado como o mais importante filme de todo o cinema europeu; e o Fumar/Não Fumar (só podemos ver um) de Alain Renais já considerado por alguma crítica como o mais revolucionário (esteticamente) filme dos anos 90.

O filme de De Sica refere-se sobretudo ao condicionamento das decisões. O que torna as pessoas más e as pode levar a roubar? O filme de Alain Resnais aborda a problemática de como uma decisão tomada num determinado momento, pode alterar toda a nossa vida. Trata-se da velha discussão entre o acaso e o destino. Além disso, tem a vantagem de nos fazer soltar umas boas gargalhadas.

Qual a vossa opinião? Vemos os dois em semanas sucessivas? Vemos só um? Neste caso, qual? Vemos algum outro sugerido por alguém da turma.

Pronunciem-se por favor.

Jorge

Início do ciclo sobre os valores

Como combinamos na aula, vamos agora iniciar o ciclo sobre os valores. Basicamente, pensava seguir uma espécie de programa clássico: uma abordagem ao problema da relação entre o livre arbítrio e o determinismo, os valores éticos (em gerais e aplicados), os valores estéticos e os valores religiosos.

Estive a fazer uma lista de 40 filmes que me parecem interessantes sobre estes temas. Claro que não queria que víssemos mais do que 12, atendendo a que ainda vamos passar pela ciência e depois pelo sentido da existência. A estes 40 filmes, ainda acresce, aqueles que vocês sugerirem e, como os temas agora são mais do vosso agrado, espero receber bastantes propostas.

Eis a minha lista de filmes:


Livre Arbítrio/Determinismo:

• Alain Resnais – Fumar/Não Fumar (anti-determinismo)
• Ingmar Bergman – Saraband (o sentido das escolhas)
• Vittorio de Sica – Ladrões de Bicicletas (o condicionamento social das escolhas)
• Woody Allen – Match Point (o acaso)

Os Valores Éticos

• Abbas Kiarostami – O Sabor da Cereja (O Suicídio)
• Clint Eastwood – Million Dollar Baby ( A Eutanásia)
• Douglas Sirk – Imitação de Vida (O Racismo)
• Elia Kazan – A Luz é Para Todos (o Anti-semitismo)
• François Truffaut – A Noiva estava de Luto (Justiça por mão própria)
• Jean Pierre/Luc Dardenne – O Filho (O dever moral e o interesse pessoal)
• Jean Renoir – La Chienne (A Pena de Morte)
• Jean Renoir – A Grande Ilusão ( O sentido moral da guerra)
• João César Monteiro – A Comédia de Deus (Para Além do Bem e do Mal)
• John Ford – O Homem Que Matou Liberty Vallance (O amor e o sentido do dever)
• Luchino Visconti – Belíssima (As projecções familiares)
• Luís Buñuel – A Bela do Dia (A transgressão dos valores familiares)
• Luís Buñuel – Viridiana (A sentido da caridade)
• Michael Haneke – A Pianista (A sexualidade como perversão)
• Orson Welles – O Mundo A Seus Pés (manipulação dos mass media)
• Rainer Werner Fassbinder – O Direito do Mais Forte à Liberdade (A homossexualidade)
• Spike Lee – Verão Escaldante (A Intolerância)
• Sidney Lumet – Doze Homens em Fúria (A relatividade da Justiça)
• Sidney Lumet – O Morro (A obediência cega)
• Stanley Kubrick – Horizontes de Glória (A Honra e o dever)
• Stephen Frears – Estranhos de Passagem (O tráfico de órgãos humanos)
• Todd Haynes – Longe do Paraíso (transgressão e normalidade)
• Tom Mccarthy – A Estação (Discriminação)
• Wong Kar-Wai - Disponível para Amar (O amor e a frustração)
• Woody Allen – Crimes e Escapadelas (A injustiça da justiça)


Os Valores Estéticos

• Agnés Jaoui – O Gosto dos Outros (a formação do gosto)
• Anron Corbjin – Control (ascensão e declínio de uma estrela pop)
• Billy Wilder – O Crepúsculo dos Deuses (o show bizz e o declínio das vedetas)
• John Cassavetes – Noite de Estreia (a criação como improvisação)
• Luchino Visconti – Morte em Veneza (o sentido do belo)
• Todd Haynes – Velvet Goldmine (As metamorfoses da criação artística)
• Victor Erice – O Sonho da Luz ( as contradições da criação artística)


Os Valores Religiosos

• Carl Dreyer – Dia de Cólera (a intolerância religiosa)
• Carl Dreyer – A Palavra (a problemática da fé)
• Luís Buñuel – A Via Láctea (o absurdo do cristianismo)
• Philip Gröning – O Grande Silêncio (o recolhimento e a meditação transcendente)

Se tiveram paciência para lerem tudo, parabéns!

Jorge

"Existe alguma natureza humana?"

Até que ponto influenciam mecanismos racionais naquilo a que chamamos “natureza humana”? E quando isto acontece, concordamos todos que já não podemos chamar-lhe um instinto? Muitos até falam em suprimir o seu instinto porque não lhes parece a forma correcta de agir (estigma social?), e o que passam cá para fora é precisamente o inverso. Aliás, há quem lhe chame o instinto animal, e aqui ainda se torna mais fácil compreender esta tendência para o querer anular na nossa sociedade, pois muitos reagem mal a esta palavra, “animal”. Criou-se uma conotação depreciativa à volta desta e tenta-se evitá-la à força toda, e assim perguntamo-nos se não será o chamado “instinto” humano apenas o instinto animal moldado por todos os elementos sociais, racionalizado (daí a enorme dispersão, confusão e as imensas teorias)? Mas quando isto sucede desta maneira, mais tarde ou mais cedo, deixa-se escapar um bocado deste instinto a que se tinha feito campanha contra. Será que é por isso que, quando se chega a posições de poder, vemos frequentemente acções antagónicas das iniciais? Será esta a origem da falta de coerência? Será o verdadeiro instinto animal a falar mais alto? Como o Gonçalo dizia, quando se fala do leão ou da formiga, podemos ter a certeza que está na natureza deles aquela acção, e connosco? Não funcionaria melhor se assim fosse? Não teremos esse instinto animal algures ? Já Fernando Pessoa dizia “ Bom servo das leis fatais/Que regem pedras e gentes, / Que tens instintos gerais/E sentes só o que sentes”, quando falava do gato que brinca na rua, de forma instintiva e natural, com a sua irracionalidade que o impede que chegue a toda esta dispersão humana, age precisamente consoante sente.

Se formos pensar em algumas tribos, parece-nos óbvio o espírito de grupo. E assim perguntamo-nos, é só quando se chega a outro patamar, quando a tribo ou qualquer outro grupo já está bem instalado, seguro, e tem bases sólidas, que começam a surgir aqueles que já se mostram insatisfeitos com esta igualdade e ambicionam mais? Será que a maior parte das pessoas só ambiciona este nível de igualdade, o movimento de rebanhos, como dizia o Nietzsche, num clima adverso, fraco, e, quando este é ultrapassado, a insatisfação não tarda a chegar, já se quer distinção pessoal?Com certeza rapidamente surgem muitos contra-exemplos para isto, as posições são muitas, e a história mostra-o.

Isa

sábado, 13 de novembro de 2010

Ambição e Comunismo

Acho que uma das questões centrais ligada à colocação em prática do comunismo é saber se a ambição é de natureza humana e, se sim, será possível transportá-la do individual para o colectivo?
1. A ambição, muito resumidamente, é, na minha opinião, aquilo que nos leva a ser melhor que os outros. É algo individual e específico a cada ser humano. Se a nossa ambição é de riqueza material, então queremos ter mais dinheiro que os outros. Se a nossa ambição é de riqueza intelectual, então queremos ser mais inteligentes que os outros. Se a nossa ambição é a de fama, então queremos ser mais famosos que os outros... A ambição parte, então, de um desejo ou de uma necessidade, quase inconsciente, de diferenciação dos outros (de anormalidade, de originalidade). É egoísmo.
2. Será a ambição inconsciente? É que se for, podemos dizer sim a ambição faz parte da natureza humana. Mas a natureza humana é manipulável...
3.O que é que é a natureza humana? É também a natureza e instintos de outros animais? Então a ambição é um instinto de outros animais? Há espécies de animais que encontram na sublimação individual o instinto de sobrevivência (leão), já outras encontram-no na cooperação e no esforço colectivo (formigas). O leão tem uma ambição individual, as formigas têm uma ambição colectiva (chamemos-lhe assim). E nós?
4. Nós temos uma ambição individual. Mas nós, ao contrário dos outros, somos animais racionais, pelo que, dentro da nossa própria natureza, temos a capacidade de manipular os nossos instintos básicos. Logo, temos a consciência para definir e manipular os instintos. Temos a possibilidade de optar por uma sociedade que se rege pela ambição individual e por outra que se rege pela ambição colectiva.
5 (O que é que essa conversa toda tem a ver com o comunismo?). Se realmente pudermos optar por estas duas possibilidades, a que parecerá mais fácil será a da ambição individual, porque é inconsciente - a moral do capitalismo. Mas se pensarmos que a sociedade é melhor baseada na ambição colectiva temos a moral do comunismo.

Comunismo, capitalismo e natureza humana

Na nossa discussão de 4ª feira, foram colocadas algumas questões essenciais não só de filosofia política, mas de reflexão antropológica sobre a própria natureza humana.

os regimes socialistas nacionalizaram toda a propriedade. Considerando o lucro como socialmente injusto, concentraram todas as actividades económicas nas mãos do estado. A motivação para o trabalho deveria vir de objectivos colectivos e não individuais.

Uma das críticas mais frequentes a estes modelos, foi corporizada pela Alexandra: o socialismo iguala o que é diferente. Trata de igual modo os que se esforçam e os que não se esforçam, os que têm ambições e os que não têm. Se eu tenho o meu salário garantido no final do mês, porque é que hei-de estar a esforçar-me a trabalhar mais, se esse trabalho não vai ter nenhuma recompensa financeira. O regime estagna em termos económicos. Cada um faz apenas o necessário para sobreviver. Os defensores do capitalismo defendem assim uma sociedade baseada no mérito individual. Esforças-te mais, trabalhas mais, és melhor e terás a devida recompensa.

Os defensores do socialismo consideram este princípio como uma falácia. Raramente a riqueza foi obtida por meios honestos. A ganância e o lucro capitalistas levam a que uma maioria seja explorada por uma minoria. A propalada igualdade de oportunidades do sistema capitalista, na prática, não existe. São raros os casos de promoção social. Quem nasce pobre,terá sempre enormes dificuldades em sair da pobreza. Por isso se justifica um papel central do Estado, com a promoção de serviços públicos universais e com a cobrança de impostos a quem tem mais dinheiro de forma a permitir essa igualdade. Foi essa, basicamente, a posição defendida pelo André na discussão.

O Gonçalo colocou uma questão central e muito importante: a natureza humana é compatível com um regime socialista que privilegia o colectivo em detrimento do individual? A pergunta também se pode colocar relativamente aos regimes capitalistas. E também se pode colocar de outra forma: existe alguma natureza humana?

Jorge

Ainda o problema do comunismo

O comunismo moderno surge com Karl Marx e Friedrich Engels em meados do século XIX. Segundo estes dois filósofos as suas concepções do mundo correspondem a uma nova etapa da sociedade com o aparecimento de uma nova classe social - o proletariado - condenada a vender a sua força de trabalho.

Os trabalhos de Marx e Engels sobre o modo de funcionamento da sociedade capitalista são de uma acutilância demolidora e ainda hoje mantêm uma grande parte da sua actualidade. Já são mais dúbios no que diz respeito à proposta de um novo modelo de sociedade. A futura sociedade comunista foi descrita por Karl Marx como a sociedade do pão e das rosas.

Inspirado nas teorias marxistas, Lenine conduziu a Rússia, em grande parte rural e atrasada, a uma revolução socialista em 1917. Após a 2ª guerra mundial, o chamado campo socialista, alargou-se consideravelmente com os países socialistas da Europa de Leste, depois com a revolução popular chinesa (1949), com a revolução cubana e nos anos 70 com os movimentos de libertação colonial africanos e asiáticos. Grande parte da população mundial viveu sob regimes socialistas.

Estes modelos implodiram no final dos anos 80. Com estrépito como foi o caso da queda do muro de Berlim, ou de forma silenciosa como foi o caso da China. Dizer-se que a China é um país socialista hoje, não passa de uma mistificação. A China tem das leis laborais mais repressivas do mundo, dos horários de trabalho mais exigentes e uma diferença abissal entre ricos e pobres.

Não é fácil fazer um balanço sério e desprovido de preconceitos ideológicos sobre esta experiência do século XX. Em certos aspectos o modelo socialista foi um monstro que provocou milhões de mortos. Noutros foi um regime que permitiu conquistas sociais e civilizacionais importantes.

De qualquer modo, o comunismo foi incontornável no século XX. Se o será ainda no século XXI é algo que ainda está em aberto. É que até agora ainda não se descobriu uma alternativa mais consistente ao sistema capitalista. E quando este parece entrar em crise e quase em colapso, como sucede actualmente, parece ser o comunismo que funciona como uma alternativa a quem se sente injustiçado por este sistema.

Jorge

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Palombella Rossa

Queria apenas dizer que gostei bastante do filme que vimos hoje, Palombella Rossa de Nanni Moretti.

Confesso que sem o esclarecimento do professor não percebi totalmente o contexto do filme.
Com ele também não fiquei própriamente elucidado sobre tudo o que se passou, embora me tenha ajudado a situá-lo, o que é sem dúvida essencial.

No entanto, imaginemos que a minha percepção não foi sido alterada por qualquer tipo de influência externa.
Aquilo que vi foi absolutamente caótico. A realidade e a os pensamentos de "Michele" completamente misturados. Ele fala sozinho, mas estará a falar sozinho?

As várias personagens-tipo que o perseguem, o católico e o teólogo, o sindicalista, os partidários: fragmentos da sua mente, todos os argumentos que ouviu na sua vida e que tenta reconstruir.
Tudo isto é exposto para ilustrar o raciocínio que a personagem principal faz e fará para descobrir porque é comunista. No entanto, pouco me pareceu muito claro.
Além disto, os treinadores e o árbitro parecem querer obter a aprovação e ouvir os conselhos dos seus "ídolos", digamos, que os perseguem durante o jogo. Michele aparenta rejeitar estrangeirismos "americanos" e procura o seu verdadeiro eu. A própria simbologia do jogo ainda está um pouco confusa na minha cabeça.

A inclusão do Dr. Jivago na equação pareceu-me brilhante, mas sinceramente não sei explicar porquê. Algo sobre uma visão romântica daquele período da história - contra a crueldade do regime do Czar e contra a do comunismo, defensor de algo mais livre - em contraste com a realidade...
O abandono do jogo por parte dos espectadores e dos jogadores para ver o mesmo é também muito interessante, como que o abandono de tudo o que é político a favor do entretenimento.

O filme tem um humor muito peculiar: a música que aparece do nada, os incessantes "lembras-te?" (não vou fingir que tenho um extenso conhecimento da língua italiana), as reacções praticamente esquizofrénicas de Michele, o treinador da sua equipa, os berros que nos acompanham durante a maioria do filme...o próprio acidente de carro!

O final foi igualmente enigmático, algo bem à moda do 2001: Odisseia no Espaço, ou algo do género.

Bom, provavelmente já devem ter descortinado que tenho uma ideia muito ténue do que falo. Creio que preciso de ver este filme mais vezes para o perceber, mas ao mesmo tempo há algo que me diz que talvez isso seja desvirtuá-lo. Hei-de atirar uma moeda ao ar. Ou um palhaço.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Falam, falam, falam, falam, e eu não vejo ninguém a fazer nada!

    Vi há tempos uma série americana em que uma das personagens principais dizia: “Quando se soube que a história das armas de destruição maciça não era verdadeira eu esperava que o povo americano se revoltasse. Ha! Não o fizeram. Posteriormente, quando a história da tortura em Abu Ghraib [prisão iraquiana] veio à superfície e foi revelado que o nosso governo participava na capitulação, uma prática que consiste no rapto de pessoas e na sua entrega a países com regimes especializados em tortura, eu tinha a certeza que o povo americano se faria ouvir. Nós mantivemo-nos mudos. Depois surgiu a notícia que aprisionávamos milhares de supostos suspeitos terroristas, prendíamo-los sem direito a um julgamento ou até o direito de confrontar os seus acusadores. Certamente nunca iríamos aturar uma coisa como esta. Foi o que fizemos. […] De facto, se o povo do nosso país se pronunciasse, a mensagem seria «nós não nos importamos com nada disto». Tortura, buscas e apreensões sem mandato, escutas ilegais, prisão sem um julgamento justo ou qualquer julgamento, guerra sob pretextos falsos. Nós, como o conjunto dos cidadãos, aparentemente não nos ofendemos".

    A triste verdade é que isto é o que realmente acontece nos dias de hoje. Tanto na América como em Portugal, nós suportamos tudo, até as maiores aldrabices e falcatruas! Quando é que será que o povo abrirá os olhos e fará alguma coisa?! Aliás, porque é que o povo ainda não fez alguma coisa?! Onde é que estão as manifestações estudantis do tempo de Salazar, como as de Coimbra, que, quando o governo errava, iam para a rua fazer-se ouvir? E reparem que nessa altura não éramos livres de o fazer, enquanto agora já somos. Dizem-nos que a liberdade de expressão é garantida pela constituição… Garantida uma ova, agora somos condicionados pelo que o Estado nos impõe. As notícias não parecem tão más, pois a maioria ou são pagas pelo Estado ou passam em meios tão sensacionalistas que já não acreditamos numa só palavra que deles venha; os comportamentos são padronizados nas escolas, temos apenas o direito “fictício” de ser todos diferentes e ter opiniões divergentes, o Estado quase que nos obriga a sermos todos iguais e é óbvio que o Estado não nos vai ensinar a pensar por nós, não lhe dá jeito, assim seríamos, de facto, capazes de fazer uma revolução; quem chega a líder, a político nos casos português e americano em particular, hoje em dia, são maioritariamente burgueses de classe média-alta, mais alta do que média, a quem não dá jeito deixar de ser rico, privilegiando sempre o seu meio. Como resultado, as pessoas que mais tarde serão líderes não vêm de baixo, não são “self-made men”, não precisam de se rebelar para chegar ao topo, basta seguir os padrões mínimos, não “fazer ondas” e decididamente que não cortar a “TVI” ou a revista “Maria”. Aliás, julgo que a única maneira de haver uma insurreição era cortar as revistas das fofocas e os fundos ao Benfica. Se isso acontecesse a revolução era certa!

    A maioria da população é demasiado pessimista e derrotista para se revoltar por uma razões muito simples. Eu sou vegetariano e acredito que o Mundo tem de mudar quanto à produção massificada de animais. Quando  digo isto às pessoas elas respondem-me com um “Que diferença farás tu quando poucas são as pessoas que agem assim?”. Na minha opinião esta é uma das grandes razões para o povo não se rebelar contra o que quer que seja! Toda a gente considera que não tem importância, que a sua acção não mudará nada, mas eu tenho uma notícia para vocês: Os grandes líderes revolucionários eram tão vulgares como nós! Ninguém nasce a liderar uma revolta, quem o quiser fazer tem de difundir os seus ideais e lutar por eles!

    Se achas que tomar conta do poder é uma atitude demasiado radical, contenta-te apenas com a insurreição: defende os teus direitos, ou os direitos que deverias ter, e faz a diferença!

Filme de Amanhã

Olá a todos!
O "Palombela Rossa" de Nanni Moretti foi o filme escolhido com 50% dos votos, a seguir ficou o "O Couraçado Potemkine" de Einstein 27%.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Parabéns!

Parabéns a todos já atingimos os 100 posts!
Amanhã fecho as sondagens para o filme de Quinta-feira. Assim sendo, quem ainda não votou...
Alexandre

Mr Smith Goes to Washington

Come que é pessoal

Venho aqui deixar o meu 1º comentário 

Sobre o filme tenho a dizer que é de facto uma pena que ele seja a preto e branco que torna sempre a coisa um pouco mais chata, mais o conteúdo em si era interessante, mostra de uma forma directa, bruta e realista o que é de facto a politica e o mundo que gira em torno da mesma, um mundo onde as ideias e ideais se vergam perante interesses e forças maiores, a única critica que se calhar faria esta no facto de autor não seguido a sua linha de ideia e ter embelezado o filme com um final tão pouco realístico que passou pela vitoria do Mr Smith.

Porque da critica eu penso que as penso que as pessoa devem parar de por panos quentes no que é a nossa realidade e de facto deixar de inventar finais felizes onde eles mão existem principalmente na maquina que é a politica, temos de deixar de dar esperanças as pessoas como passa a mensagem final do filme temos de saber que não é por gritamos mais alto ou por falarmos por mais tempo que as coisas vão mudar, ninguém vai porque ninguém pode derrotar uma maquina tão bem oleada como é a politica, desculpem a dureza não quero ofender ninguém, NÃO HÁ MINGUEM QUE CONSIGA ENTRAR NA POLITICA PASSAR PELA SUA PODRIDÃO E SAIR DE LA SAUDÁVEL,essa é a lamentavel realidade que infelimente é camuflda no final do filme, nem que nos queiramos eles não deixam os media são deles eles filtram informação e o que passam é apenas para estandardizar-nos, domesticar-nos e nos papamos independentemente das ideais e ideais politica é corrupção por os primeiros que a formaram eram corruptos, corromperam os seus sucessores e por ai em diante a coisa ta tão misturada que agora ta difícil de separar, O QUE NASCE TORTO tarde OU NUNCA SE ENDIREITA. Pensem no porque do tarde estar a minúsculo em uma frase maiúscula. 

Faustino M             

domingo, 7 de novembro de 2010

Votem no filme de 5ª feira

Olá a tod@s

Até agora ainda só houve 7 votos para a escolha do filme desta semana.

Agradeço que votem para que a escolha seja mais representativa.

Jorge

Democracia?

Antes de mais, gostaria de referir que este foi o filme que mais me agradou de ver na disciplina até agora. Apesar da história não ser muito original (um indivíduo vs o "mundo") nem propriamente realista, é um filme muito bem feito, com uma personagem principal da qual é fácil de gostar e apoiar.

Eu penso que este filme, embora embelezado com a derradeira vitória de Smith no fim da película, retrata de forma crua e dura a política norte-americana (que, no final de contas, acaba por ser um exemplo para toda a política ocidental). O que Frank Capra nos demonstra através desta história é que cada vez mais os políticos passaram a ser fantoches controlados pelos grandes grupos económicos, em vez de serem as os exemplos que lutam pelos direitos dos cidadãos como deveriam ser. Fundamentalmente, este nosso conceito actual de "democracia" é ilusório, pois não passa de uma ditadura do capital. Escolhamos o partido que escolhamos, no fundo, os políticos eleitos vão ter de balancear as suas decisões entre as decisões em prol do povo e as decisões em prol dos "barões" que os controlam. Naturalmente, as decisões irão inclinar-se para o lado os "barões".

Penso que o que é mais agravante neste sistema político é que este está mais e mais dependente do capitalismo para sobreviver. Um jovem como Smith quando chega a uma posição de poder é confrontado com duas escolhas: ou luta pelos seus ideais e pelos direitos do povo e tenta promover uma mudança, o que é provável visto ser uma tarefa hercúlea (como pudemos assistir), ou deixa-se perverter e passa a pertencer à (grande) maioria dos políticos (corruptos) que agem de acordo com as directrizes que os magnatas lhes colocam. É uma situação que infelizmente não me parece ter volta a dar ou fim enquanto o capitalismo for a força motriz deste mundo. O ciclo é de tal forma vicioso que a democracia já funciona apenas com base no poder político, necessita dos tais "apoios" económicos para sobreviver. Apoios esses que causam o contínuo atropelo de direitos humanos que subsiste até aos dias de hoje.

Peço desculpa pela brevidade do comentário, nos próximos dias publicarei uma continuação, mais inclinada para o poder dos media na sociedade, tal como pudemos observar no filme.

António MS


Olá a todos!
Na minha opinião, juntamente com o "Rosetta", este "Mr Smith Goes to Washington" do Frank Capra é um dos melhores filmes que vimos.
Este é um filme que denuncia perfeitamente os lobbys americanos e a corrupção que invade todo um sistema. Apesar de o filme ser bastante interessante, a personagem representada pelo James Stewart, é impossível de se transpor para a realidade. Até hoje, nenhuma formiga conseguiu derrubar um império, pode ir picar o grande líder, mas não o mata. São muitos os que querem mudar o mundo, mas no fim acabamos por nos limitar a uma vida igual a tantas outras, acatando com o sistema e até celebrando-o. Sim, podem existir jovens políticos honestos, mas pouco tempo depois de começarem a exercer funções, muitas vezes, sem dar conta (ou fingindo que não dão) acabam por se entrelaçar nas teias da corrupção. Os que já estão instalados têm que ser muito poderosos para não ser corruptos, e por conseguinte, têm que ser corruptos. Como referi no comentário ao texto da Patrícia, a corrupção não é um mal aqui do nosso pequeno burgo, como demonstra o filme, mas o nosso país é realmente um sonho para esta prática. É exactamente por esse motivo que o nosso Portugal está cheio desse tipo de pessoas. Podemos dissertar sobre o assunto… Existem dois tipos de corruptos, na minha opinião, são eles os pequenos e os grandes. Os pequenos são os que vivem literalmente à conta do contribuinte, sem cometer nenhum crime propriamente dito. Temos o caso da Sra. Deputada, Inês Medeiros, de quem falei na aula, que todas as semanas vai para a Paris e regressa a Lisboa, em classe executiva, com os custos suportados pelo Parlamento. Pergunto-vos agora como é que uma pessoa que tem residência em Paris, pode ser eleita deputada do Parlamento português, ou seja como é que conhece os problemas do nosso país e do circuito pelo qual foi eleita (julgo Lisboa?). Esta é a pequena corrupção, porque é permitida pela constituição, pode ser feita às claras. A grande corrupção é a de indivíduos que se licenciam ao Domingo (julgo Sr. Primeiro-Ministro?) e cujas mães nunca descontaram para a segurança social e hoje têm reformas de 3000€ e vivem num nobre edifício da Rua Castilho. Grande corrupção é uma pequena empresa chamada “Mota-Engil” (já aqui referida pelos melhores motivos) ganhar todos os concursos para grandes obras públicas. Mais não sei, mas de certo que muito se passará. E porquê? Porque nós, povo, eleitores colocamos estas pessoas no poder, somos o seu sustentáculo. Agora perguntam vocês, será que se fosse para lá outro partido seria diferente? Não me parece. As duas alternativas mais populares do momento, PSD e BE (a segunda sendo pouco provável que lá chegue), também revelam muitos sinais de incoerência. O Presidente do primeiro é a “Barbie e o Ken na Praia” de um Senhor chamado Ângelo Correia, e tem um passado muito “doce” (“Bem Bom!”), o “Coordenador” (jamais Presidente de partido, que jamais passará de Bloco por escolha própria) fala mal das PPR’s mas ele próprio é detentor de várias (segundo a SIC).
Falando de comunicação social… no nosso país temos dois grandes Barões, Joaquim de Oliveira (não sei se é dr.) e Dr. Francisco Pinto Balsemão (este sim doutor, assim penso). Os dois com ligações partidárias, o primeiro mete-me medo, o segundo parece ser o que tem a televisão menos bias no nosso país. Mas são estes senhores que controlam aquilo que o povo português pensa, e esta realidade transpõe-se para outros países. Os jornais e as grandes cadeias de televisões controlam o que as pessoas pensam, que por sua vez são controladas pela política, que por sua vez é dominada pelo Capital = ditadura do capital.
O stôr falou sobre isso quando fez referência à carta de protesto que enviou para o "Público" e que não foi publicada. Então onde é que está o José Manuel Fernandes, essa figura que tanto lutou contra a corrupção na política, que segundo muitos afirmaram, foi despedido por causa disso...
Claro que temos jornalistas (julgo sensacionalistas) que lutam pela liberdade de imprensa, e blah blah wiskas saquetas…

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Democracia e transparência II

Vamos então falar de indecências... e de promicuidades entre a política e a economia!
Claro que o filme do Capra se mantém, e infelizmente irá manter por muito tempo, actual. Tal como os documentários - goste-se ou não da forma - do Michael Moore. Isto porque na história da humanidade - perdão, do capitalismo -, há casos de sobra como os que são relatados no filme e que o professor indica no texto. Como não caberiam num comentário desta natureza todos os que são conhecidos e recentes no mundo, façamos uma reflexão sobre o que se passa neste cantinho afastado do centro de decisão da Europa mas bem no centro do Planeta.
Expressões como complots, compadrios, subversões, desonestidades, "não há almoços grátis", luvas, etc, aplicam-se às ligações obscuras entre a política e a economia. Melhor, entre os interesses políticos e económicos. Quem não houviu falar no processo Face Oculta? Farmacêuticas? BPN? Submarinos? Freeport? Ou o recente que envolve dirigentes da Mota Engil? Qual será o denominador comum destes casos e de muitos outros que a memória de momento não me traz? As ligações e interesses dos políticos com os gestores que foram ou querem vir a ser políticos? Claro que o recíproco também é válido. Em países como Portugal, é infelizmente fácil cair-se na tentação de tirar proveito próprio de situações privilegiadas que se ocupam em determinado momento. Daí que não é difícil perceber porque é que quase todos os gestores (?!) das principais empresas de capitais públicas são ex-ministros ou detiveram um qualquer cargo importante num Governo ou num partido. Desta forma como se pode esperar que se aponte o dedo a quem num cargo que se quer vir a desempenhar um dia? Se assim for, quando se lá chegar a coisa já não dá. E nisto, como em muitas coisas na vida não convém ficar mal na fotografia. Lembremos a promiscuidade do caso Face Oculta que envolve ex-governantes e sobre o qual há uma "heroína" anunciada: a ex-secretária de estado dos transportes que se recusou a pactuar com actos fraudulentos que não tarda serão do conhecimento de todos. Lembremos até o caso da formação do Primeiro-Ministro e de vários elementos dos dois últimos Governos com diplomas passados ao fim-de-semana (?!...). Lembremos obras e mais obras licenciadas sem que estejam cumpridos os requisitos legais ou autorizações que aparecem sem se saber como nem porquê. Numa pesquisa simples no Google com a designação "prosmicuidade entre política e economia" surgem 56900 resultados em 0,30 segundos. Como se vê é matéria fértil em casos. Por outro lado, em países como Portugal, a rotatividade entre partidos políticos no poder é um factor facilitador deste tipo de situações pois á fácil prever quando se está em posição privilegiada para "preparar" o futuro. Além de que a corrida a cargos de topo (sempre em empresas públicas que em muitos casos dão milhões de prejuízo) tem de ser bem doseada para que haja um equilíbrio entre elementos desses partidos.
Moral d(n)esta história? Não há!

Democracia e transparência

Uma das múltiplas lições que se pode retirar do filme de Capra prende-se com o facto do poder político parecer ser completamente controlado pelo poder económico. Taylor controlava tudo: eleições, opinião pública, assuntos de estado, etc.

Gostaria de deixar um pouco de lado as questões de cariz económico e centrar-me mais nas questões políticas. Se o poder económico controla e dirige o poder político, é a própria democracia que está em causa. Bem ou mal, somos nós que elegemos os nossos representantes políticos. Mas quem elege os donos dos bancos, os Belmiros ou os Amorins? Qual a legitimidade democrática dessas pessoas para condicionarem o poder político?

Pensem agora na actual crise mundial e europeia. Ela foi provocada por especuladores, bolsistas e não só. Quem são eles? Quem votou neles? Quem são os famosos mercados internacionais que parecem brincar com a dívida portuguesa e obriga a classe média e os pobres a fazerem tantos sacrifícios? Quem elegeu as empresas de notação de rating? Afinal vale a pena votar em políticos para nos representarem e governarem, quando eles no fundo são paus mandados dos grandes interesses económicos? Não andamos todos a ser enganados? Não seria preferível que o Belmiro e o Salgado do Bes e mais o Amorim se apresentassem ás eleições em vez do Sócrates ou do Passos Coelho? Afinal, o que é a democracia?

Apenas mais um pormenor; Há alguns anos um dos mais proeminentes dirigentes do PS, ex-ministro, abandonou inesperadamente a vida política e foi contratado a peso de ouro para dirigir o maior grupo de construção civil português. Porque terá sido, quando a esse dirigente não lhe era reconhecido no seu curriculum nenhum especial mérito enquanto gestor de empresas, uma vez que quase toda a sua vida foi dedicada à política? A resposta não é difícil se pensarmos que a esmagadora maioria das obras realizadas em Portugal são adjudicadas pelo Estado ( escolas, estradas, pontes, caminhos de ferro, etc.).

Por isso, 70 anos depois o filme de Capra é tão actual. Sabem porque é que nos EUA não é possível aprovar nenhuma lei que condicione o acesso dos cidadãos ao porte de armas e as munições se possam comprar de forma tão simples numa estação de serviço como se fosse um pacote de pastilhas? Porque o lobby mais poderoso dos EUA chama-se RNA e defende o uso e posse irrestritos de armas.

Pessoalmente acho o Michael Moore um mau documentarista. Mas, que grande parte do que ele diz é verdade, isso não pode ser negado, sobretudo no que diz respeito ao controlo do poder político pelos grandes grupos económicos. Durante anos o presidente Bush empenhou-se em mostrar que as alterações climatéricas eram uma falácia. Servia apenas os interesses das grandes empresas americanas ligadas às energias poluentes, sobretudo as petrolíferas que não queriam que se questionasse a influência que o desregrado consumo de energia, que eles chamam o "american way of life" tem sobre as alterações climatéricas. E isso, não é apenas uma injustiça: é uma indecência.

Jorge
Olá a todos!
Já temos sondagem para o filme desta semana: Mr. Smith Goes to Washington" de Frank Capra!
Vou acrescentar outra sondagem para escolhermos o filme desta semana (relacionados com o comunismo) que o stôr sugeriu.
Stôr, quarta-feira fecha-se a sondagem e assim poderá escolher o filme.
Alexandre

Sondagens

"Pump Up the Volume": 1(0%); 2(20%); 3(6%); 4(53%); 5 (20%)
"Rumble Fish": 1(8%); 2(8%); 3(58%); 4(8%); 5 (16%)

"Stand by Me": 1(0%); 2(29%); 3(41%); 4(23%); 5 (5%)

"This Is England": 1(0%); 2(0%); 3(33%); 4(46%); 5 (20%)

"A Onda": 1(0%); 2(6%); 3(20%); 4(33%); 5 (40%)

"The Stranger": 1(13%); 2(46%); 3(13%); 4(13%); 5 (13%)

"Rosetta": 1(0%); 2(20%); 3(6%); 4(53%); 5 (20%)

Alexandre Evaristo

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um filme sobre o comunismo

A nossa passagem pelos filmes de cariz político está quase a concluir-se. Gostaria de o concluir com a passagem de um filme sobre o modelo comunista que nos pode proporcionar uma boa discussão. Existem várias possibilidades e gostaria que se pudessem pronunciar:

a) O Couraçado Potemkine de Eisenstein: filme mudo considerado um dos maiores filmes da história do cinema, que aborda o comunismo antes de ele ter acontecido porque relata a revolução russa de 1905.

b) O Sol Enganador de Nikita Mikhalkov; denúncia cruel do estalinismo nos anos 30, como um sistema que não poupa ninguém, nem mesmo as pessoas mais próximas do circulo do poder.

c) A Vida dos Outros de Florian Heckel: a denúncia da Stasi ( antiga polícia política da RDA) e a forma como controlava e reprimia a vida dos cidadãos

d) Palombela Rossa de Nanni Moretti: obra prima absoluta do realizador italiano, um filme denso e difícil, mas extremamente belo, sobre os efeitos provocados pela queda do modelo comunista num dirigente do Partido Comunista Italiano.

Se tiverem outras sugestões, sintam-se à vontade.

Jorge

Frank Capra - Peço a Palavra

Tal como tinha sido combinado, na próxima aula vamos ver o clássico de Frank Capra de 1939, "Mr. Smith Goes to Washington" que em português recebeu o nome de Peço a Palavra.

Frank Capra é um dos maiores cineastas de sempre e aquele que melhor corporiza o sonho americano de uma sociedade livre e democrática em que todos são bem acolhidos e existe igualdade de oportunidades. Mas também o que melhor dá voz à desilusão com o próprio sistema que é frequentemente corrompido pela ganância e por interesses particulares e obscuros.

Com Peço a Palavra, vamos entrar nos mecanismos de funcionamento da democracia, onde a dicotomia entre a transparência e a corrupção, entre o sentido de bem comum e os interesses privados. O filme ainda hoje é considerado por alguns círculos próximos do poder americano e dos defensores do "american way of life" como injusto e até blasfemo.

Podem encontrar aqui o trailer:

http://www.youtube.com/results?search_query=frank+capra+mr.+smith+trailer&aq=f

Rosetta - 2ª parte.

O que é desconcertante num filme como Rosetta, é a forma nada convencional como os irmãos Dardenne tratam as personagens. Falta o herói tradicional que representa o Bem e que se opõe de forma nítida aos maus, numa dicotomia maniqueísta que faz grande parte da história do cinema.

O cinema social, normalmente designado na Europa por neo realismo, teve o seu expoente máximo na Itália das décadas de 40 e 50. Cinema de esquerda preocupado com os mais pobres que se tornam protagonistas (Os pescadores em A Terra Treme de Visconti, um colador de cartazes em Ladrões de Bicicletas de Vitorio de Sica, uma artista ambulante em A Estrada de Fellini, etc.), são filmes geniais, mas que conduzem a uma identificação entre o espectador e as personagens principais vítimas de injustiças, maus tratos e exploração. Não é isso que acontece em Rosetta.

Se podemos considerar que o cinema dos Dardenne se filia nessa brilhante tradição de cinema social, o filme provoca uma ruptura entre o espectador e as personagens, em grande parte porque lhe falta o lastro da moralidade. Rosetta parece-me um filme profundamente ambíguo peça sua amoralidade. Nenhuma personagem serve de exemplo para ninguém: Rosetta quer um trabalho sério, mas não hesita em denunciar o seu único amigo; este é amigo de Rosetta, mas rouba o patrão; este, por sua vez, parece condoer-se de Rosetta, mas despede-a para lá colocar o seu filho; a mãe é fraca e alcoólica; o tipo que vende o gás e liga a água no parque onde elas vivem é mesquinho e ganancioso.

Se, por um lado, o filme se insere na tradição do cinema de esquerda com a denúncia dos mecanismos de funcionamento da sociedade capitalista, por outro lado é um ataque aos principais clichés de esquerda: a da consciência social e de classe dos oprimidos e explorados que levará inevitavelmente a uma transformação social no sentido de uma maior justiça.

E é aí que Rosetta se torna um filme tão interessante. Em termos políticos faz-nos pensar que os mais pobres não querem de facto nenhuma revolução, mas apenas viverem melhor segundo os padrões do capitalismo. A alienação domina-nos por inteiro e a relação com os ricos não é de combater as injustiças, mas sim de inveja.

O assunto dá pano para mangas. Eu que vivi uma revolução por dentro (em Portugal a seguir ao 25 de Abril) vi sempre que os mais revolucionários, os mais generosos e militantes das causas da esquerda, eram estudentes oriundos de classes com algum poder de compra, ou intelectuais que também não eram propriamente pobres. Falavam em nome dos operários e da revolução socialista. Estes iam vivendo a sua vida entre copos e bola. Porque será?

Jorge