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Alexandre
Em relação ao determinismo, há algumas questões que ainda não foram abordadas até agora e que gostaria de ver clarificadas. Para além de muitas coisas que já foram ditas, esta teoria, que eu não apoio minimamente, não é apenas confortável para viver a vida, chega até a ser uma teoria que se pode comodamente defender e exemplificar. A verdade é que a teoria do determinismo tem apenas razão na vertente da causalidade que, pelo que eu entendi a partir do texto do João, segue a mesma linha do “efeito borboleta”, que nos diz que uma pequena acção pode gerar uma cadeia de acontecimentos que originam um evento muito maior. Tirando este ponto, penso que o determinismo está totalmente errado. O que eu gostaria de expor aqui é o seguinte: Vamos imaginar uma pessoa. Essa pessoa vive a sua vida normalmente e de repente dá-lhe qualquer coisa na cabeça e decide fugir de casa de mota. Foi destino. Outra pessoa. Esta já vive de acordo com os padrões da sociedade para qualquer um de nós viver a vida, casa-se, tem um trabalho “das nove às cinco”, tem filhos, etc. Foi o Destino. Uma pessoa como qualquer outra está farta da pressão exercida pelos seus pares, começa a injectar-se com heroína e morre. Foi o Destino. Uma relação entre duas pessoas acaba. Foi o Destino. Fulano atira-se dum prédio. Foi o Destino. Sicrano pisa uma mina no meio do deserto durante as suas férias. Nada que não estivesse destinado! Até eu estou a escrever este texto porque uma entidade superior assim o decidiu… Tudo se pode dizer “pré-destinado”. Colocarei em causa esta certeza dos deterministas mais à frente.
Por outro lado, há essa questão de na História estarem determinados certos acontecimentos e descobertas. Concordo que o Homem acabaria por eventualmente descobrir o Brasil ou vacinas que salvam vidas todos os dias. Mas isto apenas acontece porque está na Natureza Humana a curiosidade, o ser humano procura sempre saber mais e entender coisas que, por vezes, parecem impossíveis de decifrar. Os deterministas mais extremistas poderão dizer que estava determinado, pois o Destino quis que a curiosidade fizesse parte de todos nós. Mas, assim sendo, volto ao mesmo tópico do primeiro parágrafo: pode-se dizer que tudo foi determinado, não interessa, por mais maluca que seja a coisa, não é impossível que tenha sido estabelecida por uma entidade superior. No entanto, estes pensamentos levam-nos a perguntas interessantes que põe totalmente em causa o determinismo. Por exemplo, uma interrogação parecida com a que se faz aos católicos para pôr em causa a sua crença: “Se tudo foi determinado por uma entidade superior e, partindo do pressuposto que esta entidade é solidária e generosa, porque é que há crianças a morrer em África e em todo o Mundo, todos os dias, sem que nunca tenham feito nada de mal?!”. Os católicos “não-deterministas” ainda podem dizer “Deus apenas criou o Mundo e deu ao Homem liberdade de escolha. A bagunça em que o Planeta está é simplesmente obra das pessoas”. Já os deterministas não têm a mesma desculpa, visto que a entidade superior em que acreditam é que decide tudo, ou, como dizia a Rita no debate da última aula, determina 75%. Seguindo o ponto de vista da Rita, como determinar ao certo a extensão do ponto cego de quem escreve o nosso destino?! Vejamos: só África corresponde a 14,2% da população mundial, o que somado às partes da Ásia que estão constantemente em guerra dá certamente mais de 25% da população mundial. Terá a entidade superior um ponto cego de mais de ¼ do Mundo?! Se assim é, porque deveremos acreditar nela?! Ou então será que, à semelhança de Descartes, esta entidade superior é um Génio Maligno?? Julgo que na aula alguém disse que este homicídio em massa feito pelo Destino era para um “bem maior”… Abram os olhos! Qual bem maior?! Os empresários duplicarem a sua riqueza bilionária comprometendo o futuro das crianças africanas?!
Olá a todos!Até que ponto influenciam mecanismos racionais naquilo a que chamamos “natureza humana”? E quando isto acontece, concordamos todos que já não podemos chamar-lhe um instinto? Muitos até falam em suprimir o seu instinto porque não lhes parece a forma correcta de agir (estigma social?), e o que passam cá para fora é precisamente o inverso. Aliás, há quem lhe chame o instinto animal, e aqui ainda se torna mais fácil compreender esta tendência para o querer anular na nossa sociedade, pois muitos reagem mal a esta palavra, “animal”. Criou-se uma conotação depreciativa à volta desta e tenta-se evitá-la à força toda, e assim perguntamo-nos se não será o chamado “instinto” humano apenas o instinto animal moldado por todos os elementos sociais, racionalizado (daí a enorme dispersão, confusão e as imensas teorias)? Mas quando isto sucede desta maneira, mais tarde ou mais cedo, deixa-se escapar um bocado deste instinto a que se tinha feito campanha contra. Será que é por isso que, quando se chega a posições de poder, vemos frequentemente acções antagónicas das iniciais? Será esta a origem da falta de coerência? Será o verdadeiro instinto animal a falar mais alto? Como o Gonçalo dizia, quando se fala do leão ou da formiga, podemos ter a certeza que está na natureza deles aquela acção, e connosco? Não funcionaria melhor se assim fosse? Não teremos esse instinto animal algures ? Já Fernando Pessoa dizia “ Bom servo das leis fatais/Que regem pedras e gentes, / Que tens instintos gerais/E sentes só o que sentes”, quando falava do gato que brinca na rua, de forma instintiva e natural, com a sua irracionalidade que o impede que chegue a toda esta dispersão humana, age precisamente consoante sente.
Se formos pensar em algumas tribos, parece-nos óbvio o espírito de grupo. E assim perguntamo-nos, é só quando se chega a outro patamar, quando a tribo ou qualquer outro grupo já está bem instalado, seguro, e tem bases sólidas, que começam a surgir aqueles que já se mostram insatisfeitos com esta igualdade e ambicionam mais? Será que a maior parte das pessoas só ambiciona este nível de igualdade, o movimento de rebanhos, como dizia o Nietzsche, num clima adverso, fraco, e, quando este é ultrapassado, a insatisfação não tarda a chegar, já se quer distinção pessoal?Com certeza rapidamente surgem muitos contra-exemplos para isto, as posições são muitas, e a história mostra-o.
Isa
Vi há tempos uma série americana em que uma das personagens principais dizia: “Quando se soube que a história das armas de destruição maciça não era verdadeira eu esperava que o povo americano se revoltasse. Ha! Não o fizeram. Posteriormente, quando a história da tortura em Abu Ghraib [prisão iraquiana] veio à superfície e foi revelado que o nosso governo participava na capitulação, uma prática que consiste no rapto de pessoas e na sua entrega a países com regimes especializados em tortura, eu tinha a certeza que o povo americano se faria ouvir. Nós mantivemo-nos mudos. Depois surgiu a notícia que aprisionávamos milhares de supostos suspeitos terroristas, prendíamo-los sem direito a um julgamento ou até o direito de confrontar os seus acusadores. Certamente nunca iríamos aturar uma coisa como esta. Foi o que fizemos. […] De facto, se o povo do nosso país se pronunciasse, a mensagem seria «nós não nos importamos com nada disto». Tortura, buscas e apreensões sem mandato, escutas ilegais, prisão sem um julgamento justo ou qualquer julgamento, guerra sob pretextos falsos. Nós, como o conjunto dos cidadãos, aparentemente não nos ofendemos".
A triste verdade é que isto é o que realmente acontece nos dias de hoje. Tanto na América como em Portugal, nós suportamos tudo, até as maiores aldrabices e falcatruas! Quando é que será que o povo abrirá os olhos e fará alguma coisa?! Aliás, porque é que o povo ainda não fez alguma coisa?! Onde é que estão as manifestações estudantis do tempo de Salazar, como as de Coimbra, que, quando o governo errava, iam para a rua fazer-se ouvir? E reparem que nessa altura não éramos livres de o fazer, enquanto agora já somos. Dizem-nos que a liberdade de expressão é garantida pela constituição… Garantida uma ova, agora somos condicionados pelo que o Estado nos impõe. As notícias não parecem tão más, pois a maioria ou são pagas pelo Estado ou passam em meios tão sensacionalistas que já não acreditamos numa só palavra que deles venha; os comportamentos são padronizados nas escolas, temos apenas o direito “fictício” de ser todos diferentes e ter opiniões divergentes, o Estado quase que nos obriga a sermos todos iguais e é óbvio que o Estado não nos vai ensinar a pensar por nós, não lhe dá jeito, assim seríamos, de facto, capazes de fazer uma revolução; quem chega a líder, a político nos casos português e americano em particular, hoje em dia, são maioritariamente burgueses de classe média-alta, mais alta do que média, a quem não dá jeito deixar de ser rico, privilegiando sempre o seu meio. Como resultado, as pessoas que mais tarde serão líderes não vêm de baixo, não são “self-made men”, não precisam de se rebelar para chegar ao topo, basta seguir os padrões mínimos, não “fazer ondas” e decididamente que não cortar a “TVI” ou a revista “Maria”. Aliás, julgo que a única maneira de haver uma insurreição era cortar as revistas das fofocas e os fundos ao Benfica. Se isso acontecesse a revolução era certa!
A maioria da população é demasiado pessimista e derrotista para se revoltar por uma razões muito simples. Eu sou vegetariano e acredito que o Mundo tem de mudar quanto à produção massificada de animais. Quando digo isto às pessoas elas respondem-me com um “Que diferença farás tu quando poucas são as pessoas que agem assim?”. Na minha opinião esta é uma das grandes razões para o povo não se rebelar contra o que quer que seja! Toda a gente considera que não tem importância, que a sua acção não mudará nada, mas eu tenho uma notícia para vocês: Os grandes líderes revolucionários eram tão vulgares como nós! Ninguém nasce a liderar uma revolta, quem o quiser fazer tem de difundir os seus ideais e lutar por eles!
Se achas que tomar conta do poder é uma atitude demasiado radical, contenta-te apenas com a insurreição: defende os teus direitos, ou os direitos que deverias ter, e faz a diferença!
